Aduranaíde
Aduranaíde foi uma nobre iraniana de alta patente do século III da família real sassânida, que ostentava o título de rainha das rainhas. Filha do segundo xainxá sassânida Sapor I (r. 240–270).
O nome de Aduranaíde é provavelmente uma combinação de adur e o nome da deusa iraniana Anaíta. Adur/Adar (𐭠𐭲𐭥𐭥𐭩, ādur/ādar) é a palavra em persa médio e parta para "fogo", derivada do avéstico Atar (𐬁𐬙𐬀𐬭, ātar). Foi um termo utilizado para indicar templos zoroastristas dedicados ao fogo sagrado, bem como é o nome do nono mês do calendário zoroastrista e o nono dia do mês. Originalmente, foi pensado que o nome Aduranaíde significava "Fogo de Anaíta", mas agora é aceito que significa "Fogo e Anaíta". Ursula Weber propôs que Aduranaíde recebeu tal nome em referência ao templo de fogo de Estacar, onde Sasano, ancestral epônimo da dinastia sassânida, serviu como sacerdote.
Aduranaíde era filha do segundo xainxá do Império Sassânida, Sapor I (r. 240–270). Ela é mencionada duas vezes na inscrição Feitos do Divino Sapor na parede do Cubo de Zaratustra em Naqsh-e Rostam, perto de Persépolis no sul do Irã, que Sapor havia criado em c. 262. No primeiro parágrafo, Sapor afirma ter ordenado o estabelecimento de fogos para Aduranaíde e três de seus filhos, Hormisda, Sapor e Narses.[a] O fogo estabelecido para Aduranaíde foi chamado de Cusrau-Adur-Anaíde. No segundo parágrafo, Sapor I afirma ter recompensado Aduranaíde, junto com príncipes e outros membros de alto escalão da corte, ordenando sacrifícios em seus nomes. Aduranaíde é mencionada com o título de rainha de rainhas (*bānbišnān bānbišn) na inscrição. Cornanzém, uma nobre que pode ter sido esposa de seu avô Artaxer I (r. 224–242) ou de seu pai Sapor, ostentou o título de "rainha imperial" (šahr bāmbišn). É indeterminado a partir da fonte se o título de Cornanzém era equivalente ou maior do que o de Aduranaíde, o que ainda suscita debate. Propôs-se que Cornanzém, caso fosse esposa de Artaxer, recebeu seu título para fazer jus ao império que seu marido estava construindo com suas guerras. Dentre aqueles que defendem que era esposa de Sapor, pensou-se que era mãe do príncipe-herdeiro Hormisda e que recebeu do marido o título por sua posição como progenitora do herdeiro. Ursula Weber argumentou que a resposta à dúvida está na disposição dos nomes na inscrição. O trecho referência inicia mencionando Sapor, Aduranaíde e três de seus filhos, segue com uma listagem dos ancestrais dinásticos (Sasano, Pabeco, Sapor, Artaxer e Cornanzém) e finaliza com a menção da rainha Denaces, a descendência de Sapor e as esposas de Narses. O título de rainha de rainha deve ser presumido como superior ao de rainha imperial, pois faz paralelo com o título ocupado pelo governante (xainxá; lit. "rei de reis").


