Confúcio
Kong Qiu, mais conhecido no Ocidente como Confúcio, nasceu em 551 a.C. no feudo de Lu, foi um pensador, professor e filósofo chinês do Período das Primaveras e Outonos.
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Kong Qiu nasceu em meados do século VI (551 a.C.), em Zou (atual Qufu, Shandong), uma pequena cidade no estado de Lu, hoje Shandong, numa família da classe shì (nobres e literatos). O nome de família de Confúcio era Kong, e seu nome pessoal era Qiu. O seu nome de cortesia era Zhòngní (仲尼), e é atualmente conhecido em chinês principalmente como "Kǒngzǐ", forma curta de Kǒng Fūzǐ (literalmente "Mestre Kong"), donde vem o seu nome latinizado de "Confucius", ubíquo no Ocidente. Segundo algumas fontes antigas, teria nascido em 27 de agosto de 551 a.C. (ou seja, no vigésimo primeiro ano do duque Xiang). Esse estado é denominado de "terra santa" pelos chineses. Confúcio estava longe de se originar de uma família abastada, embora seja dito que ele tinha ascendência aristocrática. Seu pai, Kong He (também conhecido como Shuliang He), antes magistrado e guerreiro de certa fama, tinha setenta anos quando se casou com a mãe de Confúcio, uma jovem de apenas quinze anos, cinquenta e cinco anos mais nova, chamada Yan Zhengzai, que diziam ser descendente de Bo Qin, o filho mais velho do Duque de Zhou, cujo nome de família era Ji (姬).
A China que Confúcio viveu era a expressão de um poder central fraco, com muitos feudos, e ameaças e agressões frequentes de tribos dos territórios fronteiriços. Marcou o tempo de Confúcio a debilidade da dinastia Zhou, que então emanava uma luz pálida perto do mito centenário da casa Zhou, de edificadora do poder imperial.. Aos 51 anos de idade, Confúcio obteve um posto oficial no estado de Lu. Mas, ele demitiu-se do cargo poucos anos depois, dizendo que não queria confundir-se com aqueles cujas ideias e conceitos de valor ele não podia compartilhar. Assim, ele começou a viajar por diversos reinos, pretendendo persuadir seus governadores a aceitar suas ideias políticas, mas não achou um lugar para realizar seus pensamentos e políticas. Viajando e conversando, atraiu muitos discípulos, impressionados com sua sabedoria e a elevação de seu caráter. Confúcio viajou por diversos lugares, esteve em íntimo contato com o povo e pregou a necessidade de uma mudança total do sistema de governo por outro que se destinasse a assegurar o bem-estar dos súbditos, pondo, em prática, processos tão simples como a diminuição de contribuições o abrandamento das penalidades.
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A cultura da China na época de Confúcio era marcada pela importância dos saberes divinatórios e a credulidade às profecias. A filosofia de Confúcio diante da cultura mística de seu tempo foi de contraponto a ela, recuperando a ideia de que o o estudo/saber molda o homem, que é a força dele para se guiar pela "vontade do céu", isto é, a sabedoria e a benevolência que aproxima o homem a ideia de providência, o "retorno à virtude". O movimento do homem na história munido da cultura que o constitui como potência torna o carácter contraponto ao nascimento, o que é uma tese humanista no centro de uma sociedade de corte rigorosamente ritualizada. A sua ideologia de organização da sociedade procurava recuperar os valores antigos, perdidos pelos homens de sua época. No entanto, em sua busca pelo Dao, ele usava uma abordagem diferente da noção de desprendimento proposta pelos daoistas. A sua teoria baseava-se num critério mais objetivo, onde a prática do comportamento ritual daria uma possibilidade real aos praticantes de sua doutrina de viverem em harmonia.
Confúcio instruiu governantes, transmitiu textos ancestrais, assim como comentou muitos deles. Embora não tenha vivido a ampla fama que viria o seu nome ser consagrado de forma gradual pelos continuadores de seu legado, já no século II a.C. a sua fama se projetou pela história, vindo a se tornar já em nosso tempo o chinês mais célebre da história. Discípulos de Confúcio e seu único neto, Zisi, continuaram a sua escola filosófica após sua morte. Estes esforços espalharam os ideais de Confúcio para os estudantes, que, depois, se tornaram funcionários em muitas das cortes reais chinesas, dando, assim, ao confucionismo, o primeiro teste em grande escala de seus dogmas. Apesar de confiar fortemente no sistema ético-político de Confúcio, dois de seus mais famosos seguidores enfatizaram aspectos radicalmente diferentes de seus ensinamentos. Mêncio (século IV a.C.) articulou a bondade inata no ser humano como uma fonte das intuições éticas que guiam as pessoas para rén, yì, e lǐ, enquanto Xun Zi (século III) ressaltou os aspectos realista e materialista do pensamento de Confúcio, salientando que a moralidade é incutida na sociedade através da tradição e, nos indivíduos, através da formação.