Deus, o Pai
Deus, o Pai ou Deus Pai é um título dado a Deus no cristianismo. No cristianismo trinitário, Deus Pai é reconhecido como a primeira Pessoa da Santíssima Trindade, com as outras duas Pessoas sendo Deus Filho, Jesus Cristo e Deus Espírito Santo.
Visão geral
Na maior parte do Cristianismo moderno, Deus é referido como O Pai, tanto pelo seu interesse ativo na humanidade, de forma análoga a um pai que cuida de seus filhos, como pela sua atuação benevolente em prol destes. Muitos cristãos acreditam que podem se comunicar com Deus e se aproximarem dele por meio da oração, um elemento chave no alcance da comunhão com Deus. Em geral, o título Pai (capitalizado) significa o papel de Deus como a fonte da vida, a autoridade e um poderoso protetor, geralmente visto como imenso, onipotente, onisciente e onipresente, de poder e caridade infinitos, além da compreensão humana. Por exemplo, depois de completar sua obra prima, a Suma Teológica, o Doutor da Igreja católica Tomás de Aquino afirmou que ele ainda não tinha começado a entender "Deus, o Pai".
Antigo Testamento
De acordo com a teóloga presbiteriana Marianne Thompson, Deus é chamado "Pai" com um sentido único de familiaridade que vai além do sentido que Deus é o "Pai" de todos os homens pela criação do mundo: o mesmo Deus é — de forma única — o legislador de seu povo escolhido. Dessa forma, Deus mantém um relacionamento especial, por meio da Aliança, num formato de "pai-filho" com seu povo, dando a eles o Sabá, seus profetas e uma herança única nos planos de Deus. Além disso, o povo israelita ("Israel") é chamado de "meu filho" pela sua libertação da escravidão no Egito pelas alianças e juramentos feitos a seus pais, Abraão, Isaac e Jacó. Na Bíblia Hebraica, é possível citar Isaías como evidência da visão judaica de Deus como um pai protetor de seu povo. Ele é ainda intitulado como o Pai dos pobres, dos órfãos e das viúvas e sua garantia de justiça. Além disso, recebe o título de Pai do rei, como o professor e o ajudante do juiz de Israel.
Novo Testamento
No cristianismo, há a crença profunda na comunhão dos fiéis com o Pai, feitos participantes no relacionamento eterno entre o Pai e o Filho, através de Jesus Cristo. Os cristãos chamam-se a si próprios filhos adotados de Deus: Mas quando veio o cumprimento do tempo, enviou Deus a seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da Lei, a fim de resgatar os que estavam debaixo da Lei, para que recebêssemos a adoção de filhos. Por que sois filhos, Deus enviou ao nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, pai. Assim não és mais escravo, porém filho: mas se filho, também herdeiro por Deus. No Cristianismo, o conceito de Deus como o Pai de Jesus é distinto do conceito de Deus como o criador e Pai de toda a humanidade, como indicado no Credo dos Apóstolos.
Por cerca de mil anos, nenhuma tentativa de retratação de Deus Pai de forma humana foi realizada, em razão da crença dos primeiros cristãos que o exposto em Êxodo 33:20 e João 1:18 não aplicaria apenas ao Pai, mas também em todas as retratações do Pai. Tipicamente, apenas uma pequena parte do corpo do Pai — como a mão ou o rosto — seria representada, mas nunca o corpo inteiro. Em muitas imagens, a figura do Filho suplantava a do Pai de forma que uma menor porção do Pai fosse retratada. Na Alta Idade Média, Deus era frequentemente representado por Cristo (como o Logos), o que continuou a ser uma prática muito comum mesmo depois da descrição doutrinária mais precisa da Trindade. Após sucessivas tentativas de ilustrar a presença do Pai em diversos estilos artísticos, a representação do Pai de forma humana gradualmente tomou forma por volta do século X. A partir do século XII, representações de Deus Pai essencialmente baseadas no Livro de Daniel, mais precisamente no capítulo 7, começaram a aparecer em manuscritos franceses e em vitrais ingleses. No século XIV, a ilustrada Bíblia de Nápoles possui uma representação do Pai na iluminação que retratava a sarça ardente. No século XV, o Livro de Horas de Rohan incluia representações de Deus Pai em forma humana. Embora a representação da figura de Deus Pai continue rara e controversa na arte ortodoxa, a representação da figura na igreja ocidental é comum desde o Renascimento.


