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Viés de confirmação

Viés de confirmação, também chamado de viés confirmatório ou de tendência de confirmação, é a tendência de se lembrar, interpretar ou pesquisar por informações de maneira a confirmar crenças ou hipóteses iniciais. Também se aplica quando se concorda com uma frase usada anteriormente mas reapresentada com uma nova roupagem, gerando um tipo de viés cognitivo e um erro de raciocínio indutivo. As pessoas demonstram esse viés quando reúnem ou se lembram de informações de forma seletiva, ou quando as interpretam de forma tendenciosa. Tal efeito é mais forte em questões de forte carga emocional e em crenças profundamente arraigadas. As pessoas também tendem a interpretar evidências ambíguas de forma a sustentar suas posições já existentes. Os conceitos de pesquisa, interpretação e memória tendenciosas foram propostos para explicar a polarização de atitudes, as crenças persistentes, o efeito irracional de primariedade e a correlação ilusória.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Tipos

Vieses de confirmação são efeitos do processamento de informações. Eles se diferem do que é por vezes chamado de efeito de confirmação comportamental, comumente conhecido como profecia autorrealizável, na qual as expectativas de uma pessoa influenciam seu comportamento, o qual ajuda a causar o resultado esperado pela pessoa. Alguns psicólogos restringem o termo viés de confirmação à reunião seletiva de evidências que sustentam o que uma pessoa já acredita enquanto se ignoram ou se rejeitam evidências que sustenta uma conclusão diferente. Outros psicólogos aplicam o termo de forma mais ampla, referindo-se à tendência a se preservar crenças preexistentes não somente na pesquisa por evidências, mas também na interpretação delas e em sua recordação por memória.[nota 3]

Pesquisa tendenciosa

Experimentos têm revelado repetidamente que as pessoas tendem a testar hipóteses de forma unilateral, pesquisando por evidências que sejam consistentes com sua hipótese atual. Em vez de pesquisarem por toda evidência que seja relevante, elas formulam questões de forma a receberem uma resposta afirmativa, que sustente suas hipóteses. Elas procuram pelas consequências que esperariam caso a hipótese delas seja verdadeira, em vez de procurarem saber o que aconteceria no caso da hipótese ser falsa. Por exemplo, uma pessoa que possa utilizar apenas perguntas de sim/não para encontrar um número, suspeitando que o número seja 3, irá preferir perguntar "É um número ímpar?" a perguntar "É um número par?". As pessoas preferem o primeiro tipo de questão, chamado "teste positivo", mesmo que o segundo tipo de questão lhe proveja a mesma informação. Entretanto, isso não significa necessariamente que as pessoas procurem testes que garantam uma resposta positiva. Em estudos onde os sujeitos podiam escolher entre pseudo-testes como esse ou testes diagnósticos genuínos, eles preferiram os diagnósticos genuínos.

Interpretação tendenciosa

"Pessoas espertas creem em coisas bizarras porque elas são hábeis em defenderem coisas em que vieram a crer por razões não-espertas." Vieses de confirmação não são limitados à reunião de evidências. Mesmo que dois indivíduos tenham a mesma informação, a maneira como eles a interpretam pode ser tendenciosa. Uma equipe conduziu na Universidade de Stanford um experimento envolvendo participantes com forte opinião sobre a pena de morte, sendo metade a favor e metade contra. Cada participante leu as descrições de dois estudos: uma comparação dos Estados dos EUA com e sem pena de morte, e uma comparação das taxas de homicídio em um Estado antes e depois da introdução da pena de morte. Após ler uma rápida descrição de cada estudo, foi perguntado aos participantes se suas opiniões haviam mudado. Após isso, eles leram uma decrição mais detalhada dos procedimentos de cada estudo e tiveram que avaliar se as pesquisas foram bem conduzidas e convincentes. Na verdade, os estudos eram fictícios. Foi dito a metade dos participantes que um dos estudos sustentava o efeito de deterrência — o efeito da pena de morte de deter o crime — e que o outro estudo desmentia esse efeito, enquanto para os outros participantes tais conclusões foram invertidas.

Memória tendenciosa

Mesmo que as pessoas reúnam e interpretem evidências de uma maneira neutra, elas aindam podem recordá-las seletivamente de forma a reforçar suas expectativas. Esse efeito é chamado "lembrança seletiva", "memória confirmatória" ou "memória de acesso enviesado". Diferentes teorias psicológicas variam em relação a suas previsões sobre lembrança seletiva. A teoria do esquema prevê que informações que confirmem expectativas anteriores serão mais facilmente guardadas e lembradas que informações que não as confirmem. Algumas abordagens alternativas dizem que informações surpreendentes se sobressaem e se revelam memoráveis. Previsões de ambas teorias já foram confirmadas em diferentes contextos experimentais, sem vitória absoluta por parte de nenhuma delas.

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Efeitos relacionados

Polarização de opiniões

Quando pessoas com visões opostas interpretam novas informações de forma tendenciosa, suas visões podem se distanciar ainda mais. Isso é chamado polarização de atitudes. Esse efeito foi demonstrado por um experimento que envolvia retirar uma série de bolas vermelhas e pretas de uma "cesta de bingo". Os participantes sabiam que havia duas cestas, uma contendo 60% de bolas pretas e 40% vermelhas, e outra que continha 40% de bolas pretas e 60% vermelhas. Os experimentos se concentraram em observar o que acontecia quando bolas de cores alternadas eram retiradas uma seguida da outra, uma sequência que não favorecia nenhuma das cestas. Após cada bola ser retirada, era pedido aos participantes de um grupo para declararem em voz alta suas estimativas sobre a probabilidade de as bolas serem da primeira ou da segunda cesta. Esses participantes tendiam a se tornarem mais confiantes a cada rodada de sucesso — fossem seus pensamentos iniciais de que a origem mais provável era primeira ou a segunda cesta, suas estimativas de probabilidade aumentavam. Foi pedido a outro grupo de participantes que apenas declarassem suas estimativas de probabilidade ao fim da sequência, em vez de a cada bola. Eles não demonstraram o feito de polarização, o que implica que isso não necessariamente acontece quando pessoas simplesmente possuem posições opostas, mas particularmente quando as defendem abertamente.

Persistência em crenças desmentidas

Crenças podem sobreviver a poderosos desafios lógicos ou empíricos. Elas podem sobreviver e até mesmo serem reforçadas por uma evidência a qual observadores descomprometidos concordariam que demanda um enfraquecimento de tais crenças. Elas podem até mesmo sobreviver à destruição total de sua base de evidências. O viés de confirmação pode ser usado para explicar por que algumas crenças persistem mesmo quando suas evidências iniciais são retiradas. Esse efeito de crenças persistentes, também chamado de perseverança de crenças, já foi demonstrado por uma série de experimentos utilizando o que é chamado "paradigma da inquirição": os participantes leem falsas evidências para uma hipótese, é medida a mudança de atitude deles, e então a falsificação é exposta detalhadamente. Suas atitudes são então medidas mais uma vez para ver se a crença deles retornou ao nível inicial.

Preferência por informações anteriores

Experimentos mostram que informações que aparecem antes que outras em uma série têm mais peso que aquelas vistas depois, mesmo quando a ordem é irrelevante. Por exemplo, pessoas têm uma impressão mais positiva de alguém descrito como "inteligente, trabalhador, impulsivo, crítico, teimoso, invejoso" que quando expostas às mesmas palavras na ordem inversa. Esse efeito irracional de primariedade é independente do efeito de primariedade na memória, onde os itens apresentados antes que outros em uma série deixam um traço mais forte na memória. A interpretação tendenciosa oferece uma explicação para esse efeito: expostas a uma evidência inicial, as pessoas formam uma hipótese funcional que afeta como elas interpretam o resto da informação.

Associação ilusória entre eventos

Correlação ilusória é a tendência de enxergarmos relações inexistentes em um conjunto de dados. A primeira vez que essa tendência foi demonstrada foi em uma série de experimentos no final dos anos 60. Em um experimento, os participantes leram um conjunto de estudos de caso psiquiátricos, incluindo respostas ao teste do borrão de tinta de Rorschach. Os participantes relataram que os homens homossexuais nos estudos tinham maior probabilidade de relatarem ver nádegas e outras figuras sexualmente ambíguas nos borrões de tinta. Na verdade, os estudos de caso eram fictícios e, inclusive, uma versão do experimento foi concebida de modo que os homens homossexuais tivessem menor probabilidade de relatarem essas imagens. Em uma pesquisa, um grupo de psicoanalistas experientes relatou o mesmo conjunto de associações ilusórias com a homossexualidade.

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Diferenças individuais

Já se considerou que o viés de confirmação estivesse associado com uma maior inteligência; contudo, estudos já demonstraram que o viés de confirmação pode ser mais influenciado pela habilidade de se pensar do que pela quantidade de inteligência. O viés de confirmação pode causar uma inabilidade para se avaliar o lado oposto de um argumento de forma lógica e efetiva. Estudos declaram que o viés de confirmação é a ausência de uma propensão para sermos "mente aberta" de forma "ativa", isto é, a ausência de uma busca ativa do porquê de uma ideia inicial poder estar errada. Tipicamente, o viés de confirmação é operacionalizado em estudos empíricos como a quantidade de evidência usada para sustentar seu lado em comparação ao lado oposto. Um estudo encontrou quatro diferenças no viés de confirmação relacionadas ao indivíduo. Esse estudo investiga diferenças individuais que são adquiridas através do aprendizado em um contexto cultural e que são mutáveis. O pesquisador encontrou, na argumentação, importante diferença relacionada ao indivíduo. Estudos sugerem que diferenças individuais, tais como a habilidade de raciocínio dedutivo, a habilidade para superar o viés de crença, a sabedoria epistemológica e a disposição para pensar são indicadores significativos do raciocínio e da geração de argumentos, contra-argumentos e criação de contradições.

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História

Em 1960, o pesquisador Peter Wason, um psicólogo cognitivo, após um experimento forneceu pela primeira vez uma descrição sistemática do fenômeno, sendo também o responsável por cunhar o termo "viés da confirmação" para nomear o fenômeno em questão. No experimento os participantes eram expostos a uma sequência de 3 números da qual eles precisariam identificar um padrão e/ou uma regra de onde essa sequência se derivava, podendo fornecer antes, duas novas sequências de 3 números para obter a confirmação do pesquisador se estavam de acordo com a regra/padrão antes de concluírem qual seria a regra/padrão afinal. Por exemplo, se o examinador fornecia uma sequência de números "2, 4, 6" o participante poderia dar em resposta a sequência "4, 6, 8", e se o examinador dissesse que a sequência estava de acordo com o padrão/regra o participante daria como resposta uma última nova sequência, como por exemplo "22, 24, 26", e se recebesse mais um sim, geralmente concluía algo como que a regra dizia respeito a números pares consecutivos (e está não era a regra por trás da sequência, o que implicava no fracasso do participante em desvenda-la). Os participantes não tiveram dificuldade em fornecer novas hipóteses que confirmavam a sua desconfiança inicial (fosse ela uma sequência de números pares, uma sequência de números que sobem de dois em dois e etc.), o que eles não fizeram foi fornecer hipóteses que poderiam contrariar a sua suspeita inicial, como por exemplo, depois de fornecer a primeira hipóteses de "2, ,4 ,6" e receber um "sim" como resposta, fornecer uma última hipótese que contrariava a sua suspeita inicial, como por exemplo, "2, 4, 3", o que os ajudariam a encontrar a regra real: qualquer série de números ascendentes.

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Fontes consultadas

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