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Grupo Wagner

O Grupo Wagner ou também PMC Wagner e atualmente como Africa Corps na África, é uma organização paramilitar de origem russa. É descrito como sendo uma empresa militar privada, uma rede semioficial de mercenários e/ou um exército privado com fortes ligações ao governo russo que atua em várias regiões pelo mundo, principalmente no leste da Ucrânia (Donbass), na Síria e na África. Outros descrevem o Grupo Wagner como sendo um grupo de fachada do Departamento Central de Inteligência (GRU) das Forças Armadas Russas, que é utilizado como braço de apoio em conflitos onde a Rússia está engajada, onde pode ser necessária a negação plausível, e como forma de acobertar o número de baixas e custos financeiros da população russa. O grupo recebe equipamento e usa instalações das Forças Armadas Russas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 04/09/2026
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História

Imagem: ElBarcobasurero · BY-SA · Openverse

Fundação

A organização teria sido fundada por volta de 2014, na Rússia. Seu primeiro e mais influente líder foi o ex-oficial do exército russo Dmitriy "Wagner" Valeryevich Utkin. Utkin é um veterano da Primeira e Segunda Guerras na Chechênia. Até 2008 ou 2013, Utkin fez parte da Spetsnaz (forças especiais) do GRU onde chegou à patente de tenente-coronel e teria sido condecorado com a "Ordem da Bravura". Em 2013 foi recrutado para o "Corpo Eslavo", uma empresa militar privada russa registrada em Hong Kong que recrutava veteranos russos para atuar na Guerra Civil Síria em prol do governo sírio. Utkin também é acusado de ser um neonazista, possuindo tatuagens neonazistas em seu corpo, e ele é caracterizado por ter grande admiração pelo Terceiro Reich. Seu codinome "Wagner" (que dá o nome à companhia) provém de Richard Wagner, compositor favorito de Adolf Hitler, que foi transformado em símbolo pela Alemanha Nazista. Ele também é membro da "Fé Nativa Eslávica", um movimento neopagão com grande aderência por nacionalistas russos.

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Atividades

Imagem: Wagner PMC Group · BY-SA · Openverse

Os primeiros relatos da existência da organização emergiram por volta de 2014, durante a Guerra civil no leste da Ucrânia, quando soldados do exército ucraniano enfrentaram membros de uma organização militar misteriosa, cujos soldados falavam russo, depois disso relatos da presença dessa organização emergiram em vários países do mundo, principalmente na Síria e no Sudão, dois fortes aliados da Rússia que estão passando por guerras. A existência da organização foi confirmada pelo governo russo em 2016, logo após fotos de um encontro que Utkin teve com o presidente da Federação Russa Vladimir Putin. Hoje, o grupo é considerado uma das maiores organizações militares privadas do mundo, apesar de muitos analistas afirmarem que a organização é na verdade um esquadrão secreto do governo russo, designado para intervir em conflitos onde a Rússia está envolvida. Há comprovações de que em suas fileiras encontram-se atuando não somente russos, como também ucranianos e sérvios, estes últimos em menor número, até mesmo por tratar-se de uma organização extremamente xenófoba com notícias de ligações com organizações neonazistas.

Ucrânia

O Grupo Wagner estiveram ativos pela primeira vez em fevereiro de 2014 na Crimeia durante Crise da Crimeia, onde operaram em linha com unidades regulares do exército russo, desarmaram o exército ucraniano e assumiram o controle das instalações. A aquisição da Crimeia foi quase sem derramamento de sangue. Os mercenários, juntamente com os soldados regulares, eram chamados de "pessoas educadas" na época devido ao seu comportamento bem-educado. Eles se mantinham isolados, carregavam armas que não estavam carregadas e, na maioria das vezes, não faziam nenhum esforço para interferir na vida civil. Outro nome para eles era "homenzinhos verdes", pois usavam máscaras, usavam uniformes verdes do exército sem identificação e sua origem era inicialmente desconhecida.

Oriente Médio

O grupo começou a agir na Guerra Civil Síria em 2015 durante a Intervenção russa na Guerra Civil Síria. Os mercenários do Grupo Wagner protegeram poços de petróleo e gás natural do governo Síria, além de treinar soldados sírios e milicianos pró-governo. O Grupo Wagner também participou em operações de combate na Ofensiva de Alepo, Batalha de Palmira, Ofensiva de Palmira e na Campanha ao centro da Síria. Em 2018, no leste da Síria na província de Deir Zor, militares das Forças Armadas da Síria liderados por mercenários russos do Grupo Wagner, somando quase 500 soldados com tanques e veículos de transporte blindado, atacaram e tentaram capturar um posto avançando conjunto do grupo Curdo das Forças Democráticas Sírias (FDS) e das Forças Especiais dos Estados Unidos, localizado próximo ao campo de gás natural de Khasham no Rio Eufrates. Os russos e os estadunidenses haviam concordado em fazer o Rio Eufrates como uma linha de demarcação de seus proxies e o ataque teria sido aparentemente feito sem provocação. As forças estadunidenses entraram em contato com suas contraparte russa, que negaram que haviam quaisquer forças russas na região. O ataque começou com um bombardeio com artilharia que deixou um guerrilheiro da FDS ferido, como retaliação, as forças estadunidenses reagiram com um bombardeio das forças sírio-russas com lançadores múltiplo de foguetes HIMARS, obuseiros M-777, helicópteros AH-64 Apache, drones MQ-9 Reaper, e aviões F-22 Raptor, F-15E Strike Eagle, AC-130 e B-52 Stratofortress, dizimando as forças atacantes. Relatos diversos apontam que as baixas entre as forças russas do Grupo Wagner variam entre 100 ou 200 mortos, com quase 300 mortes ao todo (contanto com as forças sírias) e inúmeros feridos.

África

Em 2018, o governo russo anunciou que começaria a enviar "instrutores" para a República Centro-Africana para suposto treinamento do soldados contra forças rebeldes. As forças enviadas incluem tanto tropas regulares das Forças Armadas quanto do grupo Wagner. O país está em estado de guerra civil desde 2012 e a Rússia substituíra o papel que era feito pela França após a retirada de suas forças militares em 2016. Entretanto, relatórios de vários observadores independentes averiguaram que os mercenários do Grupo Wagner não apenas estavam treinando as forças militares centro-africanas, como entrando em situações de combate e principalmente guardando as lucrativas minas de diamante do país. Em 2018, o Serviço de Segurança da Ucrânia acusou o Grupo Wagner de tráfico e contrabando de diamantes de pedras preciosas, operando empresas de fachada de metais preciosos ligadas a Yevgeny Prigozhin.

Moçambique

Também no mesmo ano, para combater as forças do Estado Islâmico na África Central na Insurgência islâmica no Cabo Delgado, o governo de Moçambique pediu ajuda de forças estrangeiras. A Rússia enviou um contingente do Grupo Wagner para auxiliar as Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Entretanto, as tropas do Grupo Wagner foram geralmente ineficazes em combater as forças do Estado Islâmico ou até de cooperar com forças locais. As forças do grupo Wagner sofreram baixas altas, com um incidente em que 7 mercenários foram capturados e degolados por insurgentes do EI em Outubro de 2019. Analistas e especialistas em segurança consideraram que a Wagner estava com dificuldades em Moçambique porque operavam num teatro onde não tinham muita experiência e estariam "fora da zona de conforto" em Moçambique.

Mali

Em 2021, foi confirmado que tropas russas do Grupo Wagner foram vistas no Mali, lutando a favor do governo contra insurgentes islamistas na Guerra Civil do Mali. A França, aliado do Mali na guerra, fortemente condenou o uso dos mercenários do Grupo Wagner. Em Março de 2022, as forças do Grupo Wagner junto com tropas do Exército do Mali foram acusadas de realizar um massacre de 300 a 500 civis no vilarejo de Moura.

Outros

Em 2019, foi relatado que um grupo de quatrocentos mercenários pertencentes a organização foram enviados para a Venezuela para defender o governo do presidente Nicolás Maduro em meio à grave crise política que afetou o país. Uma fonte russa anônima próxima ao Grupo Wagner afirmou que outro grupo de empresas militares privadas já havia chegado antes das eleições presidenciais de maio de 2018. Antes do início dos protestos em 2019, os PMCs estavam na Venezuela principalmente para fornecer segurança aos interesses comerciais russos, como a empresa de energia russa Rosneft. Eles ajudaram no treinamento da Milícia Nacional Venezuelana e dos paramilitares pró-Maduro Colectivos em 2018. O embaixador da Rússia na Venezuela, Vladimir Zayemsky, negou a existência de Wagner na Venezuela.

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Fontes consultadas

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