Egitânia
Egitânia foi uma cidade fundada pelos romanos no território atual de Portugal e que corresponde à atual Idanha-a-Velha, Cidade dos Igeditanos.
Domínio romano
A cidade de Egitânia foi fundada pelos romanos no final do século I a.C., durante a última vinda de Júlio César à Lusitânia. Era uma cidade rica e próspera, com muitos templos, como exemplificado pelo pódio de um templo. De acordo com o Prof. José Hermano Saraiva, a cidade era servida por uma estrada romana; e também por uma estrada fluvial (rio Ponsul). A cidade também teria sido um centro de mineração, dada a elevada presença de minas naturais na região. No conselho de Idanha-a-Nova, ainda hoje, estão registadas 22 minas, sendo 11 de estanho (indispensável para a produção do bronze), 6 de chumbo – também um minério bastante importante para a construção civil, sendo quatro minas de zinco e chumbo. Na região, havia maneira de fundir os minérios e exportá-los, pois o rio Ponsul desagua no rio Tejo; e este levava em jangadas o minério para as grandes cidades. O rio Ponsul pode ter-se tornado inavegável, uma vez que o aproveitamento agrícola dos solos veio a diminuir muito o curso dos rios, além de que o grau da precipitação diminuiu imensamente, contribuindo para o assoreamento do rio – explica-se aí um dos motivos do declínio da cidade. O outro cita as invasões dos bárbaros, que extinguiram a produção mineira, tirando a grande fonte de renda da cidade.
Domínio visigótico
Os visigodos ainda tentaram fazer de Egitânia uma sede de uma diocese. A sede de diocese ainda hoje existe, mas localiza-se na atual cidade da Guarda. Por isso, o bispo da Guarda continua a intitular-se como bispo da Egitânia. Construíram uma catedral no século VI, por volta do ano 585, que foi a sede da diocese da Egitânia. Deste período, é notável a quantidade de moedas de ouro (trientes) cunhadas na Egitânia.
Domínio muçulmano
No ano de 713, os mouros tomaram a cidade e destruíram-na, acabando com o culto cristão em Egitânia. O que resta da cidade ocupa uma grande área. Escavações metódicas foram iniciadas em 1955 pelos arqueólogos portugueses Fernando de Almeida e Veiga Ferreira, que escavaram, fora das muralhas, parte de um edifício que dizem poder ser um balneário romano. Do período romano, foram também achados a ponte romana sobre o rio Ponsul, com cinco arcos, cujos pilares, alguns, afundaram-se; e a Abóbada do arco rachou; troços de calçadas romanas e as portas romanas. Os achados arqueológicos encontrados durante os trabalhos estão guardados no Museu Lapidar Igeditano António Marrocos e no Museu de São Dâmaso.


