Medula espinhal
A medula espinal, ou medula espinhal é a porção alongada do sistema nervoso central, é a continuação do bulbo, que se aloja no interior da coluna vertebral em seu canal vertebral, ao longo do seu eixo craniocaudal. Ela se inicia na junção do crânio com a primeira vértebra cervical e termina na altura entre a primeira e segunda vértebra lombar no adulto, atingindo entre 44 e 46 cm de comprimento, possuindo duas intumescências, uma cervical e outra lombar. Na anatomia dos seres humanos, em pessoas do grupo humano de origem caucasoide a medula espinhal termina entre a primeira e segunda vértebra lombar, enquanto que em pessoas de origem negroide ela termina um pouco mais abaixo, entre a segunda e a terceira vértebra lombar.
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A medula espinhal atinge o seu tamanho adulto antes de o canal vertebral o atingir, deste modo até ao terceiro mês de vida fetal (embriologia do sistema nervoso), ambos apresentam aproximadamente a mesma taxa de crescimento, apresentando-se a medula a preencher todo o canal vertebral. Após este período, o corpo e consequentemente a coluna vertebral, crescem a um ritmo bem mais acelerado que a medula de modo a que na altura do nascimento a medula se encontra ao nível de L3. O crescimento diferencial continua após o nascimento, embora com um intervalo menor de forma a que na idade adulta a medula espinhal ocupa no canal vertebral a posição ao nível de L1/ L2. Por outro lado, os nervos raquidianos continuam a abandonar os espaços intervertebrais inicialmente correspondentes, o que implica um crescimento destes nervos e verificando também que os gânglios dorsais raquidianos continuam ao nível dos respetivos buracos intervertebrais. De cervical para sacral, as raízes dorsais e ventrais tornam-se progressivamente maiores uma vez que se encontram cada vez mais afastados do seu local de saída do canal vertebral.
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A medula espinal é vascularizada por três artérias principais: a artéria espinal anterior e o par de artérias espinais posteriores. Estas artérias recebem conexões das artérias medulares segmentares anteriores e posteriores. Dependendo do nível medular, esses ramos podem-se originar das artérias vertebrais, cervicais ascendentes ou profundas, intercostais posteriores, lombares ou sacrais laterais. A medula espinhal é, essencialmente, irrigada por ramos de três artérias: a artéria subclávia (segmentos C1 a D2), a artéria aorta (segmentos D3 a L1) e a artéria ilíaca interna (segmentos L1 a S5). Essencialmente, a vascularização é assegurada por dois sistemas: um vertical e um horizontal. O sistema vertical é formado pelas artérias espinhais, que são ramos da artéria vertebral: O sistema horizontal é formado pelas artérias radiculares, ramos, essencialmente, das artérias vertebrais, cervical ascendente, intercostais e lombares. As artérias radiculares dividem-se num ramo anterior e num posterior, acompanhando, respectivamente, as raízes anteriores e posteriores dos nervos raquidianos. Contudo, só algumas destas artérias é que vão contribuir, de facto, para a vascularização da medula, as artérias raquimedulares. Por segmento, a distribuição das artérias raquimedulares anteriores é a seguinte:
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Tal como no restante Sistema Nervoso Central, a medula espinhal vai apresentar três meninges: a dura-máter (mais exterior), a aracnoide e a pia-máter (mais interior). Estas meninges vão limitar entre si determinados espaços: A dura-máter espinhal é contínua com a dura-máter craniana e termina aproximadamente ao nível da segunda vértebra sacral (S2) em fundo-de-saco (saco dural). Para além disto, emite prolongamentos que vão embainhar as raízes dos nervos raquidianos. A aracnoide possui várias trabéculas, que permitem fixar-se à pia-máter. A pia-máter vai envolver a medula espinhal directamente até ao cone medular (entre a primeira e segunda vértebras lombares). A partir deste ponto, emite um filamento, que se designa filamento terminal. Este, ao chegar ao fundo-de-saco dural, vai perfurá-lo, recebendo alguns prolongamentos da dura-máter, designando-se filamento da dura-máter espinhal. Este, continua a dirigir-se para baixo, inserindo-se no cóccix, denominando-se, a este ponto, ligamento coccígeo. Para além disto, a pia-máter emite prolongamentos horizontais, os ligamentos dentados, que se inserem nas outras duas meninges. O facto de a medula espinhal terminar ao nível de L1/L2 e o saco dural e aracnoide terminarem ao nível de S2 faz com que entre estas duas vértebras o espaço subaracnóideo seja bastante maior a este nível. Assim, é possível aceder com maior segurança a este espaço, sem risco de lesar a medula, uma vez que, a este nível, apenas se encontra a cauda equina. Este espaço é importante, uma vez que pode ser utilizado para a administração de fármacos, injecção de contraste, colheita de LCR, entre outras aplicações.
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A medula espinhal tem a forma de um cordão arredondado, que é percorrido por sulcos longitudinais. É achatada e apresentando duas dilatações, ou intumescências, a dilatação (intumescência) cervical (situada na região cervical) e a dilatação (intumescência) lombar (inferior, ocupa a região lombar). Pode ser dividida em 6 porções: porção cervical superior, dilatação cervical, porção dorsal, dilatação lombar, cone terminal e filamento terminal. Faz extremidade com o bulbo na porção superior, e com a vértebra lombar na porção inferior. A porção da medula espinhal que dá origem a um nervo espinhal constitui um segmento e é neste sentido que se diz que a medula é segmentada. Existem 31 segmentos – 8 cervicais, 12 torácicos, 5 lombares, 5 sacrais e 1 coccígeo. No entanto esta segmentação não é visível, apresentando-se toda a estrutura como um contínuo longitudinal com dois alargamentos (intumescência cervical e intumescência lumbossagrada) e uma terminação caudal (cone medular). Estes dois alargamentos existem devido ao maior número de neurónios e fibras que enervam os membros superiores e inferiores respectivamente nessas zonas:
Cortes transversais
Em corte transversal a medula espinhal consiste numa massa cinzenta interna em forma de H, com aspecto de borboleta e que é rodeada por massa branca. A massa cinzenta pode ser divisível em cornos e a massa branca em funículos ou colunas. A medula espinhal apresenta uma fissura mediana anterior, que se estende quase até ao centro; um sulco mediano posterior, menos visível mas que se continua com um septo glial estende-se até ao canal central rodeando-o. Desta forma, devido à existência destas estruturas, quer anteriores quer posteriores a medula é divisível em metades direita e esquerda que apenas comunicam por um pequeno espaço junto ao canal central que são as comissuras cinzentas anterior e posterior e logo junto a estas as comissuras brancas anterior e posterior respectivamente.
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Apresentam-se em localizações definidas na medula espinhal. As fibras nervosas na substância branca pode ser de cinco tipos: Os tractos ou vias não são estruturas completamente definidas e capazes de exercer apenas uma função. Na verdade existe uma certa plasticidade de certos tractos desempenharem outras funções, tal como, nem todos os neurónios responsáveis por estas se localizam unicamente nos tractos descritos. É também importante referir que a maioria das vias quer motoras quer sensitivas são somatotópicas, ou seja, as porções do corpo estão representadas numa região específica dos feixes medulares.
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Coluna posterior
O termo coluna posterior refere-se a todo o fascículo posterior localizado na medula espinhal e é responsável pelo encaminhamento das sensações proprioceptivas conscientes ao córtex cerebral. Esta coluna consiste principalmente em aferentes primários ascendentes e mielinizados e é considerada tradicionalmente como a forma como a sensibilidade cutânea, articular e muscular atinge o córtex cerebral por excelência. As fibras dos aferentes primários da medula espinhal têm o seu corpo celular no gânglio dorsal raquidiano e cada radícula que entra na medula pode atingi-la através de uma divisão medial e de uma divisão lateral. As fibras da divisão medial entram para a coluna posterior e a grande maioria dá origem a colaterais que atingem as lâminas da matéria cinzenta da medula e terminam ou no nível espinhal em que entram, ou noutro acima.
Tractos Espinhocerebelares
A medula espinhal é uma fonte importante de informação usada pelo cerebelo na coordenação do movimento e outras funções proprioceptivas inconscientes. Esta informação atinge o córtex cerebelar e os núcleos cerebelares ou directamente através dos tractos espinhocerebelares, ou indirectamente através de uma via que passa pelos núcleos do tronco cerebral (tracto espinho-olivar). As fibras colaterais à coluna posterior transmitem a informação proprioceptiva inconsciente e informação do tacto e da pressão e entram na medula espinhal pela raiz posterior para depois sinaptizarem na matéria cinzenta, mais precisamente, no núcleo torácico ou de Clarke. Os neurónios de segunda ordem enviam depois os seus axónios para a coluna lateral do mesmo lado, formando o tracto espinhocerebelar posterior.
Via anterolateral
Localizada na metade anterior da coluna lateral e é constituída pelo conjunto de tractos responsável pelo encaminhamento da informação nociceptiva – conjunto de percepções da dor que o organismo é capaz de distinguir conscientemente. Deste modo é responsável pela transmissão das sensações de dor e temperatura. É importante referir que esta via transporta também outras informações extroceptivas ao córtex – nomeadamente o tacto e a pressão.
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Tracto Corticoespinhal
Os neurónios alfa e gama do corno anterior são regulados por centros supraespinhais. Alguns destes centros estão localizados no tronco cerebral e outros e também os mais importantes no córtex cerebral, particularmente no giro pré-central. Este tracto é responsável pela grande maioria dos movimentos voluntários e portanto, conscientes. Este tracto é também conhecido correctamente como tracto piramidal e praticamente todas as suas fibras cruzam ao nível nas pirâmides, na decussação das pirâmides. Na medula espinhal este tracto está localizado na metade posterior da coluna lateral, medial ao tracto espinhocerebelar posterior. As fibras dos neurónios eferentes primários projectam-se do córtex cerebral (giro pré-central e algumas do pós-central) e descem pelo pedúnculo cerebral, parte basal da protuberância e pirâmides do bolbo raquidiano. Nas pirâmides ocorre o cruzamento da grande maioria das fibras e as suas fibras sinaptizam nos cornos anterior ou intermédio da medula espinhal. Assim, deste modo, estas fibras terminam a sinaptizar com neurónios motores ou interneurónios que depois sinaptizam com neurónios motores.
Tracto rubroespinhal
Origem: Células grandes (magnocelulares) do núcleo rubro. Fibras cruzam ao nivel da comissura tegmentar ventral no mesencefalo. Tanto o corticoespinhal como o rubroespinhal podem terminar monossinapticamente como polissinapticamente. O corticoespinhal mais monossinapticamente e o rubroespinhal mais polissinapticamente.
Tracto reticuloespinhal
Proveniente da substância reticular, desce para contribuir na enervação motora voluntária. São dois feixes:
Tracto Vestibuloespinhal
Com origem no núcleo vestibular do bolbo raquidiano, as suas fibras descem para correr na coluna anterolateral da medula. O feixe vestibuloespinhal lateral corre nos núcleos mais laterais e o feixe vestibuloespinhal medial corre nos núcleos mais mediais e entra na medula espinhal juntamente com um feixe longitudinal medial proveniente do diencéfalo (o feixe vestibuloespinhal medial está relacionado com a enervação da parte alta do tórax, pescoço e cabeça). Este tracto é essencial, pois nele caminham os neurónios motores involuntários.
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O circuito reflexivo é então construído na medula espinhal. Um reflexo consiste numa resposta involuntária e esterotipada a um estímulo sensitivo. Todas as vias que traduzem reflexos envolvem pelo menos uma associação entre um neurónio aferente e um neurónio eferente. Com excepção do Strech reflex, todos os outros reflexos envolvem também um ou mais interneurónios. Os exames neurológicos apresentam várias etapas, uma delas é avaliação de reflexos, por exemplo os reflexos rotuliano, bicipital e aquiliano. Existem variados tipos de reflexos sendo os mais comuns os que levam à tensão, força e flexão.
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Cada segmento da medula espinhal enerva um dermátomo – aquando do desenvolvimento embrionário cada nervo raquidiano fica relacionado com um sómito o que consequentemente leva a que este nervo tenha relação com a pele, músculos e osso que correspondem a este sómito, enervando estas estruturas, deste modo, apesar de não visível, sabe-se que a medula espinhal é segmentada. Cada nervo raquidiano, com excepção de C1 que apresenta geralmente um gânglio dorsal raquidiano rudimentar, enerva um dermátomo (área cutânea que é enervada por um nervo raquidiano). Este arranjo em dermátomos é particularmente evidente no tronco, onde os pares de dermátomos formam bandas que rodeiam o peito e o abdómen – neste caso pode-se dizer que são um vestígio de uma organização metamérica (são metâmoros). O arranjo dos membros é um tanto mais complexo embora se possam classificar tendo como ponto de partida a existência de planos pós-axial e pré-axial. De uma forma similar a enervação dos músculos esqueléticos é também segmentada. Estes conhecimentos são extremamente úteis para o diagnóstico de certas doenças e lesões nervosas.
Existem vários tipos de neurónios na medula espinhal e podem ser divididos em dois grupos: neurónios de axónio longo e de axónio curto. Os neurónios de axónio longo podem ser radiculares ou cordonais. Os radiculares vão sair da medula pela raiz anterior do nervo raquidiano e podem dividir-se: No que diz respeito aos neurónios cordonais, estes vão atingir a substância branca da medula e podem ser de dois tipos: Os neurónios de axónio curto permanecem na substância cinzenta em todo o seu trajecto, permitindo a ligação entre fibras aferentes e eferentes. Um exemplo destes neurónios é a célula de Renshaw, que tem como função inibir impulsos oriundos de neurónios motores.


