Impacto ambiental
Impacto ambiental é a alteração de condições do meio ambiente e/ou dos elementos presentes neste em consequência de atividades humanas (antrópicas). Estes impactos podem manifestar-se em forma de poluição de recursos naturais, destruição de ambientes naturais, redução de indivíduos ou extinção de espécies, aumento da temperatura global, acidificação dos oceanos, comprometimento de serviços ecossistêmicos essenciais à vida, entre outros.
O ser humano causa impactos ambientais desde o momento em que obteve conhecimento de como alterar as características do ambiente em que se encontrava a seu favor, deixando de depender das condições pré-estabelecidas na natureza e tornando o meio em que vivia cada vez mais favorável à sua ocupação e sobrevivência; no entanto, sem deixar de causar uma série de influências no ambiente. Há cerca de cem mil anos, o Homo sapiens saiu da África, seu continente de origem, e dispersou-se por todo o mundo, alimentando-se basicamente das espécies nativas (animais e vegetais) de cada um dos continentes em que chegou. A intensa caça aos animais, no entanto, pode ter sido a causa da extinção de várias espécies. Um estudo demonstra que o Homo sapiens foi responsável pela extinção de 177 espécies de grandes mamíferos (acima de 10 kg) ao redor do mundo entre 132 mil e mil anos atrás, sendo 62 delas da América do Sul, 43 da América do Norte, 38 da Ásia, 26 da Australasia, 19 da Europa e 18 da África.
Qualquer atividade humana é capaz de gerar alterações no meio ambiente, em grande ou pequena escala, sendo positivas ou negativas. Alguns exemplos são:
Aumento do efeito estufa e poluição atmosférica
O efeito estufa é um processo natural que aquece a superfície da Terra, contudo a ação antrópica e o consequente impacto ambiental corroboram com a intensificação desse efeito. O efeito estufa mantém a temperatura da Terra mais quente do que esta deveria ser, permitindo a perpetuação de vida na Terra. O aumento da concentração de gases do efeito estufa na atmosfera, devido à exacerbada queima de combustíveis fósseis, às atividades do setor agropecuário e ao aumento do desmatamento das florestas, contribui para a acentuação do efeito estufa, intensificando a poluição e a temperatura da Terra, provocando um aquecimento global. Esse fenômeno do aquecimento da superfície terrestre e o consequente aumento da temperatura nos oceanos estão provocando diversas alterações no meio ambiente e na saúde humana, como o degelo de massas polares, o aumento do nível do mar, a intensificação de eventos climáticos e implicações do habitat, comportamento e reprodução de diversas espécies de animais. Ademais, o aumento do nível de poluentes no ar e da temperatura contribui para a propagação de doenças infecciosas e epidemias, além de prejudicar a agricultura, podendo resultar em uma escassez de alimentos.
Acidificação de oceanos
A acidificação do oceano se dá pela absorção de CO2 proveniente da queima de combustíveis fósseis e desmatamento pela água do mar, aumentando o pH do ambiente. Muitos peixes são carnívoros e dependem de uma rede complexa de nutrientes, com o aumento da acidez esse equilíbrio é quebrado, através dos danos ao desenvolvimento dos animais e na sua permanência. Os mais impactados com essa acidificação são os recifes de corais, são muito importantes por providenciar abrigo e alimento para mais de 25% das espécies marinhas conhecidas, o estresse gerado tanto pela acidificação, quanto pelo aumento da temperatura e poluentes, causou uma diminuição da população de corais devido à dificuldade de criar e sustentar sua composição rígida, além de causar o esbranquiçamento dos corais devido a perda das algas com quem fazem simbiose. Invertebrados marinhos comumente usados na gastronomia e aquacultura também são atingidos pela acidificação, não apenas em seu crescimento, mas também na formação de exoesqueleto, muitos juvenis são afetados por conta disso, dificultando a produção de adultos e consequentemente diminuindo o sucesso reprodutivo da espécie.
Alteração das condições ambientais e recursos e a extinção de espécies
A sobrevivência e adaptação de uma espécie no ambiente dependem, principalmente, de condições ambientais e disponibilidade de recursos. A condição ambiental é um fator abiótico que influencia na fisiologia dos organismos. Esse fator pode ser: a temperatura, o pH, a salinidade, a pluviosidade e a luminosidade do ambiente. Quando a condição é afetada, pode causar até a morte de indivíduos. Esse acontecimento é facilmente observado em atividades humanas como, por exemplo, o uso de agrotóxicos em plantações perto de rios e lagos, no qual ocorre a alteração das condições ambientais locais devido a quantidade de nutrientes vindos desses agrotóxicos que chegará pelo lençol freático nesses rios. Isso causa um grande aumento de cianobactérias que cobrirão toda a superfície da água, impedindo a entrada de luminosidade e, assim, provocando uma redução na taxa fotossintética e a consequente diminuição no nível de oxigênio. Com isso, ocorrerá a morte da biodiversidade que estava adaptada à essas condições ambientais.
Rompimento de barragem de rejeitos em Brumadinho (MG)
No dia 25 de janeiro de 2019, ocorreu o rompimento da barragem de rejeitos da Mina do Feijão, localizada na região do Córrego do Feijão em Brumadinho, Minas Gerais, considerado o maior desastre ambiental da mineração no Brasil, com 259 mortes confirmadas e 11 desaparecidos. Além das mortes, o rompimento da barragem provocou a destruição de cerca de 269 hectares. Além disso, o IBAMA apontou que os rejeitos da mineração devastaram cerca de 133 hectares de vegetação nativa da Mata Atlântica e 70 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP). A primeira fauna afetada pelos rejeitos foram os peixes endêmicos, cujas migrações reprodutivas foram afetadas. Além disso, à medida que a lama se espalhou pelo Rio Paraopeba, a biota aquática foi afetada, em decorrência das alterações causadas no ecossistema aquático. A lama também afetou a composição de zooplânctons e fitoplânctons.
Rompimento de barragem de rejeitos em Barcarena (PA)
Em 17 de fevereiro de 2018, um vazamento na mineradora norueguesa Hydro Alunorte, em Barcarena (Pará), contaminou o Rio Murucupi com metais pesados como chumbo, arsênio e mercúrio. Depois de quase nove meses de investigação, a comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanhou as investigações sobre o vazamento de rejeitos minerais na cidade de Barcarena (PA) aponta uma sucessão de falhas e possíveis crimes. O Instituto Evandro Chagas identificou alterações nos níveis de alumínio, ferro, cromo, chumbo, arsênio, urânio e mercúrio nos rios e igarapés. Já a Hydro chegou a encomendar estudo externo e a se valer de laudos do Ibama e da Secretaria de Meio Ambiente do Pará para negar o transbordamento de seus depósitos de rejeitos, as irregularidades nas tubulações e a responsabilidade na contaminação, o deputado e relator Edmilson Rodrigues (Psol-PA) rebate os argumentos da empresa com estudos do Instituto de Química da Universidade Federal do Pará. O relatório também denuncia que os depósitos de rejeitos da Hydro foram construídos em área de proteção ambiental, com suspeita de fraude na base de dados do Pará sobre reservas ecológicas.
Rompimento de barragem de rejeitos em Mariana (MG)
No dia 5 de novembro de 2015, uma grande quantidade de lama em decorrência dos rejeitos da produção de minério de ferro pela Mineradora Samarco, atingiu o distrito de Bento Rodrigues, no município de Mariana (MG), devastando o local e outras áreas próximas. A barragem liberou cerca de 50 milhões de m³ de rejeitos de mineração de ferro, provocando o maior desastre ambiental no Brasil de origem minerária. A barragem de Fundão operava por meio de um método usado tradicionalmente em todo o mundo: o aterro hidráulico. Nesse sistema, os resíduos separados do ferro durante o processo de mineração são escoados até as barragens por força gravitacional. Já a filtragem da água é feita pela areia, localizada estrategicamente na parte frontal dessas barragens.
No Brasil, há meios para se avaliar o impacto ambiental e sua magnitude. Conforme a Resolução Nº 237, de 19 de dezembro de 1997 do CONAMA e a Deliberação Normativa COPAM nº 74, de 9 de setembro de 2004, há classificações de porte da empresa e o potencial de degradação da atividade que será implementada, variando de pequeno, médio e grande impacto. Dependendo da magnitude do impacto ambiental, este pode gerar graves consequências ao meio biótico e interferir nas relações dos ecossistemas. Empreendimentos que ocasionam significativos impactos ambientais são passíveis de licenciamento ambiental e consequente Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), esses dois documentos abordam os possíveis impactos ambientais que podem ser gerados decorrentes das atividades antrópicas que podem alterar o meio biótico, físico e social. É importante ressaltar que estudos de impacto ambiental são extremamente importantes para se mitigar os impactos que possam ser gerados a fim de se evitar impactos de grande magnitude.
Imagem: la nave de los locos · BY-NC · Openverse
Os impactos causados no meio ambiente pelos seres humanos não são sempre considerados negativos, algumas atitudes podem ter caráter positivo, como:


