Castelo de Windsor
O Castelo de Windsor é uma residência real localizada na cidade de Windsor em Berkshire, Inglaterra, Reino Unido. A edificação é notável por sua longa associação com as famílias reais inglesa e britânica e também por sua arquitetura. O castelo original foi construído no século XI, após a conquista normanda da Inglaterra por Guilherme I. Ele é usado pelos monarcas desde o reinado de Henrique I e é o castelo há mais tempo habitado de toda a Europa. Seus luxuosos Apartamentos de Estado do início do século XIX são arquiteturalmente significantes, descritos pelo historiador Hugh Roberts como "uma sequência soberba e inigualável de quartos amplamente considerados como a expressão mais completa do posterior gosto jorgiano". O castelo também conta com a Capela de São Jorge do século XV, considerada por historiadores como "uma das realizações supremas da arquitetura perpendicular gótica inglesa". Mais de quinhentas pessoas vivem e trabalham no Castelo de Windsor.
O Castelo de Windsor ocupa um enorme terreno de mais de cinco hectares e combina as características de fortificação, palácio e cidade pequena. O castelo de hoje foi criado durante uma sequência de projetos de construção, culminando em um trabalho de reconstrução depois do incêndio de 1992. É em sua essência um projeto jorgiano e vitoriano baseado em uma estrutura medieval, com características góticas reinventadas em um estilo moderno. A arquitetura do castelo tem tentado desde o século XIV produzir uma reinterpretação contemporânea das antigas tradições e modas, imitando repetidas vezes estilos ultrapassados e antiquados. Como resultado, o arquiteto sir William Whitfield salientou que a arquitetura do Castelo de Windsor possui "uma certa qualidade ficcional", com os desenhos gótico e pitoresco gerando "uma sensação que uma interpretação teatral está sendo colocada aqui" apesar de tentativas do final do século XX de expor mais das estruturas antigas para aumentar a sensação de autenticidade. Mesmo que haja algumas críticas, sua arquitetura e história lhe dão um "lugar entre os maiores palácios europeus".
Ala Central
No centro do Castelo de Windsor está a Ala Central, um colherão formado ao redor de uma mota no centro da ala. A mota tem 15 m de altura e é feita de giz originalmente escavado de um fosso ali perto. A fortaleza no topo da mota, chamada de Torre Redonda, é baseada na fortificação original do século XII, ampliada para cima em 30 m no início do século XIX pelo arquiteto Jeffry Wyatville a fim de produzir uma altura e silhueta mais imponente. O interior da Torre Redonda foi reformado em 1991–93 para dar mais espaço para a Royal Collection, com uma sala adicional sendo construída no espaço deixado pela expansão oca feita por Wyatville. A torre na realidade não é cilíndrica, mas sim epitrocoide devido a forma da estrutura e a mota embaixo. A altura atual foi criticada como sendo desproporcional para sua largura; por exemplo, o arquiteto Tim Tatton-Brown a descreveu como uma mutilação da antiga estrutura medieval.
Ala Superior
A Ala Superior do Castelo de Windsor é formada por vários grandes edifícios cercados pela muralha de colherão superior, formando um quadrilátero central. Os Apartamentos de Estado estão ao longo do lado norte da ala, com outros prédios ao longo da muralha oeste, com o lado sudoeste sendo ocupado pela Torre de Eduardo III e no sul pelos apartamentos reais de Jorge IV. A mota da Torre Redonda forma o canto oeste da ala. Uma estátua em bronze de Carlos II a cavalo fica do lado da Torre Redonda. Inspirada pela estátua de Carlos I em Londres esculpida por Hubert Le Sueur, a estátua foi esculpida em 1679 por Josias Ibach, com o pedestal de mármore contendo entalhes de Grinling Gibbons. A Ala Superior é adjacente ao Terraço Norte, que tem vista para o rio Tâmisa, e ao Terraço Leste, com vista para os jardins; ambos os terraços foram construídos por Hugh May no século XVII.
Ala Inferior
A Ala Inferior está embaixo e ao oeste da Torre Redonda, alcançada através do Portão Normando. Originalmente em sua maior parte de projeto medieval, ela foi renovada ou reconstruída no meio do período vitoriano por Anthony Salvin e Edward Blore com a intenção de formar "uma composição consistentemente gótica". É na Ala Inferior que está a Capela de São Jorge e a maioria dos edifícios associados com a Ordem da Jarreteira. No canto norte da Ala Inferior está a Capela de São Jorge. O enorme edifício é a sede espiritual da Ordem dos Cavaleiros da Jarreteira e data desde o final do século XV e início do XVI, projetada em um estilo perpendicular gótico. O coro feito de madeira é do século XV, tendo sido restaurado e expandido por Henry Emlyn no final do século XVIII e decorado com um conjunto único de placas de metal mostrando os brasões dos Cavaleiros da Jarreteira nos últimos seis séculos. No canto oeste, a capela tem um grande portão vitoriano e escadaria, usados em ocasiões cerimoniais. O vitral do lado leste também é vitoriano e a janela de sacada do lado norte foi construída por Henrique VIII para sua primeira esposa Catarina de Aragão. A cripta em frente do altar contém os corpos de Carlos I, Henrique VIII e sua terceira esposa Joana Seymour, com Eduardo IV estando enterrado ali perto. A capela é considerada "uma das realizações supremas da arquitetura perpendicular gótica inglesa" pelo historiador John Robinson.
Parque e paisagem
A posição do Castelo de Windsor no alto de um morro limitou os jardins a uma escala bem pequena. Os jardins alongam-se a partir da Ala Superior por um terraço do século XX. O castelo é cercado por um extenso parque. A área imediatamente ao leste é uma criação do século XIX conhecida como Home Park. O Home Park contém dois parques e duas fazendas funcionais, junto com vários chalés ocupados por empregados e a propriedade de Frogmore. O Longo Passeio, uma avenida de árvores, corre por 5 km para o sul do castelo e tem 75 m de largura. Os ulmeiros originais do século XVII foram substituídos por castaneas e plátanos alternados. O impacto da grafiose levou a um replantio em grande escala depois de 1945.
Jorge I pouco se interessava por Windsor, preferindo seus outros palácios de St. James. Hampton Court e Kensington. Jorge II também raramente usava o castelo, preferindo Hampton Court. Muitos dos apartamentos na Ala Superior eram dados como privilégios de "graça e favor" para o uso de viúvas importantes ou amigos da coroa. O príncipe Guilherme, Duque de Cumberland, foi quem mais usou a propriedade em sua capacidade de Guardião do Grande Parque de Windsor. O Castelo de Windsor acabou tornando-se uma atração turística por volta da década de 1740; ricos visitantes que podiam pagar ao guardador do castelo podiam entrar, ver curiosidades como o chifre de narval[nota 9] e comprar os primeiros livros de guia para Windsor produzidos por George Bickham em 1753 e Joseph Pote em 1755. Enquanto a condição dos Apartamentos de Estado deterioravam, até mesmo o público normal conseguia visitar regularmente o local.
Séculos XI e XII
O Castelo de Windsor foi construído por Guilherme I na década seguinte a conquista normanda da Inglaterra. Ele estabeleceu um anel de defesa de castelos de mota ao redor de Londres; cada um estava a um dia de marcha – por volta de 32 km – da cidade e do castelo seguinte, permitindo reforços rápidos durante uma crise. Windsor era uma dessas fortificações e era estrategicamente importante por estar próximo tanto do rio Tâmisa, uma importante rota para Londres, quanto da Floresta de Windsor, uma reserva real de caça usada anteriormente pelos reis saxões. O assentamento próximo de Clivore, ou Clewer, era uma antiga residência saxã. O castelo inicial de madeira era formado por uma torre de menagem no alto de uma mota artificial, protegida por uma pequena muralha de colherão ocupando um penhasco de giz 30 m acima do rio. Um segundo colherão de madeira foi construído ao leste da torre, formando a posterior Ala Superior. Outro colherão foi construído ao oeste no final do século, criando o formato básico do castelo moderno.[nota 5] No projeto, Windsor era similar ao Castelo de Arundel, outra importante fortificação normanda, apesar do desenho de colherão duplo também ser encontrado nos castelos de Rockingham e Alnwick.
Século XIII
O rei João realizou alguns trabalhos de construção em Windsor, mas principalmente nas acomodações do que nas defesas. O castelo teve um papel na Primeira Guerra dos Barões: ele foi cercado em 1214 e João o usou como sua base durante as negociações que antecederam a assinatura no ano seguinte da Magna Carta em Runnymede. O castelo foi cercado novamente em 1216 por tropas baroniais e francesas sob o comando de Hervé, Conde de Nevers, porém o condestável Engelardo de Cigogné conseguiu defendê-lo. O dano tomado pelo castelo durante o segundo cerco foi imediatamente reparado em 1216 e 1221 por Engelardo em nome do sucessor de João, Henrique III, fortalecendo ainda mais as defesas. As muralhas da Ala Inferior foram reconstruídas em pedra, complementadas entre 1224 e 1230 por um portão no local do futuro Portão de Henrique VIII. Foram construídas três novas torres: a de Recolher, da Jarreteira e a de Salisbury. A Ala Central foi muito reforçada com uma muralha de pedra no lado sul, protegida por duas torres em cada ponta.
Século XIV
Eduardo III nasceu no Castelo de Windsor e o usou muito durante seu reinado. O rei anunciou em 1344 a fundação de uma nova Ordem dos Cavaleiros da Távola Redonda. Eduardo começou a construir um novo edifício no castelo para sediar a ordem, porém nunca foi terminado. Os crônicos o descrevem como uma edificação redonda com 61 m de diâmetro, localizada provavelmente no centro da Ala Superior. Ele abandonou a nova ordem pouco depois por motivos que permanecem desconhecidos, estabelecendo no lugar a Ordem da Jarreteira, novamente sediada no castelo e completada com os Humildes Cavaleiros de Windsor. Eduardo decidiu reconstruir Windsor como parte do processo, particularmente o palácio de Henrique III em uma tentativa de criar um castelo que fosse um símbolo de cavalaria e poder real. Ele foi influenciado tanto pelos sucessos militares de seu avô Eduardo I, quanto pelo declínio da autoridade real sob seu pai Eduardo II, querendo produzir uma inovadora "arquitetura auto-consciente, estética, forte e marcial".
Século XV
O Castelo de Windsor continuou a ser um local favorito dos monarcas ingleses no século XV, mesmo com a Inglaterra entrando em um período de violência política cada vez maior. Henrique IV tomou o castelo durante seu golpe de 1399, apesar de não ter conseguido capturar Ricardo II, que fugiu para Londres. Sob Henrique V, Windsor sediou em 1417 a visita de Sigismundo, Sacro Imperador Romano-Germânico, um enorme evento diplomático que colocou no limite as acomodações do castelo. A Inglaterra começou a ficar cada vez mais dividida no meio do século XV entre as duas facções rivais da Casa de Lencastre e da Casa de Iorque. Castelos como o de Windsor acabaram não tendo um papel decisivo na Guerra das Rosas, que foi travada principalmente na forma de batalhas campais entre as duas forças. Henrique VI nasceu no castelo e tornou-se rei com apenas nove meses de idade. O longo período de sua minoridade junto com as tensões cada vez maiores entre os apoiadores dos Lencastre e os dos Iorque tiraram a atenção de Windsor. Os Banquetes da Jarreteira e outros eventos cerimoniais no castelo ficaram cada vez mais infrequentes e com poucas pessoas comparecendo.
Século XVI
Henrique VIII gostava do Castelo de Windsor, "exercitando-se diariamente em tiro, canto, dança, luta, flexões, tocar com os gravadores, flauta e virginal para fazer canções e criar baladas" quando jovem. A tradição dos Banquetes da Jarreteira foi mantida e ficou mais extravagante; o tamanho do séquito real que visitava Windsor teve de ser restringido devido ao seu número cada vez maior. Durante a Peregrinação da Graça em 1536, um grande levante popular no norte da Inglaterra contra o governo de Henrique, o rei usou o castelo como uma base para gerir sua resposta militar. Windsor foi usado durante todo o período Tudor como um refúgio seguro no caso de algum evento perigoso em Londres.
Século XVII
Jaime VI & I usou o Castelo Windsor principalmente como base de caça, uma de suas atividades preferidas, e também para socializar com seus amigos. Muitas dessas ocasiões envolviam grandes sessões de bebidas, incluindo uma com o rei Cristiano IV da Dinamarca em 1606 que ficou infame pela Europa devido ao comportamento embriagado dos dois monarcas. A falta de espaço continuou a ser um problema, com os séquitos escocês e inglês de Jaime frequentemente brigando por aposentos. Carlos I era um conhecedor das artes e mais se concentrou nos aspectos estéticos de Windsor que seus predecessores. O rei fez o castelo inteiro ser pesquisado em 1629 por uma equipe que incluía Inigo Jones, porém pouco do trabalho recomendado foi realizado. Ele mesmo assim empregou Nicholas Stone para melhorar a galeria da capela em um estilo maneirista e construir um porão para o Terraço Norte. Christian van Vianen, um renomado ourives holandês, foi contratado para produzir uma seção barroca em ouro para o altar da Capela de São Jorge. Carlos demoliu a fonte da Ala Superior, querendo substituí-la por uma estátua ao estilo clássico.


