Eucaristia
Na teologia cristã, Eucaristia é um rito que é considerado um sacramento na maioria das igrejas. Os cristãos acreditam que o rito foi instituído por Jesus na Última Ceia, na noite anterior à sua crucificação, enquanto dava pão e vinho aos seus discípulos. Passagens do Novo Testamento afirmam que ele os ordenou "fazei isto em memória de mim", referindo-se ao pão como "meu corpo" e ao cálice de vinho como "meu sangue da nova aliança, que é derramado por muitos.". Também é denominada de Sagrada Comunhão, Santíssimo Sacramento do Altar, Santa Ceia do Senhor, Santo Sacrifício, entre outros. É um dos sete sacramentos da Igreja Católica e parte central da vida eclesial do fiel católico. É também central entre as demais igrejas cristãs históricas e em muitas tradições protestantes.
O Novo Testamento foi originalmente escrito na língua grega e o substantivo grego εὐχαριστία, que significa "ação de graças", aparece algumas vezes nele, enquanto o verbo grego relacionado εὐχαριστήσας é encontrado várias vezes nos relatos do Novo Testamento sobre a Última Ceia, incluindo a primeira dessas contas: Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; E, tendo dado graças (εὐχαριστήσας), o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. O termo eucaristia (ação de graças) é aquele pelo qual o rito é referido na Didache (um documento do final do século I ou início do século II), nos escritos de Inácio de Antioquia (que morreu entre 68 e 107) e de Justino Mártir (Primeira Apologia escrita entre 155 e 157).
A história da instituição da Eucaristia por Jesus na noite anterior à sua crucificação é relatada nos Evangelhos Sinópticos (Mateus 26, 26-28; Marcos 14, 22-24; e Lucas 22, 17-20) e na Primeira Epístola aos Coríntios (1 Coríntios 11, 23-25). Segundo os relatos do Evangelho, Jesus instituiu a eucaristia na Última Ceia, durante a refeição da Páscoa, quando ele abençoou o pão, que ele disse que era seu corpo, e o repartia com os seus discípulos. Ele então compartilhou um copo de vinho com seus discípulos e disse-lhes que "Isto é o meu sangue da nova aliança, que é derramado em favor de muitos." Segundo Lucas, Jesus convocou seus seguidores a repetir a cerimônia em sua memória.
Fontes Cristãs Primitivas
O Didaquê (grego: Διδαχή) é um tratado da Igreja primitiva que inclui instruções para o Batismo e a Eucaristia. A maioria dos estudiosos o datam do final do século I. A Eucaristia é mencionada nos capítulos 9,[nota 1] 10[nota 2] e 14.[nota 3] Inácio de Antioquia (morreu em 110), um dos Padres Apostólicos, menciona a Eucaristia como "a carne de nosso Salvador Jesus Cristo": Preocupai-vos em participar de uma só eucaristia. De fato, há uma só carne de nosso Senhor Jesus Cristo e um só cálice na unidade do seu sangue, um único altar, assim como um só bispo com o presbitério e os diáconos, meus companheiros de serviço. Desse modo, o que fizerdes, fazei-o segundo Deus. — Inácio aos Filadelfienses
Os batistas confessionais, particulares e gerais, historicamente, também criam na presença espiritual, em concordância com o amplo movimento protestante do século XVI e XVII. Segundo o Catecismo de São Paulo (1° edição), de 1687, da vertente batista geral, afirma-se que o pão consagrado é o verdadeiro corpo de Cristo e o cálice abençoado é o verdadeiro sangue de Cristo, entendido com um sentido místico e espiritual da presença espiritual, e não corporal ou carnal da transubstanciação (católica) e união sacramental (luterana). O catecismo, ainda, ensina um pouco da prática eucarística da tradição batista. O ministro pronuncia as Palavras da Instituição: O Senhor Jesus, na mesma noite em que foi traído, tomou do pão; e quando ele deu graças, ele partiu e disse: "Tomam, comam, este é o meu corpo que é partido por vós. Façam isso em memória de mim". E da mesma maneira ele tomou do cálice, depois de ter ceado, dizendo: "Este cálice é o Novo Testamento em meu sangue. Façam isso e, toda vez que beberes, lembrem-se de mim". Pois todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, vós anunciais a morte do Senhor até que ele venha.
Igreja Católica
A doutrina da Igreja Católica ensina que Jesus, antes de morrer, já se referia a este ritual sacramental: «Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este dar-nos a comer a sua própria carne? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos» (João 6:51–71). Isto é claro já nos primeiros escritos a respeito, como na carta de São Justino a respeito do tema. Na Igreja Católica, a Eucaristia é um dos sete sacramentos.
Igreja Ortodoxa
Como a doutrina da transubstanciação surgiu no ocidente após o cisma com a Igreja Ortodoxa, nela não há uma formulação teológica sobre o que acontece com os elementos na liturgia divina - é tido como "mistério". O pão na liturgia ortodoxa é fermentado (simbolizando a nova natureza em Cristo) e o vinho é servido a todos os fiéis (inclusive crianças), servido com uma colher.
Igreja do Oriente
Na Igreja do Oriente, a Qurbana Qadisha (em aramaico: o Santo Sacrifício) seguem um dos mais antigos ritos em uso, o de Addai e Mari. Suas orações eucarísticas, Gehantha, possuem grande semelhança com as orações e bençãos judaicas sobre as refeições. Na Igreja do Oriente a doutrina da transubstanciação é desconhecida e em sua liturgia não há as palavras de instituição ("este é meu corpo...este é meu sangue...").
Igreja Luterana
Os luteranos acreditam que o corpo e o sangue de Cristo estão "verdadeiramente e substancialmente presentes em, com e sob as formas" do pão e vinho (os elementos) consagrados, deste modo os comungantes comem e bebem o corpo e sangue do próprio Cristo tanto quanto comem o pão e bebem o vinho através deste sacramento. A doutrina luterana da real presença é ensinada como a doutrina da União Sacramental. Essa doutrina muitas vezes é incorretamente chamada de consubstanciação. Este termo é rejeitado pelas Igrejas Luteranas e seus teólogos, uma vez que cria uma confusão sobre a doutrina aproximando-a de uma compreensão equivocada, próxima ao conceito católico romano da transubstanciação, tido pelo Luteranismo como antibíblico e filosófico. A celebração da Eucaristia entre os luteranos segue um rito previamente estabelecido com um texto litúrgico responsivo (inclui "prefácio" e as "Palavras da Instituição"), similar à liturgia católica romana, porém de forma mais simplificada, excluindo-se todo e qualquer conceito de caráter sacrifical. Enquanto alguns Luteranos celebram a Eucaristia, ou Santa Ceia, semanalmente apenas para membros (comunhão fechada) como é o caso da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, outros celebram quinzenalmente, mensalmente, ou mesmo trimestralmente, para todos os que quiserem participar (comunhão aberta), no Brasil é o caso da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil. Tais diferenças entre os luteranos também existem em outros países em maior ou menor proporção.
Igreja Anglicana
Na Igreja Anglicana, o entendimento é de um sacramento, independentemente de como o mesmo será entendido pelo comungante. Havendo alguns que tendem a uma explicação mais católica outros a explicações mais protestantes (de acordo com a linha dentro do anglicanismo) e alguns até preferem nem se preocupar em explicar como se dá, estando satisfeitos em saber que o corpo e sangue de Jesus está presente ali de alguma maneira.[carece de fontes?]
Igreja Reformada
Dentro dos princípios Reformados, cuja teologia remonta aos princípios da Reforma e são influenciados por João Calvino, ocorre a presença real de Jesus Cristo na Ceia, não nos elementos do pão e vinho, mas sim espiritualmente, através da ação do Espírito Santo, e posteriormente comunicada aos comungantes. A essa forma de entendimento, em resposta a Ulrico Zuínglio, dá-se o nome de "presença espiritual" ou "presença pneumática".


