Federação Espírita Brasileira
A Federação Espírita Brasileira (FEB), fundada em 1884, é uma entidade de utilidade pública que constitui-se na mais importante e influente organização representativa do Espiritismo no Brasil e em quase todos os países em que o movimento espírita está presente.
Origens e fundação
As raízes do órgão federativo nacional remontam à publicação, no Rio de Janeiro, então Capital do Império, a 21 de janeiro de 1883, do periódico "Reformador", por iniciativa e às expensas de Augusto Elias da Silva, fotógrafo português radicado no Brasil, e cuja direção intelectual ficou a cargo do Major Francisco Raimundo Ewerton Quadros. Recorde-se que, naquele mesmo ano, o mesmo Elias da Silva promoveu um encontro fraternal de líderes espíritas, em virtude das divergências que grassavam entre os integrantes das instituições espíritas na Capital, à época - o Grupo dos Humildes, a Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade, o Centro da União Espírita do Brasil e o Grupo Espírita Fraternidade.
Primeiras décadas
Em seu ano de fundação, a Federação Espírita Brasileira logo iniciou um trabalho social caritativo. Porém, nos seus anos iniciais, a FEB também vivenciou diversas dificuldades quer de ordem administrativo-financeira quer ideológica, no plano interno, e as turbulências políticas e sociais da Capital do país, no plano externo. Como exemplo das primeiras, registrava-se uma cisão no movimento, entre os chamados "laicos" ou "científicos", liderados pelo professor Afonso Angeli Torteroli; e os "religiosos" ou "místicos", liderados pelo Dr. Bezerra de Menezes. Como exemplo das segundas, após a Abolição da Escravatura (1888) sucedeu-se a Proclamação da República Brasileira (1889) e as comoções vividas pela República da Espada, entre as quais a Segunda Revolta da Armada (1893). Tais circunstâncias resultaram no abandono da FEB por grande parte dos seus membros iniciais, deixando a sobrevivência da instituição a cargo de alguns poucos colaboradores.
Primeira metade do século XX
Após uma dezena de mudanças de endereços desde a sua fundação, a sede própria da Federação foi inaugurada a 10 de dezembro de 1911, na antiga rua do Sacramento (atual Av. Passos, 28-30), no Rio de Janeiro, por Leopoldo Cirne. No ano seguinte (1912), a 3 de maio, era inaugurado na FEB o Curso Gratuito de Esperanto. Em 1932, a FEB publicou o seu primeiro grande sucesso editorial: o "Parnaso de Além-Túmulo", que alcançou grande repercussão junto à imprensa e à opinião pública brasileira. O formato da obra não era novo: seguia os moldes de outra obra cujos direitos a instituição já possuía - Do País da Luz (4 vol.) -, coletânea de mensagens (textos, cartas e poemas) majoritariamente de autores renomados da literatura portuguesa, desencarnados, recebidos na primeira década do século XX pelo médium português Fernando de Lacerda. A autoria dos textos no Parnaso, recebidos pela mediunidade psicográfica do então jovem Francisco Cândido Xavier era predominantemente de figuras da literatura brasileira.
Segunda metade do século XX
Finalmente, em 1960, no contexto da transferência da Capital do país do Rio de Janeiro para Brasília, o então Presidente da República, Juscelino Kubitschek, declarou a FEB como entidade de Utilidade Pública. Em 1967, a instituição inaugurou a Seção Brasília, no Distrito Federal (3 de outubro). Uma década mais tarde, (1977), a FEB instituiu a Campanha de Evangelização da Infância e da Juventude, e publicou "Adequação dos Centros Espíritas para o Melhor Atendimento de suas Finalidades". Essa obra foi seguida, em 1980 pela "Orientação aos Centros Espíritas". Em 1984 a FEB institui a campanha do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (ESDE), lançou o "Manual de Administração dos Centros Espíritas" e transferiu a sua sede para Brasília, em edifício próprio.
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Em 2020 a entidade havia emitido um comunicado onde negava a adulteração de qualquer texto: "Como é próprio da seriedade do trabalho cuidadoso da Casa de Ismael, não adulteramos as obras psicografadas pelo médium Francisco Cândido Xavier, ou de qualquer outro autor, encarnado ou desencarnado". Em 2022, após denúncias de que desde o ano de 2012 a Federação vinha reeditando obras psicografadas pelo médium Chico Xavier com adulterações no texto original, foi realizada uma reunião da sua diretoria com representantes da União Espírita Mineira (UEM). A pressão dos mineiros veio de constatações, como a registrada por Cezar Carneiro de Souza - da cidade de Uberaba e amigo do médium - de que o livro "Boa Nova", com autoria atribuída ao espírito Humberto de Campos, estava na edição da FEB com 40 palavras mudadas, afirmando: "Aquela edição que a editora modificou passa a ser da editora. Troca o sentido. Até pode ser boa a tradução, mas não é correto”.
Imagem: Senado Federal · BY · Openverse
A Federação Espírita Brasileira possui um canal de televisão, a FEBtv, que foi fundado em 3 de março de 2014. Atualmente, o canal é transmitido na TV aberta e TV por assinatura.


