Clube dos Cordeliers
O Clube dos Cordeliers, oficialmente Sociedade dos Amigos dos Direitos do Homem e do Cidadão, foi um influente clube político fundado em 27 de abril de 1790, durante a Revolução Francesa. Sua sede ficava no antigo refeitório do Convento dos Cordeliers em Paris. Era notável por sua composição popular, incluindo pessoas dos subúrbios parisienses e, formalmente, mulheres. A mensalidade era acessível, custando o equivalente a um pão de 460 gramas da época, o que facilitava a participação de diversas classes sociais.
Pontos-chave
- Fundado em 27 de abril de 1790, o Clube dos Cordeliers foi um importante clube político da Revolução Francesa.
- Seu nome deriva do Convento dos Cordeliers em Paris, onde o clube se reunia.
- A mensalidade acessível e a inclusão de classes populares e mulheres o diferenciavam.
- O clube atuava como vigilante da Assembleia Nacional e defendia os indigentes.
- Suas facções, como os "Indulgentes" e "Hebertistas", tiveram papel crucial em eventos posteriores, culminando em sua repressão em 1794.
O nome "Cordeliers" vem dos monges franciscanos, conhecidos em francês por esse termo. Eles usavam vestes simples e um cinto de corda com nós ("corde lié"). O clube adotou o nome por se reunir no Convento dos Cordeliers em Paris. Curiosamente, os franciscanos eram rivais medievais dos dominicanos, que davam nome ao Clube dos Jacobinos, um rival do próprio Clube dos Cordeliers durante a Revolução.
O Clube dos Cordeliers se posicionava como um fiscal da Assembleia Nacional, exercendo um olhar crítico sobre suas ações. Diferente dos Jacobinos, a entrada no clube era gratuita, com doações voluntárias sendo recolhidas por uma bandeira. A carteira de membro exibia um olho aberto, simbolizando a "vigilância revolucionária". Mais próximo das classes trabalhadoras dos Faubourgs Saint-Antoine e Saint-Marceau, o clube participou ativamente dos movimentos insurrecionais sob as diferentes assembleias revolucionárias. Era um "grupo de combate" que promovia a agitação democrática, vigiava aristocratas, controlava administrações e utilizava petições, manifestações e, quando necessário, tumultos para expressar as aspirações populares.
Após a queda dos Girondinos, o clube se fragmentou em duas correntes principais: os "Indulgentes", associados a Danton, e os "Hebertistas" ou "Exagerados", que apoiavam a Lei dos Suspeitos e a ditadura da Comuna de Paris. Os Hebertistas ganharam proeminência, articulando demandas sociais mais profundas. Diante de suas exigências e atitude ameaçadora, o Comitê de Salvação Pública agiu, prendendo seus líderes em março de 1794. Julgados e guilhotinados em março e abril de 1794, seus principais dirigentes foram executados. Embora enfraquecido e tornado dependente do Clube dos Jacobinos, o Clube dos Cordeliers sobreviveu até ser fechado em 1795. É importante notar que Marat, uma figura associada ao clube, já havia sido assassinado em julho de 1793.


