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Enver Hoxha

Enver Halil Hoxha foi um revolucionário comunista albanês, estadista e teórico político que liderou a Albânia de 1944 até sua morte, em 1985.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/06/2026
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Biografia

Enver Hoxha (pronuncia-se: ɛnˈvɛɾ ˈhɔdʒa) nasceu em Ergiri, hoje denominada como Gjirokastër, uma cidade no sul da Albânia que abrigou muitas famílias importantes. Era filho do comerciante de roupas Tosk Bektashi, que viajou pela Europa e pelos Estados Unidos. Aos 16 anos de idade ajudou a fundar e se tornou secretário da Sociedade dos Estudantes de Gjirokastër, que protestava contra o governo monarquista. Após a Sociedade ter sido banida pelo governo, deixou sua cidade e se mudou para Korçë, dando continuação a seus estudos em uma escola de francês. Lá, aprendeu sobre história, literatura e filosofia francesas. Nesta cidade, leu pela primeira vez o Manifesto Comunista. Enver tomou estas ideias para si com uma grande intensidade, especialmente depois que o Rei Zog subiu ao poder, em 1928. Em 1930, Hoxha foi estudar na Universidade de Montpellier, na França, por meio de uma bolsa de estudos do Estado, concedida a ele pela rainha-mãe para o curso de ciências naturais. Compareceu às aulas e conferências da Associação de Trabalhadores, organizadas pelo Partido Comunista Francês, mas logo deixou de frequentá-las porque desejava se formar em direito ou em filosofia. Após um ano, sem muito interesse por biologia, deixou Montpellier em direção a Paris, com o objetivo de continuar seus estudos universitários. Cursou filosofia na Sorbonne (no ambiente marxista da capital francesa) e colaborou com L’Humanité, escrevendo artigos sobre a situação na Albânia sob o pseudônimo de “Lulo Malësori”. Também se envolveu com o Grupo Comunista Albanês sob a tutelagem de Llazar Fundo, que também lhe dava aulas de direito. Logo abandonou os estudos novamente e, de 1934 a 1936, foi secretário no consulado albanês em Bruxelas, ligado ao escritório pessoal da rainha-mãe Sadijé. Ele foi demitido após o cônsul ter descoberto que seu funcionário guardava materiais e livros marxistas em seu escritório. Voltou à Albânia e se tornou um professor de gramática em Korçë. Em consequência de sua extensa educação, Hoxha era fluente em francês e tinha conhecimento profundo do italiano, sérvio, inglês e russo. Como líder, muitas vezes citaria o Le Monde e o International Herald Tribune.

Vida como partisan

Em 8 de novembro de 1941, o Partido Comunista da Albânia (renomeado em 1948 como Partido Trabalhista da Albânia) foi fundado. Hoxha foi escolhido como um dos sete membros do Comitê Central provisório. Depois da conferência de setembro de 1942 em Pezë, a Frente de Libertação Nacional foi fundada com o propósito de unir os albaneses antifascistas, independentemente de ideologia ou classe. Em março de 1943, a primeira Conferência Nacional do Partido Comunista elegeu Hoxha formalmente como o primeiro secretário. Durante a guerra, o papel da União Soviética foi insignificante, fazendo da Albânia a única nação ocupada durante a Segunda Guerra Mundial cuja independência não foi determinada por uma grande potência. No dia 10 de julho de 1943, os grupos partisans albaneses foram organizados em unidades regulares de companhias, batalhões e brigadas e nomeados como o Exército Albanês de Libertação Nacional. O Quartel General foi criado com Spiro Moisiu como comandante e Enver Hoxha como comissário político. Os partisans comunistas da Iugoslávia tiveram um papel muito mais prático, ajudando a planejar ataques e trocando suprimentos, mas a comunicação entre eles e os albaneses estava limitada a cartas, que muitas vezes chegariam tarde demais, algumas vezes logo após um plano ter sido aprovado pelo Exercito de Libertação Nacional sem que os partisans Iugoslavos fossem consultados. Em agosto, um encontro secreto foi realizado entre a Balli Kombëtar (Frente Nacional) — que era anticomunista e antifascista — e o Partido Comunista. O resultado deste encontro foi um acordo com o objetivo de as forças na luta contra os italianos. A fim de encorajar a Balli Kombëtar a cooperar, foi aprovado o plano de uma Grande Albânia, que incluía o Kosovo (então parte da Iugoslávia) e Çamëria (parte da Grécia).

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Início da liderança

Os sacrifícios feitos pelo nosso povo foram muito grandes. De uma população de um milhão, 28 000 foram mortos, 12 600 feridos, 10 000 foram feitos prisioneiros políticos na Itália e Alemanha e 35 000 foram levados ao trabalho forçado; todas as comunicações, todos os portos, minas e instalações de energia elétrica foram destruídas, nossa agricultura e nossa pecuária foram saqueadas e toda nossa economia estava arruinada. Hoxha se declarava um marxista-leninista e tinha forte admiração pelo líder soviético Josef Stalin. Durante o período de 1945–1950, o governo adotou políticas que tinham como objetivo consolidar seu poder. A Lei da Reforma Agrária foi aprovada em agosto de 1945. A lei confiscou terras de beis e latifundiários, distribuindo-a sem compensação aos camponeses. 52% de toda a terra estava nas mãos de latifundiários antes de a lei ser aprovada; o percentual caiu para 16% após a aprovação da lei. A taxa de analfabetismo, que em 1939 era de 90-95% nas áreas rurais caiu para 30% em 1950 e em 1985 era igual à dos Estados Unidos. A Universidade Estatal de Tirana foi estabelecida em 1957 e foi a primeira de sua espécie na Albânia. O costume medieval da gjakmarrja (rixa de sangue) foi banido. A malária, a doença mais comum, foi combatida com sucesso através de avanços na área da saúde e da drenagem dos pântanos. Em 1985, nenhum caso havia sido registrado nos últimos vinte anos, ao passo de que antes a Albânia possuía o maior número de pacientes infectados na Europa. Um caso de sífilis não era registrado há 30 anos. A fim de resolver a divisão entre Ghegs e Tosks, livros foram escritos no dialeto tosk e a maioria dos membros do partido vinha do sul da Albânia, onde o dialeto tosk é falado.

Relações com a Iugoslávia

A essa altura, as relações com a Iugoslávia começaram a mudar. As raízes da mudança começaram no dia 20 de outubro de 1944, na Segunda Sessão de Plenário do Partido Comunista da Albânia. A sessão envolvia os problemas que o novo governo albanês enfrentaria após a independência da Albânia. No entanto, a delegação iugoslava, liderada por Vladimir Stoinić acusou o partido de “sectarismo e oportunismo” e culpou Hoxha por esses erros. Ele também reforçou o ponto de vista de que os partisans iugoslavos abriram caminho para o movimento partisan albanês. Membros anti-iugoslavos do Partido Comunista Albanês começaram a pensar que este era um plano de Tito, que desejava desestabilizar o partido. Koçi Xoxe, Sejfulla Malëshova e outros que apoiavam a Iugoslávia eram vistos com profunda desconfiança. A posição de Tito em relação à Albânia era a de que o país era muito fraco para permanecer independente e estaria melhor como parte da Iugoslávia. Hoxha alegava que Tito fez da sua meta a integração da Albânia à Iugoslávia, primeiramente criando um Tratado de Amizade, Cooperação e Ajuda Mútua em 1946. Com o passar do tempo, a Albânia começou a achar que o tratado estava fortemente inclinado aos interesses iugoslavos, assim como os acordos da Itália com a Albânia governada por Zog, que deixaram a nação dependente da Itália.

Relações com a União Soviética

Após a cisão com a Iugoslávia, Hoxha se aliou à União Soviética, pela qual ele tinha grande admiração. De 1948 a 1960, US$ 200 milhões em auxílio soviético seriam cedidos para expansão técnica e aumento da infraestrutura. A Albânia foi admitida à COMECON no dia 22 de fevereiro de 1949 e permaneceu importante tanto como um instrumento para pressionar a Iugoslávia, quanto como uma força pró-soviética no Mar Adriático. Uma base submarina foi construída na ilha de Sazan, próximo a Vlorë, com o fim de constituir uma defesa contra a possível ameaça representada pela Sexta Frota dos Estados Unidos. As relações continuaram próximas até a morte de Stalin no dia 5 de março de 1953. Sua morte foi recebida com luto nacional na Albânia. Hoxha reuniu toda a população na maior praça da capital, pediu para que eles se ajoelhassem e fez com que eles recitassem um juramento de duas mil palavras de “fidelidade eterna” e “gratidão” ao seu “amado pai” e “grande libertador” a quem o povo devia “tudo”. Sob a liderança de Nikita Khrushchov, o sucessor de Stalin, o auxilio à Albânia foi reduzido e a Albânia foi incentivada a adotar a política de especialização de Khrushchov. No âmbito desta política, a Albânia iria desenvolver seu potencial agrícola com o objetivo de suprir a União Soviética e outros países do Pacto de Varsóvia, enquanto estes países desenvolveriam a produção de recursos específicos, o que iria, na teoria, fortalecer o Pacto de Varsóvia reduzindo a escassez de certos recursos que muitos dos países enfrentavam. Entretanto, isso significava que o desenvolvimento industrial da Albânia, algo que era fortemente defendido por Hoxha, teria de ser reduzido significativamente.

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Liderança posterior

Conforme Hoxha continuava na liderança, ele assumiu uma posição crescentemente teórica. Ele escreveu críticas baseadas tanto em eventos atuais na época, quanto na teoria, sendo mais notável por sua condenação ao maoísmo após 1978. Uma conquista importante durante a liderança de Hoxha foi o avanço dos direitos das mulheres. A Albânia foi um dos países mais, se não o mais patriarcal da Europa. O Código de Lekë, que regulava o status das mulheres, dizia: “Uma mulher é conhecida como uma saca, feita para durar apenas enquanto viver na casa de seu marido.” Mulheres eram proibidas de herdarem qualquer coisa de seus pais e eram discriminadas até mesmo em caso de morte. ...a mulher morta [deve] ser aberta, para que se possa ver se o feto é um menino ou uma menina. Se for um garoto, o assassino deve pagar três carteiras [uma quantidade da moeda local] pelo sangue da mulher e seis carteiras pelo sangue do menino; se for uma menina, além das três carteiras pelo sangue da mulher, três carteiras devem ser pagas também pelo sangue da garota

Relações com a China

No Terceiro Plano Quinquenal da Albânia, a China prometeu um empréstimo de 125 milhões de dólares americanos para que fossem construídas 25 instalações químicas, elétricas e siderúrgicas solicitadas no âmbito do plano. No entanto, o país teve um difícil período de transição, uma vez que os técnicos chineses eram de qualidade inferior aos soviéticos e a distancia entre os dois países, além das más relações que a Albânia tinha com seus vizinhos, complicava ainda mais a situação. Diferentemente da Iugoslávia e da URSS, a China teve a menor influência na economia da Albânia durante a liderança de Hoxha. Os quinze anos anteriores (1946–1961) tiveram pelo menos 50% da economia voltada para o comércio externo. Na época em que a Constituição de 1976 proibiu a dívida externa, auxílio e investimentos, a Albânia basicamente se tornou autossuficiente, apesar da falta de tecnologia moderna. Ideologicamente, Hoxha considerou os pontos de vista iniciais de Mao de acordo com o marxismo-leninismo. Mao condenou o suposto revisionismo de Khrushchov e também foi crítico em relação à Iugoslávia. O auxílio da China era livre de juros e não precisava ser repago até que a Albânia estivesse em condições de fazê-lo. A China nunca interveio a respeito de qual deveria ser a função econômica da Albânia e os técnicos chineses trabalhavam pelos mesmos salários que os trabalhadores albaneses; ao contrário dos técnicos soviéticos, que, algumas vezes ganhavam mas de três vezes o salário de Hoxha. Os jornais albaneses foram reimpressos em jornais chineses e nas rádios. Por fim, a Albânia liderou o movimento para que fosse cedido à China um lugar na Organização das Nações Unidas, uma proeza que alcançou o sucesso em 1971 e, desta forma, tomando o lugar da República da China.

Direitos humanos

Certas cláusulas na constituição de 1976 restringiam efetivamente o exercício das liberdades políticas que o governo interpretava como sendo contrárias à ordem estabelecida. Além disso, o governo negava à população o acesso a qualquer informação que não fosse aquela disseminada pela mídia controlada pelo governo. A Sigurimi (polícia secreta albanesa) rotineiramente violava a privacidade de pessoas, lares e meios de comunicação e efetuava prisões arbitrárias. Internamente, a Sigurimi certificou-se de copiar os métodos repressivos do NKVD, MGB, KGB e da alemã oriental Stasi. Para eliminar a dissidência, o governo aprisionou milhares em campos de trabalhos forçados ou os executou por crimes como traição ou por sabotar a ditadura do proletariado.

Religião

A Albânia, sendo o estado mais predominantemente muçulmano na Europa devido à influência turca, identificava, assim como o Império Otomano, religiões com etnias. No Império Otomano muçulmanos eram vistos como “turcos”, ortodoxos orientais eram vistos como “gregos” e católicos como “latinos.” Hoxha via isto como um sério problema, achando que isto inflamava tanto aos separatistas gregos no Epiro Setentrional e quanto também dividia a nação de um modo geral. A Lei de Reforma Agrária de 1945 confiscou grande parte da propriedade da igreja no país. Os católicos foram a primeira comunidade religiosa a ser alvo, já que o Vaticano foi visto como um agente do Fascismo e do anticomunismo. Em 1946, a Ordem Jesuíta e em 1947 os Franciscanos foram banidos. O Decreto Nº. 743 (Sobre as Religiões) afetou uma igreja nacional e proibiu líderes religiosos de se associarem com potências estrangeiras.

Cultivando o nacionalismo

Enver Hoxha declarou durante a campanha antirreligiosa que “a única religião da Albânia é o albanismo”. Muzafer Korkuti, uma das figuras dominantes na arqueologia albanesa, hoje diretor do Instituto de Arqueologia em Tirana disse em uma entrevista no dia 10 de julho de 2002: A arqueologia é parte da política que o Partido no poder tem e isso era compreendido melhor do que qualquer outra coisa por Enver Hoxha. O folclore e a arqueologia eram respeitados porque eles são os indicadores da nação e um Partido que mostra respeito pela identidade nacional é ouvido pelas outras pessoas, por melhor ou pior que seja. Enver Hoxha fez isso, assim como fez Hitler. Na Alemanha nos anos de 1930 houve um aumento nos estudos e línguas dos Bálcãs e isto também foi parte do nacionalismo.

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Anos finais

Uma nova constituição foi decidida pelo Sétimo Congresso do Partido Trabalhista da Albânia do dia 1 ao dia 7 de novembro de 1976. De acordo com Hoxha, “A antiga Constituição foi a Constituição da construção das fundações do socialismo, enquanto a nova Constituição será a Constituição da construção completa de uma sociedade socialista”. A autoconfiança agora era afirmada mais do que nunca. Os cidadãos foram encorajados a obterem treinamento no uso de armas e esta atividade também era ensinada em escolas. A intenção disto era encorajar a criação de partisans. Empréstimos e investimentos estrangeiros foram banidos de acordo com o Artigo 26 da Constituição, que dizia: “A outorga de concessões e a criação de companhias econômicas e financeiras estrangeiras, bem como outras instituições ou tais formadas em conjunto com monopólios e estados burgueses e capitalistas e estados revisionistas, tal como a obtenção de créditos deles está proibida na República Popular Socialista da Albânia”.

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Família

O sobrenome “Hoxha” é a variante albanesa da palavra turca Hoca ou Hodja, um título dado aos seus ancestrais devido aos seus esforços em converter a população albanesa ao islã. Hysen Hoxha ([hyˈsɛn ˈhɔdʒa]) que era tio de Enver Hoxha, foi um militante que fez uma forte campanha pela independência albanesa, que aconteceu quando Enver tinha quatro anos de idade. O filho de Enver Hoxha, Sokol Hoxha, era o CEO do Serviço de Correios e Telecomunicações da Albânia e é casado com Liliana Hoxha.

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