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Vale S.A.

Vale é uma mineradora multinacional brasileira e uma das maiores operadoras de logística do país. É uma das maiores empresas de mineração do mundo e também a maior produtora de minério de ferro, de pelotas e de níquel. Também produz cobre, cobalto e outros metais preciosos. No setor de energia elétrica, participa em consórcios e atualmente opera nove usinas hidrelétricas, no Brasil, no Canadá e na Indonésia. Fundada em 1942 como Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), foi criada durante o governo Getúlio Vargas para a exploração das minas de ferro na região de Itabira, no estado de Minas Gerais. Em 2009, sua marca e nome passaram a ser apenas Vale, nome pelo qual sempre foi conhecida nas bolsas de valores.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/07/2026
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História

Fundação

Vários grupos de investidores internacionais adquiriram extensas glebas de terra próximas a Itabira-MG, e em 1909 se reuniram fundando o Brazilian Hematite Syndicate ("Sindicato Brasileiro da Hematita"), um sindicato que visava a explorá-las. Em 1911 o empresário estadunidense Percival Farquhar adquiriu todas as ações do Brazilian Hematite Syndicate e mudou seu nome para Itabira Iron Ore Company ("Companhia de Minério de Ferro de Itabira"). Percival Farquhar fez planos para que a Itabira Iron Ore Co. exportasse 10 milhões de toneladas/ano de minério de ferro para os Estados Unidos, usando navios pertencentes a seu sindicato, que trariam carvão dos EUA ao Brasil, tornando assim o frete mais econômico. Esse plano antecipava em mais de 40 anos um conceito que, modificado e atualizado, viria a se tornar realidade, sob a direção de Eliezer Batista, na década de 1960, quando da inauguração do Porto de Tubarão.

Consolidação

Após sua fundação, a Vale conseguiu ir, pouco a pouco, expandindo sua produção de minério de ferro, mas de forma ainda muito lenta. O Brasil tinha grandes reservas do mineral, mas a demanda era reduzida. A Vale vivia praticamente só para fornecer matéria prima para as siderúrgicas nacionais, sendo a maior delas, então, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Em dezembro de 1952, Francisco de Sá Lessa, engenheiro civil de formação, assumiu a presidência da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), permanecendo no cargo até 1960. Neste período a Companhia modernizou seus postos e conquistou novos mercados. Sá Lessa inaugurou os primeiros escritórios da empresa no exterior.

Privatização

A Vale foi privatizada no dia 6 de maio de 1997 – durante o governo de Fernando Henrique Cardoso – com financiamento subsidiado, disponibilizado aos compradores pelo BNDES. A venda do controle acionário de 41,73% das ações ordinárias da Vale foi concretizada em 6 de maio de 1997 em leilão realizado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. O novo controlador da companhia foi o Consórcio Brasil, liderado pela Companhia Siderúrgica Nacional, de Benjamin Steinbruch, com 16,30% (1,3 bilhão de reais); 10,43% (834,5 milhões de reais) com a Litel Participações (fundos de pensão); 10% (800 milhões de reais) com a Eletron S/A (liderada pelo banco Opportunity); e 5% (400 milhões de reais) com a Sweet River (Nations Bank). O controle acionário da Vale foi adquirido por 3 338 178 240 de dólares ou cerca de 3,3 bilhões de dólares, na ocasião, representando menos de um quarto do capital total da empresa, antes pertencente à União, que representava 41,73% das ações ordinárias (com direito a voto) da empresa. As ações preferenciais (sem direito a voto) continuaram em mãos de acionistas privados. No dia da privatização ocorreu uma manifestação em frente e Bolsa de Valores do Rio de Janeiro que contou com cerca de 300 pessoas, segundo consta no livro que descreve a história da empresa.

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Segmentos de atuação

Logística

A empresa mantém uma rede de logística que integra minas, ferrovias, navios e portos no Brasil, Indonésia, Canadá, Omã, Malásia e China. A Vale opera cerca de 2 mil quilômetros de malha ferroviária no Brasil e tem acordos para utilizar linhas na África. A Vale também conta com uma rede de portos e terminais conectados às minas por meio das ferrovias no Brasil, na Indonésia, na Malásia e em Omã, além de operar navios de grande porte.​ A Vale adquiriu vagões e locomotivas para utilização no transporte de seus produtos e de carga geral para clientes na Estrada de Ferro Carajás ­(EFC) e Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). No Brasil, a Vale opera nos Portos de Tubarão e Praia Mole (ES), o Terminal Marítimo de Ponta da Madeira (MA), o Terminal Marítimo de Itaguaí (RJ) por meio de sua subsidiária CPBS, o Terminal Marítimo da Ilha do Guaíba (RJ). Também opera terminais no Canadá, na Indonésia, em Omã e na Malásia.

Energia

A Vale atua na geração própria de energia, com capacidade instalada de 2,7 GW (2022), em ativos de geração hidrelétrica e eólica, com usinas próprias e participações em consórcios e empresas. A companhia utiliza a eletricidade produzida nessas usinas para consumo próprio. No Brasil, a Vale é proprietária de três centrais hidrelétricas (PCHs), uma usina solar (Sol do Cerrado) e possui participações em consórcios de usinas hidrelétricas (Candonga, Estreito e Machadinho). A Vale é sócia junto à Cemig de duas empresas de geração de energia: Aliança Geração e Aliança Norte Energia, a qual possui 9% da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. A Vale também conta com cinco PCHs no Canadá e três hidrelétricas na Indonésia (Larona, Balambano e Karebbe).

Minerais ferrosos

Em 2005 a produção de minério de ferro da Vale atingiu um novo recorde de 240,4 milhões de toneladas, 10,3% acima do volume produzido em 2004. Entre 2001 e 2005, a produção da companhia cresceu à taxa média anual de 15%. Contribuíram para esse resultado a entrada em operação da mina de Fábrica Nova no Sistema Sul, ramp-up de Capão Xavier, expansão de capacidade de Carajás e ganhos de produtividade em quase todas as demais minas. Em 2005 a produção de pelotas foi de 36,376 milhões de toneladas, 2,2% acima do volume de 2004. Foram produzidas 22,8 milhões de toneladas de pelotas de alto-forno e 13,6 milhões de toneladas de pelotas de redução direta. Em 2005, fechou o preço benchmark com a Nippon Steel, uma das maiores siderúrgicas da Ásia, com aumento de 71,5% para o sinter feed Carajás em relação ao preço de 2004, o que corresponde ao maior reajuste da história. Já o preço FOB-Tubarão de pelotas subiu 86,67%, e para o minério de ferro granulado o aumento foi de 79%. As vendas de minério de ferro e pelotas bateram recorde em 2005, com 252,189 milhões de toneladas.[carece de fontes?]

Metais básicos

Em 2005, a Vale inaugurou sua atuação na indústria de concentrado de cobre (o primeiro ano completo de operação da Mina do Sossego) e já conta com 13 clientes, situados em 11 diferentes países. Foram iniciadas as obras da usina hidrometalúrgica de Carajás, com capacidade de 10 mil toneladas anuais de cobre catodo. Construída junto à Mina do Sossego, objetiva testar a tecnologia da rota hidrometalúrgica para o processamento do minério de cobre, com vistas a processar, no futuro, o minério a ser produzido pelos depósitos do Salobo e Alemão. A Vale também atuou na recuperação de cobre no Canadá em Sudbury e Voisey's Bay e no Chile por meio da planta Três Valles.

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Controvérsias

Em janeiro de 2012 foi eleita como a pior empresa do mundo, no que refere-se a direitos humanos e meio ambiente, pelo "Public Eye People's", premiação realizada desde o ano 2000 pelas ONG's Greenpeace e Declaração de Berna. Dessa forma a Vale tornou-se a primeira empresa brasileira a "vencer" tal eleição, também conhecida como "Oscar da Vergonha". A escolha foi realizada por meio de votação pública, tendo a Vale recebido 25 mil votos. Em segundo lugar na eleição ficou a japonesa Tepco, responsável pela operação das usinas nucleares de Fukushima, atingidas por um tsunami em março de 2011. A empresa ficou marcada negativamente no Brasil pelos desastres ambientais de Mariana e Brumadinho, ambas no estado de Minas Gerais. Nos dois casos, houve o rompimento de barragens pertencentes à mineradora, deixando centenas de vítimas e desaparecidos em meio aos rejeitos de mineração.

Privatização

A privatização da Vale foi controversa por não ter levado em conta o valor potencial das reservas de ferro em possessão da companhia na época, apenas seu valor patrimonial. Porém deve se levar em conta que o primeiro leilão de 1997 vendia menos de um quarto do capital total, sendo vendido com um ágio de 19,9%, a ponto da Votorantim, que concorria a oferta, ter então desistido pelo alto preço. Além disso, os compradores (o Consórcio Brasil — futura Valepar) foram subsidiados pelo BNDES (que através da BNDESpar deteria também participação direta na empresa até anos recentes). É importante lembrar que o Estado continua como detentor das riquezas no subsolo, o que significa lucrar com os royalties através do ganho de escala da empresa por sua restruturação, aquisições e investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento após a privatização. Deve ser dito que o governo, por um certo tempo, manteve ações golden share, com direito a voto e poder permanente de veto sobre uma série de assuntos importantes para a Vale. Apesar da privatização, o governo continuou como participante, quase "sócio", através de debêntures, títulos de dívida da empresa oferecidos como captação de recursos em troca do principal em conjunto com algum índice ou taxa de juros ao adquirente da debênture. De certo modo, a privatização foi relativa, já que o governo continuou como um participante indireto no capital da empresa. Isso sem a referência aos fundos que detém capital da empresa, como a Previ, do BB, banco em parte estatal e maior acionista atual, detentor de 8,09% da composição acionária. Em 2021, 51,79% das ações encontram-se disponíveis para qualquer pessoa comprar através de uma corretora, num preço relativamente acessível nos períodos de baixa na bolsa (B3), como em 2020, em que uma ação chegara a valer 27 reais. O preço da ação obviamente aumenta ou diminui a depender do desempenho da empresa a cada trimestre e das notícias de política e economia no país, ou fora dele, quando o possam impactar. Nenhum dos demais acionistas com direito a voto detém mais de 10% da empresa.

Desastre de Mariana (2015)

O rompimento de barragem em Mariana ocorreu na tarde de 5 de novembro de 2015 no subdistrito de Bento Rodrigues, a 35 km do centro do município brasileiro de Mariana, Minas Gerais. Rompeu-se uma barragem de rejeitos de mineração denominada "Fundão", controlada pela Samarco Mineração, um empreendimento conjunto das maiores empresas de mineração do mundo, a brasileira Vale e a anglo-australiana BHP Billiton. Inicialmente a mineradora Samarco informara que duas barragens haviam se rompido - a de Fundão e a de Santarém. Porém, no dia 16 de novembro, a Samarco retificou a informação, afirmando que apenas a barragem de Fundão havia se rompido. O rompimento de Fundão provocou o vazamento dos rejeitos que passaram por cima de Santarém, que, entretanto, não se rompeu. O rompimento da barragem de Fundão é considerado o desastre industrial que causou o maior impacto ambiental da história brasileira e o maior do mundo envolvendo barragens de rejeitos, com um volume total despejado de 62 milhões de metros cúbicos. A lama chegou ao rio Doce, cuja bacia hidrográfica abrange 230 municípios dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, muitos dos quais abastecem sua população com a água do rio.

Desastre de Brumadinho (2019)

O rompimento de barragem em Brumadinho em 25 de janeiro de 2019 foi o maior acidente de trabalho no Brasil em perda de vidas humanas e o segundo maior desastre industrial do século. Foi um dos maiores desastres ambientais da mineração do país, depois do rompimento de barragem em Mariana. Controlada pela Vale, a barragem de rejeitos denominada barragem da Mina Córrego do Feijão, era classificada como de "baixo risco" e "alto potencial de danos" pela empresa. Acumulando os rejeitos de uma mina de ferro, ficava no ribeirão Ferro-Carvão, na região de Córrego do Feijão, no município de Brumadinho, estado de Minas Gerais. O desastre industrial, humanitário e ambiental, causou a morte de 270 pessoas, incluindo três desaparecidas, em números oficiais divulgados em 20 de dezembro de 2022, com a identificação da 267.ª vítima, quase quatro anos depois do rompimento da barragem.

Evacuação em Barão de Cocais (2019)

Aproximadamente 500 pessoas pertencentes às comunidades de Socorro, Tabuleiro e Piteiras, no município de Barão de Cocais, na região central de Minas Gerais, foram evacuadas devido ao alerta de possível rompimento da barragem sul superior da Mina Gongo Soco, da Vale. A evacuação dos moradores foi determinada pela Agência Nacional de Mineração (ANM), na madrugada do dia 8 de fevereiro de 2019.

Tentativa de despejo em Parauapebas (2021)

Um grupo de 50 seguranças da Vale atiraram com balas de borracha em um grupo de agricultores que viviam em sua terra, deixando 20 feridos. As instalações elétricas da comunidade também foram destruídas. O ataque não atingiu apenas os trabalhadores, mas crianças, mulheres e idosos. Quando procurada pela mídia, a Vale afirmou que o grupo morava lá irregularmente e invadiu outro terreno para instalar postes de energia elétrica clandestina, por isso contratou uma empresa de segurança para lidar com a situação. A Vale também afirmou que os seguranças atiraram pois estavam se defendendo de tiros disparados pelos agricultores.

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Fontes consultadas

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