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Fogo grego

Fogo grego, também dito fogo-greguês ou simplesmente, greguês, era uma arma incendiária usada pela marinha bizantina. Os bizantinos usavam-no em batalhas navais para maior efetividade, já que podia continuar a queimar ao flutuar na água. A arma era uma vantagem tecnológica e foi responsável por muitas vitórias militares bizantinas decisivas, nomeadamente na salvação de Constantinopla de dois cercos árabes, assegurando assim a sobrevivência do império.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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História

Imagem: jonycunha · BY-SA · Openverse

Armas incendiárias foram usadas em guerras por séculos antes da invenção do fogo grego, contendo misturas baseadas em enxofre, petróleo e betume. Além disso, Tucídides menciona o uso de lança-chamas tubulares no cerco de Délio em 424 a.C. Na guerra naval, foi registrado pelo cronista João Malalas o uso, pela frota do imperador bizantino Anastácio I Dicoro (r. 491–518), de uma mistura com base em enxofre para derrotar a revolta de Vitaliano em 515 d.C., seguindo o conselho de um filósofo ateniense chamado Proclo. O fogo grego, propriamente, foi desenvolvido por volta de 672, e é atribuído pelo cronista Teófanes a Calínico, um arquiteto de Heliópolis na então província da Fenícia, na época devastada pelas conquistas islâmicas. A acurácia e exata cronologia deste fato são questionadas: Teófanes reporta o uso de navios carregadores de fogo e equipados com sifões pelos bizantinos alguns anos antes da suposta chegada de Calínico a Constantinopla. Se isto não se deve a confusão cronológica dos eventos do cerco, pode sugerir que Calínico simplesmente apresentou uma versão aprimorada de uma arma preexistente.

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Fabricação

Imagem: MarceloCamachobv · BY-NC-SA · Openverse

Características gerais

Como mostram os avisos de Constantino VII Porfirogênito, os ingredientes e os processos de fabricação e lançamento do fogo grego eram segredos militares cuidadosamente guardados. O segredo era tão restrito que a composição do fogo grego foi perdida para sempre e permanece objeto de especulação. Consequentemente, o “mistério” da fórmula por muito tempo dominou a pesquisa sobre o fogo grego. Apesar deste foco quase exclusivo, entretanto, o fogo grego é mais bem entendido como um completo sistema de combate com muitos componentes, todos eles necessitando operar juntos para torná-lo efetivo. Isto compreendia não somente a fórmula da sua composição, mas também os navios especializados dromons que o carregavam para a batalha, o mecanismo usado para preparar a substância, aquecendo-a e pressurizando-a, o sifão que o lançava e o treinamento especial do sifonário (siphōnarioi) que o utilizava. O conhecimento do sistema completo era altamente compartimentalizado, com operadores e técnicos que conheciam os segredos de somente um componente, assegurando que nenhum inimigo poderia ganhar o conhecimento sobre ele em sua totalidade. Isto explica por que, quando os búlgaros tomaram Nessebar e Burgas em 814, eles capturaram 36 sifões e mesmo uma certa quantidade da substância, mas foram incapazes de fazer qualquer uso deles.

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Teorias sobre a composição

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A primeira e, por muito tempo, mais popular teoria contemplando a composição do fogo grego indicava que o seu ingrediente principal era o nitrato de potássio, tornando-o uma forma primitiva de pólvora. Este argumento se baseava na descrição de “trovão e fumaça”, bem como na distância a que a chama podia ser projetada pelo sifão, o que sugeria uma descarga explosiva. Desde os tempos de Isaac Vossius, diversos estudiosos aderiram a esta posição, principalmente a chamada “escola francesa” durante o século XIX, que incluía o famoso químico Marcellin Berthelot. Esta visão foi depois rejeitada, uma vez que o nitrato de potássio não parece ter sido usado em guerras na Europa ou no Oriente Médio antes do século XIII, e está totalmente ausente dos registros dos árabes, os mais importantes químicos do mundo mediterrâneo, na mesma época. Além disso, a natureza da mistura proposta teria sido radicalmente diferente da substância projetada pelos sifões descrita pelas fontes bizantinas.

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Métodos de utilização

O principal método de utilização do fogo grego, que o diferencia de substâncias similares, era seu lançamento através de um tubo (sifão), para uso a bordo de navios ou em cercos. Lançadores portáteis (querosifões) foram também desenvolvidos, supostamente pelo imperador Leão VI. Os manuais militares bizantinos também mencionam que jarros (chytrai ou tzykalia) cheios com o fogo grego e estrepes amarrados com estopa e embebidos na substância eram lançados por catapultas, enquanto gruas pivotantes (gerania) eram empregadas para derramá-la sobre os navios inimigos. Os querosifões especificamente eram prescritos por vários autores militares do século X para uso em terra e em cercos, tanto contra armas de cerco quanto contra os defensores nas muralhas, e seu uso é descrito no Poliorcética de Herão de Bizâncio. Os dromons bizantinos normalmente tinham um sifão instalado em sua proa, abaixo do castelo de proa, mas mecanismos adicionais, dependendo da situação, podiam também ser colocados em outros locais no navio. Assim, em 941, quando os bizantinos estavam enfrentando uma frota Rus’ muito maior, sifões foram instalados também entre os navios e mesmo à popa.

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Lançadores

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O uso de lançadores tubulares (σίφων, siphōn) está amplamente atestado em fontes contemporâneas. Ana Comnena dá conta de lançadores de chamas gregos com formas de animais sendo montados na proa de navios de guerra: Algumas fontes fornecem mais informação sobre a composição e função do mecanismo completo. O manuscrito de Volfembutel, em particular, apresenta a seguinte descrição: Outro registro, possivelmente de primeira mão, do uso do fogo grego vem da saga Yngvars saga víðförla, do século XI, onde o viquingue Inguar, o Viajado enfrenta navios equipados com armas com o fogo grego: O registro, embora enfeitado, confere com muitas das características do fogo grego conhecidas por outras fontes, tal como o grande estrondo que acompanhava a sua descarga. Esses dois textos são também as duas únicas fontes que explicitamente mencionam que a substância era aquecida sobre um forno antes de ser lançada; embora a validade destas informações esteja aberta a questionamentos, reconstruções modernas basearam-se nelas.

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Lançadores portáteis

O querosifão portátil ("sifão de mão”), o mais antigo análogo a um moderno lança-chamas, é amplamente atestado nos documentos militares do século X e recomendado para uso tanto no mar como em terra. Ele primeiro aparece na Táctica do imperador Leão VI, o Sábio, que alega tê-lo inventado. Autores subsequentes continuaram a mencionar o querosifão, especialmente para uso contra torres de cerco, embora Nicéforo II Focas também aconselhasse seu uso em exércitos de campo, com o objetivo de romper a formação do inimigo. Apesar de tanto Leão VI quanto Nicéforo Focas indicarem que a substância usada nos querosifões fosse a mesma dos aparelhos estáticos instalados nos navios, Haldon e Byrne consideram que a primeira fosse manifestamente diferente dos seus primos maiores, e teorizam que o aparelho fosse fundamentalmente diferente, “uma simples seringa que esguichava tanto o fogo líquido (presumivelmente não aceso) quanto líquidos tóxicos para repelir as tropas inimigas. Entretanto, as ilustrações do Poliorcética de Herão mostram o querosifão também atirando a substância em chamas.

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Granadas

Na sua forma inicial, o fogo grego era arremessado sobre as forças inimigas como uma bola envolta em pano em chamas, talvez contendo um frasco, usando uma forma de catapulta leve, mais provavelmente uma variante marítima da catapulta leve romana, ou onagro. Elas eram capazes de atirar projéteis leves (em torno de 6 a 9 kg) a distâncias de 350 a 450 metros.

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Efetividade e contramedidas

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Embora o poder de destruição do fogo grego seja indiscutível, ele não deve ser visto como uma espécie de “arma milagrosa”, nem ele tornou a marinha bizantina invencível. Ele não era, nas palavras do historiador naval John Prior, um destruidor de navios comparável ao rostro, que na época já tinha caído em desuso. Apesar de o fogo grego ter permanecido como uma arma potente, suas limitações eram significativas quando comparadas a formas mais tradicionais de artilharia: na sua versão de lançamento por sifões, ele tinha um alcance limitado, e só podia ser usado com segurança em mar calmo e em condições favoráveis de vento. Ao final, as marinhas muçulmanas se adaptaram a ele, permanecendo ao largo de seu alcance efetivo e desenvolvendo métodos de proteção, como feltro ou couro embebidos em vinagre.

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Na cultura popular

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O fogo grego apareceu no filme Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas, de 2011, como uma arma naval usada pelo personagem Barba Negra, bem como nos videogames Assassin's Creed: Revelations, Medieval II: Total War: Kingdoms, Ragnarok Online e Rise of the Tomb Raider. Tanto a discussão acadêmica sobre o fogo grego quanto uma demonstração medieval dele aparecem na novela Timeline, de Michael Crichton, bem como em sua adaptação cinematográfica de 2003. Uma substância similar, conhecida como “fogovivo”, é usada numa batalha naval no livro A Fúria dos Reis de George R. R. Martin. Esta substância verde é arremessada em frágeis jarros de cerâmica, nunca por tubos, e é, aparentemente, parcialmente mágica na natureza, mas, como o fogo grego, queima na água. Um líquido autoinflamável foi mencionado como “fogo grego” nos episódios 7-11 da primeira temporada da série de TV Copper, da BBC America.

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Fontes consultadas

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