Winston Churchill
Winston Leonard Spencer Churchill foi um militar, estadista e escritor britânico que serviu como primeiro-ministro do Reino Unido de 1940 a 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, e novamente de 1951 a 1955. Além de dois anos entre 1922 e 1924, foi membro do Parlamento (MP) de 1900 a 1964 e representou um total de cinco círculos eleitorais. Ideologicamente liberal econômico e imperialista, foi durante a maior parte de sua carreira um membro do Partido Conservador, que liderou de 1940 a 1955. Também foi membro do Partido Liberal de 1904 a 1924.
Infância, adolescência e escolaridade (1874–95)
Winston Churchill nasceu na casa ancestral de sua família, o Palácio de Blenheim em Oxfordshire, em 30 de novembro de 1874, e passou sua adolescência na época do reinado da Rainha Vitória, em que o Reino Unido era uma superpotência. Nascido na rica e aristocrática família do Duque de Marlborough, ramo da família Spencer, adotou o nome Churchill como tradição originada por seu tetravô George Spencer-Churchill, 5.º Duque de Marlborough, que usava o nome em sua vida pública, para salientar a relação com o general John Churchill, 1.° Duque de Marlborough. O seu pai, Lorde Randolph Churchill, foi um político de sucesso, tendo servido o Partido Conservador como parlamentar por anos e como ministro da Fazenda do Reino Unido em 1886. A sua mãe, Jennie Jerome, foi uma socialite norte-americana, filha do financista Leonard Jerome, que detinha uma fortuna multimilionária. O casal se conheceu em agosto de 1873. Ficaram noivos apenas três dias depois, casando-se na embaixada britânica em Paris, em abril de 1874. O casal, mesmo sendo rico, viveu uma vida com excessivas mordomias, gastando além de sua renda. Por isso, estava frequentemente endividado. De acordo com o biógrafo Sebastian Haffner, a família original de Churchill era "rica para padrões normais, mas pobre em comparação àqueles ricos".
Dificuldades de fala
Durante sua infância e vida adulta, ele demostrava dificuldade em pronunciar a letra "S" e a letra "Z". Tal limitação fazia com que suas notas durante a fase escolar fossem constantemente abaixo da média. Vários autores das décadas de 1920 e 1930 mencionam a dificuldade de fala de Churchill como "grave e agonizante". Os seus discursos eram preparados para evitar hesitações e diminuir o efeito de sua dificuldade. A esse respeito, Churchill afirmou que a sua dificuldade não o atrapalhava.
Carreira Militar: 1895-1899
Após duas tentativas frustradas de ingressar na Real Academia Militar de Sandhurst, Churchill tentou uma terceira vez, sendo nessa a que obteve o esperado sucesso. Pouco depois de terminar Sandhurst, o seu pai morreu. Isto o levou a acreditar que os membros de sua família inevitavelmente morriam jovens. Em fevereiro de 1895, Churchill foi chamado para servir como segundo-tenente em um regimento da cavalaria do Exército Britânico, conhecido como Hussardos da Quarta Rainha, localizado em Aldershot. Em outubro deste mesmo ano, foi à ilha de Cuba — à época colônia espanhola — para ser correspondente do Daily Graphic e enviar reportagens sobre a Guerra de Independência Cubana.
Carreira literária
A carreira literária de Churchill começou cedo. Em 1897, ele havia começado a escrever um romance político utópico que se passava numa República fictícia, onde expôs todas as suas visões e opiniões políticas. Abandonou quando foi para a Índia. Suas primeiras obras publicadas foram os relatos da campanha: "A História do Campo de Malakand Force" (1898) e "A Guerra do Rio" (1899), respectivamente uma da campanha no Paquistão e outra na Batalha de Ondurmã. Em 1900, ele publicou o seu único romance, Savrola e, 6 anos depois, a sua primeira grande obra, a biografia de seu pai, Lorde Randolph Churchill.
Vida política
Também em 1900, tornou-se um membro do Parlamento, eleito aos 26 anos pelo Partido Conservador. Tendo passado para os liberais, foi subsecretário das colônias em 1905 e membro pleno do Gabinete como ministro do Comércio, três anos mais tarde. Primeiro Lorde do Almirantado na Primeira Guerra Mundial, teve de renunciar depois da desastrada expedição dos Dardanelos. Depois de servir na frente de combate na França, retornou ao governo como ministro do Material Bélico, voltando ao Partido Conservador em seguida e se tornando ministro das Finanças, após a guerra. Churchill, como Secretário do Interior, em 1910, enviou batalhões de policiais de Londres e ordenou que atacassem os mineiros grevistas em Tonypandy, no sul do País de Gales; um deles foi morto e quase 600 grevistas e policiais ficaram feridos. Mais tarde, ele assumiu o comando operacional da polícia durante um cerco de anarquistas letões armados em Stepney, onde decidiu permitir que eles fossem queimados até a morte em uma casa onde estavam presos.
Apesar da carreira política de Churchill ter sido marcada por posições de destaque no seio do governo britânico em ambas as grandes guerras do século XX, pela análise aos seus discursos verifica-se sempre uma busca pela paz, tendo chamado a Segunda Guerra Mundial de "a guerra desnecessária", defendendo a ideia de que os países europeus deveriam ter impedido a Alemanha de recompor suas forças armadas antes da guerra, visando evitá-la. Churchill acreditava que a entrada dos Estados Unidos na guerra era essencial para a derrota do nazismo, criando grandes laços com os Estados Unidos e com o presidente Franklin Roosevelt. Fez com este diversos contatos, entre eles a concepção da Carta do Atlântico em 1941. Apesar de ser incondicionalmente antinazista, segundo Paul Gray, jornalista da TIMES, em seu artigo em 11 de maio de 1999, ele cita e acusa Churchill como defensor da higiene racial. Churchill foi influenciado e um grande apreciador de Edward Gibbon, autor de A História do Declínio e Queda do Império Romano.
Churchill foi um escritor prolífico, tendo publicado sob o nome literário de Winston S. Churchill; recebeu o Prêmio Nobel da Literatura em 1953 pelos seus inúmeros trabalhos publicados, especialmente a sua obra de seis volumes The Second World War (A Segunda Guerra Mundial). Na cerimônia de entrega, o Nobel foi justificado "pelo seu domínio da descrição histórica e biográfica, bem como pela brilhante oratória na defesa exaltada dos valores humanos". A primeira obra de Churchill como escritor foi para uma série de cinco artigos sobre a Guerra de Independência Cubana no The Graphic, em 1895, o ano da morte do seu pai Lorde Randolph. Durante o resto de sua vida, a escrita foi a sua principal fonte de renda. Quase sempre bem pago como autor, ele escreveu um número estimado entre oito e dez milhões de palavras em mais de 40 livros, milhares de artigos de jornais e revistas e, pelo menos, dois roteiros de cinema.
Churchill era um político de carreira, sendo descrito pelo biógrafo Robert Rhodes James como um homem "que se dedicaria por toda a sua vida adulta à profissão da política". Na visão de James, Churchill era "fundamentalmente um homem muito conservador" e que este "conservadorismo básico era uma característica notável de suas atitudes políticas". Gilbert descreveu Churchill como sendo "liberal em sua visão" durante toda a sua vida, embora Jenkins pensasse que "há espaço para discussões sobre se ele foi sempre um liberal filosófico enraizado". Gilbert descreveu Churchill como "um radical" que acreditava que o Estado era necessário para garantir "padrões mínimos de vida, trabalho e bem-estar social para todos os cidadãos". Muitos liberais duvidaram da convicção de seu radicalismo, quando se tratava de reforma social. Os discursos de Churchill sobre o liberalismo enfatizavam a retenção da estrutura social existente na Grã-Bretanha e a necessidade de "gradualidade" em vez de mudança revolucionária; ele aceitou e endossou a existência de divisões de classe na sociedade britânica. Churchill buscou a reforma social não por um desejo de desafiar a estrutura social existente, mas por uma tentativa de preservá-la. Charles Masterman, um reformador liberal que conheceu Churchill, afirmou que este "desejava na Inglaterra, um estado de coisas em que uma classe superior benigna distribuía benefícios a uma classe trabalhadora industriosa, bien pensant e grata". Na visão de Jenkins, o passado privilegiado de Churchill impedia-o de ter empatia pelos pobres e, em vez disso, "simpatizava com eles do alto". Como ministro, Churchill se engajou na retórica anti-socialista, e procurou claramente diferenciar o socialismo do liberalismo.
Relações com os partidos políticos
James descreveu Churchill como tendo "nenhum compromisso permanente com qualquer" partido, e que suas "mudanças de lealdade nunca foram desconectadas de seus interesses pessoais". Ao fazer campanha para seu assento no Oldham em 1899, Churchill se referiu a si mesmo como um Conservador e um Tory Democrat; no ano seguinte, ele se referiu aos Liberais como "idiotas, puritanos e fadistas". Em uma carta de 1902 a um colega conservador, Churchill afirmou que tinha "opiniões amplas, tolerantes e moderadas — um anseio por compromisso e acordo — um desdém por hipócritas de todos os tipos — um ódio aos extremistas, sejam eles Jingos ou Pró-Boers; e eu confesso que a ideia de um partido central, mais fresco, mais livre, mais eficiente e, acima de tudo, leal e patriótico, é muito agradável ao meu coração". Este sonho de um "Partido do Centro", que reuniria elementos mais moderados dos principais partidos britânicos — e assim permanecer permanentemente no cargo — era recorrente para Churchill.
Imperialismo e visões raciais
As avaliações do legado de Churchill são amplamente baseadas em sua liderança do povo britânico na Segunda Guerra Mundial. Mesmo assim, suas opiniões pessoais sobre império e raça continuam a gerar debates. Churchill era um imperialista e monarquista ferrenho e exibia consistentemente uma "visão romantizada" tanto do Império Britânico quanto do monarca reinante, especialmente de Elizabeth II durante seu último mandato como primeiro-ministro. Churchill foi um imperialista e monarquista convicto e exibiu consistentemente uma "visão romantizada" tanto do Império Britânico quanto do monarca reinante, especialmente durante seu último mandato como primeiro-ministro. Churchill foi descrito como um "imperialista liberal" que via o imperialismo britânico como uma forma de altruísmo que beneficiava os seus povos súditos. Ele defendeu contra o autogoverno negro ou indígena na África, na Austrália, no Caribe, nas Américas e na Índia, acreditando que o Império Britânico promovia e mantinha o bem-estar daqueles que viviam nas colônias.
Religião
Churchill foi batizado em 27 de dezembro de 1874, na capela do Palácio de Blenheim, e foi criado sob os ideais da Igreja Anglicana; no entanto, suas crenças religiosas como adulto têm sido descritas como agnósticas. Um artigo acadêmico publicado em 2013 resume as visões religiosas de Winston Churchill: Não frequentava cultos da igreja regularmente, preferindo agraciar as catedrais apenas em ocasiões do Estado e ritos de passagem. A Bíblia que ele leu apenas "por curiosidade" e discussões sobre o dogma da Igreja estavam, por assim dizer, quase no fim de sua lista de afazeres. Além disso, Churchill entrou em um período de fervor anti-religioso durante seus 20 e poucos anos. A sua atitude abrandou quando ele envelheceu, mas o ceticismo que ele adotou nunca se dissipou completamente. Parece justo dizer que, em um nível estritamente intelectual, Churchill era um agnóstico. Por outro lado, ele permaneceu simpático à crença religiosa e, em particular, à fé cristã, e tendeu sinceramente a recorrer a seus recursos conforme necessário, independentemente de qualquer contradição lógica com suas dúvidas formais. Os hinos e a adoração que Churchill absorveu em sua juventude incorporaram nele uma conexão emocional e espiritual com a Igreja Anglicana — embora permanecesse longe dos seus ensinamentos. Certa vez, ele descreveu o seu relacionamento com a Igreja como um suporte: ele a apoiou do lado de fora. Era um defensor inflexível da civilização cristã e defendia fervorosamente a necessidade da ética cristã em uma sociedade democrática
Animais de estimação
Churchill era amante dos animais e possuía uma ampla gama de animais, incluindo cães, gatos, cavalos, porcos, peixes e cisnes negros, muitos dos quais foram mantidos em Chartwell. Jock Colville contou como Churchill, na época da Segunda Guerra Mundial, como primeiro-ministro, conversava com seus gatos sobre as questões que estava contemplando. Colville presenteou Churchill com o seu último gato, chamado Jock, em seu aniversário de 88 anos e Churchill providenciou para que o Chartwell National Trust sempre abrigasse um gato chamado Jock.
Voluntariado
Foi Rotariano associado ao Rotary Club de Londres e Rotary Club de Wanstead & Woodford, na Inglaterra.
Churchill casou-se com Clementine Hozier, em setembro de 1908. Eles permaneceram casados por 57 anos. Churchill estava ciente da tensão que a sua carreira política exercia sobre o seu casamento e, de acordo com seu secretário particular Jock Colville, nos anos 1930, teve um breve caso com Doris Castlerosse. A primeira filha de Churchill, Diana, nasceu em julho de 1909; o segundo filho, Randolph, em maio de 1911. A terceira, Sarah, nasceu em outubro de 1914, e a quarta, Marigold, em novembro de 1918. Esta última morreu em agosto de 1921, de sepsia e foi enterrada no Cemitério de Kensal Green. Em 15 de setembro de 1922, nasceu a quinta e última filha de Churchill, Mary. Mais tarde naquele mês, Churchill compraram a Chartwell House, que seria a sua casa até à sua morte em 1965. Segundo Jenkins, Churchill era um "pai entusiasmado e amoroso", mas que esperava demais de seus filhos.


