Castrato
Castrato é um cantor do sexo masculino cuja extensão vocal corresponde em pleno à das vozes femininas, seja de soprano, mezzo-soprano ou contralto. Isto ocorre porque o cantor, quando criança, foi submetido à castração para preservar sua voz aguda.
A prática de castração de jovens cantores (ou castratismo) existia desde o início do Império Bizantino, em Constantinopla, em torno de 400 d.C. A imperatriz bizantina, Élia Eudóxia, tinha um coro cujo mestre era um eunuco, que pode ter estabelecido o uso de castrati em coros bizantinos. Por volta do século IX, cantores eunucos eram bem conhecidos (pelo menos em Basílica de Santa Sofia), e permaneceu assim até o saque de Constantinopla pelas forças ocidentais da Quarta Cruzada em 1204. A partir de então, a prática de cantores eunucos desapareceu. Somente no século XVI, na península Itálica, os castrati reapareceram, devido à necessidade de vozes agudas nos coros das igrejas. No fim da década de 1550, o duque de Ferrara tinha castrati no coro da sua capela. Está documentada a sua existência no coro da igreja de Munique a partir de 1574 e no coro da Capela Sistina a partir de 1599. Na bula papal Cum pro nostro pastorali munere de 1589, o papa Sisto V aprovou formalmente o recrutamento de castrati para o coro da Basílica de São Pedro.
O mais famoso castrato do século XVIII terá sido Carlo Broschi, conhecido por Farinelli, tendo sido realizado um filme sobre a sua vida, Farinelli - Il Castrato. O filme de Gérard Corbiau (1994) focaliza a vida do mítico cantor italiano Carlo Broschi (1705-1782), que iniciou sua carreira ao lado do irmão, o compositor Riccardo Broschi. Fora aluno de Nicola Porpora e ganhou muito prestígio em toda a Europa. Aparece como um galã de olhar triste e solitário, e encerrou carreira como cantor exclusivo do rei Felipe V da Espanha, que o contratou porque seu canto era a única coisa que o tirava da depressão. No longa-metragem, Farinelli vive um embate com o compositor Haendel, que quase vai à falência quando o astro rouba o público de seu teatro para o do concorrente. Na época dos castrati, a estrela era o cantor; a música, portanto, deveria estar a serviço dele. E o filme toca nesse assunto quando Haendel descarrega em Farinelli todo seu ódio. De ambas as partes, era uma relação alimentada por admiração e raiva.
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Tanto na ópera quanto na música sacra é inegável o importância de papéis masculinos desempenhados por castrati, tais como:
Imagem: Royal Opera House Covent Garden · BY · Openverse
"Cry to Heaven" é uma obra de Anne Rice de 1982, que descreve a vida dos castrati italianos na sociedade do século XVIII. Cantores de ópera que eram adulados por multidões, como hoje o são os ídolos de música pop, objetos de paixões por homens e mulheres, mas que, no entanto, não deixavam de ser considerados apenas como meio-homens (ou meio-humanos).


