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Catarina II da Rússia

Catarina II, também conhecida como Catarina, a Grande, foi Imperatriz da Rússia de 1762 a 1796. Uma princesa alemã por nascimento, chegou ao poder após um golpe de estado contra seu próprio marido, Pedro III. Seu longo reinado marcou a era de ouro do Iluminismo na Rússia, com a fundação de cidades, universidades e teatros, além do incentivo à imigração europeia e da consolidação do país como uma das grandes potências da Europa.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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Início de vida

Sofia Frederica Augusta de Anhalt-Zerbst nasceu às duas horas da madrugada de 2 de maio de 1729, como filha do príncipe Cristiano Augusto de Anhalt-Zerbst e da princesa Joana Isabel de Holsácia-Gottorp. Seu pai era membro de um ramo secundário da Casa de Ascânia e servia como governador da fortaleza de Estetino, na Pomerânia Prussiana. Sua mãe pertencia à Casa de Holsácia-Gottorp, dinastia que reinava na Suécia. De posição social superior à da família do marido, Joana Isabel casou-se com Cristiano Augusto em uma união arranjada, posteriormente descrita como infeliz em razão da diferença de idade e das divergências de temperamento entre os cônjuges. Sofia cresceu em Estetino. Segundo suas Memórias, sua mãe demonstrava preferência pelo filho mais novo, Guilherme Cristiano, que apresentava problemas de saúde, mantendo uma relação distante com a filha. Joana Isabel também lhe impunha uma disciplina rigorosa, desencorajando demonstrações de orgulho e exigindo estrita observância da etiqueta aristocrática.

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Vida na Rússia

Viagem à Rússia, conversão e casamento

Em 1741, a ascensão da imperatriz Isabel da Rússia ao trono fortaleceu os vínculos entre a corte russa e a Casa de Holsácia-Gottorp, à qual pertencia a mãe de Sofia, Joana Isabel. Isabel havia sido noiva de Carlos Augusto de Holsácia-Gottorp, irmão mais velho de Joana Isabel, falecido em São Petersburgo antes da celebração do casamento, e mantinha estreitas relações com a família. Após uma troca de correspondências e presentes entre Joana Isabel e a imperatriz, Sofia foi considerada uma possível noiva para o herdeiro do trono russo, o duque Carlos Pedro Ulrico de Holsácia-Gottorp. No início de 1744, Sofia e sua mãe viajaram para a Rússia a convite da imperatriz. Em Moscou, reencontraram Carlos Pedro Ulrico, que Sofia conhecera cinco anos antes na Alemanha, e foram recebidas por Isabel. Pouco depois de sua chegada, Sofia iniciou o estudo da língua russa e da doutrina da Igreja Ortodoxa Russa. Sua instrução religiosa foi confiada ao bispo Simon Todorski, enquanto o ensino do idioma ficou a cargo de professores designados pela corte. Diferentemente de Pedro, Sofia dedicou-se intensamente ao aprendizado da língua e da religião. Durante esse período, Sofia contraiu pneumonia após expor-se ao frio enquanto estudava russo durante a noite. A doença provocou preocupação na corte, mas sua recuperação contribuiu para aumentar sua popularidade entre os russos, que passaram a associar sua dedicação ao desejo de integrar-se ao país.

Grã-duquesa

Em diversos aspectos, o casamento dos herdeiros do trono mostrou-se malsucedido. O comportamento de Pedro passou a ser considerado difícil e incompatível com a vida na corte, causando desconforto entre os residentes do palácio. Ele costumava anunciar exercícios militares matinais para os criados, que posteriormente se reuniam com Catarina em seus aposentos para cantar e dançar até altas horas da noite. A situação agravou-se depois que Pedro teve uma amante. Catarina também começou a se aproximar de homens influentes da corte. Nesse período, ela logo se tornou popular entre vários grupos políticos poderosos que se opunham ao marido. Infeliz com o casamento, passou a se dedicar bastante à leitura, principalmente de livros em francês. Ela menosprezava o marido por sua devoção à leitura, por um lado, de "livros de orações luteranos e, por outro, da história e do julgamento de alguns ladrões de estrada que haviam sido enforcados ou executados na roda".

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Reinado

Catarina II foi uma importante mecenas das artes, da literatura e da educação. Sua coleção particular de pinturas, esculturas, livros, desenhos e objetos deu origem ao Museu Hermitage, para o qual mandou construir um edifício em 1770. Em 1790, o acervo já reunia cerca de 38 mil livros, 10 mil gemas e 10 mil desenhos. A imperatriz também promoveu a arquitetura e o paisagismo. Em 1770, ordenou a criação do primeiro jardim paisagístico inglês em Tsarskoye Selo e demonstrou preferência pelo estilo inglês em detrimento dos jardins formais franceses. Seu interesse pela arte chinesa levou à construção do Palácio Chinês, em Oranienbaum (1762–1766), e da Aldeia Chinesa em Tsarskoye Selo, projetados no estilo chinoiserie. Catarina procurou atrair intelectuais e cientistas para a Rússia e manteve contato com pensadores iluministas como Voltaire, Diderot e D'Alembert. Também convidou cientistas como Euler, Pallas e Lexell para atuar no Império Russo.

Morte da imperatriz Isabel e deposição do marido

No final de 1761, o agravamento da saúde da imperatriz Isabel tornou iminente a sucessão ao trono. Catarina via a ascensão de Pedro como inevitável, mas sua própria posição permanecia incerta, sobretudo após a perda de importantes aliados políticos. Diante desse cenário, passou a considerar diferentes possibilidades para o novo reinado, incluindo, ainda que remotamente, a de assumir o poder. Em 5 de janeiro de 1765 (25 de dezembro de 1761 no calendário juliano), Isabel sofreu um grave derrame e morreu poucos dias depois, sem alterar a ordem sucessória. Pedro foi proclamado imperador como Pedro III, enquanto Catarina assumiu formalmente a posição de imperatriz consorte. A mudança de governo, porém, não fortaleceu a posição de Catarina, que continuou politicamente isolada enquanto o imperador privilegiava sua amante, Isabel Vorontsova, e manifestava a intenção de afastá-la da corte.

Imperatriz soberana

Catarina foi coroada na Catedral da Dormição, em Moscou, em 22 de setembro de 1762. Sua coroação assinalou a criação de um dos mais importantes tesouros da dinastia Romanov: a Grande Coroa Imperial da Rússia, concebida pelo joalheiro suíço-francês da corte, Jérémie Pauzié. Inspirada na tradição artística bizantina, a coroa foi confeccionada com duas semiesferas, uma de ouro e outra de prata, que simbolizam os antigos Impérios Romano do Oriente e do Ocidente. Ambas são separadas por uma guirlanda de folhas e unidas por um aro inferior. A joia é ornamentada com 75 pérolas e 4.936 diamantes de origem indiana, dispostos em motivos de folhas de louro e carvalho, símbolos tradicionais de poder e força. No topo, destaca-se um espinélio vermelho de 398,62 quilates, encimado por uma cruz de diamantes. Produzida em apenas dois meses, a coroa pesa aproximadamente 2,3 quilogramas. Desde 1762, a Grande Coroa Imperial foi utilizada nas cerimônias de coroação de todos os imperadores da dinastia Romanov, permanecendo como a principal insígnia da monarquia russa até sua abolição, em 1917. Atualmente, integra o acervo do Palácio do Arsenal do Kremlin, em Moscou, onde permanece em exposição.

Política externa

Durante seu reinado, Catarina expandiu as fronteiras do Império Russo em aproximadamente 520 mil quilômetros quadrados (200 mil milhas quadradas), incorporando os territórios da Nova Rússia, da Crimeia, do Cáucaso do Norte, da Ucrânia da margem direita, da Bielorrússia, da Lituânia e da Curlândia, principalmente às custas de duas grandes potências: o Império Otomano e a Comunidade Polaco-Lituana. O ministro das Relações Exteriores de Catarina, Nikita Panin, que ocupou o cargo entre 1763 e 1781, exerceu considerável influência durante os primeiros anos de seu reinado. Estadista habilidoso, Panin dedicou grandes esforços e milhões de rublos à criação de um "Acordo do Norte" entre a Rússia, a Prússia, a Polônia e a Suécia, com o objetivo de contrabalançar o poder da aliança entre a Casa de Bourbon e a Casa de Habsburgo. Quando se tornou evidente que seu projeto não teria êxito, Panin perdeu o prestígio junto à imperatriz e foi substituído por Ivan Osterman, que permaneceu no cargo de 1781 a 1797.

Economia e finanças

Durante o reinado de Catarina II, o desenvolvimento econômico da Rússia permaneceu abaixo dos padrões da Europa Ocidental. Segundo o historiador François Crouzet, o país não possuía um campesinato livre, uma classe média significativa nem um ambiente jurídico favorável à iniciativa privada. Apesar disso, houve algum crescimento industrial, especialmente na produção têxtil na região de Moscou e nas siderúrgicas dos montes Urais, que empregavam majoritariamente servos vinculados às fábricas. Catarina implantou um amplo sistema de regulamentação das atividades comerciais, mas a medida restringiu o empreendedorismo e não favoreceu o desenvolvimento econômico. Em contrapartida, incentivou a imigração dos alemães do Volga, cuja atuação contribuiu para a modernização da agricultura por meio da introdução de inovações no cultivo de trigo e tabaco, na moagem de farinha, na criação de ovinos e em pequenas manufaturas.

Saúde pública

A saúde pública foi uma das prioridades do governo de Catarina II. Inspirada por ideias do cameralismo alemão e da fisiocracia francesa, além de experiências russas anteriores, ela fundou, em 1764, o fundou o Orfanato e Maternidade de Moscou. No ano anterior, inaugurou o Hospital Pavlovskaya. Seu governo também passou a coletar e publicar estatísticas vitais e determinou a modernização dos serviços médicos do exército. Catarina submeteu-se à inoculação contra a varíola, realizada pelo médico inglês Thomas Dimsdale, e posteriormente ordenou a imunização de seu filho Paulo, buscando incentivar a adoção da prática em todo o Império Russo. Segundo a imperatriz, seu objetivo era reduzir a mortalidade causada pela doença por meio do exemplo pessoal. Até 1800, cerca de 2 milhões de inoculações (aproximadamente 6% da população do Império Russo) haviam sido realizadas. Historiadores consideram essa campanha um sucesso e uma das contribuições mais significativas do reinado de Catarina II.

Servidão

Durante o reinado de Catarina II, a maior parte dos servos estava vinculada às propriedades da nobreza rural, herdando essa condição por nascimento. Embora possuíssem direitos bastante limitados, alguns conseguiam acumular recursos suficientes para comprar sua liberdade, favorecidos também pela aplicação irregular das leis no Império Russo. Catarina introduziu mudanças limitadas na administração da servidão. Os servos passaram a poder apresentar queixas contra seus senhores por vias legais, mas perderam o direito de recorrer diretamente à imperatriz. A medida conferiu-lhes reconhecimento burocrático e, em alguns casos, permitiu obter a liberdade quando a posse era considerada ilegal, embora a aplicação dessas normas variasse conforme a autoridade local.

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Romances

Ao longo de sua vida, Catarina II manteve romances com importantes membros da nobreza e da elite política europeia, alguns dos quais tiveram repercussões tanto na esfera pessoal quanto na política imperial. Seu primeiro relacionamento de maior notoriedade foi com Estanislau Augusto Poniatowski, diplomata polonês com quem se envolveu entre 1755 e 1758, ainda durante o casamento com Pedro III. Parte da historiografia atribui a Poniatowski a paternidade da grã-duquesa Ana Petrovna (1757–1759), embora a criança tenha sido oficialmente reconhecida como filha de Pedro III. Com o apoio de Catarina, Poniatowski foi eleito rei da Polônia em 1764, fortalecendo a influência russa sobre a Comunidade Polaco-Lituana. Após esse relacionamento, Catarina envolveu-se com Gregório Orlov, oficial da Guarda Imperial e um dos principais articuladores do golpe de Estado que a levou ao trono em 1762. Dessa relação nasceu Alexei Grigorievich Bobrinsky (1762–1813), cuja paternidade foi amplamente reconhecida. Orlov recebeu o título de conde, propriedades e grande prestígio na corte, mas o relacionamento terminou alguns anos depois.

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Vida posterior e morte

Apesar de a vida e o reinado de Catarina II terem sido marcados por importantes realizações, seus últimos meses foram acompanhados por acontecimentos que frustraram alguns de seus planos. Em setembro de 1796, seu primo, o rei Gustavo IV Adolfo da Suécia, visitou a corte russa em meio às negociações para um casamento com sua neta, Alexandra Pavlovna. O noivado seria anunciado durante um baile na corte imperial, em 11 de setembro. No entanto, Gustavo Adolfo recusou-se a prosseguir com o compromisso ao saber que Alexandra não pretendia converter-se ao luteranismo, retornando posteriormente a Estocolmo. O episódio desagradou profundamente a imperatriz e coincidiu com o agravamento de seu estado de saúde. Ainda assim, Catarina recuperou-se temporariamente e passou a considerar a possibilidade de alterar a sucessão ao trono, transferindo a Coroa diretamente para seu neto Alexandre Pavlovich e excluindo seu filho Paulo da linha sucessória. O plano, contudo, não foi oficializado antes de sua morte.

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Na cultura

Em 2016, o perfil de Catarina, a Grande foi incluído na primeira edição do livro Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes: Cem fábulas sobre mulheres extraordinárias, como uma das cem mulheres mais influentes.

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Descendência

Casou-se com Guilhermina Luísa de Hesse-Darmstadt, sem descendência. Casou-se com Sofia Doroteia de Württemberg, com descendência.

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Fontes consultadas

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