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Comunidades Eclesiais de Base

As Comunidades Eclesiais de Base (CEB) são comunidades inclusivistas ligadas principalmente à Igreja Católica que, incentivadas pela Teologia da Libertação, se espalharam principalmente nos anos 1970 e 80 no Brasil e na América Latina. Consistem em comunidades reunidas geralmente em função da proximidade territorial e de carências e misérias em comum, compostas principalmente por membros insatisfeitos das classes populares e despossuídos, vinculadas a uma igreja ou a uma comunidade com fortes vínculos, cujo objetivo é a leitura bíblica em articulação com a vida, com a realidade política e social em que vivem e com as misérias cotidianas com que se deparam na matriz ordinária de suas vidas comunitárias. Através da hermenêutica do método ver-julgar-agir buscam olhar a realidade em que vivem (ver), julgá-la com os olhos da fé (julgar), buscando nunca perder de vista o dom da tolerância e o dom da caridade. Sem, no entanto, deixar que a razão fique obnubilada e encontrar caminhos de ação e contemplação, mesmo que impulsionados por este mesmo juízo prático ou teórico à luz da fé (agir).

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/06/2026
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Origens

Imagem: Senado Federal · BY · Openverse

Normalmente se considera que sua origem se deu no começo dos anos 1960, como resultado da experiência de catequese popular em Barra do Piraí (1956) ou do Movimento da Diocese de Natal, ou ainda do Movimento de Educação de Base. Sua gestação e nascimento se deram no contexto mundial da Guerra Fria, quando o mundo era dividido entre o bloco comunista e o bloco capitalista. Uma das motivações iniciais era suprir a ausência de padres nas regiões onde os desafios eram maiores, nas quais os batizados não tinham nenhum contato com um processo de evangelização. A auto-organização leiga preencheria esta lacuna, sob a autoridade do bispo local. Não se pode negar a influência do esforço da Ação Católica na questão da cidadania, os esforços de renovação pastoral do Movimento para um Mundo Melhor e dos Planos de pastoral da CNBB - Plano de Emergência e Plano de Pastoral de Conjunto - e também a rearticulação da pastoral popular após o golpe militar de 1964.

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Características

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As CEBs se constituem de grupos de pessoas (em torno de 20 a 80) sem discriminação de raça, credo ou orientação sexual que, morando no mesmo bairro ou nos mesmos povoados, se encontram para refletir e transformar a realidade à luz da Palavra de Deus e das motivações religiosas. A partir de sua organização elas começavam também a reivindicar pequenas melhorias nos bairros, mas, ao mesmo tempo, iniciavam uma caminhada para tomar consciência da situação social e política. Queriam a transformação da sociedade. Inspiradas no método "Paulo Freire" de alfabetização de adultos, executavam uma metodologia que levasse da conscientização à ação. Por suas características ecumênicas, o movimento extrapolou os limites da Igreja Católica e as comunidades passaram contar com representantes também de igrejas como Metodista, Luterana e Presbiteriana. Entretanto, esse ecumenismo não funcionou no embate com as vertentes pentecostais evangélicas, apontadas desde o ano 2000 como um dos fatores de enfraquecimento das Comunidades Eclesiais de Base.

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Opção preferencial pelos pobres

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A Opção preferencial pelos pobres foi a principal deliberação do CELAM de Medelin, onde a Igreja da América Latina expressou de forma explícita a sua preocupação com relação a grande maioria da população deste continente, que vive em condição de miséria. A Igreja busca então cumprir a missão de Cristo que afirma: "Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância" Jo 10,10. Entretanto no CELAM de Aparecida, realizado em 2007, o Papa Bento XVI afirmou não ser correto o termo "opção preferencial" pois o próprio cristianismo se baseia na preferência pelos pobres. Desta forma o termo foi corrigido para apenas: opção pelos pobres. O Papa também destacou que apesar desta afirmação os ricos não são excluídos da Igreja.

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Controvérsias

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Ao redor da imagem de "povo de Deus", que foi caracterizada pelo Concílio Vaticano II,[carece de fontes?] as comunidades sentiram-se parte ativa na construção do Reino de Deus.[carece de fontes?] Houve quem aplaudisse e quem desqualificasse essa atitude como algo que ameaçasse destruir a estrutura de dois mil anos da Igreja. Falava-se da prioridade do carisma sobre a instituição (Leonardo Boff) e usava-se o método das ciências sociais para analisar a Igreja. Substituir a tradicional filosofia pelas ciências sociais representava segundo a ala conservadora da Igreja o risco de introduzir a análise marxista dentro da Igreja Católica. Diante desta teoria da conspiração e do temor dos conservadores, começou-se a falar do perigo de infiltração comunista na Igreja e muitos setores da sociedade burguesa ficaram alarmados. Até o Departamento de Estado dos Estados Unidos pronunciou-se, contundentemente, através de dois documentos chamados "Santa Fé": "a Teologia da Libertação e suas células (as CEBs) representam uma doutrina política disfarçada de crença religiosa, com um significado antipapal e antilivre empresa, destinadas a debilitar a independência da sociedade frente ao controle estatal" (Santa Fé II).[carece de fontes?]

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Encontros intereclesiais

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As CEBs brasileiras, ao longo de sua história, já realizaram 14 encontros intereclesiais, reunindo membros de todo o Brasil:

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