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Albert Camus

Albert Camus foi um escritor, filósofo e jornalista franco-argelino, conhecido por suas contribuições à literatura e ao pensamento filosófico do século XX. Sua obra abrange romances, peças teatrais, ensaios e artigos, nos quais explorou temas como o absurdo da condição humana, a revolta e a busca por significado. Em 1957, foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/06/2026
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Biografia

Imagem: DietrichLiao · BY-SA · Openverse

Albert Camus (AFI: [albɛʁ kamy]) nasceu na costa da Argélia, numa localidade chamada Mondovi (hoje denominada Dréan), durante a ocupação francesa, numa família pied-noir. O seu pai, Lucien Auguste Camus (1885-1914), era francês nascido na Argélia e a sua mãe, Catherine Hélène Sintès (1882-1960), também nascida na Argélia, era de origem minorquina (Sant Lluís). Camus conheceu cedo o gosto amargo da morte: o seu pai morreu em 1914, na batalha do Marne, durante a Primeira Guerra Mundial. A sua mãe então foi obrigada a mudar-se para Argel, para a casa de sua avó materna, no famoso bairro operário de Belcourt onde, anos mais tarde, durante a guerra de descolonização da Argélia, houve um massacre de muçulmanos. O período de sua infância, apesar de extremamente pobre, é marcado por uma felicidade ligada à natureza, que ele volta a narrar em O Avesso e o Direito, mas também em toda a sua obra. Na casa, moravam, além do próprio Camus, o seu irmão que era um pouco mais velho, a sua mãe, a sua avó e um tio um pouco surdo, que era tanoeiro, profissão que Camus teria seguido se não fosse pelo apoio de um professor da escola primária Louis Germain, que viu naquele pequeno pied-noir um futuro promissor. Ao princípio, a sua família não via com bons olhos o fato de Albert Camus seguir para a escola secundária, sendo pobre. O próprio Camus diz que tomar essa decisão foi difícil para ele, pois sabia que a família precisava da renda do seu trabalho. Portanto, ele deveria ter uma profissão que logo trouxesse frutos - como a profissão do seu tio. No fundo, Camus também gostava do ambiente da oficina, onde o tio trabalhava. Há um conto escrito por ele que tem como cenário a oficina e no qual a camaradagem entre os trabalhadores é exaltada.

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Saúde

Após completar o doutoramento e estar apto a lecionar, a sua saúde impediu-o de se tornar um professor. Uma forte crise de tuberculose abateu-se sobre ele nesta época. Camus era tuberculoso, havia já algum tempo. Esta doença deu-lhe a real dimensão da possibilidade quotidiana de morrer, o que foi fundamental no desenvolvimento de sua obra filosófica e literária. A tuberculose também o impediu de continuar a praticar um desporto que amava e lhe ensinou tanto: Camus era o guarda-redes da seleção universitária. Conta-se que era um bom goleiro. O seu amor pelo futebol seguiu-o durante toda a vida. Uma das coisas que mais o impressionou quando da sua visita ao Brasil em 1949 foi o amor dos brasileiros pelo futebol.

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Visita ao Brasil

Imagem: .^.Blanksy · BY-NC-SA · Openverse

Entre os dias 5 e 7 de agosto de 1949, em visita ao Brasil, Camus foi até Iguape conhecer a festa em louvor do Senhor Bom Jesus de Iguape, acompanhado de Oswald de Andrade, do adido cultural francês, Paul Silvestre, e de Rudá de Andrade, filho de Oswald, mais o motorista. O grupo ficou hospedado num quarto do hospital "Feliz Lembrança", porque todos os hotéis estavam esgotados. A experiência dessa visita é a base do conto "La Pierre qui pousse" ('A Pedra que cresce'), publicado em seu livro O Exílio e o Reino, sobre o engenheiro francês d'Arrast, de passagem por Iguape. Segundo seu motorista, Sócrates, a estátua do Bom Jesus chegou do mar, subindo o rio. Pescadores a encontraram e a levaram até uma fonte de Iguape, e a colocaram sobre uma pedra para lavá-la. Desde então, anualmente realiza-se uma festa religiosa no local, onde os fieis retiram lascas da pedra, que teria poderes milagrosos. Mas, segundo o narrador, a pedra continuava a crescer, mantendo-se do mesmo tamanho. O conto foi tema do curta-metragem A pedra que cresce, de Matheus Benites (2023).

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Teatro para os trabalhadores

Imagem: Sebastian J. · BY-NC-ND · Openverse

Sob estas diretrizes, a sua obra (filosófica e literária) tem o absurdo como padrão. Grosso modo, os seus livros testemunham as angústias de seu tempo e os dilemas e conflitos já observados por escritores que o precederam, tais como Franz Kafka e Dostoiévski. A proximidade entre Camus e estes dois autores evidencia uma cadeia que se estende até os dias atuais, indicando a fonte de um movimento heterogêneo — abrangendo arte, teatro, literatura, filosofia —, identificado como a estética do absurdo. Alguns ilustres filiados a este movimento, cujo foco é o absurdo, são Samuel Beckett e Eugène Ionesco. Mudou-se para a França, em 1939, pouco antes da invasão alemã. Mudou-se principalmente devido às polémicas com as autoridades francesas na Argélia. O autor havia publicado uma série de ensaios sobre o tratamento que os árabes recebiam por parte dos franceses na Argélia, pois os árabes não eram considerados cidadãos franceses e portanto eram subjugados por um governo no qual nem ao menos podiam votar. Crianças árabes morriam de fome, não tinham atendimento médico. Camus, nessa época, também fazia parte do Partido Comunista, do qual se desvinculou pouco tempo depois. A sua esposa e os seus filhos permaneceram na Argélia. Devido à guerra nem Camus pôde voltar à Argélia, nem sua esposa e filhos puderam ir para a França. Ele ficou em Paris durante o começo da ocupação nazista, trabalhando num jornal. Devido à censura e à vigilância constante dos nazistas, a maior parte dos jornalistas franceses muda-se para a região da França de Vichy. Começa a participar nas ações do Combat, núcleo de resistência à ocupação, tornando-se um dos editores do jornal de mesmo nome.

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Sartre

Imagem: Jared Enos · BY-NC-ND · Openverse

Conheceu Jean-Paul Sartre em 1942 e tornaram-se bons amigos, no pós-guerra. Conheceram-se devido ao livro "O Estrangeiro" sobre o qual Sartre escreveu elogiosamente, dizendo que o autor seria uma pessoa que ele gostaria de conhecer. Um dia, numa festa em que os dois estavam, Camus apresentou-se a Sartre, dizendo-se o autor do livro. A amizade durou até 1952, quando a publicação de "O Homem Revoltado" provocou um desentendimento público entre os dois filósofos, devido aos comentários que Camus fazia em relação ao comunismo soviético, do qual Sartre era partidário.

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Morte

Imagem: · BY-SA · Openverse

Camus morreu em janeiro de 1960, en Villebrevin, vítima de um acidente de automóvel. Na sua maleta estava contido o manuscrito de O Primeiro Homem, um romance autobiográfico. Por uma ironia do destino, nas notas ao texto, ele escreve que aquele romance deveria ficar inacabado. A sua mãe, Catherine Sintès, morreu em setembro do mesmo ano. Camus não pretendia ter feito a viagem a Paris de carro, com seu editor Michel Gallimard, a mulher deste, Janine, e a filha deles, Anne. Pretendia ir de trem, com o poeta René Char. Já haviam até comprado as passagens. Mas, por insistência de Michel, ele aceitou a boleia. Char também foi convidado, mas não quis lotar o carro. No acidente, o Facel Vega FV3B de Michel espatifou-se contra uma árvore. Apenas Camus morreu na hora. Michel morreu no hospital, cinco dias depois. O relógio do painel do carro parou no instante do acidente: 13h55. Albert Camus encontra-se sepultado no cemitério de Lourmarin, Provença-Alpes-Costa Azul, em França.

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Legado

Imagem: Fountain_Head · BY · Openverse

Camus deixou uma inegável contribuição para a literatura e o pensamento contemporâneo. Sua obra reflete profundamente sobre a condição humana, a liberdade e a responsabilidade individual, notável em romances como "O Estrangeiro" e "A Peste". Além disso, sua influência se estendeu à filosofia, política e arte, tornando-o uma figura fundamental cujo legado perdura. A banda de heavy metal americana Avenged Sevenfold afirmou que seu álbum Life Is But A Dream... foi inspirado na obra de Camus. Albert Camus também serviu de inspiração para o Cavaleiro de Ouro Camus de Aquário, no anime e no mangá clássicos Cavaleiros do Zodíaco.

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