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Dante Alighieri

Dante Alighieri foi um poeta, escritor e político florentino nascido na atual Itália. Alcunhado il sommo poeta, é considerado um dos maiores e mais influentes poetas de todos os tempos devido à sua epopeia A Divina Comédia, tida como uma das maiores obras do Renascimento. A sua obra, em conjunto com a de Petrarca, revolucionou a poesia ocidental ao fazer uso da língua italiana, explorando, assim, uma língua viva e nacional em detrimento do latim, e ao introduzir e popularizar novos meios de expressão poética, como o decassílabo, o soneto e a terza rima.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Vida

Primeiros anos de vida e família

A data de nascimento de Dante não é conhecida com exatidão, embora se indique habitualmente como sendo por volta de 1265. Esta datação é deduzida com base em algumas alusões autobiográficas relatadas na Vita Nova e no cântico do Inferno, que começa com o bastante celebrado verso Nel mezzo del cammin di nostra vita. Partindo da hipótese de que a metade da vida do homem seja, para Dante, o trigésimo quinto ano de vida[N 1][N 2] e que a viagem imaginária tivesse ocorrido em 1300, chegar-se-ia, por conseguinte, ao ano de 1265. Além das especulações dos críticos, esta hipótese é também sustentada por um contemporâneo de Dante, o histórico florentino Giovanni Villani que, na sua Nova Cronica, relata que «questo Dante morì in esilio del comune di Firenze in età di circa 56 anni» («este Dante morreu no exílio da comuna de Florença com a idade de cerca de 56 anos»): uma prova que confirmaria essa tese. Outro testemunho é relatado por Giovanni Boccaccio que, nas suas investigações sobre a vida do amado Dante, conheceu em Ravenna ser Piero di messer Giardino da Ravenna, amigo de Dante durante o exílio deste último na cidade romagnola: o poeta terá contado a Piero, pouco antes de expirar, que tinha completado 56 anos no mês de maio. Alguns versos do Paradiso sugerem também que terá nascido sob o signo de Gémeos, ou seja, num período compreendido entre 14 de maio e 13 de junho.

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Formação intelectual

Apresentado frequentemente como um autodidata, na verdade sabe-se muito pouco sobre a formação de Dante, que terá seguido, provavelmente, o percurso educativo típico da época, centrado na instrução por parte de um gramático (doctor puerorum), com quem terá aprendido os rudimentos da língua antes de passar para o estudo das artes liberais, que constituíam o pilar da educação medieval: aritmética, geometria, música, astronomia, por um lado (quadrívio); dialética, gramática e retórica, por outro (trívio). Como se pode deduzir de Convívio [II, 12, 2-4], o latim, enquanto veículo do saber, era visto como fundamental para a formação do estudante, já que a ratio studiorum assentava essencialmente na leitura de Cícero e de Virgílio, por um lado, e do latim medieval, por outro (nomeadamente Henrique de Settimello). A educação formal era ainda complementada por contactos "informais" com os estímulos culturais provenientes ora dos meios urbanos mais influentes, ora do contacto direto com viajantes e mercadores estrangeiros que introduziam na Toscana as novidades filosóficas e literárias dos respetivos países de origem. Dante teve a sorte de conhecer, na década de 1280, o político e erudito florentino Ser Brunetto Latini, regressado de uma longa permanência em França, tanto na qualidade de embaixador da República como de exilado político. A influência efetiva de Ser Brunetto sobre o jovem Dante foi objeto de estudo, primeiro por Francesco Mazzoni e, posteriormente, por Giorgio Inglese. Ambos os filólogos procuraram, nos seus estudos, enquadrar o legado do autor do Tresor na formação intelectual do jovem conterrâneo. O próprio Dante recordou com emoção a figura de Latini na Comédia, destacando a sua humanidade e o afeto que dele recebeu: [...] e or m'accora,la cara e buona imagine paternadi voi quando nel mondo ad ora ad oram'insegnavate come l'uom s'etterna [...] (Inferno, Canto XV, vv. 82–85)

Educação e poesia

Sabe-se que estudou a poesia toscana, talvez com a ajuda de Brunetto Latini (numa idade posterior, como se dirá de seguida). A poesia toscana centrava-se na Scuola poetica siciliana, um grupo cultural da Sicília que se dava a conhecer, na altura, na Toscânia. Esse interesse depressa se alargou a outros autores, dos quais se destacam os menestréis e poetas provençais, além dos autores da Antiguidade Clássica latina, de entre os quais elegia, preferencialmente, Virgílio, ainda que também tivesse conhecimento da obra de Horácio, Ovídio, Cícero e, de forma mais superficial, Tito Lívio, Séneca, Plínio, o Velho e outros de que encontramos bastantes referências na Divina Comédia.

Carreira política em Florença

Dante participou, também, na vida militar da época. Em 1289, combateu ao lado dos cavaleiros florentinos, contra os de Arezzo, na batalha de Campaldino, em 11 de junho. Em 1294, estava com os soldados que escoltavam Carlos I, Conde de Anjou (também referido por vezes como Martel) quando este estava em Florença. Foi, também, médico e farmacêutico; não pretendia exercer essas profissões mas, segundo uma lei de 1295, todo nobre que pretendesse tomar um cargo público devia pertencer a uma das guildas (Corporazioni di Arti e Mestieri - ou seja, "Corporação de Artes e Ofícios"). Ao entrar na guilda dos boticários, Dante podia, assim, ascender à vida política. Esta profissão não era, de todo, inadequada para Dante, já que, na época, os livros eram vendidos nos boticários. De 1295 a 1300, fez parte do "Conselho dos Cem" (o conselho da comuna de Florença), onde fez parte dos seis priores que governavam a cidade.

Exílio e morte

Bonifácio rapidamente enviou os outros representantes de Florença de volta, retendo apenas Dante em Roma. Entretanto, a 1 de novembro de 1301, Carlos de Valois entrava em Florença com os guelfos negros que, por seis dias, devastaram a cidade e massacraram grande número de partidários da facção branca. Instalou-se, então, um governo apoiante dos guelfos negros, e Cante dei Gabrielli di Gubbio foi nomeado Podestà (funcionário público designado pelas famílias mais influentes da cidade). Dante foi condenado, em Florença, ao exílio por dois anos, além de ser condenado a pagar uma elevada multa em dinheiro. Ainda em Roma, o papa "sugeriu-lhe" que aí se mantivesse, sendo considerado, a partir de então, um proscrito. Não tendo pago a multa, foi, por consequência, condenado ao exílio perpétuo. Se fosse, entretanto, capturado por soldados de Florença, seria sumariamente executado, queimado vivo.

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Obras

A Divina Comédia escreve uma viagem de Dante através do Inferno, Purgatório, e Paraíso, primeiramente guiado pelo poeta romano Virgílio (símbolo da razão humana), autor do poema épico Eneida, através do Inferno e do Purgatório e, depois, no Paraíso, pela mão da sua amada Beatriz – símbolo da graça divina – com quem, presumem muitos autores, nunca tenha falado e, apenas visto, talvez, de uma a três vezes). Em termos gerais, os leitores modernos preferem a descrição vívida e psicologicamente interessante para a sensibilidade contemporânea do "Inferno", onde as paixões se agitam de forma angustiada num ambiente quase cinematográfico. Os outros dois livros, o Purgatório e o Paraíso, já exigem outra abordagem por parte do leitor: contêm subtilezas ao nível filosófico e teológico, metáforas dificilmente compreensíveis para a nossa época, requerendo alguma pesquisa e paciência. O Purgatório é considerado, dos três livros, o mais lírico e humano. É interessante verificar que é, também, aquele onde aparecem mais poetas. O Paraíso, o mais pesadamente teológico de todos, está repleto de visões místicas, raiando o êxtase, onde Dante tenta descrever aquilo que, confessa, é incapaz de exprimir (como acontece, aliás, com muitos textos místicos que fazem a história da literatura religiosa). O poema apresenta-se, como se pode ver num dos excertos acima, como "poema sagrado" o que demonstra que Dante leva muito a sério o lado teológico e, quiçá, profético, da sua obra. As crenças populares cristãs adaptaram muito do conceito de Dante sobre o inferno, o purgatório e o paraíso, como por exemplo o fato de cada pecado merecer uma punição distinta no inferno. A Comédia é o maior símbolo literário e síntese do pensamento medieval, vivido pelo autor.

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Reabilitação

Em julho de 2008, o Comitê Cultural de Florença revogou o exílio e concedeu a seus herdeiros, como forma de compensação a mais alta honraria da cidade, Il Fiorino D'Oro. A proposta, aprovada na câmara de vereadores da cidade,foi apresentada pelo vereador Enrico Bosi, do Partido Povo da Liberdade, tendo sido aprovada por apenas um voto acima do quórum mínimo, uma vez que recebeu oposição de muitos vereadores da esquerda, que a consideraram apenas uma forma de beneficiar o único herdeiro vivo de Dante, Peralvise Serego Alighieri, um produtor de vinho da região de Valpolicella.

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Imagens de Dante

Dante foi homenageado por grandes artistas ao longo dos séculos. Em 2007, cientistas italianos da Universidade de Bologna recriaram a face de Dante. Crê-se que o modelo seja o mais próximo possível de sua verdadeira aparência. Seu retrato, feito por Sandro Botticelli, foi usado como base junto ao crânio. Neste retrato de Botticelli, Dante esta usando cappuccio, um gorro vermelho trançado com abas nas orelhas. Nesta representação Botticelli acrescentou uma coroa de louros por expertise em artes poéticas. Um símbolo tradicional emprestado da Grécia Antiga e até hoje usando em cerimônias de premiação de poetas laureados e ganhadores do prêmio Nobel.

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Fontes consultadas

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