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Dilma Rousseff

Dilma Vana Rousseff GCMD é uma economista e política brasileira. Filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), foi a 36.ª Presidente do Brasil, tendo exercido o cargo de 2011 até seu afastamento por um processo de impeachment em 2016. Desde 2023, é presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, sediado em Xangai, na China.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Primeiros anos, educação e ditadura militar

Dilma Vana Rousseff é filha do advogado e empreendedor búlgaro naturalizado brasileiro Pedro Rousseff[nota 3] e da professora Dilma Jane Coimbra Silva. Seu pai foi filiado ao Partido Comunista Búlgaro e frequentava os círculos literários na década de 1920. Chegou ao Brasil no fim da década de 1930. Em sua terra natal, deixara sua esposa esperando um filho, Luben Russév (1929–2007), que afirmou que o pai havia deixado a Bulgária não por razões políticas, mas por falência. Pedro mudou-se para Buenos Aires e, anos depois, voltou ao Brasil, fixou-se em São Paulo e prosperou. Em uma viagem a Uberaba, conheceu Dilma Jane, de Nova Friburgo, uma professora de vinte anos criada no interior de Minas Gerais, onde seus pais eram pecuaristas. Casaram-se e fixaram residência em Belo Horizonte, onde tiveram três filhos: Igor, Dilma Vana e Zana Lúcia — esta última, morta em 1976. Pedro morreu em 1962. De 1952 a 1954, cursou a pré-escola no colégio Izabela Hendrix, e a partir de 1955, iniciou o ensino fundamental no Colégio Nossa Senhora de Sion (atual Colégio Santa Dorotéia), em Belo Horizonte. Em 1964, prestou concurso e ingressou no Colégio Estadual Central (atual Escola Estadual Governador Milton Campos), ingressando na primeira série do clássico (hoje conhecido como ensino médio). Nessa escola pública, o movimento estudantil era ativo, especialmente por conta do recente golpe militar. De acordo com ela, foi nessa escola que ficou "bem subversiva" e que percebeu que "o mundo não era para debutante".

Atuação no COLINA

Em 1964, ingressou na Política Operária (POLOP), uma organização fundada em 1961, oriunda do Partido Socialista Brasileiro, onde militou. Seus militantes logo viram-se divididos em relação ao método a ser utilizado para a implantação do socialismo: enquanto alguns defendiam a luta pela convocação de uma assembleia constituinte, outros preferiam a luta armada. Dilma ficou com o segundo grupo, que deu origem ao Comando de Libertação Nacional (COLINA). Para Apolo Heringer, que foi dirigente do COLINA em 1968 e havia sido professor de Dilma na escola secundária, a jovem fez opção pela luta armada depois que leu Revolução na Revolução, de Régis Debray, filósofo e intelectual francês que na época havia se mudado para Cuba, e ficara amigo de Fidel Castro. Segundo Heringer, "O livro incendiou todo mundo, inclusive a Dilma".

Na VAR-Palmares

Dilma participou de algumas reuniões sobre a fusão do COLINA com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), que acabou formalizada, originando a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). De acordo com um integrante de buscas da Operação Bandeirante (Oban), Dilma era a grande líder da organização clandestina VAR-Palmares. Usando vários codinomes, teria recebido epítetos superlativos dos relatórios da repressão, definindo-a como "um dos cérebros" dos esquemas revolucionários. O Promotor de Justiça que denunciou a organização rotulou-a como sendo a "Joana d'Arc da subversão", por chefiar greves e assessorar assaltos a bancos, que Dilma contesta, dizendo não lembrar de todas as ações que lhe atribuíram. O militante Darcy Rodrigues, braço direito de Carlos Lamarca, diz que ela era o elo entre os comandos nacional e regionais.

Prisão

Uma série de prisões de militantes conseguiu capturar José Olavo Leite Ribeiro, que encontrava-se três vezes por semana com Dilma. Conforme o relato de Ribeiro, após sofrer um dia de torturas, ele revelou o lugar onde se encontraria com outro militante, em um bar na Rua Augusta. Em 16 de janeiro de 1970, foi obrigado a ir ao local acompanhado de policiais disfarçados, seu colega também foi capturado e quando já se preparavam para deixar o local, Dilma, que não estava sendo esperada, logo chegou. Percebendo que algo estava errado, Dilma tentou sair do local sem ser notada. Desconfiados, os policiais a abordaram e encontraram-na armada. "Se não fosse a arma, talvez tivesse conseguido escapar", ressalta Ribeiro.

Mudança para Porto Alegre

Dilma saiu do Presídio Tiradentes no fim de 1972, dez quilos mais magra e com uma disfunção na tireoide. Havia sido condenada em alguns processos e absolvida noutros. Iniciou a recuperação da sua saúde em casa com sua família, em Minas Gerais. Algum tempo depois morou com sua tia em São Paulo e depois mudou-se para Porto Alegre, onde Carlos Araújo cumpria os últimos meses de detenção. Hospedou-se na casa dos pais do companheiro Carlos Araújo, cuja localização lhe permitia avistar o presídio em que Araújo estava detido. Dilma visitava-o com frequência, levando jornais e até livros políticos, disfarçados de romances. Punida por subversão, de acordo com o decreto-lei 477, ela havia sido expulsa da Universidade Federal de Minas Gerais e impedida de retomar seus estudos naquela universidade em 1973, o que levou Dilma a prestar vestibular para Economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ficou grávida em 1975 enquanto cursava a graduação e em março de 1976 nasceu sua única filha, Paula Rousseff Araújo. Sua primeira atividade remunerada, após sair da prisão, foi a de estagiária na Fundação de Economia e Estatística (FEE), vinculada ao governo do Rio Grande do Sul. Graduou-se em 1977, não tendo participado ativamente do movimento estudantil.

02

Início da carreira política

Com o fim do bipartidarismo, participou junto com Carlos Araújo dos esforços de Leonel Brizola para a recriação do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Após a perda da sigla para o grupo de Ivete Vargas, foi membro fundadora do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Araújo foi eleito deputado estadual em 1982, 1986 e 1990. Foi, também, por duas vezes, candidato a prefeito de Porto Alegre, perdendo para Olívio Dutra, em 1988, e Tarso Genro, em 1992. Dilma conseguiu seu segundo emprego na primeira metade dos anos 1980 como assessora da bancada do PDT na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

Secretária Municipal da Fazenda

Araújo e Dilma dedicaram-se com afinco na campanha de Alceu Collares à prefeitura de Porto Alegre em 1985. Eleito prefeito, Collares a nomeou titular da Secretaria Municipal da Fazenda, seu primeiro cargo executivo. Na campanha do pedetista Aldo Pinto para o governo do estado em 1986, Dilma participou da assessoria. Dilma permaneceu à frente da Secretaria Municipal da Fazenda até 1988, quando se afastou para se dedicar à campanha de Araújo à prefeitura de Porto Alegre, sendo substituída por Políbio Braga. Este revelou que Dilma tentara convencê-lo a não assumir o cargo, aconselhando-o, então: "Não assume não, que isso pode manchar a tua biografia. Eu não consigo controlar esses loucos e estou saindo antes que manche a minha." Enquanto Collares lembra da gestão de Dilma como exemplo de competência e transparência, Políbio Braga discorda, lembrando que "ela não deixou sequer um relatório, e a secretaria era um caos". No ano seguinte, em 1989, Dilma foi nomeada para o cargo de diretora-geral da Câmara Municipal de Porto Alegre, mas acabou sendo demitida do cargo pelo presidente da casa, vereador Valdir Fraga, porque chegava tarde ao trabalho. Conforme Fraga, "eu a exonerei porque houve um problema com o relógio de ponto".

Secretária Estadual de Energia, Minas e Comunicações

Em 1990, Alceu Collares foi eleito governador, indicando Dilma para presidir a Fundação de Economia e Estatística (FEE). Permaneceu ali até fim de 1993, quando foi nomeada Secretária de Energia, Minas e Comunicações, sustentada pela influência de Carlos Araújo e seu grupo político. Permaneceu no cargo até final de 1994, época em que seu relacionamento com Araújo chegou ao fim, abalado pela descoberta de um caso extraconjugal. Depois reconciliaram-se e permaneceram juntos até 2000, quando Dilma foi morar só, em um apartamento alugado. Em 1995, terminado o mandato de Alceu Collares, Dilma afastou-se dos cargos políticos. Entre 1995 e 1996, teve uma curta experiência como microempresária vendendo produtos variados a baixos preços tabelados (os populares "um e noventa e nove") numa lojinha chamada Pão e Circo, pouco depois retornaria à FEE, passando a ser editora da revista Indicadores Econômicos. Em 1998, o petista Olívio Dutra ganhou as eleições para o governo gaúcho com o apoio do PDT no segundo turno, e Dilma retornou à Secretaria de Minas e Energia. Conforme Olívio, "Eu já a conhecia e respeitava. E a nomeei também porque ela estava numa posição mais à esquerda no PDT, menos populista".

03

Ministra de Estado (2003–2010)

Ministra de Minas e Energia

Dilma fez parte do grupo que elaborou os assuntos relacionados à área de minas e energia na plataforma do candidato Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. Ela havia sido convidada pelo físico e engenheiro nuclear Luiz Pinguelli Rosa, que coordenava as reuniões. Para todos no grupo, estava evidente que Pinguelli seria o ministro de Minas e Energia, caso Lula vencesse a eleição em 2002. Foi grande a surpresa quando Lula, eleito, escolheu Dilma para assumir a pasta. Ao assumir o Ministério das Minas e Energia, também foi nomeada presidente do Conselho de Administração da Petrobras, cargo que exerceu até março de 2010. Dilma defendeu uma nova política industrial para o governo, fazendo com que as compras de plataformas pela Petrobras tivessem um conteúdo nacional mínimo. Argumentou que não era possível que uma obra de um bilhão de reais não fosse feita no Brasil. As licitações para as plataformas P-51 e P-52 foram, assim, as primeiras no país a exigir um conteúdo nacional mínimo.

Ministra-chefe da Casa Civil

Em 20 de junho de 2005, o presidente Lula indicou Dilma para comandar o Ministério da Casa-Civil. Assim, Dilma se tornou a primeira mulher a assumir o cargo na história do país. José Dirceu, seu antecessor, saiu do ministério devido ao escândalo do mensalão, tendo sido posteriormente condenado. Na época, alguns petistas criticaram a escolha, por considerarem Dilma com um perfil mais técnico e preferiam um nome mais político para a Casa Civil. Franklin Martins, ex-guerrilheiro a se tornar ministro, afirmou que "Lula percebeu que ela fazia as coisas andarem." Mais tarde, Dilma revelou a Gilberto Carvalho que a indicação foi uma surpresa muito maior do que quando fora indicada para a pasta de Minas e Energia.

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Campanhas presidenciais de 2010 e 2014

Campanha presidencial de 2010

Em abril de 2007, Dilma já era apontada como possível candidata à presidência da República na eleição de 2010. Naquele mesmo ano, o presidente Lula passou a dar destaque a então ministra com o objetivo de testar seu potencial como candidata. Em abril de 2009, Lula afirmou que "Todo mundo sabe que tenho intenção de fazer com que Dilma seja candidata do PT e dos partidos, mas se ela vai ganhar vai depender de cada brasileiro". Para cumprir com a lei eleitoral de desincompatibilização, Dilma deixou o Ministério da Casa-Civil em 31 de março de 2010, sendo sucedida por Erenice Guerra. A Convenção Nacional do Partido dos Trabalhadores, realizada em Brasília no dia 13 de junho de 2010, oficializou Dilma como a candidata do partido à presidência, bem como oficializou o então presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, como seu vice. A coligação de Dilma e Temer recebeu o nome de Para o Brasil seguir mudando e foi composta por dez partidos. Em seu discurso de aceitação como candidata, declarou: "Não é por acaso que depois desse grande homem o Brasil possa ser governado por uma mulher, uma mulher que vai continuar o Brasil de Lula, mas que fará o Brasil de Lula com alma e coração de mulher".

Campanha presidencial de 2014

A avaliação do governo e sua avaliação pessoal tiveram uma grande queda após os protestos de junho de 2013. Porém, os levantamentos continuaram apontando seu favoritismo na disputa eleitoral que aproximava-se. Durante o ano de 2014, ocorreram várias denúncias relacionadas à Petrobras na Operação Lava Jato, envolvendo políticos e empreiteiras. A presidente também enfrentou críticas relacionadas à condução da política econômica. O crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB) atingiu os mais baixos níveis desde o governo Fernando Collor e a inflação acumulada ficou acima do limite estipulado pelo governo. Alguns setores do Partido dos Trabalhadores deram vida ao movimento "Volta, Lula". O movimento defendia que Dilma fosse substituída pelo ex-presidente Lula como o candidato do partido. O ex-presidente negou a intenção de ser candidato e declarou apoio à reeleição de Dilma. Na convenção nacional do Partido dos Trabalhadores, realizada no dia 21 de junho de 2014, o partido oficializou a candidatura de Dilma à reeleição, tendo novamente Michel Temer (PMDB) como candidato a vice-presidente.

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Presidente do Brasil (2011–2016)

Primeiro mandato, 2011–2014

Dilma foi empossada como a 36ª presidente do Brasil em 1º de janeiro de 2011. Em seu discurso de posse, prometeu erradicar a pobreza e mudar o sistema tributário. Antes mesmo de assumir o cargo, afirmou preferir ser tratada como "presidenta", mas desde sua eleição não houve posicionamento oficial a respeito do tema, o que gerou certa confusão. Embora a norma culta do Português estabeleça "presidente" como comum de dois gêneros, os dicionários mais importantes também registram, acompanhado quase sempre das devidas ressalvas, o termo "presidenta". Embora correto linguisticamente e a preferência de Dilma, os meios de comunicação não estabeleceram qualquer padronização, sendo usado desde então tanto "a presidente" quanto "presidenta" em referência à Dilma Rousseff.

Segundo mandato, 2015–2016

Em 1º de janeiro de 2015, Dilma foi empossada para o seu segundo mandato na presidência da República. Ela iniciou seu segundo mandato enfraquecida e em meio a uma crise econômica e política. Desde então, o governo, em busca de construção da austeridade fiscal, tomou medidas impopulares, como novas regras mais rígidas para aposentadorias, o aumento da luz e da gasolina, cortes bilionários em todas as áreas e aumento de impostos. No início de fevereiro, a popularidade da presidente Dilma caiu de 42% para 23%, a avaliação mais baixa de um governo federal desde dezembro de 1999. Em 8 de março, durante o discurso da presidente em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, em várias cidades brasileiras ocorreram manifestações de desaprovação em forma de "panelaço". No dia 15, simpatizantes da presidente realizaram uma manifestação de apoio denominada "coxinhaço", numa referência aos opositores do governo, os assim denominados "coxinhas" por alguns governistas e cujos líderes apresentam uma cosmovisão alinhada com a direita política brasileira. Entretanto, a insatisfação social com os problemas na administração nacional, a crise econômica e, denúncias de corrupção, levaram a um apoio maciço aos protestos contra o governo Dilma marcados para aquele mesmo dia. Enquanto alguns manifestantes clamavam pela renúncia da presidente, outros pediam uma intervenção das forças armadas e, dezenove pedidos para seu impeachment já haviam sido feitos, a maioria solicitados por cidadãos. De forma geral, as manifestações transcorreram de forma pacífica mas, alguns atos de violência foram registrados, como um ataque contra a sede do PT da cidade de Jundiaí. Os protestos foram realizados ao longo do dia em várias cidades por todo o país. Brasileiros que residem no exterior também protestaram no Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e Portugal. O governo foi surpreendido com o apoio popular e a escala das manifestações de protesto e, só na cidade de São Paulo, estima-se que houve a participação de um milhão de pessoas, embora a projeção do Datafolha tenha estimado 210 mil participantes. Em 12 de abril, novos protestos foram feitos contra o governo da presidente Dilma. Desta vez, o número de manifestantes foi estimado entre 696 mil e 1,5 milhão.

Política econômica e ambiental

A política econômica de seu governo não foi considerada satisfatória, devido, principalmente, ao nível de inflação, que chegou próximo ao teto da meta anual de 6,5% estipulada pelo governo, aos déficits da balança comercial brasileira, ao crescimento da desvalorização cambial e ao nível relativamente baixo de crescimento do produto interno bruto (PIB) em relação a outros países emergentes. Para Michael Reid, editor da destacada revista The Economist, Dilma merece aplauso "por ser uma democrata, por ter realizado ações no início do governo contra a corrupção e por ter respeitado a liberdade de expressão", mas se tornou uma decepção para muitos porque "o governo federal continua crescendo como um aparato burocrático e tem uma base de apoio imensa, que cobra cargos e verbas. E não parece que ela tem uma visão de como reformar o Estado para que ele faça melhor as coisas que os brasileiros querem". Para vários analistas, a confiança no Brasil dos investidores estrangeiros declinou. Paulo Bilyk, fundador da Rio Bravo Investimentos, atribui isso à instabilidade institucional, produzida, entre vários motivos, por contas públicas desajustadas e aumento da inflação. Segundo avaliação da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, na América Latina o país só perde para a Argentina em carga tributária, e o FMI projetou uma queda no crescimento de 3,2% para 2,8% ao longo de 2014, com os problemas piores registrados na infraestrutura. O importante jornal Financial Times fez duras críticas à sua administração e pediu um "choque de credibilidade" no Brasil, dizendo: "Os preparativos atrasados para a Copa do Mundo já envergonham o País, enquanto o trabalho para os Jogos Olímpicos de 2016 é classificado como 'o pior' que o Comitê Internacional já viu. A economia também está em queda. O Brasil, uma vez o queridinho do mercado, vê investidores caindo fora". O editorial considerou que se a presidente não mudar seu hábito de mais falar do que ouvir sua reeleição pode ficar comprometida, mas admite que há sinais de algumas mudanças positivas, afirmando:

Impeachment

Em 2 de dezembro de 2015, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, acolheu um dos pedidos de impeachment contra Dilma, protocolado na Câmara pelos juristas Hélio Bicudo, Janaina Paschoal e Miguel Reale Júnior. No dia seguinte, Cunha autorizou formalmente a criação de uma Comissão Parlamentar Especial, com 65 deputados, sendo proporcional à bancada de todos os partidos políticos representados, a comissão foi responsável pela elaboração de um parecer pela admissibilidade da abertura do processo. A Folha de S.Paulo avaliou o gesto de Cunha como uma "retaliação" contra o partido da presidente da República. Por sua vez, Cunha afirmou que o governo Dilma negociou com seus aliados para trocar os votos do PT a favor do mesmo no processo de cassação movido contra ele no Conselho de Ética, pela aprovação da CPMF e arquivamento dos pedidos de impeachment.

Manifestações populares

Em 2013, como corolário da grande insatisfação nacional, foram organizadas múltiplas manifestações populares em todo o Brasil protestando contra o descaso histórico do governo brasileiro, do parlamento, das instituições públicas e de outros setores oficiais em relação a questões vitais para a sociedade brasileira, como a educação e a saúde pública, a economia, gastos públicos indevidos, corrupção e o respeito às minorias. A presidente considerou as manifestações legítimas e respondeu à sociedade com um pronunciamento público e a proposta de um pacto nacional para a melhoria dos serviços públicos, que incluía um plebiscito Uma pesquisa realizada pelo Instituto MDA em parceria com a Confederação Nacional dos Transportes indicou em novembro de 2013 que 81,7% da população brasileira apoiava os protestos, mas 93,4% não concordava com a violência como forma de protesto. Com a expectativa de novos protestos e o temor de vandalismos, o ministro do esporte, Aldo Rebelo, afirmou que o governo não iria tolerar manifestações que atrapalhassem ou tentassem impedir os jogos da Copa das Confederações daquele ano.

Opinião pública

A aprovação ao governo de Dilma foi a que passou por oscilações mais nítidas entre os presidentes da Nova República. Durante os dois primeiros anos do seu primeiro mandato, obteve índices recorde de ótimo/bom. Neste período, estes nunca foram inferiores a 48% e sua avaliação pessoal atingiu a casa dos 70% diversas vezes. Estes índices deram-lhe um início de mandato com melhor aprovação do que comparado ao mesmo período dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. Porém, a partir das Jornadas de Junho de 2013, a sua popularidade sofreu uma queda significativa, indo de 55% para 31% de ótimo ou bom. Esta foi uma das maiores quedas de popularidade registradas na avaliação do governo federal desde Fernando Collor. No primeiro mandato, os melhores índices de ótimo ou bom do governo Dilma, tanto do Ibope quanto do Datafolha, ocorreram em março de 2013 com 63% e 65% respectivamente.

06

Pós-presidência (2016–presente)

Após deixar a presidência, Dilma mudou-se para Porto Alegre e passou a residir em um apartamento de classe média localizado no bairro Tristeza, na zona sul da cidade, observando uma vida simples e reservada. Manteve alguns benefícios dados a ex-presidentes da República, como o direito a ter oito assessores (incluindo para segurança pessoal) e dois carros oficiais. Ela perdeu o direito ao salário integral, de mais de R$ 30 mil, mas se aposentou pelo Regime Geral de Previdência Social logo depois de sua cassação ser aprovada, passando a receber cerca de R$ 5 mil mensais. Em dezembro de 2016, assumiu a presidência do conselho consultivo da Fundação Perseu Abramo, um trabalho remunerado; Rui Falcão chegou a convidá-la para presidir a fundação, mas o convite sofreu resistências dentro do PT.

Ativismo

Dilma manteve a retórica de que foi vítima de um golpe de Estado, realizando palestras em várias universidades e eventos, incluindo no exterior, e proferindo críticas a Temer. Em abril de 2017, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que planejava escrever um romance policial; ela também planejava escrever um livro sobre seu governo e os bastidores do impeachment. Como o Senado manteve seus direitos políticos, a ex-presidente não descartou uma candidatura à Câmara dos Deputados ou ao Senado pelo Rio Grande do Sul em 2018. Em março de 2017 Dilma e Lula questionaram a participação de Michel Temer na inauguração de trechos do eixo Leste da transposição do rio São Francisco, entrando em disputa com o então presidente pela paternidade do projeto. Ambos promoveram uma inauguração paralela no dia 19 do mesmo mês. Em 25 de agosto de 2017, Dilma passou a integrar a caravana de Lula no Nordeste brasileiro, tornando-se o principal cabo eleitoral de seu antecessor, que foi pré-candidato à presidência da República em 2018. A caravana foi marcada pela presença de apoiadores ilustres do Partido dos Trabalhadores e por críticas veementes de Lula e Dilma ao Poder Judiciário e ao governo Michel Temer, que "não tem o menor compromisso com o povo brasileiro", segundo Dilma. Foi uma das fundadoras do Grupo de Puebla, entidade apontada como a sucessora do Foro de São Paulo, criada no México em 12 de julho de 2019.

Acusação de obstrução da justiça

Em setembro de 2017, Dilma foi denunciada pelo Procurador-Geral da República (PGR) Rodrigo Janot por organização criminosa. No dia seguinte, foi denunciada pelo PGR por obstrução de justiça no episódio da nomeação de Lula como ministro da Casa Civil. Janot acusou Dilma de ter sido "amplamente beneficiada" com recursos provenientes de propinas, cujo valor total chegaria a R$ 170,4 milhões, e integrar a organização criminosa investigada pela Operação Lava Jato desde sua posse como ministra de Minas e Energia, em 2003, após a qual teria atuado decisivamente para a articulação de propinas. Janot requereu o bloqueio de R$ 6,5 bilhões de vários integrantes dos governos petistas, incluindo Lula e Dilma, além de fixar uma multa no valor mínimo de R$ 300 milhões. A assessoria de Dilma afirmou ao jornal O Estado de São Paulo que a denúncia carecia de fundamentos. A denúncia relativa à suposta organização criminosa foi aceita pela Justiça Federal de Brasília em novembro de 2018.

Candidatura ao Senado Federal

O plano do PT para Dilma era elegê-la para o Senado Federal; o partido chegou a cogitar uma candidatura da ex-presidente pelos estados do Ceará e Piauí, onde o cenário seria mais favorável, mas Dilma mantinha preferência pelo Rio Grande do Sul ou Minas Gerais, seu estado natal. Em outubro de 2017, Lula afirmou que sua sucessora seria candidata ao Senado, embora sem especificar por qual estado. Em 6 de abril de 2018, Dilma transferiu seu domicílio eleitoral de Porto Alegre para Belo Horizonte, alegando que a mudança devia-se ao desejo de cuidar de sua mãe, moradora da capital mineira, não confirmado os rumores de que seria candidata ao Senado pelo estado de Minas Gerais. Na época, pesquisas indicaram que ela teria mais chances de ser eleita senadora por Minas do que pelo Rio Grande do Sul. De acordo com a Folha de S.Paulo, a ex-presidente tomou esta decisão após a expedição de um mandado de prisão contra Lula, que a teria convencido a entrar na disputa eleitoral.

Banco do BRICS

Em 10 de março de 2023, o Novo Banco de Desenvolvimento, também chamado de Banco do BRICS, anunciou que seu presidente indicado pelo Brasil, Marcos Troyjo, deixaria o cargo no dia 24 do mesmo mês, tendo o banco iniciado o processo de transição. O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a indicação de Dilma para assumir o cargo, com mandato até 6 de julho de 2025 e salário estimado em US$ 50 mil (aproximadamente R$ 257 mil) mensais. Em 24 de março de 2023 o banco aprovou por unanimidade a indicação. Em agosto de 2023, Dilma decidiu que provavelmente aceitaria e aprovaria a admissão de quatro ou cinco novos membros e que naquele momento via a diversificação da representação geográfica do NBD como uma das suas principais prioridades.

07

Vida pessoal

O primeiro marido de Rousseff foi o jornalista mineiro Cláudio Galeno de Magalhães Linhares. Com a separação durante o período em que estiveram na clandestinidade, iniciou um relacionamento com o ex-guerrilheiro e ex-deputado gaúcho Carlos Franklin Paixão de Araújo, com quem teve sua única filha, Paula, nascida em 27 de março de 1976. Preso em São Paulo, Araújo foi transferido para seu estado natal para completar a pena. Dilma deu aulas a presidiários para ver Araújo. Carlos Araújo e Dilma se separaram em 1994, mas em 1996 se reconciliaram e voltaram a viver juntos. Porém, depois de mais trinta anos de relacionamento, separam-se definitivamente em 2000. Dilma havia passado a usar o sobrenome Linhares após seu casamento com Cláudio Galeno, em 1967. A separação se deu quando estavam na clandestinidade e o divórcio amigável ocorreu apenas em 1981. Dilma, contudo, continuou usando o sobrenome do primeiro marido até 1999, quando voltou a usar seu nome de solteira, Dilma Vana Rousseff.

Paula Rousseff

Nascida em 27 de março de 1976, em Porto Alegre, Paula Rousseff é a única filha de Dilma e de seu ex-marido, Carlos Araújo. Paula graduou-se em direito e é funcionária pública federal concursada ocupando o cargo de Procuradora do Trabalho em sua cidade natal. Ela é casada, desde 2008, com o administrador de empresas Rafael Covolo. Em 9 de setembro de 2010, Paula deu à luz o primeiro neto de Dilma, Gabriel Rousseff Covolo, nascido em Porto Alegre, enquanto a avó já estava em campanha presidencial. No primeiro turno, após o último debate entre os quatro principais candidatos, em 30 de setembro, na cidade do Rio de Janeiro, Dilma viajou para Porto Alegre para o batismo de Gabriel em 1 de outubro de 2010. Em 7 de janeiro de 2016, nasceu seu segundo neto, Guilherme Rousseff Covolo, também em Porto Alegre.

Religião

Em entrevista de 2007, Dilma Rousseff afirmou que não tinha religião; porém, durante a campanha presidencial de 2010, mudou de discurso e, desde então, afirma ser católica. Durante a campanha presidencial, Dilma aproximou-se de líderes católicos e evangélicos e enfatizou seu compromisso contra o aborto, o que significou uma mudança de posição, pois, em entrevista de 2007, Dilma havia declarado ser à favor da descriminalização do aborto, alegando ser "(...) uma questão de saúde pública". Em 2014, em evento na igreja pentecostal Assembleia de Deus, Dilma afirmou: "O Brasil é um Estado laico, mas, citando um salmo de Davi, eu queria dizer que feliz é a nação cujo Deus é o Senhor".

Saúde

Em abril de 2009, Dilma revelou que estava se submetendo a um tratamento contra um linfoma, câncer no sistema linfático, que havia descoberto a partir de um nódulo na axila esquerda, em um exame de rotina, em fase inicial. O tratamento incluía sessões de quimioterapia. Tratava-se do tipo mais agressivo, mas as chances de cura eram de 90%. Em meados de maio, foi internada no Hospital Sírio-Libanês com fortes dores nas pernas, sendo diagnosticada uma miopatia, inflamação muscular decorrente do tratamento contra o câncer. No início de setembro do mesmo ano, revelou ter concluído tratamento de radioterapia, dizendo-se curada, o que foi confirmado pelos médicos daquele hospital no final do mesmo mês. Raspou o cabelo antes que ele começasse a cair, devido às sessões de quimioterapia, o que a fez usar peruca durante sete meses, até dezembro de 2009.

08

Posições políticas

Dilma se considera pró-vida, e apoia o aborto apenas em gestações que põem em risco a vida da mãe ou são o resultado de estupro, casos em que a legislação brasileira atual permite às mulheres interromper a gravidez. Seus atuais pontos de vista têm sido criticados por setores da Igreja Católica e de outros grupos evangélicos, devido ao seu passado em que apoiava a legalização do aborto. Foi alvo de críticas por parte da revista Veja, que destacou numa de suas reportagens a mudança das posições de Dilma em relação ao aborto. Quando perguntada sobre o processo penal do goleiro do Flamengo Bruno Fernandes de Souza, acusado de assassinar sua ex-namorada Eliza Samudio, Rousseff declarou que era contra a pena de morte. De acordo com ela, se a pena de morte fosse realmente útil, não haveria mais crimes hediondos nos Estados Unidos, onde alguns estados a aplicam. De maneira geral, Dilma se mostrou favorável aos "direitos civis básicos" (como heranças e seguro-saúde) da população LGBT. Ela apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo através da união civil, porém não se posiciona com relação ao casamento no sentido religioso. Em maio de 2011, ela suspendeu a produção e a entrega de um "kit anti-homofobia" que estava sendo elaborado pelo Ministério da Educação para ser distribuído como material didático. Para justificar o ato, ela disse que o governo não poderia interferir na vida privada dos cidadãos e afirmou que não seria permitida a "propaganda de opções sexuais" por parte de órgãos do governo. Em um debate eleitoral em 2014, ela chegou a defender a criminalização da homofobia dizendo que ela "não é algo com que a gente pode conviver".

09

Imagem pública

Prêmios e honrarias

Em 2012, em viagem presidencial oficial à Índia, Dilma foi agraciada com o título de doutora honoris causa da Universidade de Deli. No ano de 2023, a Universidade Federal do Cariri (UFCA), a Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob), a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) também a agraciaram com o mesmo título.

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Fontes consultadas

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