Esparta
Esparta, também conhecida como Lacedemônia, foi uma das mais importantes cidades-Estado da Grécia Antiga. Localizada às margens do rio Eurotas, na região da Lacônia, no sudeste do Peloponeso, sua ascensão como entidade política ocorreu por volta do século X a.C., após a conquista pelos dórios. Em meados do século VII a.C., Esparta já se consolidava como a principal força militar terrestre da Grécia Antiga, moldando sua sociedade e instituições em torno de um ideal bélico.
Pontos-chave
- Esparta foi uma proeminente pólis grega, dominante militarmente a partir de 650 a.C.
- Sua sociedade era rigidamente estratificada em Esparciatas, Periecos e Hilotas.
- A educação espartana (agogê) era estatal, obrigatória e focada na formação de guerreiros.
- O sistema político era complexo, com Diarquia, Apela, Gerúsia e o poderoso Eforato.
- A religião era central, com muitos templos e cultos, incluindo aos heróis da Guerra de Troia.
A história de Esparta remonta à era micênica, com centros urbanos como Amiclas e Terapne. Após um declínio populacional, a chegada dos dórios no século X a.C. marcou o início de sua formação. A união de aldeias e a inclusão de Amiclas no século seguinte solidificaram a cidade. A conquista da Lacônia e a vitória na Segunda Guerra Messênia estabeleceram Esparta como potência local e, posteriormente, como força militar inigualável na Grécia, optando pela expansão territorial em vez da colonização para lidar com o crescimento populacional.
Mitos Fundadores
A tradição espartana atribui a origem da região a Lélex, cujo neto Eurotas deu nome ao rio após drenar os pântanos. Lacedemão, neto de Eurotas e casado com Esparta, teria dado seu nome à região e fundado a cidade. Mais tarde, Héracles teria intervindo para restaurar o rei Tíndaro. A diarquia espartana, com dois reis, iniciou-se com os irmãos gêmeos Eurístenes e Procles durante as invasões dóricas.
A sociedade espartana era rigidamente dividida em três classes sociais distintas, sem qualquer mobilidade: os Esparciatas (cidadãos plenos), os Periecos (habitantes livres das periferias) e os Hilotas (servos do Estado).
Demografia e Comparação
No auge, por volta de 500 a.C., Esparta contava com 20.000 a 35.000 cidadãos, além de Periecos e Hilotas, totalizando talvez 40.000 a 50.000 habitantes, tornando-a uma das maiores cidades-estado gregas. Em comparação, Atenas, em 431 a.C., possuía uma população estimada entre 360.000 e 610.000 pessoas, incluindo cidadãos, metecos (residentes estrangeiros) e escravos.
Esparciatas: Os Cidadãos Plenos
Os Esparciatas eram filhos de pai e mãe espartanos, detendo todos os direitos políticos e formando o corpo de cidadãos (homoioi). Dedicavam suas vidas ao Estado, servindo no exército ou em assuntos públicos. Para pertencer a este grupo, era essencial receber a educação espartana e participar das sissitias (refeições em comum). Possuíam terras públicas (klêroi), inalienáveis e indivisíveis, transmitidas por herança. O comércio era proibido aos Esparciatas.
Periecos: Habitantes Livres da Periferia
Os Periecos habitavam as cidades periféricas e, embora integrados ao Estado espartano e pagando impostos, não possuíam direitos políticos e dependiam de Esparta em política externa. Eram obrigados a lutar nas guerras, ao lado dos Esparciatas, mas em contingentes separados. Diferente dos Esparciatas, podiam se dedicar ao comércio e à artesanato.
Hilotas: Os Servos do Estado
Os Hilotas eram servos pertencentes ao Estado espartano, obrigados a trabalhar nas terras (kleros) e entregar metade da colheita ao Esparciata proprietário. Viviam sob exploração intensa, sujeitos a humilhações constantes e protagonistas de diversas revoltas. Para controlá-los, os espartanos realizavam a 'cripteia', expedições anuais de extermínio para eliminar os hilotas considerados perigosos, numa prática que visava manter o terror.
O sistema político espartano era caracterizado pela Diarquia, pela Assembleia (Apela), pelo conselho de anciãos (Gerúsia) e pelo poderoso colegiado dos Éforos.
A Diarquia: Dois Reis
Esparta possuía dois reis, descendentes das famílias reais Ágidas e Euripôntidas, que se diziam herdeiros de Héracles. Suas funções principais eram de caráter militar e religioso. Um dos reis comandava o exército em tempos de guerra. Eram membros da Gerúsia e gozavam de privilégios como guarda pessoal, refeição dupla e parte superior nos despojos de guerra.
A Apela: A Assembleia
Composta por todos os Esparciatas com mais de 30 anos, a Apela reunia-se mensalmente ao ar livre. Elegia membros da Gerúsia, aprovava ou rejeitava leis propostas, decidia sobre política externa e elegia magistrados. Na prática, sua influência era limitada, pois não podia discutir as propostas, apenas aprová-las ou rejeitá-las integralmente.
A Gerúsia: Conselho de Anciãos
A Gerúsia preparava as propostas para a Apela e funcionava como tribunal supremo. Era composta por 28 gerontes (Esparciatas com mais de 60 anos, eleitos vitaliciamente) e os dois reis. Tinham funções administrativas, legislativas e judiciárias. A eleição dos gerontes era feita por aclamação na Assembleia, avaliada por um júri.
O Eforato: Os Verdadeiros Chefes
O Conselho dos Éforos, com cinco membros eleitos anualmente, detinha amplos poderes e eram os verdadeiros chefes do governo. Presidiam a assembleia e a Gerúsia, ordenavam a mobilização militar, controlavam a administração, a economia, a sociedade e a educação. Podiam vetar leis e fiscalizar os reis. Possuíam também poderes judiciais, podendo banir estrangeiros e condenar Periecos à morte. O mandato curto impedia abusos de poder, e a ausência de requisitos de censo ou nascimento tornava o eforato um elemento de igualitarismo.
A educação espartana, conhecida como agogê, era uma responsabilidade estatal focada na formação de guerreiros e na manutenção da segurança da cidade, com forte ênfase na preparação física e no patriotismo.
Da Infância à Vida Adulta
Ao nascer, crianças espartanas eram examinadas por um conselho de anciãos, com a suposta eliminação de bebês com deficiências. A prática eugênica visava a reprodução de crianças robustas. Os meninos eram enviados ao exército aos sete anos, onde recebiam treinamento militar e desportivo. Aos 18, tornavam-se cidadãos de segunda classe até os 30, com restrições e a possibilidade de agredir hilotas. Havia uma 'caça aos hilotas' para treinamento militar. As meninas também realizavam exercícios físicos, com foco em corrida e luta livre, e podiam aprender leitura, escrita e aritmética, além de participar de atividades musicais e de dança. Eram vistas como guardiãs da moralidade e da masculinidade guerreira espartana.
Treinamento Militar e Físico
A agogê priorizava o treinamento físico, incluindo salto, corrida, natação e lançamento de disco e dardo. As meninas se dedicavam ao arco e flecha, enquanto os meninos se especializavam em combate corporal, táticas defensivas e ofensivas. O objetivo era formar soldados disciplinados e patriotas, prontos para defender a pólis.
Mulheres
Não existem amplas evidências de que a educação feminina era feita da mesma maneira que a masculina em Esparta, sequer se havia educação para todas as mulheres cidadãs, podendo isso ser mais reservado às filhas de pessoas da elite. O exercício físico era considerado estético para o corpo feminino. Os exercícios mais destacados para as mulheres eram a corrida e a luta livre. Mulheres podiam receber educação em leitura, escrita e aritmética, mas não se sabe em que grau e de que maneira. Garotas espartanas também participavam de experiências compostas pela música, pela dança e pelo canto. Mulheres eram entendidas como guardiãs da moralidade e condutoras de uma masculinidade guerreira espartana, ridicularizando homens que se afastassem desse modelo. As mulheres estavam associadas ao espaço doméstico, que eram encarregadas de cuidar.
A religião desempenhava um papel central em Esparta, evidenciado pelo grande número de templos e santuários. As divindades femininas, como Atena, e o culto aos heróis da Guerra de Troia eram particularmente importantes.
Divindades e Heróis Cultuados
De cinquenta templos mencionados, trinta e quatro eram dedicados a deusas, com Atena sendo a mais adorada. Apolo, apesar de ter poucos templos, era crucial em todas as festas espartanas. O culto aos heróis da Guerra de Troia, como Aquiles (adorado como deus), Agamemnon, Cassandra, Clitemnestra, Menelau e Helena, era uma característica distintiva.
Sacrifícios e Sinais Divinos
Os sacerdotes, incluindo os dois reis, realizavam sacrifícios públicos, especialmente em tempos de guerra. Sacrifícios eram feitos a Zeus antes de expedições, a Zeus e Atena ao cruzar fronteiras, e a Ares Enyalios antes de batalhas. Os espartanos respeitavam profundamente os sinais divinos, chegando a abandonar o campo de batalha diante de augúrios desfavoráveis, como um eclipse.
Esta seção lista figuras proeminentes de Esparta durante o período clássico, incluindo reis, generais, legisladores e outros líderes.


