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Guilherme Leal

Guilherme Peirão Leal é um empresário, empreendedor socioambiental e filantropo brasileiro. É cofundador da Natura Cosméticos, um dos maiores grupos de beleza do mundo. Atualmente, é co-presidente do Conselho de Administração da empresa da qual detém 11% das ações, e membro do conselho do Instituto Natura voltado à melhoria da educação pública brasileira.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 05/07/2026
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Biografia

Guilherme Leal nasceu em Santos (SP) em 1950. É o mais novo de quatro irmãos e pai de cinco filhos. Graduou-se em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo. Trabalhou em instituições financeiras e na Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa). Em 1979, depois de deixar a Fepasa, passou a ser sócio da Natura, na época uma pequena loja de cosméticos situada na rua Oscar Freire, em São Paulo. Ao lado dos sócios Luiz Seabra e Pedro Passos, Guilherme Leal transformou a Natura em uma das maiores empresas de cosméticos do mundo e uma referência em sustentabilidade. Do trio de fundadores, Leal foi o que esteve à frente do investimento em conservação da natureza e desenvolvimento sustentável, fazendo com que a companhia passasse a adotar a biodiversidade brasileira como instrumento de inovação em cosmética e de consciência sobre a Amazônia. A empresa fincou o pé no Norte do país no início dos anos 2000, quando lançou a Ekos, uma linha de cosméticos baseada no uso de ativos da biodiversidade brasileira. A companhia é carbono neutro desde 2007 e criou um programa para direcionar investimentos para a Amazônia em 2011. A Natura virou um “case”, não só porque utiliza matéria-prima extraída da mata nativa, mas porque faz isso valorizando as comunidades que a coletam e os ciclos da natureza. Para Guilherme Leal, “as empresas devem ser agentes de transformações amplas na sociedade e não meros meios de geração de riqueza (...). O valor e a longevidade de um negócio estão ligados à sua capacidade de contribuir para a evolução da sociedade e para o seu desenvolvimento sustentável.”

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Filantropia

Imagem: Partido Verde · BY · Openverse

Além de fundador e ex-presidente do Instituto Ethos, criado para ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável, Guilherme Leal também participou da criação e foi membro do conselho da Fundação Abrinq, cujo objetivo é mobilizar a sociedade para questões relacionadas aos direitos da infância e da adolescência. Foi integrante dos conselhos da WWF-Brasil e do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). Em 2007, foi um dos fundadores do Movimento Nossa São Paulo, cujo objetivo é articular vários setores da sociedade local para buscar uma cidade melhor, mais justa e sustentável. Guilherme Leal costuma dizer que “a nova geração de filantropos quer lidar com as causas dos problemas, não apenas com as consequências”.

Instituto Arapyaú

Em 2008, o empresário criou o Instituto Arapyaú, uma organização sem fins lucrativos voltada para o desenvolvimento sustentável da economia, do ambiente, da política e da sociedade. A instituição identifica oportunidades e direciona, de forma voluntária, recursos financeiros e estratégicos para organizações, redes e projetos que trabalham pelo desenvolvimento sustentável. Desde sua fundação, o Instituto Arapyaú ajudou a formar outras redes como a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, movimento multissetorial voltado à promoção do uso harmônico da terra e, mais recentemente, a iniciativa Uma Concertação pela Amazônia, que reúne lideranças do setor público e privado, pesquisadores, povos indígenas, sociedade civil e imprensa para propor soluções para o desenvolvimento sustentável da região. Outro projeto fomentado pelo Instituto é o Mapbiomas, que faz o mapeamento anual da cobertura e uso do solo para tornar acessível o conhecimento sobre as transformações do território brasileiro.

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Política

Para Guilherme Leal, “sem política não se muda o país”. Em 2019, ele expôs sua visão sobre o assunto em um evento do Sistema B, movimento global que defende a responsabilidade socioambiental nas empresas, realizado em Mendoza, na Argentina. Segundo Leal, a construção de uma sociedade mais justa e igualitária é uma responsabilidade coletiva. As empresas, embora se configurem como parte importante desse processo, não resolvem sozinhas. É preciso que a sociedade esteja presente e que os governos façam sua parte. Em 2010, Guilherme Leal teve uma breve experiência na política. Após se filiar ao Partido Verde, o empresário foi oficializado em 16 de maio de 2010 como pré-candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva, convidado pela pré-candidata. O fundador da Natura foi o maior financiador da campanha, tendo doado à época 11,85 milhões de reais. O valor supera a doação da construtora Andrade Gutierrez (1,1 milhão de reais), do banco Itaú (1 milhão de reais) e do empresário Eike Batista (500 mil reais). A chapa recebeu mais de 20 milhões de votos.

Compromisso com a democracia

Guilherme Leal já afirmou que não pretende se candidatar outra vez, mas deixa claro que não vai se isentar politicamente. Nos últimos anos, ele se manifestou diversas vezes em defesa da democracia, uma de suas bandeiras, ao lado da pauta social e ambiental. Em 2018, assinou o manifesto “Pela democracia, pelo Brasil”, contra a candidatura de Jair Bolsonaro. O documento, que teve o apoio de artistas, advogados, ativistas e empresários, afirmou na época que era necessário um movimento contra o projeto antidemocrático do candidato do PSL. Em agosto de 2022, foi um dos signatários da “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito”, manifesto organizado pela Faculdade de Direito da USP em reação aos ataques reiterados do então presidente Jair Bolsonaro (PL) ao sistema eleitoral.

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Operação Lava Jato

Imagem: msilvaonline · BY · Openverse

Leal teria sido mencionado em delação do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro. Em um encontro com o empreiteiro, ele teria solicitado apoio à campanha presidencial de Marina Silva, em 2010, por meio de recursos ilícitos de caixa dois. Em nota, Guilherme Leal negou a acusação e disse que no encontro foram discutidas as propostas de economia e sustentabilidade da candidatura. Marina Silva também refutou as acusações: Em entrevista ao Jornal Nacional, Leal negou novamente a acusação e defendeu a campanha. O empresário também falou ao jornal Folha de S. Paulo, e disse que há um claro interesse em dizer que todo mundo é corrupto.

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