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Cyberpunk

Cyberpunk é um subgênero alternativo de ficção científica, conhecido por seu enfoque de "alta tecnologia e baixa qualidade de vida" e toma seu nome da combinação de cibernética e punk alternativo. É como se a vida neste futuro distópico fosse um fliperama, dos anos 80/90, sujo, cheio de maloqueiros e máquinas barulhentas, com o ar cheirando a cigarro e poluição, mas que hipnotiza seus moradores com promessas fantásticas de alta tecnologias. Mescla ciência avançada, como as tecnologias de informação e a cibernética junto com algum grau de desintegração ou mudança radical no sistema civil vigente. O termo foi criado em 1980, pelo escritor Bruce Bethke, para o seu conto "Cyberpunk", que entretanto só seria publicada em novembro de 1983, em Amazing Science Fiction Stories, Volume 57, Número 4.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Estilo e ethos

Assim o escritor Bruce Sterling explica o que é cyberpunk: Qualquer coisa que se possa fazer a um rato pode-se fazer a um humano. E podemos fazer quase tudo aos ratos. É duro pensar assim, mas é a verdade. E não vai desaparecer se cobrirmos os olhos. Isto é cyberpunk. Em algumas obras do gênero, grande parte da ação se desenrola on line, no ciberespaço, de modo que a linha que separa o real e o virtual fica borrada. Um típico tropo dessas obras é a conexão direta entre o cérebro humano e sistemas de computador. O mundo cyberpunk é um lugar sinistro, sombrio, constituído de distopias onde a corrupção e computadores conectados à Internet dominam todos os aspectos da vida cotidiana. Quase sempre empresas multinacionais gigantescas substituíram os governos como centros de poder político, econômico e mesmo militar. A batalha do excluído contra um sistema totalitário é um tema comum na ficção científica e particularmente no cyberpunk, ainda que na ficção científica convencional os sistemas totalitários tendam a ser estéreis, ordenados e controlados pelo Estado.

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Protagonistas

Os protagonistas da literatura cyberpunk geralmente são hackers moldados frequentemente na ideia de herói solitário que combate a injustiça: cowboy, ronin, etc. Normalmente são pessoas desprivilegiadas, colocadas em situações extraordinárias, que mais se adaptam ao perfil de cientistas brilhantes buscando avanços ou aventura do que aos de verdadeiros “heróis”, (uma comparação conveniente pode ser a ambiguidade moral do personagem de Clint Eastwood na Trilogia dos dólares). Um dos personagens protótipo do gênero cyberpunk é Case, do romance Neuromancer de William Gibson. Case é um “cowboy do pc”, um hacker brilhante, que trai seus sócios do crime organizado. Ao ser privado do seu talento por uma lesão - fruto de uma vingança por parte de seus sócios criminosos - que o deixa incapaz de atuar como hacker, Case recebe uma inesperada e única oportunidade de ser curado, com assistência médica avançada, em troca de sua participação em outra empresa criminosa, com uma nova equipe. Como Case, muitos protagonistas cyberpunk são manipulados, postos em situações em que têm pouca ou nenhuma opção, e ainda que eles possam superar isso, não necessariamente chegam a estar mais longe do que previamente estavam. Estes anti-heróis – “criminosos, párias, visionários, desertores e inadaptados” – não experimentam o “caminho de herói” de Campbell, como um protagonista de epopéia homérica ou de um romance de Alexandre Dumas. Ao contrário, eles trazem à memória o investigador privado do romance policial, que solucionava os casos mais complexos, sem nunca receber uma recompensa justa. Esta ênfase sobre os inadaptados e descontentes - que Thomas Pynchon chama o "pretérito", e Frank Zappa, de "esquecimento da Grande Sociedade" - é o componente punk do cyberpunk.

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Sociedade e Governo

A literatura cyberpunk é usada constantemente como uma metáfora para as preocupações atuais sobre os efeitos e o controle das grandes corporações sobre as pessoas, a corrupção nos governos, a alienação e a vigilância tecnológica. O cyberpunk pode ser entendido como uma inquietude e um chamado à ação. Isto sempre expressa um sentido de rebelião, sugerindo que poder-se-ia descrevê-lo como um tipo de ficção científica contracultural. Nas palavras do autor e crítico David Brin: Um olhar mais próximo [dos autores cyberpunk] revela que retratam quase sempre as sociedades futuras com governos absurdos e patéticos... Contos populares de ficção científica de Gibson, Cadigan e outros são uma representação orweliana da concentração de poder no próximo século, mas quase sempre em mãos secretas, mais endinheiradas, ou em corporações de elite. As histórias cyberpunk são consideradas, às vezes, como prognósticos fictícios da evolução da Internet. O mundo virtual aparece sempre sob vários nomes, incluindo "Cyberespaço", "a Rede" e "a Matriz". Nesse contexto é importante observar que as primeiras descrições de uma rede global de comunicações vieram muito antes que a World Wide Web se incorporasse ao conhecimento popular, ainda que não antes de escritores tradicionais da ficção científica, como Arthur Charles Clarke, e alguns críticos sociais, como James Burke, começarem a prever que tais redes seriam formadas.

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Literatura

O editor de ficção científica Gardner Dozois é geralmente conhecido como a pessoa que popularizou o uso do termo cyberpunk como um tipo de literatura. O termo foi rapidamente acolhido como uma etiqueta aplicada aos trabalhos de William Gibson, Bruce Sterling, John Shirley, Rudy Rucker, Michael Swanwick, Pat Cadigan, Lewis Shiner, Richard Kadrey e outros. Destes, Sterling iniciou o movimento, liderando a ideologia, graças a seu fanzine Cheap Truth. Os elementos cyberpunk estão presentes nos Hyperion Cantos de Dan Simmons; o planeta Lusus possui muitas características do mundo distópico de Neuromance e os níveis cibernéticos da vida e a existência da inteligência artificial tem óbvias influências dos trabalhos de Gibson. William Gibson com seu Neuromancer, é provavelmente o mais famoso escritor conectado com o termo. O estilo enfático, a fascinação com a superfície e a “aparência e sensação” de futuro, e a atmosfera já tradicional na ficção é vista como a ruptura e às vezes como “o trabalho arquetípico do cyberpunk”. Neuromancer foi agraciado com os prêmios Hugo, Nebula e Philip K. Dick Award. De acordo com o arquivo do jargão “A total ignorância de Gibson sobre computadores a cultura hacker atual o permitiram especular sobre o RPG dos computadores e hackers no futuro de modo que ambas são desde então irritativamente ingênuas e tremendamente estimulantes”.

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Histórias em quadrinhos

Em 1975, o artista Moebius colaborou com o roteirista Dan O'Bannon em uma história chamada The Long Tomorrow, publicada na revista francesa Métal hurlant. Uma das primeiras obras com elementos agora vistos como exemplificativos do cyberpunk, combinou influências do filme noir e da ficção policial hardboiled com um ambiente de ficção científica distante. O autor William Gibson afirmou que a arte de Moebius para a série, juntamente com outros recursos visuais de Métal Hurlant, influenciaram fortemente seu romance de Neuromancer de 1984. A série teve um impacto de longo alcance no gênero cyberpunk, sendo citada como uma influência em Alien (1979) e Blade Runner de Ridley Scott. Moebius mais tarde expandiu a estética de The Long Tomorrow com O Incal, uma colaboração de história em quadrinhos com Alejandro Jodorowsky publicada de 1980 a 1988. A história gira em torno das façanhas de um detetive chamado John Difool em vários cenários de ficção científica, e embora não se limite aos tropos do cyberpunk, apresenta muitos elementos do gênero. Moebius foi um dos designers de Tron, um filme que mostra um mundo dentro de um computador.

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Cinema e TV

O filme Blade Runner (1982), adaptado do livro "Sonham os andróides com ovelhas elétricas?" de Philip Kindred Dick, se centra em uma distopia futura na qual seres manufaturados chamados replicantes são usados como escravos em colônias do espaço, na Terra presa de vários caçadores de recompensas, os quais se encarregam de “aposentá-los” (matá-los). Ainda que Blade Runner não foi um êxito em seu lançamento, encontrou um grande nicho no mercado de aluguel de filmes. Posto que o filme omite os elementos religiosos e místicos do livro de Dick (e.g, caixas de empatia e Wilbur Mercer) cai mais estritamente dentro do género cyberpunk que a obra. William Gibson revelaria depois que a primeira vez que viu o filme, se havia surpreendido muito de como a aparência deste filme era similar a sua visão quando estava trabalhando em Neuromancer. Segundo o mencionado anteriormente, a série de TV "Max Headroom" também expandiu o cyberpunk, quiçá com um êxito mais popular que os primeiros trabalhos escritos do gênero.

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Anime e mangá

Imagem: Kordite · BY-NC · Openverse

O subgênero cyberpunk japonês começou em 1982 com a estreia da série de mangá Akira de Katsuhiro Otomo, com sua adaptação em um filme animação lançado em 1988, dirigida por Otomo, popularizando posteriormente o subgênero. Akira inspirou uma onda de trabalhos cyberpunk japoneses, incluindo séries de mangá e anime como Ghost in the Shell, Battle Angel Alita, Serial Experiments Lain e Cowboy Bebop. Outros primeiros trabalhos cyberpunk japoneses incluem o filme Burst City de 1982, A trilogia de OVAs Megazone 23 de 1985 e o filme Tetsuo: The Iron Man de 1989. De acordo com Paul Gravett, quando Akira começou a ser publicado, a literatura cyberpunk ainda não havia sido traduzido para o japonês, Otomo tem inspirações distintas como Tetsujin 28-go de Mitsuteru Yokoyama e os quadrinhos de Moebius. O anime também há proporcionado exemplos do subgênero steampunk, particularmente em muitos dos trabalhos de Hayao Miyazaki, em "Fullmetal Alchemist e também notavelmente em "Last Exile", de 2003, criado pelo estúdio "GONZO" e dirigido por Koichi Chigira, que oferece uma curiosa mescla de sociedade vitoriana e batalhas futurísticas entre naves aéreas. Também é notável "Steamboy" (2004) dirigido por Katsuhiro Otomo e mais recentemente "Ergo Proxy" produzida por Manglobe.

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Musica e Moda

Imagem: Mechanekton · BY-NC · Openverse

O termo música cyberpunk pode referir-se a duas categorias pouco superpostas, como denotar a ampla gama dos trabalhos musicais que os filmes cyberpunk utilizam como trilha sonora. Estes trabalhos variam em gênero desde a música clássica e o jazz usados em Blade Runner, e que por outra parte evoca o ambiente do cine negro- e a música eletrônica. Tipicamente os filmes fazem uso do eletrônico, música industrial, futurepop, pós-punk, rock alternativo, rock gótico, chiptunes e intelligent dance music para criar a sensação apropriada. O mesmo princípio aplica aos videogames. Naturalmente, enquanto os trabalhos escritos não estão associados a trilhas sonoras com tanta frequência como os filmes, a alusão a trabalhos musicais é usada para o mesmo efeito. Por exemplo o romance gráfico "Kling Klang Klatch" (Ian McDonald, 1992), uma fantasia obscura sobre um mundo de brinquedos vivos, onde um urso de pelúcia amargado tem uma atração pelo açúcar e uma paixão pelo jazz.

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Jogos

Imagem: Crashworks · BY-NC · Openverse

Os games frequentemente usam o cyberpunk como fonte de inspiração, alguns destes como Blade Runner ou Enter the Matrix, são baseados nos filmes do gênero, enquanto outros como Deus Ex e System Shock, Final Fantasy VII, Snatcher e as séries de Metal Gear são trabalhos originais. Existem vários jogos de RPG de mesa inspirados no subgênero, é o caso da franquia Cyberpunk criada por Mike Pondsmith com jogos como Cyberpunk: Cyberpunk 2013, Cyberpunk 2020 e Cyberpunk V.3 e Cyberpunk Red da Talsorian Games e GURPS Cyberpunk, publicado por Steve Jackson Games como um módulo do sistema GURPS. Cyberpunk 2020 foi desenhado com o argumento dos escritos de William Gibson em mente, e até certo ponto com sua aprovação, diferente da aproximação (quiçá mais criativa) feita pela FASA na produção do jogo Shadowrun. Ambos jogos se ambientam num futuro próximo, num mundo onde a cibernética é proeminente. Netrunner é um jogo de cartas colecionáveis introduzido em 1996, baseado no franquia Cyberpunk da Talsorian Games foi lançado junto a um popular jogo de realidade virtual chamado Webrunner, que permite aos jogadores ingressar ao mainframe de uma perversa organização futurista. Em adição Iron Crown Enterprises lançou o RPG chamado Cyberspace, agora fora de edição.

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