Igreja Assíria do Oriente
A Igreja Assíria do Oriente, às vezes chamada Igreja do Oriente, oficialmente Santa Igreja Católica Apostólica Assíria do Oriente, é uma denominação cristã oriental que reivindica continuidade da sé fundada na Babilônia por São Tomé. Algumas vezes é chamada de Igreja Ortodoxa Assíria,[carece de fontes?] mas não deve ser confundida com a Igreja Síria Ortodoxa. Na Índia, é conhecida como Igreja Síria Caldeia do Oriente. Teologicamente, é associada à doutrina do nestorianismo, o que fez com que ficasse conhecida como "Igreja Nestoriana", embora sua liderança tenha por vezes rejeitado expressamente tal rótulo. O seu rito litúrgico é o siríaco oriental.
A Igreja Assíria do Oriente reivindica sucessão da sé fundada na Babilônia por Santos Tomé, Tadeu de Edessa e Bartolomeu, traçando sua existência ao período apostólico às epístolas de São Pedro.
Grupos dissidentes
Em 1552, grupos dentro da Igreja do Oriente elegeram Mar Simeão VIII, um patriarca rival ao impopular Mar Simeão VII. Ao ter seu povo recusado pela Igreja Ortodoxa Síria, Simeão viajou a Roma, onde foi entronado em 1553. Seu grupo hoje subsiste na Igreja Católica Caldeia, que é uma Igreja oriental sui iuris em comunhão com as demais Igrejas Católicas. Em 1599, um grupo numeroso abandonou a Igreja do Oriente na Índia, por influência de missionários portugueses, estabelecendo a Igreja Católica Siro-Malabar, que junto da Igreja Caldeia veio a ser uma das duas Igrejas particulares em comunhão com as Igrejas Católicas praticando o rito siríaco oriental. Por fim, partes deste grupo se uniriam à Ortodoxia Oriental e também ao anglicanismo, resultando na hoje dividida comunidade dos Cristãos de São Tomé.
Atualidade
Atualmente, a Igreja Assíria do Oriente subsiste na Índia, no Iraque, no Irã, na China, nos Estados Unidos e em outros lugares onde haja migrado comunidades nestorianas dos países citados. Estima-se que a Igreja Assíria do Oriente conta apenas com cerca de 1 milhão de fiéis. Em virtude da perseguição religiosa, a sé principal da Igreja Assíria do Oriente chegou a alocar-se em Chicago, apenas em 2015 retornando a Arbil, no Iraque. Muitos fiéis, entretanto, permanecem ainda no Oriente Médio, na Índia e na China.
A Igreja Assíria do Oriente é governada por uma estrutura episcopal, assim como as demais igrejas apostólicas. A igreja mantém um sistema de paróquias geográficas organizadas em dioceses e arquidioceses. O Católico-Patriarca é o chefe da igreja. Seu sínodo é composto por bispos que supervisionam dioceses individuais e metropolitas que supervisionam as dioceses episcopais em suas respectivas jurisdições territoriais. A Igreja Caldeia Siríaca, que abrange a Índia e o Golfo Pérsico, é a maior diocese da igreja. Sua história remonta à Igreja do Oriente, que estabeleceu presença em Kerala, mas as duas comunidades mantiveram apenas uma conexão esporádica por vários séculos, e relações consistentes só foram estabelecidas com a chegada dos portugueses à Índia por volta de 1500. A igreja é representada pela Igreja Assíria do Oriente e está em comunhão com ela. Estima-se que o número de membros seja de 385.000 adeptos, embora alguns fontes dizem que chega a 500.000. De acordo com o estudioso James Minahan, cerca de 19% do povo assírio pertence à Igreja Assíria do Oriente. Em seu próprio Relatório sobre Liberdade Religiosa de 2018, o Departamento de Estado dos Estados Unidos estimou que os adeptos da Igreja Assíria do Oriente representam aproximadamente 20% dos cristãos no Iraque.
Cristologia
A Igreja Assíria do Oriente tem a distintiva crença cristológica de que em Jesus Cristo há duas essências (Qnome) distintas, uma humana e outra divina, em uma só pessoa (Parsopa). A crença dita nestoriana, de que em Cristo haveria duas pessoas, completas de tal forma que constituem dois entes independentes vivendo no mesmo corpo, ao contrário do que se pensa, não é a professada por esta Igreja, e na verdade nem corresponde exatamente à realidade (só se conhece o nestorianismo na versão dos inimigos dessa visão teológica, como os monofisistas e ortodoxos). Esta doutrina cristológica surgiu em Antioquia, no século V, e foi proposta por Nestório, monge oriundo de Alexandria, que assumiu o Bispado de Constantinopla. O Teshbokhta, hino composto por Mar Babai, resume a crença da Igreja Assíria da seguinte forma:
A Igreja Assíria do Oriente difere da maior parte da Cristandade quanto ao cânon bíblico. Possui no Novo Testamento apenas 22 livros, excluindo a Segunda Epístola de Pedro, a Segunda e Terceira epístolas de João, Judas e o Livro do Apocalipse. No Antigo Testamento não possui o livro das Crônicas e Esdras, Neemias e de Ester. A versão utilizada é a Peshitta em língua aramaica. Desde 1964 a Igreja Assíria do Oriente adota o calendário gregoriano, o que deflagrou o cisma com a Igreja Antiga do Oriente. Pratica o sacramento da eucaristia (Qurbana) na Divina Liturgia de Addai e Mari notavelmente não há as palavras de consagração na epiclese. O celibato é normalmente obrigatório para os bispos e monges. Sacerdotes podem se casar, em contraste com as outras Igrejas orientais e a Igreja Católica Romana, mesmo após a ordenação. Há instâncias de bispo se casarem, como fez o patriarca Mar Shimun XXIII.
Em suas casas, os cristãos pertencentes à Igreja Assíria do Oriente penduram uma cruz cristã (sem o corpo) na parede leste da sala principal. A Igreja Assíria do Oriente não utiliza ícones, e os interiores de seus templos são simples. A iconografia esteve presente na história da Igreja do Oriente; a oposição às imagens religiosas acabou se tornando a norma devido à disseminação do Islã na região, que proibia qualquer tipo de representação de santos e profetas bíblicos. Assim, a igreja foi forçada a se livrar de seus ícones. Um livro do Evangelho Nestoriano Peshitta escrito em Estrangela, do século XIII, encontra-se na Biblioteca Estatal de Berlim. Este manuscrito ilustrado da Alta Mesopotâmia ou Tur Abdin comprova que, no século XIII, a igreja ainda não era anicônica. O Evangelho Nestoriano preservado na Bibliothèque nationale de France contém uma ilustração representando Jesus Cristo (não um crucifixo) no círculo de uma cruz anelada (na forma de cruz celta) rodeado por quatro anjos.


