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Elza Soares

Elza Soares, nome artístico de Elza Gomes da Conceição OMC ORB, foi uma cantora, compositora e intérprete de samba-enredo brasileira, que flertou com vários gêneros musicais como samba, jazz, soul, rock, hip hop e música eletrônica.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/07/2026
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Infância

Nasceu em uma família muito humilde, composta por dez irmãos, na favela da Moça Bonita, atualmente Vila Vintém, no bairro de Padre Miguel, e ainda pequena mudou-se para um cortiço no bairro da Água Santa, onde foi criada. Em sua infância, vivia a brincar na rua, soltar pipa, piões de madeira, até brigar com os meninos. Era uma vida pobre, porém feliz para uma criança, apesar de ter que ajudar a mãe nos serviços domésticos, levando latas d'água na cabeça.

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Carreira

Primeiros trabalhos

Cultivando o sonho de cantar desde a infância, já compunha desde essa época suas primeiras canções. Aos 21 anos, havia acabado de ficar viúva, e estava com quatro filhos para criar. Nesta época, estava trabalhando como faxineira para sustentá-los, e ainda precisava comprar remédios para o seu filho de dois anos, que estava com pneumonia. Temendo a morte de mais um filho, sozinha e sem expectativa de uma vida melhor, vislumbrando seu sonho artístico cada vez mais longe e inacessível, resolveu lutar por seu filho e não desistir. Elza, confiante em seu talento para cantar, devido aos elogios que recebia de parentes e amigos, se inscreveu no concurso musical do programa radiofônico Calouros em Desfile, em meados de 1953, que era apresentado pelo compositor Ary Barroso. Para a apresentação, usou um vestido da mãe, aproximadamente vinte quilos mais gorda, ajustado com vários alfinetes de fralda, fazendo um penteado de maria-chiquinha no cabelo.

Primeiros contratos e gravações

Em 1960 conseguiu realizar seu sonho de trabalhar somente com a música, quando surgiu um concurso na rádio, tendo que cantar as músicas escolhidas por eles e, como foi a vencedora, ganhou uma oportunidade de trabalho, assinando um contrato e cantando semanalmente. Com o tempo, acabou sendo convidada para aparecer na TV, e nesse mesmo ano fez sua primeira turnê internacional, e percorreu os países da América do Sul, América do Norte e Europa. Sua primeira turnê internacional foi na Argentina, para onde ela foi em setembro de 1958. Contudo, ela recebeu um calote do empresário que a contratou e ficou sem dinheiro para voltar, tendo de se apresentar por conta própria em boates até levantar fundos suficientes para viajar ao Rio, um processo que levou um ano. Nesse meio tempo, seu pai morreu sem que ela pudesse estar perto dele. Por meio de Aldacir Louro, conseguiu sua primeira oportunidade de gravar um disco, pela RCA Victor. Contudo, foi novamente barrada pelo racismo quando os executivos da gravadora se decepcionaram ao descobrirem que ela era negra. Aldacir não desistiu e, com a ajuda de Moreira da Silva, gravou um compacto com "Brotinho de Copacabana" e "Pra Que É Que Pobre Quer Dinheiro?" pelo selo independente Rony, que não fez muito sucesso.

Século XXI

Em 2000, foi premiada como "Melhor Cantora do Milênio" pela BBC em Londres, quando se apresentou num concerto com Gal Costa, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Virgínia Rodrigues. No mesmo ano, estreou uma série de shows de vanguarda, dirigidos por José Miguel Wisnik, no Rio de Janeiro. Em Londres, apresentou-se no Royal Albert Hall, mesmo tendo sofrido uma forte queda alguns dias antes, o que lhe rendeu uma semana no hospital e a atenção de enfermeiras em sua casa para se recuperar. Em 2002, o álbum Do Cóccix até o Pescoço garantiu-lhe uma indicação ao Grammy. O disco foi bem recebido pelos críticos musicais e divulgou uma espécie de quem é quem dos artistas brasileiros que com ela colaboraram: Caetano Veloso, Chico Buarque, Carlinhos Brown e Jorge Ben Jor, entre outros. O lançamento impulsionou numerosas e bem-sucedidas turnês pelo mundo. Em 2003, Elza lançou o álbum Vivo Feliz. Não tão bem-sucedido em vendas quanto suas obras anteriores, o álbum continuou a executar o tema de fazer um mix de samba e bossa com música eletrônica e efeitos modernos. O álbum teve colaborações de artistas, como Fred Zero Quatro e Zé Keti. Nos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro, Elza interpretou o Hino Nacional Brasileiro, no início da cerimônia de abertura do evento, no Maracanã e lançou o álbum Beba-Me, no qual gravou as músicas que marcaram sua carreira.

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Vida pessoal

Casamento com Alaordes e primeiros filhos

Aos doze anos de idade (outra fonte informa que foi aos treze) foi obrigada pelo pai a abandonar os estudos e casar-se com Lourdes Antônio Soares, um amigo de seu pai, conhecido como Alaordes, que havia tentado abusar de Elza — seu pai acreditava que a honra de sua filha só estaria limpa com o casamento. Elza sofreu muito neste matrimônio arranjado, por conta da violência doméstica e sexual a qual era constantemente submetida. Aos treze anos de idade (outra fonte informa que foi aos catorze) deu à luz seu primeiro filho. Aos quinze anos de idade, Elza passa por outro grande trauma: seu segundo filho morre de fome. Com o marido doente, acometido por tuberculose, passou a trabalhar como encaixotadora e conferente na fábrica de sabão Véritas, no Engenho de Dentro. Elza também trabalhou em um manicômio, o Instituto Municipal Nise da Silveira (atual Museu de Imagens do Inconsciente), onde não só conseguia um salário, como também um pouco de comida, que ela furtava antes do local ser fechado e os funcionários voltarem para casa. Com a recuperação do marido, um ano depois, ele a proibiu de trabalhar fora novamente, e Elza voltou a ser dona de casa.

Casamento com Garrincha e o filho Garrinchinha

Elza conheceu Garrincha em 1962, e iniciaram um romance enquanto ele era casado. Após um ano juntos, ela pediu para que ele tomasse uma decisão: ou a assumiria ou ela o abandonaria. Meses depois, ele veio procurá-la, afirmando ter saído de casa e estar desquitado da esposa. Começaram a namorar, mas sem revelar nada à imprensa, sabendo da repercussão negativa que o evento teria. Quatro anos depois do namoro, em 1966, decidiram morar juntos. A união de ambos foi motivo de revolta para os fãs e a imprensa, que acusaram Elza de ter acabado com o casamento do futebolista. Para fugirem do assédio da imprensa, venderam a casa no Rio, e Elza mudou-se com os filhos e o marido para São Paulo. A perseguição chegou a tal ponto que Elza foi impedida pela multidão de realizar um show na Mangueira: a cantora teve que sair disfarçada para escapar do público. Ainda no Rio, Elza e Garrincha foram passar alguns dias no sítio de Adalberto, então goleiro do Botafogo. Uma noite, ao ouvir tiros, Elza correu pela casa e levou um tombo, após o qual descobriu que havia perdido um bebê que ela nem sabia que estava esperando.

Filhos

Elza teve oito filhos, todos nascidos de parto normal, no Rio de Janeiro. Seus dois primeiros filhos, ambos meninos, que não tinham nome, pois não foram registrados, morreram ainda bebês, com poucas semanas de vida, devido à desnutrição. Posteriormente teve João Carlos, Gerson (que ela teve de entregar para a adoção por falta de condições para criá-lo), Gilson (morto em 2015, aos 59 anos), Dilma (sequestrada com um ano de idade em 1950, e reencontrada somente em 1980), Sara e Manoel Francisco, apelidado de "Garrinchinha". No dia 11 de janeiro de 1986, passou por outra grande perda: seu filho, Garrinchinha, morreu aos nove anos de idade, em um acidente de carro. Ele e alguns amigos voltavam de Magé para o Rio após terem visitado a família de Garrincha, que gostava de manter contato com o menino, mas o carro derrapou na estrada e caiu de uma ponte em um rio. Garrinchinha foi arremessado para fora e levado pelas águas. Seu corpo só seria encontrado na manhã seguinte.

Saúde

Após uma queda durante um show promovido pelo Sindicato dos Jornalistas no Rio de Janeiro em setembro de 1999, passou a se locomover com muita dificuldade. Operou a coluna vertebral por conta deste acidente (numa cirurgia que poderia ter afetado suas cordas vocais) e, em 2014, fez mais uma cirurgia, desta vez na região lombar. Em 2007, teve uma diverticulite aguda e foi operada às pressas. Alguns dias depois, já em casa, seus pontos abriram e ela viu as próprias entranhas saindo do corpo. Voltou para a mesa de cirurgia e enfrentou 12 horas de operação. Depois, passou por uma colostomia. Em dezembro de 2008, após um show em Tallinn, na Estônia, Elza sofreu um acidente de carro e perdeu alguns dentes. Sua produção providenciou um tratamento dentário de emergência em Helsinque, na Finlândia, onde ela se apresentou 48 horas após o acidente.

Morte

Em 20 de janeiro de 2022, a assessoria de Elza Soares informou que a cantora havia falecido de causas naturais, em sua casa, aos 91 anos de idade. O empresário da cantora comentou que o dia aparentava ser como qualquer outro. Que a cantora acordou e fez mais uma sessão de fisioterapia, apenas apresentando um cansaço maior. Pediu para descansar e aparentava estar ofegante. Depois de um tempo, ela confidenciou aos familiares: "Eu acho que vou morrer". Rapidamente acionaram o médico de Elza, que enviou uma ambulância para a residência. Neste meio tempo, segundo o empresário, o semblante da cantora foi mudando, até que ela apagou. "Foi uma morte tranquila, sem traumas, sem motivo. Morreu de causas naturais. Esse, aliás, era um grande medo dela: ter uma morte sofrida, por doença. Hoje, ela simplesmente desligou", contou ele. Por coincidência, seu falecimento ocorreu exatos 39 anos após a morte de seu ex-marido Garrincha. Seu corpo foi velado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em cerimônia aberta ao público. O sepultamento ocorreu no Cemitério Parque Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste do Rio.

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Fontes consultadas

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