Jacob do Bandolim
Jacob Pick Bittencourt, mais conhecido como Jacob do Bandolim, foi um músico, compositor e bandolinista brasileiro de choro.
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Jacob nasceu na capital fluminense, em 1918. Era filho do capixaba Francisco Gomes Bittencourt e da judia polonesa Raquel Pick, nascida na cidade de Łódź. Morou durante a infância no bairro da Lapa, à Rua Joaquim Silva, 97, no Rio de Janeiro. Sua mãe (Raquel ou Rachel) fazia parte do grupo apelidado de "as polacas", constituído por mulheres de origem geralmente polonesa – ou de regiões vizinhas da Europa – traficadas para países da América a fim de trabalharem como prostitutas. Raquel Pick (pronuncia-se "Pitsk") desempenhou papel importante entre as polacas, tendo atuado para que essas mulheres tivessem apoio mútuo em vida e para que fossem enterradas de maneira digna e conforme os rituais judaicos, no Cemitério de Inhaúma. No grupo, Rachel usava o nome de guerra de Regina, o que é confirmado pelo depoimento de Sérgio Bittencourt, filho de Jacob. Morava em uma casa avarandada com jardim, em Jacarepaguá (Rio de Janeiro), entre rodas de choro e grandes amigos chorões. Apesar de não ser um entusiasta do carnaval, gostava do frevo. Estudou em escolas tradicionais, como no Colégio Cruzeiro (escola referencial da comunidade alemã) e no Colégio Anglo-Americano. Fez o CPOR e trabalhou no arquivo do Ministério da Guerra, quando já tocava bandolim. Por fim, Jacob fez carreira como serventuário da justiça no Rio de janeiro, tendo sido escrivão de uma das varas criminais da capital.
Alguns mencionam que, quando criança, no bairro da Lapa, Jacob ouvia um vizinho francês e cego tocar violino. Este acabou por ser, aos 12 anos de idade, seu primeiro instrumento, presenteado por sua mãe. Apesar de ser algo que Jacob viria a ocultar durante toda a vida, sua mãe era uma "polaca", judia polonesa que teria sido trazida ao Brasil no início do século XX para trabalhar como prostituta. Por não se adaptar ao arco do violino, Jacob começou a tocá-lo usando grampos de cabelo. Pouco depois ele ganhou seu primeiro bandolim, um modelo de cuia, napolitano. Jacob não teve professor, sempre foi autodidata. Treinava repetindo os trechos de músicas que ouvia em casa e na rua. Com 13 anos ouviu seu primeiro choro, tocado no prédio em frente a sua casa. A música era É Do Que Há, composta por Luiz Americano. Em 20 de dezembro de 1933, se apresentou pela primeira vez na Rádio Guanabara, ainda como amador, com o conjunto Sereno, formado por amigos. Tocaram o choro Aguenta Calunga, de autoria de Atilio Grany. Jacob, que nessa época ainda tocava de ouvido, não gostou de seu desempenho e decidiu praticar ainda mais.
Carreira no rádio
Com a vitória no concurso da Rádio Guanabara, Jacob foi chamado para revezar, com o já consagrado conjunto de Benedito Lacerda, o Gente do Morro, no acompanhamento dos grandes artistas da época, entre eles, Noel Rosa, Augusto Calheiros, Ataulfo Alves, Carlos Galhardo e Lamartine Babo. Seu conjunto passou a se chamar então "Jacob e sua gente" e era formado por Osmar Menezes e Valério Farias "Roxinho" nos violões, Carlos Gil no cavaquinho, Manoel Gil no pandeiro e Natalino Gil no ritmo. Com o sucesso na Rádio Guanabara Jacob passou a ser presença comum nos programas de rádio. Ganhava cache se apresentando em diversas rádios, como Rádio Cajuti, Rádio Fluminense, Rádio Transmissora (atual Rádio Globo, Rádio Mayrink Veiga, onde atuava no Programa do Casé, e na Rádio Ipanema, que virou Rádio Mauá e onde Jacob ganhou um programa só seu.
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Jacob morreu em 13 de agosto de 1969, aos 51 anos, tendo sofrido um infarto cardíaco nos braços da esposa Adylia. Ele voltava da casa de Pixinguinha, onde tinha começado a planejar um novo disco. Foi sepultado no Cemitério do Caju.
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Em 33 RPM
Gravações lançadas após o falecimento de Jacob


