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Guerras Napoleônicas

As Guerras Napoleônicas (português brasileiro) ou Guerras Napoleónicas (português europeu) foram uma série de conflitos colocando o Império Francês, liderado por Napoleão Bonaparte, contra uma série de alianças de nações europeias. Essas guerras revolucionaram os exércitos e táticas dos países da Europa, com grandes tropas sendo deslocadas para o combate de forma nunca antes vista no continente, acontecendo devido a algumas das primeiras conscrições em massa modernas. Este conflito foi uma continuação direta das chamadas Guerras Revolucionárias, que começaram em 1792 durante a Revolução Francesa. Inicialmente, o poderio da França cresceu exponencialmente, com os exércitos de Napoleão conquistando boa parte da Europa. No total, o imperador francês lutou em mais de sessenta batalhas e perdeu muito poucas, a maioria no fim da sua carreira. O poder francês no continente foi quebrado logo após a desastrosa invasão da Rússia em 1812. Napoleão foi derrotado em 1814 e enviado para o exílio na ilha de Elba, na costa da Itália; ele, contudo, alguns meses mais tarde, conseguiu escapar, marchou em Paris e retomou o poder na França, apenas para ser novamente deposto, em 1815, após a fracassada Batalha de Waterloo. O imperador francês foi novamente exilado, desta vez na distante ilha de Santa Helena, onde viria a morrer em 1821.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Antecedentes (1789–1802)

Notícias dos acontecimentos da Revolução Francesa de 1789 foram recebidas com grande alarde pelas lideranças políticas nos países pela Europa, o que só piorou quando eles souberam da prisão e execução do rei Luís XVI de França. A primeira tentativa de esmagar a recém-nascida República Francesa veio em 1793 quando o Império Austríaco, o Reino da Sardenha, o Reino de Nápoles, o Reino da Prússia, Espanha e o Reino da Grã-Bretanha formaram a chamada Primeira Coalizão. Os franceses tomaram várias medidas, incluindo conscrições em massa (levée en masse), reformas militares e uma política de guerra total, que acabaram contribuindo para a vitória e sobrevivência da República. Ainda assim, o conflito interno persistiu e se tornou uma guerra civil aberta. A Guerra da Primeira Coalizão terminou quando o jovem general Napoleão Bonaparte derrotou os austríacos na Itália e chegou às portas de Viena, impondo à Áustria o Tratado de Campoformio. Em 1797, apenas a Inglaterra continuava oficialmente em guerra contra a França.

Data de início e nomenclatura

Não há consenso sobre quando as guerras revolucionárias francesas terminaram e as guerras napoleônicas começaram. As datas para o começo do conflito são debatidas entre 9 de novembro de 1799, quando Napoleão tomou o poder no 18 de brumário; ou em 18 de maio de 1803, quando a Grã-Bretanha encerrou o período de paz que firmou com a França. Outra data debatida é 2 de dezembro de 1804, quando Bonaparte se coroou imperador. Historiadores britânicos se referem ao período quase contínuo de guerras de 1792 a 1815 como a "Grande Guerra Francesa", ou como a fase final da Segunda Guerra dos Cem anos, que teria ido de 1689 a 1815. Na França, as Guerras Napoleônicas são geralmente integradas com as Guerras Revolucionárias Francesas (Les guerres de la Révolution et de l'Empire).

Táticas de Napoleão

Napoleão foi, e ainda é, reconhecido por suas vitórias nos campos de batalha. Historiadores e analistas militares há muito tempo estudam seus feitos. Em 2008, Donald Sutherland escreveu: "A batalha ideal Napoleônica era manipular o inimigo a uma posição infavorável através de manobras e ardis, forçando ele a mandar suas principais forças e reservas para a batalha principal e depois realizar um ataque envolvente com as tropas não comprometidas ou reservas no flanco ou por trás. Tal ataque surpresa ou daria um duro golpe na moral inimiga ou o forçaria a quebrar suas linhas. Ainda assim, a própria impulsividade do inimigo começava o processo onde um pequeno exército francês poderia derrotá-los um a um".

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Prelúdio

O Reino Unido não estava feliz com várias ações tomadas pela França após a assinatura do Tratado de Amiens. Napoleão Bonaparte havia anexado Piemonte e a Ilha de Elba, e se proclamou presidente da República Italiana, um Estado criado pela França. Os franceses também interferiam bastante nos assuntos comerciais britânicos, apesar dos acordos de paz. Paris também reclamava que a Grã-Bretanha ainda dava abrigo a certos indivíduos e não calava a imprensa antifrancesa do país. A ilha de Malta havia sido capturada pelos britânicos durante a Guerra da Segunda Coalizão e esse assunto foi tratado em um complexo acordo estipulado pelo 10.º artigo do Tratado de Amiens onde a Ordem de São João foi restaurada com uma guarnição napolitana. Contudo, o enfraquecimento da Ordem através do confisco de seus bens na França e Espanha, além de outros atrasos, evitaram que os britânicos pudessem se retirar da ilha nos três meses estipulados pelo tratado.

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Guerra entre o Reino Unido e a França (1803–1814)

Motivações britânicas

Os britânicos terminaram sua paz fraca criada pelo Tratado de Amiens quando declararam guerra à França em maio de 1803. O governo do Reino da Grã-Bretanha estava ficando cada vez mais irritado com Napoleão alterando a ordem política na Europa Ocidental, especialmente na Suíça, na Alemanha, na Itália e na Holanda. O acadêmico Frederick Kagan diz que os britânicos estavam insultados e alarmados com o controle de Napoleão sobre o território suíço. O líder francês falou que os ingleses não tinham nada a dizer a respeito dos acontecimentos na Europa continental e queria interromper a circulação de jornais ingleses que difamavam Napoleão. A Grã-Bretanha imaginava estar perdendo o controle político e sua hegemonia, além da perda de mercados, e se preocupava que Napoleão iria tentar ameaçar suas colônias fora do continente europeu. O autor Frank McLynn afirma que a decisão britânica de ir à guerra contra a França em 1803 foi uma "mistura de motivações econômicas e neurose nacional — uma ansiedade irracional sobre os motivos e intenções de Napoleão". Contudo, McLynn argumenta que, no longo prazo, a decisão de fazer guerra foi correta, pois as intenções de Napoleão eram hostis e iam de encontro aos interesses britânicos. Além disso, Bonaparte não estava preparado para a guerra naquele momento e era o melhor período para os britânicos irem à ofensiva. A Inglaterra então tomou conta da Malta, se recusando a acatar os termos do Tratado de Amiens.

Guerra econômica

Em resposta ao bloqueio naval imposto pelos ingleses contra a costa francesa iniciado em maio de 1806, Napoleão firmou o Decreto de Berlim, em 21 de novembro do mesmo ano, que iniciou o Bloqueio Continental. O objetivo era isolar a Grã-Bretanha economicamente ao tentar encerrar o seu comércio com o continente. O Reino Unido manteve um exército de 220 000 soldados profissionais no auge das Guerras Napoleônicas, onde apenas metade estavam disponíveis para campanhas, com o resto sendo alocado na Irlanda e em outras possessões coloniais inglesas pelo mundo para garantir sua proteção e que estas próprias não tentassem se rebelar. Cerca de 2,5 milhões de homens serviram nos exércitos napoleônicos (incluindo milícias e guardas nacionais). Muitos destes soldados eram fornecidos pelos países satélites de Napoleão. O maior exército que ele conseguiu mobilizar para uma campanha foi de 685 000 homens para lutar na Rússia (em 1812), sendo que metade desta tropa eram franceses.

Financiando o conflito

Um fator importante para o sucesso britânico foi sua habilidade de mobilizar todos os recursos financeiros e industriais da nação para derrotar a França. O Reino da Grã-Bretanha tinha uma população de 16 milhões de pessoas, metade da população francesa (que era de um pouco mais de 30 milhões). Então, com uma população maior, é natural que a França tivesse um exército maior. Contudo, os britânicos compensavam isso ao subsidiar, através de empréstimos, as forças armadas de países como Áustria e Rússia, que tinham pelo menos 450 000 homens em armas em 1813. Pelos termos do tratado Anglo-Russo de 1803, os britânicos pagariam 1,5 milhões de libras por cada 100 000 soldados que a Rússia conseguisse mobilizar.

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Guerra da Terceira Coalizão (1803)

Em 1803, o Reino Unido reuniu seus aliados pelo continente para formar a Terceira Coalizão contra a França. Em resposta, Napoleão contemplou invadir a Grã-Bretanha e reuniu um efetivo de 200 000 homens na cidade de Bolonha para a operação. Contudo, antes que ele pudesse autorizar uma invasão, era preciso conquistar superioridade naval ou pelo menos afastar a esquadra britânica do Canal Inglês. Um complexo plano para distrair a marinha inglesa foi feito ao ameaçar as possessões coloniais britânicas nas Índias Ocidentais, mas fracassou quando a frota Franco-espanhola, sob comando do almirante Villeneuve, foi forçada a recuar após a malsucedida batalha de Cabo Finisterra, a 22 de julho de 1805. A marinha britânica então bloqueou Villeneuve em Cádiz, na costa de Andaluzia (sul da Espanha), até ele partir para Nápoles em 19 de outubro. Por fim, a esquadra combinada da marinha francesa foi derrotada na decisiva batalha de Trafalgar, em 21 de outubro. O comandante da frota britânica, o almirante Horatio Nelson, morreu no combate. Napoleão então não veria outra oportunidade de desafiar o poderio inglês no mar, nem ameaçaria mais uma invasão das ilhas britânicas. Ele então voltou sua atenção para os inimigos no continente, que naquela altura estavam se mobilizando contra ele.

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Guerra da Quarta Coalizão (1806–1807)

Quase um ano após o término da Terceira Coalizão contra a França, iniciou-se a Guerra da Quarta Coalizão (1806–1807) formada pelo Reino Unido, Prússia, Rússia, Saxônia e Suécia para, novamente, lutar contra Napoleão. Em julho de 1806, Bonaparte formou a Confederação do Reno que firmou uma aliança entre vários pequenos Estados no coração da Alemanha, na região da Renânia, e no oeste do país. Ele amalgamou muitos pequenos países em um conjunto de ducados e reinos para fazer a governança de países na Alemanha não prussiana mais fácil. Napoleão elevou os governantes dos dois maiores reinos da Confederação, a Saxônia e a Baviera, para os status de rei. Em agosto de 1806, o rei prussiano, Frederico Guilherme III, decidiu fazer guerra contra a França, independente da ajuda das outras potências. O exército russo, principal aliado da Prússia, em particular, estava longe demais. A 8 de outubro, Napoleão avançou com suas tropas para o leste do Reno e sobre a Prússia. Napoleão pessoalmente derrotou um exército prussiano na Batalha de Jena (14 de outubro de 1806), enquanto o marechal Louis Nicolas Davout também os derrotou na Batalha de Auerstedt no mesmo dia. No auge, cerca de 160 000 soldados franceses participavam da campanha contra a Prússia, usando sua mobilidade para derrotar o inimigo. Os prussianos conseguiam mobilizar até 250 000 soldados, sendo que eles sofreram 25 000 baixas, com outros 150 000 sendo feitos prisioneiros. Pelo menos 4 000 peças de artilharia e 100 000 mosquetes foram capturados. Em Jena, o combate não foi tão significativo. Mas em Auerstädt o grosso do exército prussiano foi destruído. Então, a 27 de outubro de 1806, Napoleão marchou em Berlim. Lá ele visitou a tumba de Frederico, o Grande e ordenou que seus marechais removessem seus chapéus quando entraram na tumba para reverencia-lo.

Polônia

Em 1807, Napoleão fortaleceu sua base de poder na Europa oriental. A Polônia sempre fora dividida pelos seus três vizinhos, mas Bonaparte criou o chamado Ducado de Varsóvia, mas este Estado se tornou muito dependente da França. O Ducado incorporava territórios que outrora pertenciam a Áustria e Prússia. Sua população era de 4,3 milhões e em 1814 enviou 200 000 homens para lutar ao lado de Napoleão, incluindo 90 000 que marcharam com ele até Moscou (a maioria não retornou). Os russos fortemente se opuseram a ideia de uma Polônia soberana e independente, e isto foi um dos motivos que levou a França a invadir o Império Russo em 1812. O Ducado polonês foi dissolvido em 1815, após a queda de Napoleão. A Polônia só voltaria a ser um Estado independente em 1918.

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Guerra da Quinta Coalizão (1809)

A Quinta Coalizão (1809) começou com uma aliança entre o Reino Unido e a Áustria contra a França, enquanto os ingleses instigavam a Guerra Peninsular com Portugal e a Espanha contra as tropas francesas de ocupação. Mais uma vez, os britânicos se tornaram a principal figura do conflito, tomando as maiores ações já que o principal teatro de operações contra Napoleão foi, inicialmente, no mar. A marinha do Reino Unido liderou uma série de operações bem-sucedidas contra os franceses em suas colônias ultramarinas. Em terra, a guerra da Quinta Coalizão viu menos movimentações militares que as anteriores. Uma delas foi a Expedição de Walcheren de 1809, que envolveu um esforço duplo do exército e marinha do Reino Unido para distrair as forças francesas no leste e aliviar a situação dos austríacos. Esta operação terminou em desastre quando o comandante, John Pitt, falhou em capturar seu objetivo, a base naval francesa na Antuérpia. Durante boa parte da guerra, as operações militares britânicas em terra (com exceção da Península Ibérica) viraram apenas ações isoladas executadas pela Marinha Real, que dominava os mares após ter derrotado boa parte da oposição naval por parte da França e seus aliados, bloqueando seus portos e bases navais e outras fortificações costeiras. Estas ações isoladas visavam interromper o tráfego naval (civil e militar) francês, atrapalhando suas linhas de comunicação e suprimentos. Quando os países da coalizão tentavam lançar expedições perto da costa, a marinha britânica os ajudava pelo mar ou desembarcava tropas e suprimentos para eles.

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Guerras subsidiárias

Os acontecimentos na Europa durante as Guerras Napoleônicas influenciaram conflitos militares e eventos que aconteceram fora do continente, como nas Américas e em outros lugares pelo mundo.

Guerra de 1812

Ao mesmo tempo que acontecia a Guerra da Sexta Coalizão, apesar de tecnicamente não ser considerada parte das Guerras Napoleônicas, aconteceu também a Guerra de 1812, com os Estados Unidos declarando guerra contra a Grã-Bretanha. Uma das principais causas do conflito entre essas nações foi a constante interferência britânica em assuntos navais americanos, com embarcações dos Estados Unidos sendo atacadas pelos ingleses e seus marinheiros capturados sendo alistados à força na Marinha Real Britânica. Os franceses também interferiram (em um ponto os americanos cogitaram declarar guerra à França por isso). Esta guerra acabou terminando em um impasse militar e não houve mudanças territoriais. A paz entre o Reino Unido e os Estados Unidos foi formalmente acertada no Tratado de Gante de 1815. Naquela altura, Napoleão já estava no seu primeiro exílio em Elba. O efeito maior da Guerra de 1812 no contexto dos conflitos na Europa da época foi que os americanos conseguiram distrair a marinha inglesa o suficiente para dar uma pequena vantagem aos franceses. A compra da Luisiana em 1803, por sua vez, foi pacífica com Napoleão desistindo da ideia de construir um império colonial nas Américas. Ele então tomou a Luisiana dos espanhóis e vendeu a terra para os estadunidenses por 15 milhões de dólares, incluindo 11 milhões em ouro.

Revoluções na América Latina

Com a abdicação dos reis Carlos IV e Fernando VII e a instalação de José Bonaparte como novo rei da Espanha por Napoleão, guerras civis e revoluções nas Américas acabaram por acontecer. Entre 1808 e 1833, as colônias espanholas no continente latino-americano começaram, uma após a outra, a se separar do Império Espanhol. Enfraquecida pelas questões internas, a Espanha não teve como resistir por muito tempo.

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A invasão francesa da Rússia (1812)

O Tratado de Tilsit de 1807 resultou na Guerra Anglo-Russa (1807–1812). O imperador da Rússia, Alexandre I, declarou guerra ao Reino Unido após um ataque inglês contra a Dinamarca em setembro de 1807. Os ingleses apoiavam a frota sueca durante a Guerra Finlandesa e conseguiram vitórias contra os russos no Golfo da Finlândia em julho de 1808, e novamente em agosto de 1809. Contudo, o sucesso do exército russo em terra forçou a Suécia a assinar a paz, em 1809, e com a França, em 1810, se juntando então ao Bloqueio Continental contra a Grã-Bretanha. Ainda assim, após 1810, as relações entre os franceses e os russos começaram a se deteriorar. Em abril de 1812, o Reino Unido, a Rússia e a Suécia assinaram um pacto secreto contra Napoleão. Um dos assuntos centrais na tênue paz que se seguiu ao tratado de Tilsit foi a questão polonesa. Napoleão e Alexandre I divergiam sobre a forma como o país deveria ser, tornando-se uma nação semi-independente sob controle de ambos. Como o autor Charles Esdaile notou, "havia a ideia implícita de que uma Polônia russa seria, é claro, uma guerra contra Napoleão". O historiador Paul Schroeder diz que a questão polonesa foi "a causa maior" da guerra de Napoleão contra a Rússia, mas ele completa afirmando que o fato do governo russo passar a se recusar a se unir ao Bloqueio Continental também foi um fator importante.

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Guerra da Sexta Coalizão (1812–1814)

A França estava aparentemente exaurida após a fracassada invasão da Rússia, com Napoleão perdendo mais da metade do seu exército. Vendo nisso uma oportunidade, a Prússia, a Suécia, a Áustria e vários Estados alemães decidiram reiniciar as hostilidades e declaram guerra à França. O imperador francês afirmou que ergueria um novo exército, tão grande quanto aquele que havia levado à Rússia. Bonaparte rapidamente recrutou entre 30 000 e 130 000 homens de nações do leste que ainda eram leais a ele. Conscrições também começaram na França e depois de alguns meses, ele já tinha 400 000 soldados (a maioria com pouca experiência em combate). Os franceses eventualmente fizeram avanços na Europa oriental, infligindo aos aliados 40 000 baixas nas batalhas de Lützen (2 de maio de 1813) e Bautzen (20–21 de maio de 1813). Estas batalhas envolveram mais de 250 000 soldados, fazendo desta uma das maiores fases das guerras. O ministro de relações exteriores da Áustria, Klemens von Metternich, propôs, em novembro de 1813, uma oferta de paz à França. Seria permitido a Napoleão reter o título de imperador, mas o país teria que restaurar suas "fronteiras naturais", abrindo mão das suas possessões na Itália, Alemanha e Holanda. Napoleão ainda tinha esperanças de vencer a guerra e rejeitou os termos apresentados. Em 1814, contudo, os franceses estavam recuando em todas as frentes. Os aliados da Coalizão agora avançavam rumo ao norte da França e ameaçavam flanquear a cidade de Paris (a capital do império). Napoleão teria então aceitado as propostas de Metternich para paz, mas já era tarde demais e os aliados rejeitaram qualquer acordo para cessar as hostilidades que não envolvesse sua abdicação.

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Guerra da Sétima Coalizão (1815)

Ao fim da Guerra da Sexta Coalizão a paz veio à Europa novamente, mas não por muito tempo ou da forma desejada. As potências que outrora lutaram juntas contra Napoleão começaram a bater boca no Congresso de Viena a respeito do novo mapa do continente. Na França, o novo governo de Luís XVIII se tornava cada vez mais impopular. Percebendo a situação agora mais favorável, Napoleão Bonaparte planejou sua fuga da Ilha de Elba, que ficava a apenas dois ou três dias pelo mar da costa francesa. Com pequenos barcos e acompanhado de um pequeno destacamento de membros da sua Guarda Imperial, ele desembarcou em Golfe-Juan, na Costa Azul da França, em 28 de fevereiro de 1815. Tropas reais francesas foram enviadas para interceptá-lo mas estas mudaram de lado ao vê-lo e marcharam com Bonaparte até Paris. A notícia que Napoleão regressara ao poder na França, em fevereiro de 1815, varreu a Europa e logo uma nova Coalizão antibonapartista (a sétima) foi formada, composta pelo Reino Unido, a Rússia, a Prússia, a Suécia, a Suíça, a Áustria, a Holanda e vários pequenos Estados alemães. A restauração de Napoleão foi curta (período conhecido como o Governo dos Cem Dias). As potências Europeias rapidamente reuniram um gigantesco exército de mais 700 000 homens inicialmente, com mais reforços a caminho. O imperador francês conseguiu reunir apenas 280 000 soldados. Ele tentou convocar uma conscrição em massa, mas não foi muito bem-sucedido. Veteranos também foram chamados de volta ao serviço. Mesmo assim, a desvantagem numérica era demasiada grande. A Coalizão pretendia unir suas tropas e marchar juntos com um poder avassalador e superar os franceses com seu grande número.

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