Língua polaca
A língua polaca (português europeu) ou língua polonesa (português brasileiro) é uma língua eslava ocidental, falada por cerca de 60 milhões de pessoas, a maioria das quais vive na Polónia (português europeu) ou Polônia (português brasileiro). É também falada na Lituânia, Bielorrússia, Ucrânia, Brasil, mas também no Reino Unido, na França, na Argentina, nos Estados Unidos, em Israel e no Canadá e em outros países. Esse idioma é a língua eslava mais falada depois do russo.
A história dessa língua divide-se em quatro períodos: antigo (séculos XII - XVI), médio (século XVI - 1780), novo (1780 - 1945) e moderno. A língua polaca pertence ao ramo lequítico do grupo ocidental eslavo, junto com dialetos extintos dos eslavos que viveram a leste dos rios Odra e Elba. A história registrada da língua polaca começa com uma bula papal redigida em latim em 1136 pelo arcebispo de Gniezno, na qual aparecem 410 nomes, pessoais e geográficos, em polaco. O registro mais antigo da língua é datado do século XIII, sendo do século XIV o texto contínuo mais antigo. No século XVI já se pode falar de língua literária mais ou menos normativa, que contém algumas características do dialeto da região da Grande Polônia, no oeste do país, e da região da Pequena Polônia, no sudeste, estando a história da época da Polônia conectada com os centros político-religiosos dessas regiões (Gniezno, Poznań e Cracóvia). As influências diferenciadas de ambos dialetos acabaram com a seleção da variante mais próxima ao Checo, que teve forte influência no começo do século X, quando o cristianismo entrou na Polónia via Boémia. A língua literária polaca teve desenvolvimento contínuo desde então, ainda que o latim tenha sido um sério adversário, concorrendo com o polaco até o final do século XVIII.
O polaco é a língua materna de quase 39 milhões de pessoas que vivem na Polónia e de cerca de 15-20 milhões que vivem em outros países. Reino UnidoBielorrússiaLituâniaCanadáBrasilIsraelRússiaCazaquistãoLetôniaÁustriaEslováquiaRep. TchecaHungriaAustráliaRomêniaAzerbaijãoEstôniaFinlândiaFrançaHolanda 546 000403 000258 000225 000150 000100 00094 00061 50057 00050 00050 00039 00021 00013 78310 0001 300600não disponívelnão disponívelnão disponível
O território linguístico polaco divide-se tradicionalmente em cinco grandes zonas dialectais, correspondentes às regiões histórico-geográficas da Grande Polônia, Pequena Polônia, Silésia e Cassúbia. Essa divisão não inclui os territórios do Oeste e do Norte (aproximadamente 25% do território polaco atual) que foram ganhos da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial e que estavam povoados pelos chamados falantes de novos dialectos criados como resultado das movimentações populacionais do pós-guerra. A maioria dos falantes dialectais mostram tendência à diglossia, ou seja, falam duas línguas, a forma dialectal e a língua normativa. A língua cassúbia, considerada pelos linguistas polacos durante o regime comunista apenas um dialecto do polaco (por razões políticas), goza agora do estatuto oficial de uma língua regional e, como tal, é protegida e promovida pelo estado polaco.
O polaco contemporâneo possui sete fonemas vocálicos e 35 consonantais, representados pelo alfabeto latino, com alguns sinais diacríticos. Os sons que não existiam no latim foram transcritos com a utilização de dígrafos, como sz (fricativa sibilante surda), cz (africada surda); ou por meio de marcas diacríticas como ś e ź, procedentes do tcheco. O único sinal exclusivo do alfabeto polaco é a letra Ł, que soa como a vogal u. Ao longo de sua evolução, o polaco deixou de distinguir entre vogais longas e breves. O polaco é a única língua eslava que possui vogais nasais (ą e ę), originárias das vogais nasais do antigo eslavo. É uma língua muito flexionada e os verbos conjugam-se variando em gênero, pessoa e número; a ordem das palavras na frase é bastante flexível, por conta da clareza dada pela declinação de substantivos e adjetivos.
O alfabeto polaco tem 35 caracteres; 9 são vocálicos e 26 são consonânticos. As letras "Q", "V", e "X" — "q", "v", e "x" aparecem apenas em palavras de origem estrangeira. São chamados "caracteres históricos" e não são considerados parte do alfabeto polaco contemporâneo.
Categorias lexicais
O polonês não possui artigos. O polonês possui as seguintes classes gramaticais: substantivos (rzeczownik), adjetivos (przymiotnik), numerais (liczebnik), pronomes (zaimek), verbos (czasownik), sendo todas essas classes sujeitas a declinação e/ou conjugação, e as classes dos advérbios (przysłówek), preposições (przyimek), conjunções (spójnik) interjeições (wykrzyknik) e das partículas gramaticais (partykuła), que não são sujeitas a declinações.
Declinação
O polonês é altamente flexível. Substantivos, adjetivos, pronomes, numerais, todas as classes de palavras são declinadas em sete casos diferentes: Os substantivos podem ser declinados levando em conta o caso e o numeral (singular ou plural). Para muitos substantivos há resquícios do numeral dual, quando havia uma forma para dois e outra para quando houvesse mais do que três itens. Os substantivos, em geral, costumam ser declinados no nominativo no plural quando são em 2, 3 ou 4, sendo que para cinco ou mais costuma-se usar o plural do genitivo. Quanto ao gênero, os substantivos podem ser masculinos, femininos ou neutros. Os adjetivos podem ser declinados conforme o caso, o número e o gênero. Não há mais três gêneros quando falamos dos adjetivos, e sim cinco. O masculino humano (męskoosobowy), o masculino para objetos (męskorzeczowy), o masculino para animais (męskozwierzęcy), o feminino (żeński) e o neutro (nijaki).
Conjugação verbal
O polonês, como idioma indo-europeu, tem diversas conjugações diferentes, e os verbos são conjugados levando em conta o tempo, a pessoa, o numeral e o modo verbal. Os modos verbais perfeitos são utilizados para ações que tiveram início e fim. Não há presente para os verbos perfeitos. Os verbos imperfeitos são utilizados para descrever ações que tiveram início, mas não um fim. Ao contrário de outros idiomas indo-europeus, mas similarmente ao que ocorre em outros idiomas eslavos, os verbos perfeitos e imperfeitos são completamente separados uns dos outros — significa dizer que há um verbo especificamente perfeito e outro especificamente imperfeito para a mesma ação.
Numerais
Os numerais em polonês seguem um padrão regular, porém de difícil compreensão para quem não fala o idioma ou outros idiomas com regras similares. Por exemplo, ao falar um złoty (que é a moeda oficial da Polônia) deve-se dizer jeden złoty, no nominativo singular. Para quantidades entre dois e quatro utiliza-se o nominativo plural, ou seja, dwa złote, trzy złote e cztery złote. Dali em diante todos os números de 5 em diante, até o 21, exigem que o nome seja declinado no genitivo plural. Portanto, cinco złoty na verdade fica pięć złotych e vinte e um złoty é dwadzieścia jeden złotych. Veja o exemplo a seguir: Ainda sobre moedas, o separador decimal em polonês segue o mesmo padrão da língua portuguesa, ou seja, os milhares são separados com espaços ou pontos, e as casas decimais com vírgulas.
Pronomes pessoais
Comunicação informal: Ja: eu, Ty: tu ou você, On, ona, ono: ele, ela, ele ou ela para palavras neutras; My: nós; Wy: vós; Oni, one: eles, elas. Comunicação formal: Pan: senhor; Pani: senhora. O plural do modo formal é państwo, em português, senhores (um casal).


