Boca
A boca faz parte do sistema digestivo como abertura anterior do tubo digestivo dos animais e onde inicia-se o processo da digestão no homem. Geralmente localiza-se na parte frontal da cabeça do animal. A boca é formada pelos dentes, língua, gengiva, palato – céu da boca –, bochecha e lábios. Esse grupo é responsável pelo início da digestão. Um adulto tem 32 dentes e uma criança tem em sua dentição decídua ou primária 20 dentes . A função dos quatro incisivos, que ficam na parte da frente da arcada, é cortar a comida.
É frequentemente usado o termo adjetivo oral ou estomatológico. O termo latim oris é um prefixo que indica algo relativo a boca (borda, limite)στομα; estoma, que em grego significa boca ou orifício, refere-se à entrada. De fato a boca é simplesmente uma cavidade, a cavidade oral, porém essa cavidade está rodeada de estruturas dinâmicas que lhe conferem propriedades distintas de outras estruturas do corpo, mais ainda, quando a boca está situada na face, integrando a unidade crânio-facial, que caracteriza um indivíduo, especialmente no relativo a suas funções de relacionamento com o ambiente, constituído, principalmente, por outros indivíduos da mesma espécie humana. Isso significa que a boca cumpre um importante papel na vida de relacionamento, servindo como "posto de fronteira" do organismo em contato com ambientes que sejam capazes de julgar a esse organismo como uma entidade peculiar, que pode representar uma variação do ambiente ecotópico.
Nos animais com sistema digestivo completo, a boca forma a abertura de entrada do referido sistema, e o ânus forma a outra abertura. No desenvolvimento embrionário, tanto o ânus como a boca podem se formar a partir do blastóporo — a abertura inicial da blástula. Caso a boca se forme primeiro e a partir do blastóporo e o ânus se desenvolva mais tarde, temos o grupo de animais protóstomos. Caso o ânus se desenvolva a partir da blástula temos os animais deuteróstomos. Em muitos animais de sistema digestivo incompleto, como os cnidários, a boca atua tanto como orifício de entrada de alimentos como orifício de saída de excreções. A boca humana é constituída pelos dentes e pela língua, que misturam e transformam os alimentos em bolo alimentar, ao envolvê-los em saliva. Os dentes não são todos iguais. Conforme a sua função cada dente tem uma forma diferente. Podemos distinguir os incisivos, cuja missão é cortar os alimentos; os caninos, encarregados de rasgar os alimentos, e os pré-molares e molares, que servem a trituração dos mesmos. Os dentes encontram-se situados nos dois maxilares, constando a dentição permanente de 4 incisivos. 2 caninos. 4 pré-molares e 6 molares em cada maxilar. Vale observar que evolucionariamente esses números vem diminuindo. Ex: A falta cada vez mais frequente do terceiro molar na dentição do homem moderno.
A mucosa da boca ou oral possui algumas funções: A mucosa bucal pode ser mastigatória, de revestimento ou mucosa especializada. A mucosa da boca é dividida em três tipos de mucosa: a mucosa envolvida no processo de mastigação, a mucosa que reveste a boca e uma mucosa especializada. A mucosa mastigatória é composta por epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado, ou paraqueratinizado, umidificado e tecido conjuntivo subjacente. As partes da cavidade oral expostas a forças de fricção e cisalhamento (gengiva, superfície dorsal da língua e palato duro) são cobertas pela mucosa mastigatória que é constituída de epitélio pavimentoso estratificado geralmente queratinizado e por tecido conjuntivo denso na modelado subjacente. A mucosa de revestimento é composta por epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado superposto a tecido conjuntivo denso não modelado, porém mais frouxo do que o da mucosa mastigatória.
A cavidade oral está constituída por elementos funcionais extraordinariamente dinâmicos que lhe conferem a sua identidade fisiológica. Daí, torna-se indispensável entender bem quais são esses elementos constitutivos, como funcionam e, especialmente como eles se inter-relacionam com o intuito de estruturar uma entidade sui generis: a boca, propriamente dita. Dentro desses elementos estruturais, devem ser diferenciados dois grandes grupos:
Elementos ativos
Quando se especifica elementos da boca, se está referindo àqueles que, de algum modo na sua função, gastam energia: isto é, precisam formar ATP e logo, que será utilizada na efetuação de uma atividade específica da boca. Os elementos orais de caráter ativo são: Deve-se destacar que os elementos ativos, em particular músculos e nervos, exibem a propriedades da excitabilidade, gerando potenciais de ação que podem ser propagados para outras estruturas.
Elementos passivos
Os elementos orais de caráter passivo, não requerem a liberação de energia para a realização imediata da sua função: contudo estas estruturas como qualquer orgânica, precisam de metabolismo energético para manter suas características biológicas. Entre os elementos passivos devem ser considerados: Deve-se agregar aos elementos mencionados, as estruturas correspondentes ao sistema imune. Não há diferença quanto à relevância, porque um grupo pode ser tão importante quanto o outro, porque eles trabalham de forma conjunta e estruturais.
De todas os sítios do corpo humano, a cavidade bucal é aquela que apresenta maiores níveis e diversidade de microrganismo. As características anátomo-fisiológicas da boca são responsáveis por esta diversidade, uma vez que a boca apresenta diferentes tipos de tecidos e estruturas que variam quanto à tensão de oxigênio, disponibilidade de nutrientes, temperatura, e exposição aos fatores imunológicos do hospedeiro. Além das superfícies moles e descamativas das mucosa, há superfícies rígidas não descamáveis (estáveis) da superfície do dente. As superfícies das mucosas e dentes são ainda banhadas pela saliva ou pelo fluido teciduais/plasma que atinge o sulco gengival. Tanto as superfícies descamativas, como as superfícies duras dos dentes diferem em retentividade e exposição ao oxigênio, nutrientes e fatores imunológicos. Por exemplo, a mucosa do dorso da língua é muito mais retentiva do que a mucosa jugal. O dorso da língua funciona como um reservatório de diversos microrganismo, os quais vão posteriormente ocupar outros nichos nas superfícies dentárias supra e subgengivais. Muitos microrganismo Gram-negativos e Gram-positivos encontrados em altas proporções no dorso da língua, podem ser patogênicos ao colonizar a placa dental supra e subgengival. Por isto, a língua pode funcionar como um reservatório de patógenos dentários e periodontais.
Imagem: Loco Steve · BY · Openverse
A boca deve a sua funcionalidade à intervenção fundamentalmente do sistema nervoso. Em outras palavras, sem o sistema nervoso a boca não existiria funcionalmente, ou bem, poder-se-ia estabelecer, a boca chega a ser apenas uma parte mais periférica do próprio sistema nervoso, como são o ouvido e o olho. Todos eles seriam projeções periféricas do sistema nervoso, que chega a estar em contato com o ambiente. Essa inter-relação parece fundamentalmente, porque a finalidade da boca se confunde com os objetivos cumpridos pelo sistema nervoso. De fato, a boca possui uma população vasta e variada de receptores, de onde partem fibras nervosas que se identificam com o sistema somato-sensorial facial; por outro lado, a boca capta diferentes tipos de estímulos. Desse modo, fornece ao sistema nervoso central uma rica e definida informação pela sensibilidade somato-sensorial, geral ou específica, como é a sensação do paladar, por exemplo.


