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Catecismo da Igreja Católica

O Catecismo da Igreja Católica (Edição Típica Vaticana), publicado em 1992, é uma exposição da fé católica e da doutrina da Igreja. Trata-se de um documento confessional de referência, oficial e autêntico, para o ensino da doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana, com o qual pode-se conhecer o que a Igreja professa e celebra, vive e reza em seu cotidiano. A Igreja considera seu catecismo como fiel e iluminado pela Sagrada Escritura, pela Tradição apostólica e pelo Magistério da Igreja. Ele foi organizado de maneira a expor em linguagem contemporânea os elementos fundamentais e essenciais da fé cristã. Neste livro encontram-se orientações para o católico comprometido com sua fé. É também oferecido a todo homem que deseja conhecer o que a Igreja crê. Em 2005 foi preparada uma versão resumida desse catecismo em forma de perguntas e respostas chamada de Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. O texto está disponível em nove línguas, no website do Vaticano, o qual também possui o texto do Catecismo em seis línguas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/06/2026
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Etimologia do termo "catecismo"

A palavra "catecismo" vem do latim tardio catechismus, por sua vez originado do termo grego κατηχισμός, derivado do verbo κατηχέω que significa "instruir a viva voz", pois tem em sua raiz ἦχος que denota um "som". Catecismo, originalmente, era uma forma de instrução oral dos dogmas, princípios e moral do cristianismo. Portanto, originalmente, a palavra "catecismo" significava informar, instruir e ensinar de viva voz, para distinguir do ensino realizado através de livros escritos. Enquanto o ensino exclusivamente dos livros é feito individual e silenciosamente, a catequese (ou catecismo) é feita com a presença de um instrutor, ensinando a viva voz. Portanto, por extensão, o termo "catecismo" passou a ser usado para designar o livro ou livros preparados com o propósito de instruir os catecúmenos, p.e., o Didaquê do 1º ou 2º século da Era Cristã. Somente no século XVI na Alemanha esses livros receberam literalmente o título de catecismo "na capa": em 1528 com o reformador protestante Andreas Althamer e em 1529 com o reformador Martinho Lutero. Sendo seguidos por outros catecismos protestantes e católicos..mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}

Ocorrências de "κατηχέω" no Novo Testamento Grego

Variações da palavra grega "κατηχέω" (catequese) aparecem 8 vezes na Bíblia Sagrada:

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História do Desenvolvimento

Imagem: Sebástian Freire · BY-SA · Openverse

Devemos destacar primeiramente que, embora a palavra "catecismo" e seus cognatos já fosse conhecida e usada, contudo, não existiram obras com tal título até o século XVI.

A finalidade e uso das obras "catequéticas"

Popularmente, catecismo é uma exposição das principais verdades da fé, elaborada por escrito, normalmente em forma de perguntas e respostas. Primitivamente, designava a instrução dos catecúmenos, e o exame de religião que deviam prestar antes do batismo. É neste sentido que a palavra ocorre nas obras de São Tomás de Aquino, no século XII. No século XV, já indicava simplesmente a instrução que se fazia às crianças batizadas.

Obras antigas de conteúdo "catequético"

No ano 529, São Cesário de Arles expôs no Concílio de Vaison, em Saint-Marcellin-lès-Vaison, a necessidade imperiosa de se criarem escolas no campo para a instrução do povo, sugestão que foi prontamente acatada por todos os bispos presentes, que ordenaram seus padres a este ofício em todo território dos impérios franco, visigodo, ostrogodo e Reino da Borgonha. As escolas foram fundadas nos mosteiros, capelas e catedrais, e ensinavam religiosos em regime de internato e leigos. Além disso, nas aldeias, professores leigos eram capacitados para instruir as crianças e jovens. Pelo ano 900 foi publicado na Alemanha um livro chamado Disputatio puerorum, um diálogo escolar que oferecia um vislumbre vívido e direto sobre o tipo de instrução recebida por religiosos e leigos nas escolas das abadias dos impérios carolíngios e romanos. Seu formato de perguntas e respostas entre alunos e mestres oferecia, além do Trívio e Quadrívio, instrução sobre a natureza do corpo e da alma, os livros do Antigo e do Novo Testamento, a Missa e o Oração do Senhor. Era este famoso livro um verdadeiro curso que constituía a alfabetização cultural básica nas salas de aula monástica dos séculos IX ao XI, com conteúdo extraído principalmente das obras de Isidoro de Sevilha, Santo Agostinho de Hipona, São Gregório Magno, Venerável Beda e Santo Alcuíno de Iorque, erudito doutor e sacerdote, patrono das universidades cristãs.

O uso formal do título "catecismo"

A primeira obra catequística usando formalmente o título de "catecismo", se deve ao humanista e reformador protestante Andreas Althamer, publicada em 1528, na cidade de Nuremberga, na Alemanha. Em 1529, o ex padre Católico Martinho Lutero editou o "Catecismo Maior" e o "Catecismo Menor", cujo valor didático excedia, em todos os pontos de vista, ao catecismo de Althamer e outros reformadores. Portanto, deve-se ao reformador Lutero a popularização do uso do título "catecismo" que foi impulsionado principalmente pelos protestantes que usaram largamente o título. Deve-se destacar que embora o uso de "catecismos" (livros) seja atribuído normalmente aos católicos ao ponto de muitos protestantes atuais estranharem, contudo, há mais catecismos protestantes oficiais do que católicos.

A ordem dos temas dos "catecismos"

Ora, desde que Santo Tomás de Aquino, em 1256, expôs em cinco opúsculos separados (1) o Símbolo, (2) o Pai-Nosso, (3) a Saudação Angélica, (4) o Decálogo (5) e os Sacramentos, não é temerário dizer-se que já havia uma ordem tradicional de matérias (temas) que se popularizou na Igreja Católica e foi continuada pelos protestantes a seu modo. Nos seus cinco opúsculos, o Doutor Angélico afasta-se, por assim dizer, de seu habitual método científico. Adapta-se melhor à compreensão dos engenhos mais simples. Não aduz provas de alta filosofia, prodigaliza exemplos e comparações da vida cotidiana, e de seus arrazoados tira conclusões de alcance prático. Portanto, o conteúdo de sua obra se caracteriza como um "catecismo" para catecúmenos, embora não use esse título, em vez de um compêndio de teologia para teólogos.

Catecismos Católicos de Referência

Consta que, por ocasião da Dieta de Augsburgo em 1530, os católicos compuseram também um catecismo, do qual já não existe nenhum exemplar. O primeiro catecismo católico na Alemanha, do qual se tem notícia certa, é o do teólogo Georg Witzel, impresso cinco anos mais tarde, em 1535. Nas missões da América houve catecismos católicos do modelo atual, que são anteriores a Althamer e Lutero. Devido ao fato de os protestantes reclamarem para si a introdução do catecismo, no fim do século XVI, o Núncio Apostólico Antonio Possevino, S.J., protestou energicamente: "Repetimua nostra, non usurpamus aliena", isto é, "Reclamamos o que é nosso, não nos arrogamos o que é dos outros". Embora os protestantes tenham usado o título, o conteúdo e uso já era corrente na Igreja Católica.

Auge: O Catecismo de Trento ou Catecismo de Pio V

O século XVI é o século do grande Catecismo Romano (também chamado Catecismo do Concílio de Trento ou Catecismo de Pio V), publicado em 1566. Ele foi encomendado durante a Contrarreforma Católica pelo Concílio de Trento, para expor a doutrina e aprofundar a compreensão e saber teológico do clero. Este catecismo difere de outros resumos da doutrina cristã para a instrução das pessoas em dois pontos: destina-se principalmente aos sacerdotes e bispos que são pastores de almas (ad parochos) e, como obra de referência, gozava de uma autoridade dentro da Igreja Católica jamais igualada por nenhum outro catecismo até o Catecismo de 1992. A necessidade de um manual de autoridade popular surgiu do escasso conhecimento sistemático da fé entre o clero pré-Reforma e a pouca instrução religiosa entre os fiéis. Urgia-se que a catequese fosse feita com maior frequência e regularidade.

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