Língua acádia
O acádio, também conhecido como acadiano ou assiro-babilônio, era uma língua semítica, parte da família afro-asiática, falada na antiga Mesopotâmia, particularmente pelos assírios e babilônios. A mais antiga língua semítica registrada, ela utilizava a escrita cuneiforme, que, por sua vez, havia sido derivada do antigo sumério, uma língua isolada sem qualquer parentesco. O nome da língua é derivado da cidade de Acádia, um dos principais centros da civilização mesopotâmica.
Escrita
Os escribas acadianos escreviam a língua por meio da escrita cuneiforme, um sistema desenvolvido pelos sumérios que utilizava sinais em forma de cunha impressos em argila úmida. Da maneira que os escribas acadianos a empregavam, a escrita cuneiforme podia representar ou (a) logogramas sumérios (ou seja, caracteres desenvolvidos a partir de figuras que representavam palavras inteiras), (b) sílabas sumérias, (c) sílabas acádias, ou (d) complementos fonéticos. A escrita cuneiforme era inapropriada para o idioma acádio em diversos sentidos: entre suas falhas estava a impossibilidade de representar importantes fonemas das línguas semíticas, como a oclusiva glotal, as consoantes faringais, e as consoantes enfáticas. Além disso, a escrita cuneiforme era um silabário — isto é, uma consoante mais a vogal formavam uma unidade de escrita — o que era frequentemente pouco apropriado para uma língua semítica formada por raízes triconsonantais (três consoantes sem as vogais).
Desenvolvimento
O acádio é divido em diversas variedades de acordo com a geografia e o período histórico:
Consonantes
Pelo que pode ser descoberto por meio da ortografia cuneiforme, diversos fonemas proto-semíticos se perderam no acadiano. A oclusiva glotal proto-semítica *ʾ, assim como as fricativas *ʿ, He*h, *ḥ, *ġ se perdem como consoantes, tanto na mudança de som como de ortografia, dando origem a uma vogal e que não existia no proto-semítico. As fricativas laterais interdentais e fricativas laterais surdas (*ś, *ṣ́) se fundiram com as sibilantes, assim como no cananeu, restando 19 fonemas consonantais: A seguinte tabela demonstra os fonemas do protossemítico e os seus correspondentes entre o acadiano, árabe e o hebraico tiberiano:
Morfologia
O acádio é uma língua fusional, e como uma língua semítica suas características gramaticais são extremamente similares às encontradas no árabe clássico. Ela possui dois gêneros (masculino e feminino), distintos nos pronomes da segunda pessoa (tu-masc., tu-fem.) e nas conjugações verbais; três declinações para substantivos e adjetivos (nominativo, acusativo e genitivo); três números: singular, dual e plural); e conjugações verbais exclusivas para cada pronome da primeira, segunda e terceira pessoas. Os substantivos acádios variam de acordo com o gênero, número e declinação, e os adjetivos são declinados exatamente como os substantivos. Os substantivos šarrum (rei), šarratum (rainha) e o adjetivo dannum (forte) irão servir de ilustração para o sistema de casos do acadiano.
Numerais
Examplos: erbē aššātum (quatro esposas) (numeral masculino), meʾat ālānū (100 cidades).
Sintaxe
A ordem das palavras no acádio era Sujeito+Objeto+Verbo (SOV), o que a diferencia da maioria das outras línguas semíticas antigas, tais como o árabe e o hebraico bíblico, que têm tipicamente uma ordem Verbo-Sujeito-Objeto (VSO). As línguas semíticas do sul da Etiópia de hoje em dia também possuem a ordem SOV, mas esta foi desenvolvida ao longo da era histórica pela língua ge'ez, tradicionalmente SVO. Já se especulou que esta ordem de palavras foi resultado da influência do sumério, que também era SOV. Há evidências de que os falantes nativos de ambas as línguas estavam em íntimo contato linguístico, formando uma única sociedade por pelo menos 500 anos, então é perfeitamente possível que um sprachbund possa ter sido formado. Maiores provas de que uma ordem originalmente VSO ou SVO podem ser encontradas no fato de que os pronomes de objeto direto e indireto são sufixados ao verbo. A ordem das palavras deve ter mudado para SVO/VSO no final do primeiro milênio a.C. até o primeiro milênio d.C., possivelmente sob a influência do aramaico.
O texto a seguir é a 7° seção do Código de Hamurábi, escrito possivelmente no século XVIII a.C. Tradução: Se um homem comprou prata, ouro, um escravo, uma escrava, um boi, uma ovelha, um burro ou outra coisa das mãos de outro homem ou um escravo de um homem sem testemunhas ou contrato, ou recebeu (eles) para um depósito (também sem), então este homem é um ladrão, ele será morto.


