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Carro de boi

O carro de boi, ou carro de bois, é um dos mais primitivos e simples meios de transporte, ainda em uso nos meios rurais, utilizado para o transporte de cargas e pessoas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Na História

Rio Grande do Sul (1839) – travava-se a Guerra dos Farrapos. Tudo acertado para a invasão de Santa Catarina. Os revolucionários – de um lado Davi Canabarro chefiava as tropas de terra. Do outro, Giuseppe Garibaldi daria cobertura por mar, atacando os portos da província. Um problema, porém, precisava ser solucionado: os dois lanchões da frota revolucionária estavam imobilizados na foz do rio Capivari. Como a Lagoa dos Patos estava interceptada pela esquadra da União, restava a Garibaldi a saída por terra mas, sem os lanchões a tomada da província era impraticável. A solução veio pelas mãos do mestre Joaquim de Abreu, “carpinteiro de ofício e revolucionário por convicção”, preparou dois estrados de vigamento reforçado, aparelhou troncos em formato de eixos e o resultado: dois carretões pesando 12 e 18 toneladas, respectivamente. As 50 juntas de bois atreladas a cada carretão, após seis dias de marcha, transportaram os barcos até o rio Tramandaí. A façanha não bastou para vencer a revolução: a causa farroupilha acabou sendo derrotada, mas constitui um capítulo na história do carro de bois.

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No Brasil

Introduzido pelos colonizadores portugueses, o carro de boi difundiu-se por todo o país, existindo ainda no meio rural nordestino. O carro de boi foi um dos principais meios de transporte utilizados para transportar a produção das fazendas para as cidades, mas ainda é utilizado em algumas regiões do país. Em alguns municípios, como em algumas regiões do interior brasileiro, ainda há fazendeiros que realizam mutirões de carros de bois para transportar suas produções agrícolas e também outros produtos. O som estridente característico do carro de bois, chamado de canto, lamento ou gemido, também faz parte da nossa cultura. Dotado de uma estrutura que não possui o diferencial, suas rodas travam durante as curvas. Quando em movimento, o autêntico carro de boi emite um som estridente característico - o cantador - que anuncia a sua passagem.

Partes do carro de boi

Algumas das partes do carro de boi (fonte:Dicionário de Caetitenês, de André Koehne; Museu do carro de boi): E conhecimento popular.

Festivais de carros de boi

Por seu valor cultural, o carro de bois é homenageado em diversos festivais e encontros, onde se reúnem os últimos usuários e colecionadores desse meio de transporte rústico e simbólico do meio rural brasileiro. Na região sudeste, em Minas Gerais são conhecidos os festivais de carro de boi de Formiga, Bambuí, Ibertioga, Desterro de Entre Rios, Vazante, Macuco de Minas , São Pedro Da União, Matutina, Caldas, Congonhal, Resende Costa (sobretudo no distrito de Jacarandira), Pará de Minas e Lima Duarte em Goiás na cidade de Portelândia tem uma das mais belas do estado. No estado do Rio de Janeiro, o festival de carros de boi de Raposo, distrito de Itaperuna, é um dos mais famosos. Em Goiás, na cidade histórica Pirenópolis, é utilizado no desfile em que os carreiros levam a imagem do santo na tradicional Festa de São Sebastião, festa realizada na cidade desde meados do século XVIII. Na manhã do último dia da novena, o desfile percorre as ruas do centro histórico, passando pelos principais marcos históricos, movimentando o turismo local .

Na arte

O carro de boi é um elemento referencial, na intervenção feita no Solar do Unhão, atual sede do Museu de Arte Moderna da Bahia, pela arquiteta Lina Bo Bardi: uma escada de madeira, interna, foi toda feita sem o uso de parafusos ou pregos - tal como nos antigos carros. A música sertaneja, com sua dupla pioneira, Tonico e Tinoco, junto a Anacleto Rosas Jr., compôs a canção "Boi de Carro", onde traçam um paralelo ao boi já velho com o trabalhador que avança na idade.

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Em Portugal

O uso de carros de bois em Portugal é imemorial pois foi durante séculos um meio de transporte usado no transporte de mercadorias mas sobretudo fundamental como alfaia rural para transportes em pequenas distâncias. Existiram até meados do século XX vários modelos regionais e locais de carros de bois em Portugal contudo o etnógrafo Fernando Galhano organizou-os em quatro tipos principais: A obra, O Carro de Bois em Portugal, de Fernando Galhano documenta as variantes dos carros de bois, a nomenclatura local associada e a construção dos mesmos.

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Fontes consultadas

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