César Passarinho
César Osmar Rodrigues Escoto, mais conhecido como César Passarinho, foi um cantor, compositor, músico e baterista brasileiro, reconhecido como um dos principais intérpretes da música nativista do Rio Grande do Sul.
César Passarinho nasceu em Uruguaiana, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, em 21 de março de 1949. Seu nome de nascimento era César Osmar Rodrigues Escoto. O apelido artístico Passarinho teria surgido em referência ao pai, conhecido pela alcunha de “gurrião”, palavra associada ao pardal. Antes de se consolidar como cantor nativista, iniciou sua carreira musical tocando em bailes de Uruguaiana, onde interpretava música popular brasileira. Além de cantor, também atuava como baterista. Obteve destaque inicial ao integrar o Conjunto Hi-Fi, no qual cantava e tocava bateria, e também participou do Grupesquisa, conjunto vocal que contou com músicos como João Chagas Leite e João de Almeida Neto. Sua aproximação mais marcante com a música regionalista ocorreu em 1973, durante a 3.ª edição da Califórnia da Canção Nativa, quando apresentou a composição Último Grito, de sua autoria. A partir desse momento, sua trajetória passou a ficar fortemente ligada ao festival e ao movimento nativista gaúcho.
A trajetória de César Passarinho esteve profundamente ligada à Califórnia da Canção Nativa, um dos mais importantes festivais de música regional do Rio Grande do Sul. Em homenagem prestada no Senado Federal do Brasil após sua morte, a então senadora Emília Fernandes afirmou que “Califórnia e César Passarinho são sinônimos”, destacando que o cantor uruguaianense se transformou em uma das marcas do festival. Com quatro Calhandras de Ouro e sete prêmios de melhor intérprete, César Passarinho tornou-se um dos artistas mais premiados da história da Califórnia da Canção Nativa. Sua presença no festival ajudou a projetar nacionalmente a música nativista produzida no Rio Grande do Sul, especialmente por meio de interpretações marcadas por forte expressividade vocal e identificação com temas campeiros, sociais e regionais.
César Passarinho ficou conhecido por sua interpretação intensa de milongas e canções nativistas. Sua voz, frequentemente descrita como marcante e expressiva, tornou-se um dos símbolos da música regional gaúcha. Em suas apresentações, aparecia muitas vezes associado à indumentária tradicional gaúcha, como boina branca, pala, bombacha, lenço no pescoço e alpargatas ou botas. Seu repertório abordava temas como a vida no campo, a memória, a liberdade, a identidade regional, a cultura negra e a relação afetiva com o território gaúcho. Entre as canções mais lembradas de sua carreira estão Guri, Negro da Gaita, Último Grito, Negro de 35 e Milongueando essas Lembranças Tuas. O artista também é lembrado por ter contribuído para ampliar a representatividade negra na música nativista gaúcha. No pronunciamento feito no Senado em 1998, sua atuação foi destacada como exemplo de superação de barreiras ligadas à cor, à voz e à própria presença no cenário musical tradicionalista.
César Passarinho faleceu em 14 de maio de 1998, no Hospital Saúde, em Caxias do Sul, aos 49 anos. Segundo o pronunciamento registrado no Senado Federal, o cantor estava internado havia 43 dias para tratamento de um câncer no pulmão direito. Sua morte foi recebida com manifestações de pesar no Rio Grande do Sul, especialmente entre artistas, produtores, tradicionalistas e admiradores da música nativista.
A discografia de César Passarinho inclui discos lançados entre as décadas de 1980 e 1990, com destaque para Fundamento, Solito, Negro de 35, Assim no Más, De Alma Leve e Milongueando essas Lembranças Tuas.
César Passarinho é lembrado como uma das grandes vozes da música nativista gaúcha. Sua trajetória permanece associada à história da Califórnia da Canção Nativa e à consolidação da música regional do Rio Grande do Sul no cenário brasileiro. Sua interpretação de Guri tornou-se uma das mais conhecidas do cancioneiro nativista, contribuindo para fixar sua imagem como intérprete sensível das vivências, memórias e afetos ligados ao universo campeiro. A força de sua presença artística fez com que fosse reconhecido como símbolo da música nativista uruguaianense e gaúcha.


