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Afro-americanos

Afro-americano, afro-estadunidense ou africano-americano são designações para os cidadãos dos Estados Unidos descendentes de africanos ocidentais e subsaarianos. Estas designações só começaram a ser utilizadas nos anos 80, quando o movimento da consciência negra passou a adotar uma política de união de toda a diáspora africana.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/06/2026
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História

Imagem: Eduardo Amorim · BY-NC-SA · Openverse

A maioria dos afro-americanos são descendentes de escravos que foram trazidos da África para a América do Norte e o Caribe entre 1609 e 1807, durante o tráfico negreiro, a maioria dos quais chegou no século XVIII. A maior parte era oriunda da África Ocidental e da África Central. Uma minoria é de origem recente, sendo imigrantes da África, do Caribe, da América Central e da América do Sul. O primeiro registro da presença de africanos na América Britânica remete ao ano de 1619, sob a condição de trabalhadores não remunerados em Jamestown (Virgínia). Como muitos colonos ingleses estavam morrendo devido às condições adversas a que eram submetidos, aumentou gradualmente a importação de trabalhadores africanos. Por muitos anos, os africanos ficaram numa posição legalmente similar a dos colonos ingleses pobres, pois muitos colonos ingleses tinham que trabalhar de graça em troca da passagem para a América. Os africanos criavam famílias, casavam-se com outros africanos e às vezes se mesclavam com índios e ingleses. Uma concepção racial da escravidão só se desenvolveu completamente no século XVIII. Por volta de 1775, os africanos perfaziam 20% da população das Treze Colônias, fazendo deles o segundo maior grupo étnico, depois dos ingleses. Por volta de 1860, havia 3,5 milhões de escravos nos Estados Unidos e 500 000 afro-americanos livres. Em 1863, durante a Guerra Civil Americana, o então presidente Abraham Lincoln assinou a Proclamação da Emancipação, que declarava que todos os escravos estariam livres.

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O racismo

Os afro-americanos criaram congregações para eles, como escolas, comunidades e associações civis, para que tivessem um espaço próprio para escapar do controle e da fiscalização dos brancos. Após a Guerra Civil, houve um período de progresso para os afro-americanos, porém nos anos 1890 os estados do Sul promulgaram as Leis Jim Crow para reforçar a segregação racial. Na última década do século XIX, leis discriminatórias e a violência racial começaram a pulular nos Estados Unidos. Tais atos discriminatórios incluíam a segregação racial, com lugares reservados apenas para frequentadores brancos e outros apenas para negros, supressão de voto e de outros direitos de modo geral, negação de oportunidades econômicas ou de recursos no âmbito nacional, e os atos de violência privada e de violência racial foram ignorados ou até mesmo incentivados pelas autoridades governamentais. O período foi marcado pela intolerância e pela organização de grupos como o Ku Klux Klan. A partir da década de 1940, os afro-americanos se organizaram para lutar por seus direitos, surgindo aí figuras importantes como Martin Luther King Jr. A discriminação racial por lei só foi abolida definitivamente em 1965, por meio do "Voting Rights Act" que proibiu a supressão do voto dos negros.

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Quem é afro-americano?

Com o advento das leis discriminatórias, foi necessário definir quem era negro nos Estados Unidos. Foi aplicada a "One-drop rule" ("regra de uma gota") que dizia que qualquer pessoa com qualquer tipo de ancestralidade africana, mesmo que muito pequena, fosse considerada negra. O estado do Tennessee adotou a "regra de uma gota" em 1910, seguido pela Louisiana. Depois Texas e Arkansas em 1911, Mississippi em 1917, Carolina do Norte em 1923, Virgínia em 1924, Alabama e Geórgia em 1927, Oklahoma em 1931. Antes disso, os mestiços eram tratados como um grupo legalmente diferente dos negros. Muitos mestiços que "pareciam brancos" foram legalmente absorvidos pela população branca. Na Virgínia, a lei definia que um "mulato" era uma pessoa que tinha pelo menos um quarto de sangue africano (equivalente a um avô). Mas em 1924 esse conceito já havia sido derrubado, pois uma pessoa com qualquer ascendência africana era tida como negra. Dessa forma, americanos, mesmo que não tivessem traços africanos evidentes, passaram a ser considerados negros, como por exemplo a atriz Lena Horne. Para evitar ser vítimas de discriminação, algumas pessoas que não tinham traços negros evidentes, mas que tinham ascendência africana, passaram a esconder suas origens. É o fenômeno denominado como "passing" ("passando"), pelo qual alguns americanos conseguiram esconder suas origens e foram assimilados pela população branca. Por exemplo, o cartunista George Herriman era de uma família creole da Luisiana e seus pais foram classificados como "mulatos" no censo de 1880. Porém, como negros não eram aceitos em seu meio profissional, ele inventou que tinha ascendência grega para justificar a sua aparência e conseguiu "passar" a vida inteira como "branco". Outros americanos de aparência branca, porém, assumiam com orgulho uma identidade negra. Por exemplo, Walter Francis White, que era loiro de olhos azuis, mas tinha alguma ascendência africana, tornou-se um ativista pelos direitos civis dos afro-americanos e se considerava "negro".

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Religião

A maioria dos afro-americanos são protestantes. De acordo com uma pesquisa de 2007, mais da metade dos afro-americanos são parte das denominadas "igrejas negras", que são igrejas históricas onde a maioria dos frequentadores é negra. Cerca de 5% são católicos.

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Estudo genético

Imagem: Embajada de Estados Unidos en Bolivia · BY-ND · Openverse

Com base numa pesquisa genética, a ancestralidade dos afro-americanos foi assim descrita: O estudo genético mais expressivo feito na população afro-americana analisou o cromossomo sexual Y (presente apenas em homens), que é passado de geração em geração, de pai para filho. Também foi analisado o DNA mitocondrial, passado de mãe para filho ou filha. O cromossomo Y e o DNA mitocondrial fornecem informações complementares, permitindo traçar patrilinhagens e matrilinhagens que alcançam dezenas de gerações no passado, podendo assim reconstruir a história genética de um povo. O estudo apontou que, majoritariamente, os negros americanos possuem 80% de sua ancestralidade africana subsaariana. Os outros 20% são, majoritariamente, oriundos de mistura com europeus e um pouco com indígenas. A pesquisa genética incluiu afro-americanos famosos: a apresentadora Oprah Winfrey foi submetida à análise e descobriu que sua ancestralidade é 89% africana, 8% ameríndia, 3% asiática e 0% europeia. O estudo ainda apontou que Oprah é descendente de escravos trazidos do que hoje seriam Libéria e Zâmbia.

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Demografia

Imagem: Sebastián-Dario · BY-NC · Openverse

Em 1790, os afro-americanos eram 700 000 pessoas—cerca de 19% da população norte-americana. Em 1860, já eram 4,4 milhões—cerca de 14%. Em 1900, alcançou a cifra de 8,8 milhões. Em 1910, cerca de 90% dos afro-americanos viviam no Sul dos Estados Unidos, porém um grande número de pessoas passou a migrar para o norte mais desenvolvido. A Grande Migração, como ficou chamada, durou da década de 1890 à década de 1970. Entre 1916 e 1960, 6 milhões de negros migraram para o norte. Por volta de 1990, a população afro-americana alcançou 30 milhões de pessoas, representando 12% da população americana. Atualmente, segundo fontes de 2005, há 39,9 milhões de afro-americanos, representando 13,8% da população estadunidense. No censo de 2000, 54,8% dos negros americanos viviam no Sul dos Estados Unidos, 17,6% no Nordeste, 18,7% no Centro-Oeste e apenas 8,9% no Oeste. Cerca de 88% dos afrodescendentes viviam nas regiões metropolitanas em 2000.

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