Dialeto
Um dialeto é a forma como uma língua é realizada numa região específica. Trata-se de uma variedade ou variante linguística. A variante dialetal é também chamada diatópica ou geolinguística.
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Todos os dialetos (sem exceção) têm uma norma. Essa norma é o conjunto de regras que garante a unidade do dialeto, limitando a variação e a evolução linguística na comunidade. Quando uma língua se institucionaliza - através da criação de instrumentos normativos como a gramática normativa e a ortografia - tende a escolher um dos seus dialetos como norma padrão. Por exemplo, a norma padrão para a língua castelhana é, atualmente, a norma do dialeto de Madrid. É importante sublinhar que a escolha da norma padrão é algo de puramente político e que, geralmente, está relacionado com a localização das capitais políticas, culturais ou econômicas dos países. Assim, não existem dialetos melhores ou piores do que outros. É tão legítimo dizer-se bint (para "20"), à moda da cidade do Porto, como vintchi, à moda do Rio de Janeiro. Por vezes, os critérios políticos que interferem na língua podem estar muito distantes dos critérios científicos. Há países, em que autênticas línguas são consideradas apenas dialetos da língua oficial, quando, na realidade, não o são de todo. Não é preciso ir muito longe. Até ao século XX, a língua galega foi considerada um dialeto da língua castelhana. Na realidade, a linguística demonstrou, ao longo do século, que o galego é um dialeto pertencente ao sistema linguístico do português, tal como são os dialetos do Brasil e de Portugal. De um ponto de vista legal, o galego é considerado uma língua autônoma, ainda assim, ela é estudada em muitas universidades como uma variante do sistema linguístico galego-português.
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A língua portuguesa usou como norma padrão, a partir do século XIV, os dialetos falados entre Coimbra e Lisboa, com especial relevo para este último. No Brasil, a norma padrão evoluiu do dialeto de Lisboa para o do Rio de Janeiro (com a fuga da corte para o Brasil em 1808) e, desde então, para uma influência partilhada pelas variedades cultas em uso nas maiores cidades do país, em especial as duas maiores metrópoles globais na costa da região Sudeste. Nessa norma padrão oral tácita do português brasileiro, a letra S é sempre pronunciada /s/ em coda silábica (enquanto no estado do Rio de Janeiro seria sempre pronunciada /ʃ/, e por vezes variando entre um alófono e o outro em outras regiões do país, como o Norte, o Nordeste, o Espírito Santo, a Zona da Mata Mineira e a Ilha de Santa Catarina); enquanto a letra R é pronunciada /ʁ/ – tendo AFI: [x], [ɣ], [χ], [ʁ], [h] e [ɦ] como possíveis alófonos – na mesma situação, como dominante nas regiões Norte, Nordeste, na Ilha de Santa Catarina e em todo o Sudeste porém no estado de São Paulo (onde, como no Rio Grande do Sul ou na Europa, seria pronunciada como vibrante simples alveolar, ou /ɾ/, ou como no Paraná, no Mato Grosso do Sul, em Goiás e em uma boa parte do Sudoeste de Minas, como aproximante alveolar, ou /ɹ/). Neste padrão linguístico, o deletamento de /ʁ ~ ɾ ~ ɹ/ em coda silábica em final de palavra comum na fala cotidiana, informal, do português brasileiro, quase universal, especialmente entre as classes de renda mais baixa, é considerado um desvio.
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É comum circularem algumas ideias sobre dialetologia que são erradas e sem fundamento.


