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Guerra Civil Espanhola

A guerra civil espanhola ou guerra da Espanha, conhecida naquele país como a guerra civil por excelência, foi uma guerra — que mais tarde repercutiria também em uma crise econômica — que se desencadeou na Espanha após o fracasso parcial do golpe de Estado de 17 de julho de 1936, perpetrado por parte das forças armadas contra o Governo eleito da Segunda República. Após o bloqueio do estreito de Gibraltar e a posterior ponte aérea que, graças à rápida colaboração da Alemanha Nazista e da Itália fascista, transferiu as tropas rebeldes do protetorado espanhol de Marrocos para a Espanha peninsular nas últimas semanas de julho, começou assim uma guerra civil que concluiria em 1 de abril de 1939 com o último parte de guerra assinado por Francisco Franco, que declarou sua vitória e estabeleceu uma ditadura que duraria até sua morte, em 20 de novembro de 1975.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Antecedentes

Em janeiro de 1930 o general Miguel Primo de Rivera reconhece o fracasso de a ditadura que havia instaurado em setembro de 1923 com o apoio do rei e renuncia. Afonso XIII nomeia então como presidente do governo ao general Dámaso Berenguer, mas este não consegue devolver à monarquia a «normalidade constitucional» (este período foi conhecido como «Dictablanda») e é substituído em fevereiro de 1931 pelo almirante Juan Bautista Aznar, que convoca eleições municipais para o domingo 12 de abril. As eleições são ganhas nas cidades pelas candidaturas republicano-socialistas surgidas do Pacto de São Sebastião de agosto de 1930 e na terça-feira, 14 de abril, o rei Afonso XIII, diante das dúvidas da Guarda Civil e do Exército sobre usar a força para frear as multitudinárias manifestações pró-republicanas que inundam as principais cidades, abandona o país. Em Madri o «comitê revolucionário» republicano-socialista proclama a República e assume o poder como Governo Provisório presidido por Niceto Alcalá-Zamora.

O Governo da Frente Popular (fevereiro-julho de 1936)

Na quarta-feira, 19 de fevereiro de 1936, Manuel Azaña, o líder da Frente Popular, formava um governo que, conforme o pactuado com os socialistas, só estava integrado por ministros republicanos de esquerda (nove da Esquerda Republicana e três da União Republicana). Uma de suas primeiras decisões foi afastar dos centros de poder os generais mais antirrepublicanos: o general Manuel Goded foi destinado ao Comando Militar das Baleares; o general Francisco Franco, ao das Canárias; o general Emilio Mola ao governo militar de Pamplona. Outros generais significados como Luis Orgaz, Rafael Villegas, Joaquín Fanjul e Andrés Saliquet ficaram em situação de disponíveis.

A violência política

Os governos da Frente Popular também tiveram que enfrentar um aumento da violência política provocada por grupos armados das organizações operárias e pelo partido fascista Falange Espanhola, que, no início de 1936, era uma força política marginal, mas que após o triunfo da Frente Popular recebeu uma avalanche de filiações de jovens de direita dispostos à ação violenta. O primeiro atentado importante que os falangistas cometeram foi o perpetrado em 12 de março de 1936 contra o deputado socialista e «pai» da Constituição de 1931 Luis Jiménez de Asúa, no qual este ficou ileso, mas seu escolta, o policial Jesús Gisbert, morreu. A resposta do governo de Azaña foi proibir o partido e deter em 14 de março seu máximo dirigente José Antonio Primo de Rivera, embora a ida para a clandestinidade não impediu que continuasse perpetrando atentados e participando de brigas com jovens socialistas e comunistas. Também continuou realizando um trabalho de violência e intimidação contra os elementos da ordem institucional da República. Na noite de 13 de abril, dois pistoleiros falangistas assassinavam na rua Manuel Pedregal, magistrado do Tribunal Supremo, como represália por ter atuado como relator no julgamento por tentativa de assassinato de Jiménez de Asúa. O juiz já havia recebido ameaças de morte anteriormente por este motivo. Vários dos envolvidos fugiram para a França de avião pilotado pelo então colaborador da Falange, Juan Antonio Ansaldo. De fato, a Falange difundiu listas negras de juízes com o propósito de intimidá-los, e seu boletim clandestino No Importa ameaçou magistrados como Ursicino Gómez Carbajo ou Ramón Enrique Cardónigo, que haviam intervindo em causas com sentença desfavorável a seus interesses.

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O detonante: o golpe de Estado de julho de 1936

A conspiração militar

Assim que se conheceu a vitória da Frente Popular nas eleições, ocorreu uma primeira tentativa de «golpe de força» pela direita para tentar frear a entrega do poder aos vencedores. Foi o próprio Gil Robles o primeiro que tentou sem sucesso que o presidente do governo em exercício Manuel Portela Valladares declarasse o «estado de guerra» e anulasse as eleições. Seguiu-o o general Franco, ainda chefe do Estado-Maior do Exército, que se adiantou a dar as ordens pertinentes aos comandos militares para que declarassem o estado de guerra (o que segundo a lei de Ordem Pública de 1933 suponha que o poder passava às autoridades militares), mas foi desautorizado pelo ainda chefe de Governo Portela Valladares e pelo ministro da guerra o general Nicolás Molero.

A sublevação de 17 a 20 de julho

Em 17 de julho pela manhã em Melilla, os dois coronéis e outros oficiais que estavam a par do levante militar se reúnem no departamento cartográfico e traçam os planos para ocupar no dia 18 os edifícios públicos, planos que comunicam aos dirigentes falangistas. Um dos dirigentes locais da Falange informa o dirigente local de União Republicana, chegando esta informação ao General Romerales, Comandante Militar de Melilla, que por sua vez informa Casares Quiroga. Romerales envia à tarde uma patrulha de soldados e guardas de assalto para registrar o departamento cartográfico. O coronel ao comando do mesmo atrasa o registro e chama o quartel da Legião, de onde lhe enviam um grupo de legionários. Diante destes, a patrulha se rende e os rebeldes procedem a prender Romerales (que foi fuzilado junto com o delegado do governo e o prefeito de Melilla que se haviam resistido à rebelião), proclamam o estado de guerra e iniciam antecipadamente o levante, informando a seus companheiros do protetorado de Marrocos que haviam sido descobertos. Isso fez com que se adiantasse em Marrocos a data prevista. Nos três dias seguintes o golpe se estendeu às guarnições da península, Canárias e Baleares.

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As operações militares

No dia 9 de fevereiro cruzou a fronteira francesa o presidente do governo, Juan Negrín, mas em Toulouse pegou um avião para regressar a Alicante no dia seguinte acompanhado de alguns ministros com a intenção de reativar a guerra na zona centro-sul, o último reduto da zona republicana. Ali se desatou uma última batalha entre os que consideravam inútil seguir combatendo e os que ainda pensavam que «resistir é vencer» (esperando que as tensões na Europa acabassem estourando e Reino Unido e França, finalmente, acudissem em ajuda da República espanhola, ou que pelo menos impusessem a Franco uma paz sem represálias), mas o cansaço da guerra e a fome e a crise de subsistência que assolava a zona republicana estavam minando a capacidade de resistência da população. O problema para Negrín, que instalou seu quartel-general na fazenda El Poblet na localidade alicantina de Petrel (cujo nome em código era «Posição Yuste»), era como terminar a guerra sem combater de maneira diferente da de entrega sem condições. Sua posição foi praticamente insustentável quando em 27 de fevereiro, França e Reino Unido reconheceram o governo de Franco em Burgos como o governo legítimo da Espanha, e no dia seguinte o presidente da República Manuel Azaña que se encontrava na embaixada espanhola em Paris renunciou ao seu cargo. Foi substituído de forma provisória pelo presidente das Cortes, Diego Martínez Barrio, que também se encontrava na França.

Os dois exércitos

Embora se trate de um tema muito controverso, a maioria dos historiadores calcula que 70% dos 15 000 chefes e oficiais em atividade em 1936 combateram no lado rebelde (1236 foram fuzilados ou encarcerados por serem desafetos ao lado vencedor em cada lugar), enquanto, pelo contrário, a maior parte dos 100 generais não se sublevou. Dos 210 000 soldados de tropa e suboficiais que teoricamente formavam o exército regular em 1936, cerca de 120 000 ficaram na zona rebelde, mas o mais decisivo foi que entre eles se encontravam os 47 000 que formavam o Exército da África que constituíam as melhores tropas do exército espanhol. A Guarda Civil, por sua vez, ficou muito dividida entre os leais e os rebeldes à República.

Julho-outubro de 1936: avanço sobre Madri e campanha de Guipúscoa

Assim que se conheceu em 17 de julho à tarde que a sublevação militar havia triunfado no Protetorado de Marrocos, o ministro da Marinha José Giral (que dois dias depois acabaria presidindo o governo da República após a renúncia de Santiago Casares Quiroga e do governo «relâmpago» de Diego Martínez Barrio) ordenou que vários navios de guerra da Marinha se dirigissem ao estreito de Gibraltar para que bloqueassem as praças de Ceuta, Larache e Melilla e evitar assim a passagem para a península das tropas coloniais. Da base de Cartagena saíram os contratorpedeiros Almirante Valdés, Lepanto e Sánchez Barcáiztegui, com ordem de navegar a máxima potência até o estreito. Graças a que as tripulações desses navios se rebelaram contra seus oficiais, que estavam comprometidos no golpe, os rebeldes não puderam dispor inicialmente do Exército da África, composto pela Legião Estrangeira e pelos regulares (tropas formadas por marroquinos comandados por oficiais espanhóis).

Novembro de 1936-março de 1937: a batalha de Madri e a tomada de Málaga

No início de novembro os rebeldes davam como certa a tomada da capital do país. A Rádio Lisboa chegou a anunciar de forma precipitada, no início desse mês, a queda da cidade (narrando inclusive a entrada triunfal de Franco montado em um cavalo branco). Já em 5 de novembro, a coluna jurídica que iria se encarregar da repressão aos republicanos (oito conselhos de guerra, dezesseis juizados instrutores e uma Auditoria do Exército de Ocupação), comandada pelo coronel Ángel Manzaneque y Feltrer, se agrupou em Navalcarnero - a trinta quilômetros de Madri - para aguardar a iminente vitória das tropas franquistas. Em 6 de novembro, quando parecia que o exército rebelde estava prestes a entrar em Madri, o governo de Largo Caballero decidiu se transferir para Valência, incumbindo a defesa da cidade ao general Miaja que deveria formar uma Junta de Defesa de Madri. «Uma saída precipitada, mantida em sigilo, sobre a qual não se deu explicação pública alguma». «Quem ficou em Madri não pôde interpretar esses fatos senão como uma vergonhosa fuga... sobretudo porque os madrilenhos foram capazes de organizar sua defesa». Dois dias depois começou a batalha de Madri.

Março-novembro de 1937: a campanha do Norte e as batalhas de Brunete e Belchite

A batalha de Guadalajara foi a última tentativa do lado rebelde de tomar Madri e apenas uma semana após seu fim se iniciou a Campanha do Norte, o ataque das forças sublevadas contra a faixa cantábrica que permanecia fiel à República, mas que estava isolada por terra do resto da zona republicana. O objetivo dos «nacionais» era controlar seus importantes recursos mineiros e industriais (especialmente as siderurgias e as fábricas de armas), além de que sua conquista permitiria transferir a frota rebelde para o Mediterrâneo para tentar deter o tráfego marítimo que se dirigia aos portos republicanos. A ofensiva das forças sublevadas sob o comando do general Mola (cerca de 28 000 efetivos, incluídos os das unidades do Corpo Truppe Volontarie italiano, apoiados por 140 aviões italianos e alemães da Legião Condor) se iniciou em 31 de março de 1937 a partir das posições alcançadas em outubro de 1936 na campanha de Guipúscoa, que se situavam a uns 35 km a oeste de San Sebastián, sobre as defesas de Biscaia que havia organizado o governo basco presidido por José Antonio Aguirre desde outubro de 1936 após ter aprovado as Cortes republicanas o Estatuto de Autonomia do País Basco. O Exército Basco recrutado por Aguirre rejeitava a autoridade do general Francisco Llano de la Encomienda que era o chefe do Exército do Norte, que teoricamente agrupava todas as forças de Biscaia, Santander e Astúrias, e atuava de forma independente (nele não existia a figura do comissário político e tinha poucos comandos profissionais).

Dezembro de 1937-novembro de 1938: da batalha de Teruel à batalha do Ebro

Em 12 de dezembro de 1937, a 11.ª Divisão republicana sob o comando do chefe miliciano comunista Enrique Líster corta as vias de comunicação da cidade de Teruel com a retaguarda «nacional». Assim começa a batalha de Teruel, cuja estratégia foi desenhada pelo chefe do Estado-Maior republicano, o coronel Vicente Rojo. O objetivo é conquistar este saliente que nas linhas inimigas representava Teruel, além de impedir o ataque dos «nacionais» contra Madri previsto para 18 de dezembro e alcançar um sucesso militar como era tomar uma capital de província nas mãos dos rebeldes desde o início da guerra para fortalecer a confiança interior e exterior na causa republicana após a derrota da Campanha do Norte em um momento em que a chegada de material bélico da União Soviética estava se reduzindo devido às dificuldades que estava encontrando para passar a fronteira francesa pela queda do governo do socialista Léon Blum. O general Franco reagiu imediatamente para romper o cerco de Teruel, mas como não pôde conseguir na primeira tentativa teve que enviar mais forças e suspender o ataque previsto sobre Madri (com o que um dos objetivos estratégicos republicanos da ofensiva sobre Teruel havia sido conseguido). As baixas temperaturas e as nevascas dificultaram as ações dos dois exércitos e impediram que os «nacionais» rompessem o cerco, apesar de gozarem de superioridade aérea e artilheira, pelo que o coronel Domingo Rey d'Harcourt decidiu se render em 8 de janeiro e as forças republicanas (a 46.ª Divisão sob o comando do miliciano Valentín González «El Campesino») ocuparam a cidade. A partir de então as forças «nacionais» redobraram seus ataques para reconquistar Teruel lançando várias ofensivas que foram minando as defesas e a moral das forças republicanas. Em 7 de fevereiro de 1938 alcançaram a linha do rio Alfambra e em 21 de fevereiro a cidade estava cercada. A Divisão 46 comandada por «El Campesino» escapou ou fugiu, segundo as diferentes versões, e a cidade foi reconquistada pelos «nacionais». «O valor de uns soldados inexperientes mal conduzidos, armados e vestidos e enfrentados por rancores políticos [anarquistas frente a comunistas] pouco podia fazer contra tropas experientes e bem equipadas e, sobretudo, contra os bombardeios». O coronel Vicente Rojo escreveu ao ministro da Defesa da República Indalecio Prieto sobre a retirada de Teruel da Divisão 46:

Dezembro de 1938-fevereiro de 1939: ofensiva sobre a Catalunha

Os dois exércitos saíram muito quebrantados da batalha do Ebro, mas os «nacionais» conseguiram se reerguer rapidamente, estando, no início de dezembro de 1938, preparados para começar a ofensiva da Catalunha, «que seria a última significativa da guerra», em um momento em que após os acordos de Munique atacar a Catalunha já não implicava o perigo de uma reação francesa («França e Reino Unido haviam aceitado, pelo menos tacitamente, a continuação da presença italiana na Espanha, e apenas desejavam o fim do conflito. Por sua vez, Franco havia garantido sua neutralidade em caso de uma guerra geral»). O ataque à Catalunha foi atrasado devido ao mau tempo e finalmente começou em 23 de dezembro, avançando pelo sul e pelo oeste, encontrando uma forte resistência durante as duas primeiras semanas. Por volta do dia 6 de janeiro, os restos do Exército do Ebro haviam ficado quase completamente dizimados, enquanto que o outro grupo de exércitos do GERO, o Exército do Leste, batia em retirada. O chefe do Estado-Maior republicano, o general Vicente Rojo, projetou uma manobra de diversão na zona centro-sul para aliviar a pressão sobre a Catalunha, mas fracassou (houve que desistir do desembarque em Motril pela debilidade da frota republicana, «minada pela desídia, indisciplina e falta de uma clara direção político-estratégica»; a ofensiva na frente da Estremadura teve escasso êxito dada a baixa moral e a falta de material e de meios de transporte que padeciam os exércitos da zona centro-sul (GERC) sob o comando do general Miaja).

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A guerra naval

Na guerra civil espanhola predominaram as ações terrestres sobre as marítimas, e as marinhas de ambos os bandos evitaram as grandes ações de guerra por motivos políticos e estratégicos. Assim, após os combates pelo controle do estreito de Gibraltar de 1936, as duas frotas não tiveram «encontros decisivos no mar» e «suas estratégias se moveram em contextos muito conservadores, tendentes sobretudo à conservação de seus efetivos». O historiador Michael Alpert, em seu estudo intitulado A guerra civil espanhola no mar, afirma que as «duas marinhas de guerra espanholas tiveram que se refazer», mas que a «governamental não conseguiu estar à altura do momento e, apesar de contar com a maioria das unidades da frota, desempenhou um papel defensivo durante a maior parte da contenda». Em contrapartida, «a Marinha dos rebeldes aproveitou ao máximo seus exíguos recursos e a ajuda que recebeu do estrangeiro».

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A guerra aérea e os bombardeios sobre populações

A principal novidade no campo da guerra aérea da contenda espanhola de 1936 a 1939 foi que «pela primeira vez na história a aviação foi utilizada intensamente em missões de bombardeio sobre a retaguarda». Assim, «a partir da guerra civil espanhola as vítimas podiam estar a centenas de quilômetros dos locais do enfrentamento bélico e ser simplesmente população civil indefesa». Dado que a aviação militar espanhola em julho de 1936 estava obsoleta, isso só foi possível porque ambos os bandos receberam ajuda de potências estrangeiras que aportaram seus modernos bombardeiros: o lado rebelde os Savoia-Marchetti S.M.81 e os Savoia-Marchetti S.M.79 da Aviação Legionária da Itália fascista e os Junkers Ju 52 e Heinkel He 111 da Legião Condor da Alemanha Nazista; o lado republicano os Katiuskas da União Soviética. O lado rebelde utilizou em repetidas ocasiões o «bombardeio de terror», como o chamam Solé i Sabaté e Villarroya, cujo único objetivo era a população civil para desmoralizá-la e empurrá-la à rendição. Esta estratégia foi iniciada em Madri quando em novembro de 1936 fracassou o ataque frontal contra a cidade e a continuou com o bombardeio de Durango, o bombardeio de Guernica, o bombardeio de Lérida, os bombardeios aéreos de Barcelona em janeiro de 1938, os bombardeios aéreos de Barcelona em março de 1938, o bombardeio do mercado central de Alicante, o bombardeio de Granollers e os bombardeios sobre diversas populações catalãs nos meses finais da guerra, especialmente os de Figueras, e cujas vítimas principais foram mulheres e crianças em um momento em que o exército republicano já não existia na Catalunha. O único possível caso de «bombardeio de terror» por parte do lado republicano foi o de Cabra em novembro de 1938, mas tudo parece indicar que se tratou de um terrível erro cometido pelos pilotos que confundiram a feirinha da cidade com um acampamento de barracas de uma unidade italiana que, segundo a ordem que haviam recebido, havia que procurar e destruir.

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Evolução da zona rebelde

Após a etapa de certa provisoriedade que representou a Junta de Defesa Nacional formada após a morte em acidente de aviação do general Sanjurjo, que deveria liderar o Diretório militar que governaria o país após derrubar o governo da Frente Popular, os generais e chefes rebeldes decidiram nomear um comando único militar e político. Desde 1 de outubro de 1936 o general Franco foi o generalíssimo das forças sublevadas e o chefe do Governo do Estado. Após o fracasso da tomada de Madri (entre novembro de 1936 e março de 1937) e com a perspectiva de que a guerra iria ser longa, o generalíssimo Franco, com a ajuda de seu cunhado, Ramón Serrano Suñer, começou a configurar a organização política do «Novo Estado». O primeiro passo foi o Decreto de Unificação de abril de 1937, pelo qual todas as forças políticas que apoiavam o «levante nacional», e singularmente os falangistas e os carlistas, que eram quem com suas milícias mais haviam contribuído para a guerra, fossem integradas sob um único partido, denominado Falange Espanhola Tradicionalista e das JONS. O passo seguinte foi a organização do «Novo Estado» que foi a tarefa incumbida pelo generalíssimo a seu primeiro governo, nomeado em 30 de janeiro de 1938 (e que substituiu a Junta Técnica do Estado).

A Junta de Defesa Nacional

A morte em 20 de julho do general Sanjurjo, exilado em Estoril, devido ao acidente que teve assim que decolou o avião no qual tinha que se dirigir de Lisboa para Pamplona para se colocar à frente da sublevação, deixou os generais rebeldes sem o chefe que iria liderar o levante. Para suprir em parte a carência de um comando único, os generais e chefes rebeldes constituíram em Burgos em 24 de julho uma Junta de Defesa Nacional presidida pelo general de maior patente e mais antigo, Miguel Cabanellas. Seu Decreto n.º 1 estabelecia que assumia «todos os poderes do Estado» e em sucessivos decretos estendeu o estado de guerra que os rebeldes haviam proclamado em cada local a toda a Espanha (o que serviu de base para submeter a conselhos de guerra sumaríssimos a todos os que se opusessem à rebelião militar), ilegalizou os partidos e sindicatos da Frente Popular e proibiu todas as atuações políticas e sindicais operárias e patronais «enquanto durarem as atuais circunstâncias» (Decreto de 25 de setembro).

O general Franco, «generalíssimo» e «caudilho»

Em 1 de outubro de 1936, no salão do trono da Capitania General de Burgos, Francisco Franco tomava posse de seu novo cargo, como Generalíssimo do exército rebelde e Chefe do Governo do Estado. Um dia antes, o bispo de Salamanca Enrique Pla y Deniel havia tornado pública uma pastoral na qual apresentava a guerra como «uma cruzada pela religião, pela pátria e pela civilização», dando uma nova legitimidade à causa dos rebeldes: a religiosa. Assim, o generalíssimo não era apenas o «chefe e salvador da Pátria», mas também o «caudilho» de uma nova «cruzada» em defesa da fé católica e da ordem social. A primeira lei que promulgou o generalíssimo Franco foi a que criava a Junta Técnica do Estado (em substituição à Junta de Defesa Nacional), presidida pelo general Dávila (que no verão de 1937 seria substituído pelo general monárquico Francisco Gómez-Jordana, muito mais eficiente que seu antecessor) e que contava com uma Secretaria Geral do Chefe do Estado, cargo que desempenhou Nicolás Franco, o irmão mais velho do generalíssimo. Sua ocupação foi «retificar toda a legislação republicana voltando as coisas ao ponto anterior».

O Decreto de Unificação de abril de 1937

O passo seguinte no fortalecimento do poder do novo «caudilho» ocorreu quando após o fracasso da tomada de Madri (entre novembro de 1936 e março de 1937) se colocou a necessidade de criar um «partido único», seguindo o modelo da ditadura de Primo de Rivera, a partir da fusão dos carlistas e falangistas. Desde o Quartel-General do Generalíssimo, o novo assessor de Franco Ramón Serrano Súñer (cunhado do «caudilho» e antigo deputado da CEDA que havia chegado a Salamanca evadido da «zona vermelha») propiciou uma aproximação entre a Comunhão Tradicionalista e a Falange Espanhola e das JONS com vistas à sua fusão, mas as diferenças ideológicas e políticas que os separavam eram quase intransponíveis (pois eram as que separavam o tradicionalismo do fascismo), e além disso havia outro obstáculo que era inegociável: que à frente do «partido único» se situasse o próprio general Franco. Ou seja, que ambas as partes tinham que aceitar que a nova formação política ficaria subordinada ao poder pessoal do «Generalíssimo», vértice do poder militar e político. Para apoiar esta ideia se difundiu desde o Quartel-General de Salamanca o lema Uma Pátria, um Estado, um Caudilho; cópia do lema nazista Ein Volk, ein Reich, ein Führer ('Um Povo, um Império, um Líder').

O nascimento do «Novo Estado»

Em janeiro de 1938, enquanto ocorria a batalha de Teruel, dá-se o primeiro passo para a configuração definitiva do «Novo Estado» com a promulgação pelo «Generalíssimo» da Lei da Administração Central do Estado pela qual se criava uma estrutura administrativa que adotava a forma ministerial, e com a nomeação em 30 de janeiro de seu primeiro governo no qual o próprio Franco assume a Presidência, enquanto que Francisco Gómez-Jordana (até então presidente da Junta Técnica do Estado) era o vice-presidente e ministro das Relações Exteriores. No entanto, a personagem mais destacada do gabinete era Ramón Serrano Súñer, ministro da Governação e o cunhadíssimo de Franco. Neste governo se prefigurou já a amálgama ideológica que seria sempre no futuro o franquismo: «seu conservadorismo tradicional, e seu direitismo reacionário».

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Evolução da zona republicana

A reação do governo à sublevação militar

Na tarde de sexta-feira, 17 de julho, se conhecia em Madri que no Protetorado de Marrocos se havia iniciado uma sublevação militar. No dia seguinte a sublevação se estendeu à península e as organizações operárias (CNT e UGT) reclamaram «armas para o povo» para acabar com ela, ao que o governo de Santiago Casares Quiroga se negou. Na noite desse sábado, 18 de julho, Casares Quiroga apresentou sua renúncia ao presidente da República Manuel Azaña e este encarregou Diego Martínez Barrio, presidente das Cortes e líder da União Republicana, de formar um governo que conseguisse «deter a rebelião» sem recorrer ao apoio armado das organizações operárias. Martínez Barrio incluiu em seu gabinete políticos moderados e dispostos a chegar a algum tipo de acordo com os militares rebeldes e na madrugada de sábado, 18, para domingo, 19 de julho, falou por telefone com o general Emilio Mola, «o Diretor» da sublevação, mas este se negou mas este se negou rotundamente a qualquer tipo de transação. Assim, o «governo de conciliação» de Martínez Barrio renunciou e Azaña nomeou no mesmo domingo, 19 de julho, novo presidente do governo a um homem de seu partido José Giral, que formou um governo unicamente integrado por republicanos de esquerda, embora com o apoio explícito dos socialistas, que tomou a decisão de entregar armas às organizações operárias, algo a que também se havia negado Martínez Barrio porque, assim como Casares Quiroga, considerava que esse fato transpúnha o limiar da defesa constitucional e «legal» da República.

A revolução social de 1936 e o governo de José Giral (julho-setembro de 1936)

A entrega de armas aos partidos e organizações operárias fez com que estas constituíssem rapidamente «milícias armadas para fazer frente à rebelião no terreno militar e para proceder a uma profunda revolução social (desentendendo-se das autoridades republicanas, às quais não derrubaram): apreenderam e coletivizaram explorações agrárias e empresas industriais e mercantis para assegurar a continuidade da produção e distribuição de bens, e se encarregaram da manutenção das principais funções de competência do Estado. A produção, o abastecimento da população, a vigilância, a repressão, as comunicações e o transporte, a saúde, ficaram nas mãos de comitês sindicais, que em não poucas localidades suprimiram a moeda para substituí-la por vales. Diante do afundamento dos mecanismos do poder público [«um governo que distribui armas é um governo que ficou sem instrumentos para garantir a ordem pública e impor sua autoridade»], surgiu no verão de 1936 um novo poder operário, que era ao mesmo tempo militar, político, social, econômico». «No País Basco, no entanto, onde o PNV havia rejeitado a coalizão com a CEDA nas eleições de fevereiro de 1936 e apoiado a esquerda na tramitação do Estatuto de Autonomia, finalmente aprovado em 1 de outubro de 1936, não houve revolução social e um partido católico e nacionalista se manteve até junho de 1937 à frente de um governo autônomo com poder sobre pouco mais que o território de Biscaia».

O governo de Largo Caballero (setembro de 1936-maio de 1937)

Após a renúncia de Giral, o presidente da República Manuel Azaña encarregou a formação de um «governo de coalizão» a Francisco Largo Caballero, o líder socialista da UGT, uma das duas centrais sindicais que estavam protagonizando a revolução. Largo Caballero, que além da presidência assumiu o ministério chave da Guerra, entendeu este governo como uma grande «aliança antifascista», e assim deu entrada no gabinete ao maior número possível de representações dos partidos e sindicatos que lutavam contra a rebelião «fascista» (como chamavam as organizações operárias à sublevação militar de julho). Mas o governo não se completou realmente até dois meses depois, quando em 4 de novembro (no momento em que as tropas sublevadas já estavam nos arredores de Madri) se integraram nele quatro ministros da CNT, entre eles a primeira mulher que foi ministra na Espanha, Federica Montseny.

O governo de Juan Negrín (maio de 1937-março de 1939)

O novo governo que formou o socialista Juan Negrín em maio de 1937 respondeu ao modelo das coalizões de Frente Popular: três ministros socialistas ocupando as posições fundamentais (o próprio Negrín, que manteve a pasta da Fazenda que já havia ostentado no governo de Largo Caballero, Indalecio Prieto, sobre o qual recaiu toda a responsabilidade na condução da guerra, ao ser nomeado à frente do novo Ministério da Defesa, e Julián Zugazagoitia na Governação), dois republicanos de esquerda, dois comunistas, um do Partido Nacionalista Basco e outro da Esquerda Republicana da Catalunha. Segundo Santos Juliá, por trás deste governo estava Manuel Azaña, que pretendia «um governo capaz de se defender no interior e de não perder a guerra no exterior. (...) Com Prieto a cargo de um Ministério da Defesa unificado, seria possível defender-se; com Negrín na presidência, se podiam abrigar esperanças de não perder a guerra no exterior».

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A dimensão internacional do conflito e a intervenção estrangeira

A «guerra da Espanha» (como a chamou a imprensa internacional) teve uma repercussão imediata nas complicadas relações internacionais da segunda metade da década de 1930. Na Europa existia uma luta política, diplomática, ideológica e estratégica a três bandas entre as potências democráticas, Reino Unido e França; as potências fascistas, a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini; e a União Soviética de Stalin; e o «assunto espanhol» foi enfocado por cada Estado europeu a partir de seus interesses concretos. Os regimes fascistas europeus (Alemanha e Itália) e o Portugal salazarista apoiaram desde o início os militares rebeldes, enquanto que a República, após negar-lhe ajuda a França e o Reino Unido que optaram pela política de Não Intervenção, obteve o apoio da URSS e das Brigadas Internacionais a partir de outubro de 1936, sendo estas em sua maioria cidadãos franceses. Este «apoio internacional aos dois bandos foi vital para combater e continuar a guerra nos primeiros meses. A ajuda ítalo-germânica permitiu aos militares rebeldes transferir o Exército da África para a península no final de julho de 1936 e a ajuda soviética contribuiu de modo decisivo para a defesa republicana de Madri em novembro de 1936».

A política de «não intervenção» do Reino Unido e da França

Reino Unido e França viam que a «guerra da Espanha» podia complicar ainda mais o difícil jogo estratégico que se desenvolvia em escala europeia. Por isso, a primeira orientação da diplomacia dessas potências foi a de procurar o isolamento do conflito espanhol. A essa estratégia se deveu a política sobre a «Não-Intervenção» à qual se somaram 27 países da Europa e que deu nascimento ao Comitê de Não Intervenção com sede em Londres. Estados Unidos, por sua vez, contemplou a possibilidade de eludir o pacto e levantar o embargo sofrido pela República espanhola, motivada pela preocupação com que a Administração Roosevelt via a ascensão do nazismo; mas a oposição mostrada em ambos os lados do Atlântico pela hierarquia eclesiástica católica, desejosa de uma vitória franquista, frustrou tal iniciativa.

A intervenção estrangeira em favor dos rebeldes

Diante do fracasso do golpe de Estado de julho de 1936 (quanto à tomada imediata do poder), os militares rebeldes obtiveram ajuda rapidamente da Itália fascista e da Alemanha Nazista. As ajudas em homens ao lado rebelde se materializaram na Legião Condor alemã (cerca de 6000 homens) e no Corpo di Truppe Volontarie italiano (no máximo 40 000), mais um contingente de combatentes portugueses denominados Viriatos. Para que não houvesse dúvida de seu compromisso com a causa do lado rebelde, em 18 de novembro de 1936 (em plena batalha de Madri), Itália e Alemanha reconheceram oficialmente o «Generalíssimo» Franco e sua Junta Técnica do Estado como o governo legítimo da Espanha. Quanto a armamento, segundo Julio Aróstegui, os rebeldes receberam da Itália e da Alemanha 1359 aviões, 260 carros de combate, 1730 canhões, fuzis, e munições para tudo isso. Os combatentes alemães, italianos e portugueses eram soldados regulares aos quais se lhes proporcionava um salário em seu país de origem, embora a propaganda dos rebeldes sempre os tenha apresentado como «voluntários». Os voluntários genuínos foram cerca de mil ou mil e quinhentos homens, entre os que se destacaram a Brigada Irlandesa do general Eoin O'Duffy, integrada por cerca de 500-900 efetivos[f] que tinham vindo combater na Espanha para «travar a batalha da cristandade contra o comunismo» (embora só tenham participado da batalha do Jarama e uns meses depois voltaram para a Irlanda), e 300-500 franceses da organização ultradireitista Croix-de-feu (depois convertida no Partido Social Francês) que constituíram o batalhão Jeanne d'Arc.[g] Também houve voluntários da Guarda de Ferro romena, que acorreram para a «batalha contra a besta de cor escarlate do Apocalipse». Em menor medida, combateram entre os rebeldes alguns russos brancos, assim como ultradireitistas, católicos e antissemitas de toda a Europa. Também há que contar entre os estrangeiros que participaram do lado rebelde os milhares de marroquinos do Protetorado Espanhol de Marrocos que foram alistados de forma intensiva nas tropas de Regulares do Exército da África em troca de um salário.

A intervenção estrangeira em favor da República

Stalin respondeu positivamente ao pedido de ajuda formulado pelo governo republicano, não imediatamente, mas quando se convenceu de que se a República espanhola fosse derrotada aumentaria o poder das potências fascistas na Europa, o que suporia uma ameaça para a União Soviética (assim como para a França, uma possível aliada). Foi assim que em setembro de 1936 Stalin decidiu enviar material bélico à República espanhola e ordenou além disso ao Komintern que organizasse o envio de voluntários, que formariam as Brigadas Internacionais. Pelas Brigadas passaram um total aproximado de 40 000 homens e o material de guerra soviético que a República recebeu, cujos primeiros envios chegaram ao porto de Cartagena no início de outubro de 1936, foram 1100 aviões, 300 carros de combate e 1500 canhões (aos quais haveria que adicionar algumas pequenas partidas francesas, de artilharia e aviões, e fuzis e munição mexicanos). Outros autores precisam mais as cifras e afirmam que a URSS enviou 680 aviões (caças Chato e Mosca e bombardeiros «Katiuska»), 331 carros de combate, 1699 peças de artilharia, 60 automóveis blindados, 450 000 fuzis Mosin-Nagant, 20 486 metralhadoras e metralhadoras leves DP e 30 000 toneladas de munição. Este material de guerra foi acompanhado de cerca de 2000 técnicos, pilotos e assessores militares (e também agentes do NKVD, a polícia secreta estalinista, sob o comando de Alexander Orlov). Da mesma forma, enviou combustível, roupas e alimentos, parte deles custeados com doações populares. Os soviéticos, como os alemães e os italianos, testaram armas e táticas de combate.

O financiamento da guerra e «o ouro de Moscou»

A República financiou a guerra com as reservas de ouro do Banco da Espanha que enviou para a União Soviética (o que a propaganda franquista chamou de «ouro de Moscou»), menos uma quarta parte que foi vendida à França. O «ouro de Moscou» estava destinado «ao pagamento do armamento adquirido da Rússia e outros países que houve de ser pago sempre, enquanto que as entregas alemãs e italianas [aos rebeldes] eram grátis ou com pagamento diferido em mercadorias. Avalia-se o ouro saído [para Moscou] em 510 toneladas, com um valor de 530 milhões de dólares da época. Hoje sabemos que não há mais «ouro de Moscou» que esse, que foi investido em sua totalidade na compra de armas».

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A Igreja e a guerra civil espanhola

A Igreja católica na zona rebelde

Embora a motivação religiosa não apareça em nenhum dos bandos de pronunciamento do golpe de Estado na Espanha em julho de 1936, a conversão do golpe de Estado em uma «cruzada» ou «guerra santa» em defesa da religião ocorreu rapidamente, o que resultou muito oportuno para legitimar o golpe militar. Esta sacralização da guerra se acentuou sobretudo quando começaram a chegar à zona rebelde as primeiras notícias da selvagem perseguição religiosa que havia se desencadeado na zona republicana, onde o levante militar havia fracassado. José María Pemán, um dos principais ideólogos do lado rebelde escreveu: «a fumaça do incenso e a fumaça do canhão, que sobe até as plantas de Deus, são uma mesma vontade vertical de afirmar uma fé e sobre ela salvar um mundo e restaurar uma civilização».

A Igreja católica na zona republicana

Sobretudo durante os primeiros meses da guerra na zona republicana se desatou uma selvagem perseguição religiosa com assassinatos, incêndios e saques cujos autores foram «os extremistas, os incontrolados e os delinquentes comuns saídos das cadeias que se lhes somaram», tudo isso imerso na onda de violência desatada contra as pessoas e as instituições que representavam a «ordem burguesa» que queria destruir a revolução social espanhola de 1936 que ocorreu na zona onde o levante militar fracassou. «Durante vários meses bastava que alguém fosse identificado como sacerdote, religioso ou simplesmente cristão militante, membro de alguma organização apostólica ou piedosa para que fosse executado sem processo».

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Propaganda e cobertura

Lado rebelde

A guerra civil espanhola constitui um verdadeiro marco para a propaganda, já que se colocariam em prática os elementos persuasivos mais importantes e porque se trataria da antessala da Segunda Guerra Mundial. Como parte da propaganda franquista ficou implantada a ideia de que na guerra civil espanhola havia dois bandos enfrentados. Desta maneira se pretendeu dar legitimidade ao fato de apoiar com as armas um levante contra o legítimo governo democrático. Assim, criou-se a Delegação Nacional de Imprensa e Propaganda e já em plena ditadura o Ministério da Informação e Turismo. Um pioneiro no uso dos meios tecnológicos como o rádio foi o general Queipo de Llano, que sempre aparecia posando de uniforme bem falando pelo rádio na imprensa e nos atos oficiais, uma imagem que fazia parte do aparato propagandístico do golpe como culto ao herói. Queipo de Llano proibiu tirar fotografias em todo o território rebelde, sob pena de morte.

Lado republicano

No lado republicano, entre 1936 e 1937, existiu um Ministério da Propaganda. A serviço desta entidade, colocaram-se todos os organismos de publicidade, informação e propaganda que naquele momento interessavam ao Estado republicano (imprensa, rádio, cinematografia, editoras, publicações, atos públicos e exposições, entre outras). Para promover e agradecer a ajuda enviada da União Soviética, desdobraram-se pelas grandes cidades faixas e lonas com os rostos de Stalin, Litvínov e Voroshilov, assim como brasões e bandeiras desse estado. Essas homenagens foram especialmente promovidas em Madri, que se encontrava sob ataques constantes por parte dos rebeldes. Destaca-se a decoração instalada na Porta de Alcalá, com retratos soviéticos e a frase Viva a URSS, o rebatismo da Gran Vía como Avenida da União Soviética ou uma enorme imagem de Lenin de 20 m erguida na Glorieta de Bilbao. A partir de 1937, estações de metrô, praças, avenidas e outros espaços públicos foram decorados com imagens similares, homenagens a Stalin e frases aludindo à ajuda soviética e aos êxitos da Revolução russa. Desta forma a propaganda institucional foi se tornando cada vez mais ao estilo da propaganda soviética.

Internacional

No âmbito internacional, também se desdobrou um amplo aparato propagandístico para o recrutamento de soldados para lutar na guerra. Apelando a simpatias ideológicas ou à necessidade de ajuda, emitiram-se cartazes, discursos de rádio e publicidade em países como França, Itália fascista, União Soviética e Alemanha.

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Fontes consultadas

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