Caxias do Sul
Caxias do Sul é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul. Localiza-se no nordeste do estado a uma altitude de 817 metros, sendo a maior cidade da Serra Gaúcha; a segunda cidade gaúcha mais populosa, superada apenas pela capital Porto Alegre; e a 47.ª maior cidade brasileira.
Origens e colonização
Antes da chegada dos imigrantes italianos, no século XIX, a região era habitada por índios caingangues. Daí, vem sua denominação antiga: Campo dos Bugres. Por ali, também passavam tropeiros em seus deslocamentos entre o sul do estado e o centro do país. Na região, os jesuítas tentaram fundar algumas reduções, embora sem sucesso. Na segunda metade do século XIX, em virtude da guerra de unificação italiana, aquele país europeu se encontrava em grave crise social e econômica, e os agricultores empobrecidos já não conseguiam garantir a subsistência. Nesta época, o governo imperial do Brasil decidiu empreender a colonização de áreas desabitadas do sul do país, incentivando a vinda de imigrantes da Itália, após o sucesso da iniciativa semelhante com o elemento germânico. A área escolhida era então conhecida como Fundos de Nova Palmira, região formada por terras devolutas, delimitadas pelos Campos de Cima da Serra, ao norte e pela região dos vales, ao sul, de colonização alemã.
Desenvolvimento
Apesar de algum auxílio oficial, as condições iniciais foram muito difíceis. As famílias permaneciam em grande parte isoladas umas das outras pela ausência ou precariedade das estradas. E além de desconhecerem totalmente o ambiente ainda selvagem em que foram lançados, o ferramental de que os colonos dispunham era primitivo e escasso, e as técnicas agrícolas trazidas da Itália não se adaptavam bem ao clima e solo locais. Enquanto a casa não ficava pronta e a agricultura não dava seus frutos, o sustento vinha da coleta, da caça e da venda da madeira derrubada. Somente o empenho de cada núcleo familiar possibilitou a sua sobrevivência nos primeiros tempos, e como ela dependia do número de braços existentes, as famílias tendiam a ser numerosas. Com isso a Colônia Caxias cresceu com rapidez, também pelo contínuo afluxo de novos imigrantes, e logo estruturou sua economia numa base de subsistência. Os produtos principais eram trigo, feijão e milho, seguidos pela batata-inglesa, cevada e centeio. Introduziram-se espécies frutíferas como castanheiras, marmeleiros, macieiras, pereiras, laranjeiras e cerejeiras, e se criavam galinhas, vacas, cabras, porcos, ovelhas e coelhos. Havia adicionalmente alguma produção de mel e de seda.
Construção da identidade e crise social
Em 1925 foi comemorado o cinquentenário da imigração italiana no Rio Grande do Sul, num período que se mostrou extremamente propício para se iniciar uma consagração pública dos sucessos já alcançados e consolidados, objetivando primeiramente integrar as elites coloniais no panorama histórico estadual, até então dominado pelas representações pastoris-latifundiárias dos descendentes de portugueses. Nesse contexto, a Festa da Uva passou a constituir o maior evento profano da cidade, associando a glorificação do trabalho dos italianos com as possibilidades do festejo como um importante fórum econômico. Como disse Cleodes Ribeiro. Ao mesmo tempo, na Itália fascista, surgia o interesse de se reconstituir a história dos emigrados interpretando-a como poderosa contribuição civilizatória da raça latina ao Novo Mundo, e instando os italianos daqui para que defendessem e se orgulhassem de sua origem étnica. Benito Mussolini, no prólogo do álbum comemorativo Cinquantenario della Colonizzazione Italiana nello Stato del Rio Grande del Sud, declarava: "No nobre orgulho que eleva as vossas almas, enquanto parais para contemplar o resultado da longa e tenaz fatiga, eu vislumbro o signo da nobilíssima estirpe que imprimiu um traço imorredouro na história dos Povos".
Reconciliação e retomada do crescimento
Na retomada da Festa da Uva, em 1950, coincidindo com a comemoração dos 75 anos da imigração, num espírito de reconciliação, os imigrantes passavam a ser chamados de pioneiros, indicando uma reorientação na identidade a ser construída, com implicações progressistas que se abriam para os não-italianos, já considerados como parceiros em todo o processo civilizador. Outro evento de grande significado simbólico foi a construção do Monumento ao Imigrante, inaugurado em 1954 e mais tarde transformado em monumento nacional. O desenvolvimento econômico da cidade ao longo do século XX obedeceu a um padrão semelhante ao brasileiro, utilizando técnicas e maquinário desenvolvidos nos países industrializados e adaptando-os às condições locais. Na segunda metade do século as principais empresas já tinham filiais em Porto Alegre e a cidade já havia desenvolvido um comércio expressivo de produtos suínos, laticínios, farinha, madeira e no setor vinícola. As indústrias metalúrgicas também estavam em crescimento, aproveitando inicialmente o trabalho artesanal de ferreiros, serralheiros e funileiros, mas em torno da década de 1950 adquiriram o perfil de indústrias modernas, principalmente com capital derivado da poupança e da expansão dos próprios estabelecimentos. Um diferencial na evolução econômica caxiense foi a formação de profundos vínculos de confiança mútua na comunidade, o chamado capital social, possibilitando a organização da economia sobre bases mais fortes, a aceleração do ciclo econômico e a obtenção de resultados mais significativos. A rápida diversificação da economia se deveu também à progressiva urbanização e à falência do sistema colonial do minifúndio familiar. A sucessiva fragmentação das propriedades rurais entre os múltiplos herdeiros as tornou incapazes de prover o sustento das famílias, geralmente grandes, ocasionando o êxodo rural e transformando boa parte dos antigos agricultores em operários da indústria e comércio.
Caxias do Sul é um município do estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Está localizada a uma longitude de 51º10'06'' oeste e a uma latitude de 29º10'05'' sul. Pertence à Mesorregião do Nordeste Rio-Grandense e à Microrregião de Caxias do Sul. Segundo a Fundação de Economia e Estatística tem uma área de 1 643,9 km², 1 638,34 km² de acordo com dados da Prefeitura Municipal, ou 1 644 km², segundo o IBGE. Está a 127 km da capital do estado, Porto Alegre, e 1 900 km de Brasília, capital federal. Faz divisa com os municípios de São Marcos, Campestre da Serra e Monte Alegre dos Campos ao norte; Vale Real, Nova Petrópolis, Gramado e Canela ao sul; São Francisco de Paula a leste e, a oeste, Flores da Cunha e Farroupilha. Localizada na região fisiográfica do Rio Grande do Sul denominada Encosta Superior do Nordeste, parte da Serra do Mar, o núcleo urbano original da cidade foi erguido sobre uma extensão em forma de península do Planalto de Vacaria, um antigo derrame basáltico sobre uma base granítica, cuja topografia é um declive contínuo, mas suave, desde a divisa do estado de Santa Catarina, com uma inclinação média de cerca de 2 m/km. Caxias do Sul situa-se na Bacia do rio Taquari-Antas e na Bacia do rio Caí, num divisor de águas entre 740 e 820 m de altitude, onde o planalto vacariense começa a se acidentar e fragmentar em diversos vales dissecados por pequenos rios e córregos que se dirigem para o sul e oeste, tributários do rio Taquari, os que se dirigem para sul e sudeste, tributários do rio Caí, e os que drenam para o norte, tributários dos rios das Antas, Pelotas e São Marcos.
Meio ambiente
O município de Caxias do Sul está situado dentro do bioma da Mata Atlântica, com vegetação predominante de floresta ombrófila mista, conhecida como mata de araucária. A leste, norte e nordeste a floresta se intercala com áreas da vegetação rasteira dos Campos de Cima da Serra, que ocorrem em solos de pouca profundidade. A paisagem encontra-se bastante alterada devido ao manejo agrícola e industrial e à expansão da área urbana, havendo grande redução da presença da araucária. Quanto menos acidentado o relevo, mais extensas são as manchas de campos e, ao contrário, quanto mais dinâmicas são as formas do relevo, mais densas e contínuas são as matas de araucária, sobretudo nas cabeceiras dos principais vales. As áreas mais baixas dos vales são revestidas por uma floresta transicional de matas de encostas, com maior diversidade botânica, que é definida como Mata da Figueira. Os solos, criados sobre a capa basáltica, são em geral muito férteis.
Clima
O clima de Caxias do Sul é oceânico (Cfb), com verões relativamente quentes, invernos relativamente frios e geadas esporádicas, mais frequentes nas áreas de maior altitude e menor urbanização, situadas no extremo leste da cidade. Pode nevar nos meses mais frios, mas esse é um fenômeno bem mais raro e que, quando ocorre, é geralmente com pouca intensidade. Porém, já foram registradas precipitações de neve relativamente abundantes, com acumulações consideráveis - as últimas entre os dias 26 e 27 de agosto de 2013 e em 28 de julho de 2021. A temperatura média compensada anual do município é de 17 °C, havendo grande amplitude térmica anual. Quanto às precipitações, o índice pluviométrico é de 1 800 milímetros (mm), sendo regularmente distribuídas durante o ano, não havendo assim uma estação seca. Precipitações acumuladas já chegaram à marca de 105 mm em doze horas. Ocasionalmente ocorrem episódios de forte ventania, com rajadas superiores a 100 km/h, e em 2009 foi registrada a passagem de um tornado.
Demografia
O município é um polo de atração migratória da região, e possui 40% da população da Aglomeração Urbana do Nordeste do Rio Grande do Sul (AUNe), com taxas de crescimento entre 25 e 30% a cada década. A AUNe é composta pelos municípios de Bento Gonçalves, Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi, Monte Belo do Sul, Nova Pádua, Santa Tereza e São Marcos. Perfazia em 2010 uma população de 716 421 habitantes. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, em 2022, a população de Caxias do Sul era de 463 338 habitantes. de Em 2010, data do censo anterior, a população total do município era de 435 564 habitantes, com uma densidade demográfica de 264,89 hab./km².
O Poder Executivo local é representado pelo prefeito municipal, mais seus secretários, coordenadores e diretores. A administração é partilhada pelo prefeito com dez subprefeitos. A cidade é dividida em 65 bairros, 6 distritos rurais e 15 Regiões Administrativas: Centro, Santa Lúcia, Fátima, Cruzeiro, Esplanada, Desvio Rizzo, Forqueta, Ana Rech, Galópolis, Serrano, Planalto, Presidente Vargas, São Giacomo, Nossa Senhora da Saúde e Santa Fé. O governo municipal empregou o sistema do Orçamento Participativo (OP), chamado na cidade de Orçamento Comunitário, entre 1997 e 2016, sendo posteriormente substituído pelo setor de Relações Comunitárias. O OP, programa que convoca a população a se integrar às discussões e decisões a respeito da distribuição das verbas públicas, ficou marcado no município por disputas políticas e dificuldade no cumprimento das obras. Entre as atividades contempladas na edição de 2010 estão calçamento de ruas (a grande maioria das solicitações), urbanização de praças, reforma de escolas, construção de centros comunitários, quadras de esporte, parques infantis, solução de problemas de alagamentos, canalização de esgotos e muitas outras.
O PIB municipal está estimado em 22,3 bilhões de reais (2014) e o PIB per capita em 2011 foi de 37,7 mil reais. Em 2007, nas finanças públicas, as receitas orçamentárias realizadas atingiram 694 582 143,80 reais, as despesas realizadas chegaram a 645 802 901,80 reais, com um superávit de 48 779 242,00 reais. A agropecuária responde somente por 1,70% do Valor Adicionado Bruto, cabendo à indústria 40,79% e aos serviços 57,51%. Em 2007 havia 30 068 empresas de todas as categorias econômicas em atividade. Em 2005 a cidade tinha uma População Economicamente Ativa (PEA) de cerca de 150 mil trabalhadores, mas destes somente 55% estavam no mercado formal. A indústria concentrava o maior contingente, com 58,61%, dois terços no setor metal-mecânico. No setor informal destacavam-se indústrias de fundo de quintal como malhas, alimentos, confecções e serviços de baixo agregado tecnológico (reparos, domésticos, limpeza).
Agropecuária
O Censo Agropecuário de 2006 revelou a existência de 2 712 produtores agropecuários individuais, dispondo de 74 418 hectares de área, 278 sociedades de pessoas ou consórcios (7 379 ha), 5 cooperativas (379 ha), 56 produtores em sociedades anônimas (3.747 ha). 9 039 ha eram destinados a lavouras permanentes e 5 882 ha a temporárias, 30 948 ha de pastagens naturais, e 1 778 ha de pastagens plantadas em boas condições. Os rebanhos mais importantes contavam em 2008 com 39 494 cabeças de bovinos, com uma produção de 9 833 mil litros de leite, 26 838 suínos, 15 694 codornas, dando 75 mil ovos, além de 700 377 galinhas, produzindo 12 283 mil dúzias de ovos, e 5 572 086 galos, frangas, frangos e pintos. Foram produzidos também 59 870 kg de mel de abelha. Na agricultura se destacaram em 2008 as produções de maçã, com 117 450 toneladas, a um valor de 74,9 milhões de reais, uva, com 66 600 t, com um valor de 41,7 milhões de reais, e tomate, com 36 900 t, a um valor de 32,3 milhões de reais. Outras culturas, bem menos significativas, são do milho (18 000 t), caqui (8 100 t), cebola, (4 500 t), laranja (2 220 t), pêssego (3 556 t), além de várias outras em proporção ainda menor. Também foram importantes a produção de lenha, com 31 216 m³, e de madeira em tora, com 81 060 m³.
Indústria, comércio e construção civil
Na indústria, que contava em 2007 com 5 872 estabelecimentos, a concentração de empresas segue a seguinte distribuição: material de transporte (26,86%), têxtil do vestuário e artefatos de tecidos (16,30%), produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico (11,74%), mecânica (11,48%), e química de produtos farmacêuticos, veterinários e perfumaria (9,94%). Caxias do Sul é o segundo maior polo metal-mecânico do Brasil e, depois de enfrentar uma recessão em 2009, o setor está se recuperando. Realiza-se na cidade a Feira Brasileira da Mecânica e da Automação Industrial, já em sua 17.ª edição, que em 2010 deve movimentar 100 milhões de reais em negócios. Outra feira importante é a Feira de Subcontratação e Inovação Industrial (Mercopar), que em 2009 resultou em 64 milhões de reais em negócios, teve expositores do Brasil e exterior e recebeu 31 mil visitantes.
Água, saneamento, energia e habitação
A cidade não conta com grandes rios ou lagos naturais, e a água é captada em represas construídas para tal, acumulando a vazão de pequenos arroios. O serviço de abastecimento de água é feito pelo Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (SAMAE). Segundo dados da entidade, 100% da população urbana e 99,5% da população total do município recebem água, captada nos sistemas Faxinal, Maestra, Samuara, Dal Bó, Galópolis e poços artesianos, e está sendo criado o sistema Marrecas, prevendo a expansão da demanda. A preocupação com o esgoto é recente na cidade, que historicamente priorizou o abastecimento de água. O esgoto era recolhido em fossas privadas ou lançado na rede de esgoto pluvial. Somente em 1997 começou a funcionar efetivamente um sistema de coleta com tratamento. Desta forma, a quantidade de esgoto coletado contemplava, até há poucos anos, somente uma pequena porcentagem da população, mas todo o material coletado era já tratado. A rápida evolução deste setor, por outro lado, chamou a atenção em estudo recente do Instituto Trata Brasil, superando a média nacional, e em 2009 79,7% das economias municipais tinham seu esgoto coletado através de uma rede de 1 345 km, embora os índices de tratamento não tenham acompanhado o crescimento da coleta, com apenas 13,6% do volume total sendo tratado. O SAMAE tem realizado grandes obras em sistemas de tratamento para melhorar esse quadro, com a meta de até o final de 2012 atingir 86% de esgotos tratados. Desenvolve também campanhas de conscientização.
Segurança pública
A provisão de segurança pública de Caxias é dada por diversos organismos. A Prefeitura mantém uma Guarda Municipal, que protege bens, serviços e instalações do Município e colabora com o órgão de fiscalização municipal. A Comissão Municipal de Defesa Civil se responsabiliza por ações preventivas, assistenciais, recuperativas e de socorro em situações de risco público. A Coordenadoria da Mulher elabora políticas públicas de proteção e combate à violência contra a mulher, e a Coordenadoria da Juventude faz um trabalho semelhante para os jovens, além de atuar em outras áreas. A Brigada Militar, uma força estadual, mantém na cidade um batalhão (12.º BPM) dividido em cinco Companhias, com um efetivo de 445 pessoas. Entre suas várias atribuições estão o policiamento ostensivo, o patrulhamento bancário, ambiental, prisional, escolar e de eventos especiais, além de realizar ações de integração social, como o Programa Social Educativo de Profissionalização de Adolescentes, o Programa de Equoterapia para crianças e adolescentes com problemas psicomotores, o PROERD, de combate e conscientização sobre o uso de drogas entre escolares, e a Rede de Atenção à Criança e ao Adolescente, em parceria com entidades governamentais, não governamentais, conselhos setoriais e Poder Judiciário, dinamizando ações em diversas áreas de atenção à criança, ao adolescente e suas famílias. Desde 2019, a cidade conta com o 4º Batalhão de Polícia de Choque (4º BPChq), onde se constitui em fração reserva do Comando-Geral e está vinculada diretamente ao Subcomandante-Geral da Brigada Militar, ficando subordinada administrativa e operacionalmente ao Comando de Polícia de Choque, com sede em Porto Alegre/RS, sendo uma Unidade especializada que atua como reserva tática para o apoio à Unidade que tenha a sua capacidade operativa esgotada. O 5º Comando Regional de Bombeiros, cuja sede é em Caxias do Sul, também faz a prevenção e combate a incêndios e executa ações de busca e salvamento e de Defesa Civil. A Polícia Civil de Caxias do Sul efetua ações de combate ao jogo clandestino, às drogas, aos roubos e furtos e aos crimes contra a vida, e desenvolve projetos de proteção à criança e ao adolescente e de conscientização ecológica.
Educação
Na educação, a rede municipal de ensino conta com 86 escolas de ensino fundamental e 36 de educação infantil, com mais de 2 500 professores que atendem inclusive educação especial e educação de adultos, para um público total de 35 320 alunos em 2009. A rede particular contemplava nesse mesmo ano 16 633 matriculados, desde a creche ao ensino médio e à educação especial, e a rede estadual completava o quadro do ensino básico e médio com mais 31.494 alunos. Em 2000 98,4% das crianças entre 7 e 14 anos frequentavam a escola, e 80% dos jovens entre 15 e 17 anos. Os índices de evasão da escola nas redes municipal e estadual eram, em 2003-2005, de 6,72% e 11,8%, e os de reprovação, de 9,01% e 25,0% respectivamente. A média de escolarização era em 2000 de 7,2 anos e a taxa de analfabetismo adulto era de 4,2%. Caxias do Sul possui vários grandes colégios de longa tradição, fundados no início do século XX, como o La Salle Carmo, o São José e o La Salle Caxias. O ensino técnico é dado por várias unidades do SENAI e do SENAC, e mais de 20 outras escolas profissionalizantes.
Comunicações
Há grande oferta em comunicações e um índice de confiabilidade considerado bom. A telefonia fixa local é explorada pela Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) através de 27 centrais automáticas, em sua maioria digitais. Em 1999 foram contabilizados 79 386 aparelhos, sendo 62% residenciais, com um fator de atendimento de um terminal para cada 4 habitantes. A telefonia móvel é explorada em duas bandas: banda A (Celular CRT S/A), com cerca de 28 mil terminais em 1999, e banda B (Telet S/A), com 3,2 mil terminais habilitados na região, sendo que cerca de 80% são de Caxias do Sul. A EMBRATEL explora os serviços de telex, trânsito de dados, tratamento de mensagens, telefonia interestadual e rede de televisão executiva. O serviço postal é atendido pelas três agências urbanas, 5 franqueadas, 6 de correio satélite e 3 postos de coleta da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
Transportes
Os principais acessos rodoviários de Caxias do Sul são as rodovias BR 116, RS 122 e RSC 453. A cidade possui uma malha rodoviária urbana de 1383 km, 882 deles pavimentados. Um total de 285 181 veículos circulam na cidade em dezembro de 2013, 190 054 automóveis, 29 084 motocicletas e 2 011 ônibus. representando uma média de 1,97 pessoas/veículo, e sendo a 2.º maior frota de veículos cadastrados no estado. 160 000 passageiros são transportados diariamente pelo transporte coletivo. A exploração do transporte coletivo em ônibus é feita pela concessionária Viação Santa Tereza (VISATE). Existem também 307 táxis, e 26 táxis-lotação ou micro-ônibus. A Estação Rodoviária localiza-se próxima do centro da cidade e recebe linhas que interligam Caxias do Sul a quase todas as localidades no estado, atendendo também as regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste do Brasil. Seu terminal tem 19 000 m² e conta com uma área construída coberta de 6 800 m².
Ciência e tecnologia
Esta área é coberta pelas atividades de várias instituições. Uma delas é o Campus Caxias do Sul do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), que oferece, gratuitamente, 4 cursos de nível médio-técnico, 1 curso técnico, 5 de graduação e 2 de pós-graduação. O campus está localizado, num terreno doado pela prefeitura da cidade, na zona norte da cidade, no bairro Nossa Senhora de Fátima. Também funcionam unidades da Faculdade de Tecnologia, oferecendo cursos de graduação, pós-graduação e extensão em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Design de Moda, Design de Produto, Engenharia de Computação, Gestão da Tecnologia da Informação, Logística, Marketing, Produção Multimídia e Redes de Computadores, entre outros.
A colonização aconteceu em meio a grandes sacrifícios e privações materiais, num meio ambiente ainda selvagem. Com a escassa ajuda do governo, quem não trabalhasse, e muito, passaria fome. Apesar do esforço, muitos passaram fome, num início tão difícil. Neste contexto adverso, não houve muito tempo para os colonizadores se dedicarem a atividades culturais senão em seus aspectos folclóricos, sendo as mais destacadas as festas religiosas e as ligadas à produção, e os entretenimentos domésticos como a confecção de rendas, jogos e canções. A despeito de suas variadas procedências, possuindo culturas diferenciadas, o amparo nas dificuldades dependia muito deles mesmos, criando-se uma forte rede de cooperação mútua, que foi a base do rápido florescimento de uma próspera nova cidade, que centralizou a circulação dos excedentes da produção das colônias familiares do entorno. A terra se revelava pródiga, afinal. Também os uniam laços de religião, de parentesco, de ancestralidade, formando-se comunidades com um perfil conservador e tradicional num universo cultural essencialmente pragmático e funcional, mas dominado, como disse João Carlos Tedesco, pelo "ethos do colono", do imigrante, de estrangeiros arrancados de suas raízes mas ainda pouco integrados à cultura do novo país. De fato, os imigrantes formaram na região uma espécie de quisto cultural.
Tradições e folclore
O declínio da religião como força social aglutinadora, os novos hábitos de consumo, a profunda mudança no sistema produtivo local, a padronização do ensino brasileiro, o descaso das novas gerações para com a língua e os costumes de seus avós, a presença de grande número de migrantes recentes de ascendência não italiana para quem as tradições coloniais não dizem nada, a grande popularização de meios de comunicação e entretenimento como o rádio, a TV e o cinema, e a progressiva abertura da cidade para o mundo, provocaram entre os anos 1950 e 1960 uma rápida descaracterização das feições étnicas e tradicionais da cultura caxiense, principalmente na zona urbana. Pressentindo uma perda iminente de raízes, a partir de meados da década de 1970 alguns intelectuais nativos da região começaram a se preocupar com o resgate da herança cultural ancestral. Entre eles, Loraine Slomp Giron e João Spadari Adami, que desenvolveram importantes pesquisas que resultaram na publicação de vários livros essenciais para o estudo da história local. Entretanto, nesse período, em que houve uma verdadeira explosão de bibliografia sobre o tema da imigração, e não só em Caxias do Sul, a história dos colonos foi revista, introduzindo-se novas leituras, mais francas, objetivas e científicas, ao contrário do que haviam feito os escritores das gerações do entreguerras, que glorificaram o colono. Essas novas pesquisas apresentaram a história caxiense com suas contradições e conflitos, no intuito de tornar a imagem do imigrante menos mítica, mas mais real e mais rica.
Artes
A cidade dispõe de uma galeria municipal na Casa de Cultura para exposições temporárias e uma coleção pública de arte, o Acervo Municipal de Artes Plásticas, instalado no Centro de Cultura Dr. Ordovás, desenvolvendo um programa de exposições regulares e projetos educativos. Além da atuação da Prefeitura, o campo das artes visuais é especialmente dinamizado por duas entidades privadas, a mais importante delas o Núcleo de Artes Visuais de Caxias do Sul (NAVI), que agrega muitos artistas plásticos e oferece sistematicamente cursos práticos e teóricos, seguida pela Universidade de Caxias do Sul, que mantém um curso regular de licenciatura em artes, uma galeria de exposições e uma multiplicidade de atividades de extensão voltadas para a comunidade. Ligado à UCS está o nome mais destacado das artes visuais caxienses na atualidade, Diana Domingues, coordenadora de um grupo de pesquisa vinculado à universidade para estudos avançados em arte associada à tecnologia, o ARTECNO, que congrega pesquisadores com grau de mestre e doutor, já realizou diversas exposições e publicou grande quantidade de livros e artigos sobre o tema. Diana tem também uma atuação importante como artista e pensadora independente, considerada por Oliver Grau uma das mais notáveis artistas da América do Sul, fazendo parte de conselhos editoriais e comitês de arte de vanguarda de reputação internacional.
Arquitetura e patrimônio histórico
O interesse oficial pela preservação do patrimônio histórico e arquitetônico na cidade é relativamente recente, iniciou apenas em meados dos anos 1970 e progrediu devagar até a última década, e como resultado poucos edifícios sobreviveram à modernização urbana de meados do século XX em diante, com perdas graves, algumas insubstituíveis, como foi o caso do Cine Teatro Ópera, exemplar único de seu tipo, consumido por um incêndio que se suspeitou criminoso e que deu lugar a um estacionamento. Outro exemplo é o da Casa de Pedra, um exemplo típico da construção colonial do século XIX, sendo a única edificação em seu gênero, antes comum, que resistiu na área urbana. Embora transformado em museu desde 1975, somente em 2003 o prédio foi tombado.
Turismo
A parte a tradicional Festa da Uva, que tem fortes raízes folclóricas e atrai um público de cerca de um milhão de pessoas, o turismo em Caxias do Sul foi relativamente pouco explorado, mas nos últimos tempos está ocorrendo um crescimento na atenção a este setor. A Secretaria do Turismo lançou em 2010 o projeto Semana Municipal do Turismo, com programações e passeios para o público e debates entre especialistas. Além de roteiros já consolidados, como La Città, Caminhos da Colônia, Estrada do Imigrante e Ana Rech, onde o visitante conhece a história da cidade e dos imigrantes enquanto tem a oportunidade de saborear pratos tradicionais e apreciar paisagens características, em 2008 uma parceria entre a Prefeitura e o Sebrae/RS identificou outras regiões com potencial turístico, entre elas os distritos rurais de Fazenda Souza, Santa Lúcia do Piaí, Vila Cristina, Vila Oliva e Vila Seca, desvendando, segundo Josemari Pavan, possibilidades que nem mesmo a população local conhecia. A partir deste estudo surgiram novas propostas de dinamização do setor. A cidade recebeu em média, entre 2005 e 2008, 350 mil turistas/ano, e as projeções indicam um crescimento de 11% até dezembro de 2011.
Esportes
Há uma significativa atividade esportiva na cidade, com alguns clubes de longa tradição. No futebol se destacam a Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias do Sul, sediada no Estádio Francisco Stédile, que já foi campeã gaúcha em 2000, e o Esporte Clube Juventude, com seu Estádio Alfredo Jaconi. Em 2020, o Juventude conquistou o acesso à Série A de 2021. Também já conquistou um Campeonato Brasileiro - Série B (1994), um Campeonato Gaúcho (1998) e uma Copa do Brasil (1999). No basquete a equipe Caxias do Sul Basquete já conquistou seis títulos no Campeonato Gaúcho de Basquete e participa do NBB, com o Ginásio Vasco da Gama sempre lotado, conseguindo grandes resultados, alcançando as quartas de finais da competição em 2018, e há várias outras em atividade que disputam o Campeonato Citadino. Na cidade também já se realizou o Campeonato Brasileiro de Basquete Master e em 2010 se realizam as disputas do adulto masculino do Sul-Brasileiro de Clubes. No handebol feminino a equipe APAHAND/UCS/Prefeitura de Caxias participou com bons resultados da Liga Nacional de Handebol e teve jogadoras convocadas para a seleção brasileira, que conquistou medalha de bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Singapura.
Culinária
A base da cozinha folclórica italiana é o galeto assado (galeto al primo canto), a polenta mole ou frita, e massas como os bigoli (macarrão) e os tortei (trouxinhas de massa embutidas com purê de abóbora temperado com noz moscada), mas outros pratos também são populares, como a sopa de agnolini (trouxinhas de massa recheada de carne de galinha), a salada de radicci com pancetta (variedade de almeirão com folhas estreitas e sabor amargo temperado com toucinho frito), a canjica de milho, o crem (tipo de raiz forte ralada conservada em vinagre tinto e usada como tempero de carnes), pães e biscoitos caseiros, a canja de galinha, o risoto, compotas e doces, com destaque para a uvada, salames, a fortaia (omelete com queijo ou salame), e queijos, além de muitas variedades de vinho. Entretanto, por influência de outras etnias e por força das condições locais que impuseram o cultivo de produtos mais adaptados ao clima da região, a cidade desenvolveu uma culinária com características mais variadas, em muitos pontos original. Dos alemães foi incorporada a batata, e dos gaúchos aprenderam a apreciar o charque, o churrasco, o feijão, o arroz, a mandioca, a batata-doce, o chimarrão, a cachaça, frutas silvestres autóctones como a gabiroba, a amora e a pitanga, e o pinhão da araucária.
Caxias do Sul possui as seguintes cidades-gêmeas (cidades-irmãs):


