Concurso Público Nacional Unificado
O Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), também chamado de Concurso Nacional Unificado (CNU), é um processo seletivo criado, em 2023, pelo Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) do Governo Federal do Brasil para agilizar a contratação de novos servidores públicos federais. O concurso realiza anualmente, de forma centralizada, exames de contratação para diversos cargos da administração federal, ampliando a oferta de locais de prova e permitindo o pleito a diferentes cargos de uma única vez. A adesão ao concurso por parte dos órgãos públicos da federação é voluntária. Por suas características, o concurso é ocasionalmente descrito como “Enem dos Concursos”, em referência ao Exame Nacional do Ensino Médio.
De acordo com o Painel Estatístico de Pessoal do Governo Federal, o Poder Executivo federal perdeu mais de 73 mil servidores entre 2016 e 2022, regredindo ao número de trabalhadores existente há 15 anos. Essa perda compromete a capacidade de resposta do Estado frente ao aumento da complexidade das demandas da sociedade em áreas trabalho-intensivas de atuação direta e indireta do governo. O CPNU visa reconstruir a força de trabalho dos órgãos públicos e aumentar a velocidade dos processos de contratação, centralizando em um único certame a seleção para diversas carreiras e entidades. Ao realizá-lo, o governo federal dispensa a necessidade de contratação de diferentes bancas organizadoras para aplicação de concursos variados ao longo do ano, otimizando recursos de aplicação e ampliando o número de cidades em que os exames podem ser aplicados. A primeira edição do concurso foi anunciada em 2023, com realização em 2024 e expectativa de 3 milhões de inscritos. Segundo Esther Dweck, ministra de Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, o ministério planeja realizar o concurso unificado a cada dois anos.
O CPNU tem como principais objetivos declarados: Em entrevista ao Correio Braziliense, a ministra Esther afirmou que o concurso era uma das etapas do processo de reforma administrativa do governo Lula.
Inspirado no modelo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a primeira edição do CPNU foi realizada simultaneamente em diversas cidades, garantindo ampla concorrência. Um estudo provisório divulgado em agosto de 2023 previa a realização do exame em 180 cidades. Por fim, o governo confirmou que o exame seria aplicado em 220 cidades. As provas da primeira edição foram aplicadas em um único dia, divididas em dois turnos de avaliações objetivas e discursivas, com conteúdos comuns sobre ética, administração pública e realidade brasileira, além de questões específicas para cada área. A execução é a cargo de uma estrutura de governança liderada pelo MGI, com apoio técnico de instituições como Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e Controladoria-Geral da União. A Cesgranrio foi a primeira banca organizadora do CPNU.
Vagas e blocos temáticos por edição
As pessoas candidatas escolhem um único bloco no ato da inscrição, mas podem concorrer a diferentes cargos do mesmo bloco, podendo ser ele de nível superior ou médio.Nas últimas edições, a divisão de blocos temáticos e vagas foi a seguinte: Na primeira edição, foram oferecidas 6640 vagas em 21 órgãos públicos federais, distribuídas em oito blocos temáticos: Na segunda edição, foram oferecidas 3652 vagas para 36 órgãos públicos federais, distribuídas em nove blocos temáticos:
Apenas 24 horas após as aberturas das inscrições, no dia 20 de janeiro de 2024, 217 mil pessoas já haviam se inscrito. Ao final do prazo, em fevereiro, 2,14 milhões tiveram suas inscrições confirmadas, representando candidatos de 99% dos municípios do Brasil. 420 mil inscritos manifestaram interesse nas cotas raciais para negros, 45 mil para pessoas com deficiência e 10 mil para indígenas. Devido às enchentes no Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024, as provas, que estavam marcadas para 5 de maio, foram adiadas. Em 2 de maio, o governo afirmou que as provas seriam mantidas, mas no dia seguinte o adiamento foi anunciado. A ministra Ester Dweck citou como motivos para o adiamento os locais de provas afetados, a impossibilidade de segurança na realização das provas e o risco de vida das pessoas envolvidas no processo. Ao todo, 80,3 mil candidatos iriam fazer a prova no estado. Segundo a ministra, 65% das provas já haviam sido distribuídas para as cidades e seriam guardadas em locais seguros até a nova data. No final de maio, a nova data do concurso foi anunciada, remarcado para 18 de agosto.
A segunda edição do concurso recebeu o apelido de CPNU 2. Em abril de 2025, a ministra Esther Dweck anunciou o cronograma do certame, dessa vez com dois dias de prova: as provas objetivas foram programadas para 5 de outubro e provas discursivas dia 7 de dezembro. Foram anunciadas 3.352 vagas, sendo 2.844 para nível superior e 508 para nível médio, distribuídas em 35 órgãos federais.==Referências==


