Haiti
Haiti, oficialmente República do Haiti, é um país localizado na ilha de Hispaniola, no Mar do Caribe, a leste de Cuba e Jamaica e ao sul das Bahamas. Ocupa os três oitavos ocidentais da ilha que partilha com a República Dominicana. Haiti é o terceiro maior país do Caribe, com 27 750 quilômetros quadrados de área, e tem uma população estimada de 11,4 milhões de pessoas, tornando-o o país caribenho mais populoso. A capital é Porto Príncipe.
Haiti (também anterior Hayti) vem da língua indígena Taíno e significa "terra de altas montanhas"; era o nome nativo de toda a ilha de Hispaniola. O nome foi restaurado pelo revolucionário haitiano Jean-Jacques Dessalines como o nome oficial da São Domingos independente, em homenagem aos antecessores ameríndios. Em francês, o ï em "Haïti" possui um sinal diacrítico (usado para mostrar que a segunda vogal é pronunciada separadamente, como na palavra naï ve), enquanto o H é silencioso. (Em inglês, esta regra para a pronúncia é muitas vezes desconsiderada, portanto a grafia Haiti é usada.) Existem diferentes anglicizações para sua pronúncia, como HIGH-ti, high-EE-ti e haa-EE-ti, que ainda estão em uso, mas o HAY-ti é o mais difundido e mais bem estabelecido. Em francês, o apelido do Haiti significa "Pérola das Antilhas" (La Perle des Antilles) por causa de sua beleza natural e da quantidade de riqueza que acumulou para o Reino da França.
Era pré-colombiana
A ilha de Hispaniola, da qual o Haiti ocupa os três oitavos ocidentais, é habitada desde cerca de 5.000 a.C. por grupos de nativos americanos que se acredita terem chegado da América Central ou do Sul. Estudos genéticos mostram que alguns desses grupos estavam relacionados com os ianomâmis da Bacia Amazônica. Entre estes primeiros colonizadores estavam os ciboneis, seguidos pelos taínos, falantes de uma língua aruaque, cujos elementos foram preservados no crioulo haitiano. O nome taíno para toda a ilha era Haiti, ou alternativamente Quisqeya. Na sociedade taíno a maior unidade de organização política era liderada por um cacique, ou como os europeus os entendiam. Por conta disto, a ilha de Hispaniola era dividida entre cinco domínios de 'caciques': Magua no nordeste, Marien no noroeste, Jaragua no sudoeste, Maguana nas regiões centrais e Higüey no sudeste.
Era colonial
O navegador europeu Cristóvão Colombo desembarcou no Haiti em 6 de dezembro de 1492, em uma área que chamou de Môle-Saint-Nicolas, e reivindicou a ilha para a Coroa de Castela. Dezenove dias depois, seu navio, o Santa María, encalhou perto da atual cidade de Cabo Haitiano. Colombo deixou 39 homens na ilha, que fundaram o assentamento de La Navidad em 25 de dezembro de 1492. As relações com os povos nativos, que foram inicialmente boas, romperam-se e os colonos foram posteriormente mortos pelos taínos. Os marinheiros europeus carregavam doenças infecciosas endêmicas da Eurásia, causando epidemias que mataram muitos nativos. Por exemplo, a primeira epidemia de varíola registrada nas Américas eclodiu em Hispaniola em 1507. O seu número de indígenas foi ainda mais reduzido pela dureza do sistema de encomienda, no qual os espanhóis obrigavam os nativos a trabalhar em minas de ouro e plantações.
Haiti independente
A independência de Saint-Domingue foi proclamada sob o nome nativo de 'Haiti' por Jean-Jacques Dessalines em 1 de janeiro de 1804 na cidade de Gonaïves, quando foi proclamado "Imperador Vitalício" por suas tropas. Inicialmente, Dessalines ofereceu proteção à população de brancos restante. No entanto, uma vez no poder, ele ordenou o genocídio de quase todos os homens, mulheres e crianças brancos; entre janeiro e abril de 1804, cerca de 3 mil a 5 mil brancos foram mortos, incluindo aqueles que eram amigáveis e solidários com a população negra. Apenas três categorias de pessoas brancas foram selecionadas como exceções e poupadas: soldados poloneses, a maioria dos quais desertaram do exército francês e lutaram ao lado dos rebeldes haitianos; o pequeno grupo de colonos alemães convidados para viver na região noroeste do país; e um grupo de médicos e profissionais. Pessoas com ligações a oficiais do exército haitiano, bem como as mulheres que concordaram em casar com homens não-brancos, também foram poupados da morte.
O Haiti forma os três oitavos ocidentais de Hispaniola, a segunda maior ilha das Grandes Antilhas. Com 27 750 quilômetros quadrados de área territorial, o Haiti é o terceiro maior país do Caribe, atrás de Cuba e da República Dominicana, esta última com a qual compartilha uma fronteira de 360 quilômetros de exensão. O país tem um formato semelhante ao de uma ferradura e por isso possui um litoral desproporcionalmente longo, o segundo em extensão nas Grandes Antilhas (1.771 quilômetros), atrás apenas de Cuba. O Haiti é a nação caribenha mais montanhosa, cujo terreno consiste em montanhas intercaladas com pequenas planícies costeiras e vales fluviais. O clima é tropical, com algumas variações dependendo da altitude. O ponto mais alto é Pic la Selle, com 2.680 metros de altura. A região norte ou região de Marien consiste no Massif du Nord (Maciço do Norte) e na Plaine du Nord (Planície do Norte). O Maciço do Norte é uma extensão da Cordilheira Central da República Dominicana. A região sul ou região de Xaragua consiste na Plaine du Cul-de-Sac (o sudeste) e na Península de Tiburon. É uma depressão natural que abriga os lagos salinos do país, como o Trou Caïman e o maior lago do Haiti, o Étang Saumatre. A cordilheira Chaîne de la Selle – uma extensão da cadeia montanhosa do sul da República Dominicana (a Serra de Baoruco) – estende-se desde o Maciço de la Selle, a leste, até ao Maciço de la Hotte, a oeste.
Meio ambiente
Além da erosão do solo, o desmatamento tem causado inundações periódicas e graves no Haiti, como, por exemplo, em 17 de setembro de 2004. Em maio deste ano, as inundações tinham matado mais de três mil pessoas na fronteira sul do Haiti com a República Dominicana. Tem havido pouca gestão das bacias marinhas, costeiras e hidrográficas. A cobertura florestal nas encostas íngremes ao redor da bacia hidrográfica do Haiti mantém o solo, que por sua vez retém a água da chuva, reduzindo picos de cheias dos rios e conservando os fluxos de água na estação seca. Mas o desmatamento tem causado a liberação do solo a partir das bacias superiores. Muitos dos rios do Haiti são agora altamente instáveis, mudando rapidamente de inundações destrutivas para fluxos baixos de água.
Clima
O clima do Haiti é tropical com algumas variações dependendo da altitude. O padrão de precipitação é variado, com chuvas mais intensas em algumas terras baixas e nas encostas norte e leste das montanhas. A estação seca do Haiti ocorre de novembro a janeiro. Existem duas estações chuvosas: de abril a junho e de outubro a novembro. O Haiti está sujeito a secas e inundações periódicas, agravadas pela desflorestação. Os furacões são uma ameaça constante e o país também está sujeito a inundações e terremotos. O Haiti abriga quatro ecorregiões: florestas úmidas, florestas secas, florestas de pinheiros e manguezais. Apesar de seu pequeno tamanho, o terreno montanhoso do Haiti e as múltiplas zonas climáticas resultantes proporcionaram o surgimento de uma grande variedade de plantas, como a árvore-do-pão, a mangueira, a acácia, o mogno, o coqueiro, a palmeira real e o cedro-cheiroso. As florestas eram anteriormente muito mais extensas, mas foram sujeitas a um severo processo de desmatamento.
Embora a média do país seja de 350 pessoas por quilômetro quadrado, sua população se concentra mais fortemente nas áreas urbanas, nas planícies costeiras e nos vales. A população haitiana era de cerca de 11,4 milhões de acordo com estimativas de 2018 das Nações Unidas, sendo que metade da população tem menos de 20 anos. O primeiro censo oficial, feito em 1950, registrou uma população de 3,1 milhões de pessoas. Cerca de 95% dos haitianos são negros, descendentes de escravos africanos. Os restantes 5% são mulatos ou brancos. Grupos minoritários menores incluem pessoas de Europa Ocidental (franceses, alemães, italianos, neerlandeses, poloneses, portugueses e espanhóis), árabes, armênios ou pessoas de origem judaica. Os haitianos de ascendência da Ásia Oriental são de origem indiana e são cerca de 400. Milhões de haitianos vivem no exterior, como nos Estados Unidos, República Dominicana, Cuba, Canadá (principalmente em Montreal), Bahamas, França, Antilhas Francesas, Turks e Caicos (Reino Unido), Jamaica, Porto Rico, Venezuela, Brasil e Guiana Francesa. Estima-se que 881 500 haitianos vivam nos Estados Unidos, 800 mil na República Dominicana, 300 mil em Cuba, 100 mil no Canadá, 80 mil na França e até 80 mil nas Bahamas. Mas também existem comunidades haitianas menores em muitos outros países, como Chile, Suíça, Japão e Austrália.
Discriminação racial
Sob o domínio colonial, os mulatos haitianos eram geralmente privilegiados acima da maioria negra, embora possuíssem menos direitos do que a população branca. Após a independência do país, tornaram-se a elite social da nação, sendo que vários líderes ao longo da história haitiana eram mulatos. Durante este período, as pessoas escravizadas tiveram menos oportunidades educacionais e profissionais, uma estrutura social que continua atualmente, uma vez que a disparidade entre as classes superiores e inferiores não foi significativamente reformada desde os tempos coloniais. Representando 5% da população do país, os mulatos mantiveram a sua preeminência, evidente na hierarquia política, económica, social e cultural do Haiti. Como resultado, a classe de elite hoje consiste em um pequeno grupo de pessoas influentes que geralmente tem uma cor da pele mais clara.
Religião
O CIA Factbook de 2017 informou que cerca de 54,7% dos haitianos professavam ser católicos, enquanto os protestantes representavam cerca de 28,5% da população (15,4% de batistas, 7,9% de pentecostais, 3% de adventistas do sétimo dia, 1,5% de metodistas e outros 0,7%). Outras fontes colocam a população protestante como representando até um terço da população em 2001. Tal como outros países da América Latina, o Haiti testemunhou uma expansão protestante geral, que é em grande parte de natureza evangélica e pentecostal. O vodu haitiano, uma religião com raízes na África Ocidental semelhantes às religiões afro-americanas de Cuba e do Brasil, é praticada hoje por alguns haitianos. Originou-se durante a época colonial em que os escravos eram obrigados a disfarçar seus loás, ou espíritos, como santos católicos, elemento de um processo denominado sincretismo religioso que tornou difícil estimar o número de voduístas no Haiti. A religião tem sido historicamente perseguida e deturpada nos meios de comunicação populares; no entanto, em 2003, o governo haitiano reconheceu a fé vodu como religião oficial da nação. Muitos católicos e protestantes haitianos denunciam o vodu como uma forma de adoração ao diabo, mas não negam o poder de tais espíritos. Em vez disso, eles os consideram adversários “maus” e “satânicos”, contra os quais são frequentemente encorajados a orar. Os protestantes veem a veneração católica dos santos como adoração de ídolos, e alguns protestantes costumavam destruir estátuas e outros apetrechos católicos. As religiões minoritárias presentes no território haitiano incluem o islão, a fé Bahá'í, o judaísmo e o budismo.
Línguas
As duas línguas oficiais do Haiti são o francês e o crioulo haitiano. O francês é a principal língua escrita e administrativamente autorizada (bem como a principal língua da imprensa) e é falado por 42% dos haitianos. Como o francês é falado por todos os haitianos instruídos, é o meio de instrução na maioria das escolas e é usado no setor empresarial. Também é utilizado em eventos cerimoniais como casamentos, formaturas e missas religiosas. O Haiti é uma das duas nações independentes das Américas (junto com o Canadá) a designar o francês como língua oficial; as outras áreas de língua francesa são todas departamentos ultramarinos, ou coletivités, da França, como a Guiana Francesa. O espanhol é falado por alguns haitianos que vivem ao longo da fronteira entre o Haiti e a República Dominicana. Inglês e espanhol também podem ser falados por haitianos deportados dos Estados Unidos e de vários países latino-americanos. No geral, cerca de 90-95% dos haitianos falam apenas crioulo haitiano/francês fluentemente, sendo que mais da metade conhece apenas o crioulo.
O governo do Haiti é uma república semipresidencialista, um sistema multipartidário em que o president é o chefe de Estado e eleito diretamente por eleições populares realizadas a cada cinco anos. O primeiro-ministro atua como chefe de governo e é nomeado pelo presidente, escolhido entre o partido majoritário na Assembleia Nacional. O poder legislativo é investido tanto no governo quanto nas duas câmaras da Assembleia Nacional, o Senado (Sénat) e a Câmara dos Deputados (Chambre des Députés). O governo é organizado unitariamente, assim o governo central delega poderes aos departamentos sem necessidade constitucional de consentimento. A estrutura atual do sistema político haitiano foi estabelecida na Constituição do Haiti em 29 de março de 1987. A política haitiana tem sido controversa: desde a independência, o Haiti sofreu 32 golpes de estado. É o único país do hemisfério ocidental que passou por uma revolução escravista bem-sucedida; no entanto, uma longa história de opressão por parte de ditadores como François Duvalier e o seu filho Jean-Claude Duvalier afetou marcadamente a nação.
Divisões administrativas
Administrativamente, o Haiti está dividido em dez departamentos. Os departamentos estão ainda divididos em 42 distritos, 145 comunas e 571 secções comunais. Estas servem como, respectivamente, divisões administrativas de segundo e terceiro níveis.
Relações internacionais
O Haiti é membro de várias organizações internacionais e regionais, como as Nações Unidas, CARICOM, Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, Fundo Monetário Internacional, Organização dos Estados Americanos, Organização Internacional da Francofonia, OPANAL e Organização Mundial do Comércio. Em fevereiro de 2012, o Haiti sinalizou que iria procurar melhorar o seu estatuto de observador para o estatuto de membro associado de pleno direito da União Africana (UA). na cúpula de junho de 2013, mas o pedido ainda não foi ratificado.
Forças armadas e aplicação da lei
O Ministério da Defesa do Haiti é o principal órgão das forças armadas. As antigas Forças Armadas Haitianas foram desmobilizadas em 1995, apesar de esforços para que elas sejam reconstituídas. A atual força de defesa do país é a Polícia Nacional, que conta com uma equipe do tipo SWAT altamente treinada e que trabalha ao lado da Guarda Costeira Haitiana. Em 2010, a Polícia Nacional contava com 7 mil membros. Em 2023, o exército haitiano incluia um batalhão de infantaria em processo de formação, com 700 efetivos. O sistema jurídico haitiano baseia-se numa versão modificada do Código Napoleônico. O Haiti tem sido consistentemente classificado entre os países mais corruptos do mundo no Índice de Percepção da Corrupção, que apontou uma forte correlação entre corrupção e pobreza no país. Estima-se que o presidente "Baby Doc" Duvalier, sua esposa Michele e seus agentes roubaram 504 milhões de dólares do tesouro haitiano entre 1971 e 1986. Da mesma forma, após o desmatelamento do Exército Haitiano em 1995, a Polícia Nacional ganhou poder exclusivo de autoridade sobre os cidadãos. Muitos haitianos, bem como observadores internacionais, acreditam que este poder monopolizado pode ter gerado ainda mais corrupção. Alguns meios de comunicação também alegaram que milhões foram roubados pelo ex-presidente Jean-Bertrand Aristide. A BBC também descreveu esquemas de pirâmide, nos quais os haitianos perderam centenas de milhões em 2002, como a "única iniciativa económica real" dos anos Aristide.
O produto interno bruto (PIB) por paridade do poder de compra (PPC) do Haiti caiu 8% em 2010 (12,15 bilhões de dólares para 11,18 bilhões de dólares) e o PIB per capita manteve-se em 1200 dólares. O país é o 145º entre os 182 países avaliados pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Nações Unidas em 2010. O World Factbook relata uma escassez de mão de obra qualificada, desemprego generalizado e subemprego, dizendo que "mais de dois terços da força de trabalho não têm empregos formais" e descreve o Haiti pré-terremoto como o "o país mais pobre do Hemisfério Ocidental, com 80% da população que vive abaixo da linha da pobreza e 54% em extrema pobreza.". Três quartos da população vive com 2 dólares ou menos por dia. Reformas para melhorar o ambiente de negócios têm tido pouco efeito por causa de corrupção generalizada e pela estrutura judicial ineficiente. Embora mais da metade de todos os haitianos trabalhem no setor agrícola, o país depende de importações para metade de suas necessidades de alimentos e 80% do seu arroz. O país exporta culturas como manga, cacau e café. Os produtos agrícolas incluem 6% de todas as exportações. O Haiti tinha um grande déficit comercial de 3 bilhões de dólares em 2011, ou 41% do seu PIB. A ajuda externa representa cerca de 30 a 40% do orçamento do governo nacional. O maior doador são os Estados Unidos, seguido por Canadá e União Europeia. De 1990 a 2003, o Haiti recebeu mais de 4 bilhões de dólares em ajuda internacional, incluindo 1,5 bilhão de dólares dos Estados Unidos. Em janeiro de 2010, após o terremoto, a China prometeu 4,2 milhões dólares e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu 1,15 bilhão de dólares em assistência. Os países da União Europeia prometeram mais de 400 milhões de euros em ajuda de emergência e para fundos de reconstrução.
Renda
O Haiti sofre com a escassez de mão de obra qualificada, desemprego generalizado e subemprego. A maioria dos haitianos na força de trabalho tem empregos informais. Três quartos da população vive com 2 dólares ou menos por dia. As remessas de haitianos que vivem no exterior são a principal fonte de divisas, equivalendo a um quinto (20%) do PIB e mais de cinco vezes as receitas das exportações em 2012. Em 2004, 80% ou mais dos diplomados universitários do Haiti viviam no estrangeiro. Ocasionalmente, as famílias que não têm condições de cuidar dos filhos podem enviá-los para viver com uma família mais rica como empregados domésticos. Em troca, a família deve garantir que a criança seja educada e receba alimentação e abrigo; no entanto, o sistema está aberto a abusos e revelou-se controverso, com alguns comparando-o à escravatura infantil.
Turismo
Em 2012, o país recebeu 950 mil turistas (a maioria dos navios de cruzeiro) e esta indústria gerou 200 milhões de dólares em 2012. Em dezembro do mesmo ano, o Departamento de Estado dos Estados Unidos emitiu um alerta de viagem para o país, observando que apesar de milhares de cidadãos norte-americanos visitam com segurança Haiti a cada ano, os turistas estrangeiros foram vítimas de crimes violentos, incluindo assassinato e sequestro, predominantemente na região de Porto Príncipe. Em 2012, vários hotéis foram abertos, como um hotel de quatro estrelas Marriott na área de Porto Príncipe e outros novos empreendimentos hoteleiros na capital e em Les Cayes, Cabo Haitiano e Jacmel. O Carnaval do Haiti tornou-se um dos mais populares do Caribe desde que o governo decidiu encenar o evento em uma cidade diferente a cada ano. O Carnaval Nacional normalmente é realizado em uma das maiores cidades do país (ou seja, Porto Príncipe, Cabo Haitiano ou Les Cayes), mas o de Jacmel também é muito popular e ocorre uma semana antes do outro, em fevereiro ou março.
Educação
O sistema educacional haitiano é baseado no sistema francês. O ensino superior, sob a responsabilidade do Ministério da Educação, é ministrado por universidades e outras instituições públicas e privadas. Mais de 80% das escolas primárias são geridas de forma privada por organizações não governamentais, igrejas, comunidades e operadores com fins lucrativos, com supervisão mínima do governo. De acordo com o Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio de 2013, o Haiti tem aumentado continuamente a taxa líquida de matrícula no ensino primário, de 47% em 1993 para 88% em 2011, alcançando a participação igual de meninos e meninas na educação.
Saúde
A esperança de vida, em 2016, era de 65,9 anos. Os homens viviam, em média, 63,2 anos, enquanto a expectativa de vida para as mulheres era de 68,7 anos de idade. Em 2022, a taxa de mortalidade foi de 7,23 mortes por 100 000 nascidos vivos e a taxa de natalidade registrada ficou em 21,12 nascimentos a cada 1 000 pessoas. Essas taxas vêm melhorando há décadas, graças ao fato de que o governo investe 4,7% de seu PIB nessa área, muito embora a densidade de médicos seja baixa: apenas 0,23 para cada 1 000 habitantes. Em 2013, o número de leito para cada 1 000 habitantes também era baixo (0,7). A obesidade é bastante alta, com 22,7% da população adulta sendo considerada obesa (dados de 2016), além de que 7,6% da população consome tabaco.
Transportes
O Haiti tem duas rodovias principais que vão de uma ponta a outra do país. A rodovia do norte, a Rodovia Nacional Um, tem origem em Porto Príncipe, serpenteando pelas cidades costeiras de Montrouis e Gonaïves, antes de chegar ao seu término no porto norte de Cap-Haïtien. A rodovia sul, a Rodovia Nacional Dois, liga Porto Príncipe a Les Cayes via Léogâne e Petit-Goâve. O estado das estradas haitianas é geralmente ruim, muitas delas esburacadas e intransitáveis em condições climáticas adversas. Os tap-tap são ônibus ou picapes pintadas de cores coloridas que funcionam como táxis compartilhados. O nome vem do som dos passageiros batendo na carroceria de metal do veículo para indicar que desejam sair. Esses veículos para aluguel geralmente são de propriedade privada e amplamente decorados. Eles seguem rotas fixas, não partem até que estejam cheios e os passageiros geralmente podem desembarcar a qualquer momento. As decorações são uma forma de arte tipicamente haitiana.
Energia
O Haiti depende de uma aliança petrolífera com a Petrocaribe para abastecer grande parte das suas necessidades energéticas. Nos últimos anos, no entanto, as energias hidrelétrica, solar e eólica têm sido exploradas como possíveis fontes de energia sustentáveis para o país. Em 2017, entre todos os países das Américas, o Haiti é o que produz menos energia. Menos de um quarto do país tem cobertura de distribuição de energia elétrica. A maioria das regiões haitianas que possuem energia advinda de geradores, que costumam ser caros e produzem muita poluição. As áreas que recebem eletricidade sofrem com apagões diários, sendo que algumas áreas recebem apenas 12 horas de eletricidade por dia. A energia elétrica é fornecida por um pequeno número de empresas independentes: Sogener, E-power e Haytrac.
O Haiti tem uma identidade cultural duradoura e única, misturando costumes tradicionais franceses e africanos, misturados com conhecimentos consideráveis das culturas espanhola e indígena dos taínos. O futebol é o esporte mais popular no Haiti, com centenas de pequenos clubes competindo em nível local. No entanto, o basquete e o beisebol também estão crescendo em popularidade. O Stade Sylvio Cator é o estádio multiuso de Porto Príncipe, atualmente usado principalmente para jogos de futebol. Em 1974, a Seleção Haitiana de Futebol foi apenas a segunda seleção caribenha a chegar à Copa do Mundo FIFA, feito repetido em 2026, mesmo sem a equipe poder jogar no seu próprio país, devido ao controle das gangues. A seleção nacional venceu a Copa das Nações do Caribe de 2007. O Haiti participa dos Jogos Olímpicos desde o ano de 1900 e ganhou diversas medalhas. O jogador de futebol haitiano Joe Gaetjens jogou pela Seleção de Futebol dos Estados Unidos na Copa do Mundo FIFA de 1950, marcando o gol da vitória na vitória por 1–0 contra a Inglaterra.
Arte
A arte haitiana é distinta, principalmente por meio de suas pinturas e esculturas. Nos anos 1920, o movimento indigéniste (indigenista) ganhou reconhecimento internacional, com as suas pinturas expressionistas inspiradas na cultura haitiana e nas raízes africanas. Pintores notáveis deste movimento incluem Hector Hyppolite, Philomé Oban e Préfète Duffaut. Alguns dos principais artistas de tempos mais recentes incluem Edouard Duval-Carrié, Frantz Zéphirin, Leroy Exil, Prosper Pierre Louis e Louisiane Saint Fleurant. A escultura também é praticada no Haiti por artistas significativos, como George Liautaud e Serge Jolimeau.
Musica e dança
A música haitiana combina uma ampla gama de influências provenientes das muitas pessoas que se estabeleceram no país. Reflete elementos franceses, africanos e espanhóis e outros que habitaram a ilha de Hispaniola, e pequenas influências nativas dos povos taínos. Os estilos de música exclusivos do Haiti incluem música derivada das tradições cerimoniais do vodu, música do gênero rara, baladas twoubadou, hip hop e merengue. Compas (konpa) é uma música complexa e em constante mudança que surgiu dos ritmos africanos e das danças de salão europeias, misturadas com a cultura burguesa haitiana. É uma música refinada, tendo o merengue como ritmo básico. O Haiti não tinha nenhuma música gravada até 1937, quando o músico Jazz Guignard foi gravado de forma não comercial.
Literatura
O Haiti sempre foi uma nação literária que produziu poesia, romances e peças de teatro de reconhecimento internacional. A experiência colonial francesa estabeleceu a língua francesa como espaço de cultura e prestígio e, desde então, tem dominado os círculos literários. No entanto, desde o século XVIII tem havido um esforço sustentado para escrever em crioulo haitiano. O reconhecimento do crioulo como língua oficial do país levou a uma expansão da literatura nesta língua. Em 1975, o escritor haitiano Franketienne foi o primeiro a romper com a tradição francesa na ficção com a publicação da obra Dezafi, o primeiro romance escrito inteiramente em crioulo haitiano.
Cozinha
O Haiti é famoso pela sua culinária crioula (relacionada à culinária cajun), e pela sua sopa joumou.
Arquitetura
Entre os principais monumentos nacionais do Haiti estão o Palácio Sans-Souci e a Citadelle Laferrière, inscritos como Patrimônio Mundial em 1982. Situadas no Maciço Norte do Norte, no Parque Histórico Nacional, as estruturas datam do início do século XIX. Os edifícios estavam entre os primeiros construídos após a independência do Haiti da França. A Citadelle Laferrière, a maior fortaleza das Américas, está localizada no norte do Haiti. Foi construída entre os anos de 1805 e 1820 e atualmente é referida por alguns haitianos como a oitava maravilha do mundo. O Instituto de Proteção do Patrimônio Nacional preservou 33 monumentos históricos e o centro histórico de Cap-Haïtien. Jacmel, uma cidade colonial que foi provisoriamente aceita como Patrimônio Mundial, foi amplamente danificada pelo terremoto no Haiti em 2010.
Museus, folclore e festivais
A âncora do maior navio de Cristóvão Colombo, o Santa María, repousa no Museu do Panteão Nacional Haitiano (MUPANAH), em Porto Príncipe. O Haiti é conhecido por suas tradições folclóricas, muitas das quais estão enraizadas na tradição do vodu haitiano. A crença em zumbis também é comum no país. Outras criaturas folclóricas incluem o lougarou. O carnaval haitiano tem sido um dos carnavais mais populares do Caribe. Em 2010, o governo decidiu realizar o evento todos os anos numa cidade diferente fora de Porto Príncipe. O carnaval nacional segue o popular carnaval de Jacmel, que acontece uma semana antes, em fevereiro ou março. Rara é uma festa celebrada antes da Páscoa. O festival gerou um estilo de música carnavalesca.


