Gugu Liberato
Antônio Augusto Moraes "Gugu" Liberato foi um apresentador, empresário, radialista, jornalista, ator, cantor e produtor brasileiro.
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Nascido em 10 de abril de 1959, Gugu era o filho mais jovem (os irmãos mais velhos são Amandio e Aparecida) do caminhoneiro Augusto Claudino Liberato (1921–2009) e da vendedora de roupas Maria do Céu Morais (1929), ambos imigrantes portugueses do distrito de Bragança na região de Trás-os-Montes. O apresentador cursou um ano de Odontologia na Universidade de Marília, mas desistiu a pedido de Silvio Santos, formando-se em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, um curso cujas mensalidades foram pagas pelo próprio Silvio.
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1981–2009: Carreira no SBT
O início da carreira na televisão foi ainda na adolescência, aos quatorze anos, como assistente de produção do programa Domingo no Parque, apresentado por Silvio Santos no início da década de 1970. Gugu usava as horas de folga do serviço para escrever cartas com sugestões de brincadeiras ao dono do SBT. A iniciativa abriu a porta para sua primeira oportunidade na emissora de Abravanel. Um de seus primeiros programas, em 1981, foi a Sessão Premiada paulista — a versão carioca era apresentada por Paulo Barboza. Em 1982, Silvio Santos pediu que Nelly Raymond, uma importante diretora argentina, criasse um programa para os sábados à noite. Era o Viva a Noite, que no início era dividido em várias partes, e apresentado também por nomes como Ademar Dutra, Mariette Detotto e Jair de Ogum. Depois de algumas mudanças de formato, Gugu permaneceu sozinho no comando do programa, posteriormente dirigido por Homero Salles. Ao mesmo tempo que comandava o Viva a Noite, Gugu permaneceu por algum tempo dirigindo o Domingo no Parque e como editor do boletim Semana do Presidente, que era veiculado nos intervalos entre os quadros do Programa Silvio Santos.
2009–19: Carreira na Record
Sua estreia na Record se deu no dia 30 de agosto de 2009, com a estreia de seu programa dominical, intitulado apenas Programa do Gugu e exibido às 20h00. Em seu primeiro programa, além de erros técnicos, Gugu anunciou a presença do grupo internacional Blue Man Group e chamou seu novo programa erroneamente como Domingo Legal, o nome da atração que apresentou por mais de 15 anos no SBT. No bloco seguinte, Gugu desculpou-se pelo erro. Em maio de 2010, após sofrer com baixos índices de audiência, perdendo constantemente na Grande São Paulo, para o Programa Silvio Santos, do SBT, seu programa passou a ser exibido às 16h00, após o Tudo É Possível. Em 6 de junho de 2013, o portal UOL noticiou que Gugu Liberato deixaria a Record. O motivo da saída do apresentador seria corte de verbas no seu programa feito antes do final do seu contrato. A Rede Record só viria a confirmar a saída do comunicado da emissora no final da tarde do dia posterior. No texto, o canal diz que “a emissora e o apresentador consideram que o período de convivência profissional foi proveitoso para ambas as partes e atingiu seus objetivos”, e “ofereceu todas as condições para que Gugu e sua equipe desempenhassem o seu trabalho”.
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Em 1997, Gugu associou-se a empresários de Cuiabá, Mato Grosso, para formar uma rede de televisão, sediada naquela cidade. De acordo com levantamento da repórter Elvira Lobato, da Folha de S.Paulo, o animador ficou com 49% das ações da Pantanal Som e Imagem. O caso veio a público durante a campanha presidencial de 2002, quando Gugu apresentava o programa de TV do então candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), José Serra. A concessão do canal chegou a ser anulada pelo então ministro das Comunicações, Juarez Quadros. Mas, em fevereiro de 2007, após uma longa disputa judicial, Gugu conseguiu ter de volta a concessão da TV Pantanal. Pelos planos do apresentador, a emissora se tornaria um canal de notícias, seguindo os moldes da emissora americana CNN. Um mês após reaver a concessão da Pantanal Som e Imagem, Gugu fechou um acordo de cessão dos estúdios da produtora GGP para a produção paulista da programação da TV JB (antiga CNT).
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Relacionamentos e sexualidade
Em 10 de novembro de 2001, Gugu e a otorrinolaringologista Rose Mirian Souza Di Matteo tiveram um filho, João Augusto Liberato. Rose foi assistente de palco do programa Viva a Noite entre 1983 e 1985 e teve romance com o apresentador em 1994, ambos optaram por não se casar. Em 2001, Gugu e Rose recorreram a uma clínica de reprodução humana do médico Roger Abdelmassih, entretanto, a assessoria do apresentador negou que João Augusto tenha sido concebido através de inseminação artificial. No Brasil, ambos viviam em casas separadas. Em 25 de dezembro de 2003, o casal teve duas filhas gêmeas, Sofia e Marina. Em fevereiro de 2020, o jornalista Leo Dias revelou com exclusividade que Gugu tinha um companheiro, o chef de cozinha Thiago Salvático, que afirma ter vivido um relacionamento com o apresentador nos últimos oito anos antes de sua morte. Salvático esteve com o apresentador em viagem à China dois meses antes do acidente fatal. O rapaz também conhecia os amigos mais próximos de Gugu e participou do velório, em alguns momentos ficando ao lado de Rose Miriam, prestando homenagens no caixão.
Acusações e procedimentos judiciais
Em 10 de fevereiro de 2020, foi divulgado que Gugu teria se envolvido romanticamente com Leandro Kloppel Lo Frano. Eles teriam se conhecido em 1998, quando Leandro tinha 13 anos, e teriam começado um relacionamento quando Leandro tinha 14 anos. Em 2013, Leandro teria aberto um processo contra Gugu, alegando abuso sexual e danos morais, porém teria desistido de dar continuidade ao mesmo após fechar um acordo de 1 milhão de reais. Segundo os advogados da família de Augusto Liberato, tudo não passou de uma tentativa de extorsão feita por uma quadrilha. Gugu teria feito um acordo de indenização para encerrar o processo, que tramitava em segredo de justiça. O apresentador teria tomado providências judiciais contra a disseminação das alegações que poderiam prejudicar sua reputação, seu trabalho e sua família. À época, o escritório do professor e jurista Miguel Reale Júnior pediu ao Ministério Público a abertura de um inquérito, representando à OAB-SP contra dois advogados que integrariam a suposta quadrilha. A defesa da família de Gugu informou ainda que, em 11 de fevereiro de 2020, foi aberto um processo contra o site Diário do Centro do Mundo, que publicou no dia anterior, detalhes do processo, vazados por fonte não divulgada, solicitando também a retirada imediata da publicação, alegando ilícitos como calúnia, violação de sigilo judicial e eventual formação de quadrilha.
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Em 20 de novembro de 2019, Gugu sofreu uma queda de uma altura de cerca de quatro metros do sótão de sua casa em Orlando, na Flórida, Estados Unidos, enquanto tentava trocar o filtro do seu ar-condicionado. Foi internado no hospital Orlando Health em estado grave, em coma classificado como Glasgow 3, sendo diagnosticada a morte encefálica no dia 21 de novembro. Inicialmente, a morte foi confirmada como tendo sido no dia 22 de novembro pelo neurocirurgião brasileiro Guilherme Lepski, chamado aos Estados Unidos pela família. O médico confirmou que Gugu apresentava um quadro irreversível de morte cerebral, depois de avaliar as imagens dos exames. Um mês depois, foi divulgado o laudo pericial, cuja data considerada a oficial de sua morte é 21 de novembro de 2019. Respeitando o desejo do apresentador, a família autorizou a doação de órgãos que, segundo os médicos, beneficiariam até cinquenta pessoas. Depois dos trâmites legais para a liberação do corpo, este foi trasladado para o Brasil, chegando no aeroporto de Viracopos, em Campinas, no dia 28 de novembro. De lá, seguiu em cortejo até a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), na região central da cidade, onde teve início o velório, aberto ao público. No dia seguinte (29) pela manhã, o corpo de Gugu seguiu em cortejo em um caminhão do Corpo de Bombeiros, para ser enterrado no Cemitério Gethsêmani, na zona sul da capital paulista. O governador de São Paulo, João Doria, decretou luto oficial de três dias. Gugu vivia com a médica Rose Miriam Di Matteo, com quem teve três filhos, sendo eles João Augusto e as gêmeas Sofia e Marina.
Disputa pela herança
Gugu Liberato deixou um testamento, em que exclui a mãe de seus filhos, Rose di Matteo, não a reconhecendo como companheira em união estável e consequentemente como uma das herdeiras de seus bens. No documento, Gugu nomeou sua irmã Aparecida Liberato como inventariante do espólio e curadora de seus filhos. Segundo ela, os três filhos do apresentador seriam os maiores beneficiários do espólio, e Rose di Matteo estaria sendo induzida a contestar o testamento, constituindo outros advogados. Em dezembro de 2019, Rose declarou à imprensa que iria de fato recorrer à Justiça para ser reconhecida como herdeira. Ao tomar conhecimento das declarações, a família de Gugu publicou um comunicado, afirmando estarem "surpresos com a decisão de Rose" e também que não sabiam que ela estaria no Brasil para tratar desse assunto, tendo deixado os filhos nos Estados Unidos "sem a mãe ou qualquer parente, principalmente num momento como este". Em janeiro de 2020, Rose ganhou na justiça o direito a uma pensão mensal no valor de 100 mil reais. João Augusto, um dos três filhos de Rose e Gugu, registrou um boletim de ocorrência contra a mãe, alegando que fora levado por ela e um tio (irmão da mãe) à casa de um advogado para discutir a partilha da herança, com o pretexto "de que iriam visitar um amigo". Ao saber do motivo da visita, João teria ido embora. A família de Gugu Liberato recorreu da decisão judicial argumentando que eles nunca formaram um casal, sendo "apenas amigos que decidiram ter filhos juntos".
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Gugu se tornou um ícone da televisão brasileira no decorrer dos anos. O portal Correio do Povo escreveu que o Domingo Legal, apresentado por Gugu, "marcou gerações com quadros emblemáticos e que a Banheira do Gugu também foi um marco e até hoje é lembrada pelos fãs da atração". Fernando Morgado, do Portal Comunique-se, escreveu que Gugu ampliou o espaço na TV para o jornalismo popular ao trazer esse segmento para seu programa, e que ao combinar jornalismo com entretenimento em um só programa, "Gugu Liberato instaurou o império daquilo que hoje se chama de infotainment. Tal fórmula era exceção na TV quando o Domingo Legal começou. Hoje é regra". A crítica de televisão Cristina Padiglione disse que "Gugu trazia para o seu auditório muitas ideias não exatamente inéditas na televisão, mas inéditas na TV brasileira" e que a concorrência entre Faustão e Gugu nas tardes de domingo "provou que cada um estava testando os limites do que era entretenimento para o público", e louvou o apresentador por sua "capacidade de persuadir o público a permanecer naquele canal, com suspenses que nem sempre eram tão extraordinários como ele anunciava".


