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Crónica de D. Fernando

A Crónica de D. Fernando é um registo histórico de tipo crónica escrita por Fernão Lopes abarcando o período de tempo correspondente ao reinado de D. Fernando, de cognome o Formoso ou o Inconstante, reinado que decorreu entre 1367-1383.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/07/2026
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Principais temas

Guerras Fernandinas

As Guerras Fernandinas estão bem documentadas no texto, mas para Salvador Arnaut, Fernão Lopes não terá compreendido em toda a sua extensão a política de D. Fernando. O juízo que, com base no cronista, vulgarmente se faz deste monarca, tem de ser corrigido sob múltiplos aspectos. D. Fernando desejou alargar o pequeno Portugal para poder contrabalançar o poderio de Castela, que era sempre uma ameaça, tácita ou explicitamente. As fronteiras entre Portugal e Castela estavam fixadas desde o Tratado de Alcanizes de 1297, e D. Fernando quis alargar o território para leste e não teve sucesso. Mas a tremenda crise que se seguiu a esse insucesso, a crise de 1383-85, e a solução encontrada, levou a que a expansão se fizesse, mas para sul, pelo mar. Faltou ao Cronista, que escrevia muito próximo dos acontecimentos, a perspectiva histórica que hoje podemos ter.

Sucessão

Todos os factos ou presunções que conduzem à incerteza sobre a paternidade de D. Beatriz são demoradamente desenvolvidas por F. Lopes. A rainha D. Leonor Teles é constantemente apresentada como mulher pouco casta, de cujos filhos a paternidade não podia deixar de se presumir duvidosa. Por esta razão, a sua filha não poderia ser rainha de Portugal.

Grande Cisma do Ocidente

Também é demoradamente relatada a questão do Grande Cisma do Ocidente, no sentido de provar a legitimidade do papa de Roma, porque esse era também um argumento contra o direito do rei de Castela que, por ser aderente do cismático Papado de Avinhão, estava excluido da benção da Igreja.

Conflito Burguesia vs. Nobreza

No reinado de D. Fernando, a luta entre a burguesia e os grandes senhores feudais atinge grande intensidade. Se há época que pareça traduzida no carácter de um governante é a revolução latente da segunda metade do século XIV na pessoa do rei D. Fernando. As suas oscilações e hesitações, o ziguezaguear da sua política, são o reflexo fiel dos fluxos e refluxos da luta das classes ascendentes. Não é mesmo de excluir que a sua tão famosa «inconstância» na vida privada não seja mais do que uma deformada representação literária de outros fenómenos. A «fraqueza» e a «inconstância» de D. Fernando no domínio da política não são mais do que tradução das dificuldades do governo, forçado a ceder a pressões divergentes e oscilando entre duas forças contrárias: os senhores feudais e os burgueses. Essa, e não o carácter «fraco» ou inconstante do rei, é a verdadeira origem das contradições bem evidentes em todos os aspectos da sua política: na guerra, no comércio na agricultura, nas finanças, na diplomacia.

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Estilo

A prosa de Fernão Lopes conserva o tom "falado" dos romances de cavalaria, mas enriquecido com um vocabulário e imagens reveladores de um grande senso de concreto, e com os recursos da oratória clerical, tocada pontualmente por uma solenidade bíblica, como quando fala da "boa e mansa oliveira portuguesa". O tom em que fala é sempre repassado de emoção, que não exclui a ironia. Os ditos populares, as anedotas e a majestade de tom adequado aos grandes momentos sucedem-se com perfeita naturalidade, sem deixar perceber o tecnicismo retórico da época que dominava perfeitamente. É uma poderosa voz patriarcal, ora trovejando de indignação, ora espraiando-se com solenidade, ora gracejando, que se depreende da sua escrita. Mas confrontando a obra de Fernão Lopes com a Crónica do Condestabre e as Crónicas de Ayala, pode-se atribuir o seu a seu dono. Por vezes estamos a ler uma destas Crónicas sem que Fernão Lopes nos avise disso. Atribuiríamos assim a F. Lopes a paternidade de muitos passos da sua obra se não tivessem chegado até nós as suas fontes. Em todo o caso, não resta dúvida de que Fernão Lopes dispôs de muitos outros textos que nós hoje desconhecemos. A sua Crónica é uma manta de retalhos cerzidos por mão habilíssima. A Crónica, sendo uma fonte de inestimável valor, pode ser completada e até corrigida. Durante muito tempo, escrever sobre o reinado de D. Fernando era praticamente glosar Fernão Lopes, mas actualmente a história não se pode limitar a isso.

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Contexto

Embora sendo um escritor extraordinário Fernão Lopes estava sujeito aos quadros do seu tempo. E tendo presente quem lhe encomendou a obra e lhe pagava o sustento, ou seja, o rei, é compreensível algum grau de parcialidade de Fernão Lopes. As Crónicas de Fernão Lopes apresentam-se claramente como uma justificação e legitimação da nova casa reinante que saiu da crise de 1383. As Crónicas desenvolvem a demonstração do direito que assistia aos Portugueses na sua luta contra o rei de Castela, estando em linha com as conclusões do célebre discurso de João das Regras nas Cortes de Coimbra de 1385, segundo o qual, não havendo herdeiros legítimos do trono, competia às cortes eleger um rei. Fernão Lopes reuniu as provas que fundamentam a conclusão do jurista.

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História comparativa do reinado de D. Fernando

Para se poder apreciar o âmbito histórico da Crónica de D. Fernando referem-se a seguir acontecimentos importantes ocorridos durante o reinado de D. Fernando, de acordo com a escolha cronológica de Joel Serrão, assinalando-se os Capítulos da Crónica de D. Fernando que os tratam. Os Capítulos sobrantes desta Crónica tratam predominantemente acontecimentos ocorridos em Castela e outros reinos, e também ações dos principais nobres portugueses, incluindo membros da família real:

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Fontes consultadas

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