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Língua russa

O russo é uma língua eslava falada como língua materna na Rússia, Bielorrússia, Cazaquistão, Azerbaijão, Quirguistão, Moldávia e em diversos outros países que formavam as repúblicas constituintes da extinta União Soviética. Embora sem carácter oficial após o fim da União Soviética, é utilizada amplamente em países como Letónia, Ucrânia, e Estónia.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Classificação

O russo é uma língua eslava, pertencente à família linguística indo-europeia. Do ponto de vista do idioma falado, seus parentes mais próximos são o ucraniano e o bielorrusso, outras duas línguas nacionais pertencentes ao grupo eslavas orientais. Em diversos locais no leste e sul da Ucrânia e por toda a Bielorrússia estes idiomas são falados de maneira intercambiável, e em determinadas regiões o bilinguismo tradicional resultou numa mistura de idiomas, resultando por exemplo no surjyk falado no leste da Ucrânia e o trasianka da Bielorrússia. Acredita-se que um dialeto da Antiga Novgorod, também pertencente ao grupo eslavo oriental, e desaparecido durante o século XV ou XVI, teria desempenhado um papel importante na formação da língua russa atual. Os idiomas mais próximos atualmente deste dialeto seriam as línguas eslavas ocidentais, especialmente o polonês e o eslovaco, seguidos pelas línguas eslavas meridionais - embora o búlgaro, em especial, tenha uma gramática relativamente diferente.

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Distribuição geográfica

Durante o período da União Soviética, a política em relação às línguas dos diversos outros grupos étnicos variou na prática. Embora cada uma das repúblicas constituintes tivesse seu próprio idioma oficial, o papel unificador e um status superior eram reservados ao russo, ainda que ele tenha sido declarado língua oficial apenas em 1990. Logo após a dissolução da União Soviética, em 1991, diversos dos Estados recém-independentes encorajaram e estimularam o uso de seus idiomas nativos, o que reverteu parcialmente o status privilegiado do russo, embora seu papel como idioma do discurso nacional pós-soviético em toda a região ainda persista. O longo domínio russo sobre os demais povos da URSS estabeleceu, entre os falantes de outras línguas, uma controvérsia acerca da cultura russa. Na Letônia o reconhecimento oficial do russo e sua legalidade nas salas de aula têm sido alvo de um debate considerável, num país em que mais de um terço da população é formado por russófonos. Da mesma maneira, na Estônia, os falantes do russo constituem 25,6% da população atual do país, e 58,6% da população nativa estoniana também fala o russo. No total, 67,8% da população da Estônia fala o idioma. O domínio do russo, no entanto, está diminuindo rapidamente entre os estonianos mais jovens, já que está sendo substituído primordialmente pelo domínio do inglês. Por exemplo, enquanto 53% dos estonianos entre 15 e 19 anos de idade alegam ter algum conhecimento de russo, entre o grupo que vai dos 10 aos 14 anos de idade o domínio do idioma cai para 19%, cerca de um terço da percentagem daqueles que alegam falar o inglês.

Status oficial

O russo é a língua oficial da Rússia, embora também tenha este status a nível regional em diversas unidades autônomas étnicas dentro do país, como o Bascortostão, o Tartaristão e a Iacútia. Também é um dos idiomas oficiais da Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, bem como o idioma preponderante de facto nos países não reconhecidos da Transnístria, Ossétia do Sul e Abecásia. O russo é uma das seis línguas oficiais da Organização das Nações Unidas, e mais de um quarto da literatura científica do mundo é publicada em russo. O russo também é um idioma de referência no mundo dos sistemas de comunicação mundiais (transmissões, comunicação aeroespacial, etc.).

Dialetos

Apesar da padronização ocorrida após a revolução de 1917, especialmente em termos de vocabulário, diversos dialetos ainda existem dentro do russo. Enquanto alguns estudiosos dividam os dialetos do russo em dois grupos primordiais regionais — o setentrional e o meridional — com a cidade de Moscou situada exatamente na zona de transição entre os dois, outros dividem o idioma em três agrupamentos distintos — o setentrional, o central e o meridional — com Moscou integrada à região central, formando um dialeto específico e singular, e não mais adequando-se a uma mistura de dialetos. A dialetologia dentro da própria Rússia reconhece dúzias de variantes minoritárias. Estes dialetos frequentemente apresentam características distintas da forma padrão, em termos de pronúncia e entonação, vocabulário e gramática. Algumas destas características são resquícios de formas arcaicas que já foram completamente suplantadas pelo idioma padrão.

Alfabeto

O russo é escrito com uma versão modificada do alfabeto cirílico, que consiste em 33 caracteres, sendo 21 consoantes, 10 vogais e dois sinais. A tabela a seguir lista suas formas maiúsculas, juntamente com os valores no alfabeto fonético internacional para o som tipicamente expresso por cada letra: Entre as letras obsoletas do alfabeto russo estão <ѣ>, que acabou por se fundir ao <е> (/je/ ou /ʲe/); o <і> e <ѵ>, que se fundiram no <и> (/i/); <ѳ>, que se fundiu com o <ф> (/f/); <ѫ>, que se fundiu com o <у> (/u/); <ѭ>, que se fundiu com o <ю> (/ju/ ou /ʲu/); e <ѧ>/<ѩ>, que posteriormente se transformaram no <я>, passando a representar foneticamente /ja/ ou /ʲa/. Embora estas letras arcaicas tenham sido descartadas, ainda podem ser encontradas e até mesmo usadas em alguns textos. Os chamados yers, <ъ> e <ь>, indicavam originalmente a pronúncia dos sons ultra-curtos ou reduzidos, /ŭ/ e /ĭ/.

Ortografia

A ortografia russa é razoavelmente fonêmica na prática. Consiste, na realidade, de um equilíbrio entre a fonêmica, a morfologia, a etimologia e a gramática, e, como a da maior parte dos idiomas atuais, tem sua parcela de inconsistências e pontos controversos. As muitas regras gramaticais rígidas introduzidas entre as décadas de 1880 e de 1910 foram responsáveis por essas controvérsias, justamente enquanto visavam eliminar as inconsistências. A ortografia atual segue a principal reforma ocorrida em 1918, e a codificação final, de 1956. Uma alteração proposta no fim da década de 1990 foi recebida com hostilidade e não foi adotada formalmente. A pontuação, baseada originalmente no grego bizantino, acabou sendo reformulada durante os séculos XVII e XVIII, seguindo os modelos francês e alemão.

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Sons

O sistema fonológico do russo foi herdado do eslavônico comum, porém sofreu uma modificação considerável no início do período histórico, antes do século XV. A língua apresenta cinco sons vocálicos, que são grafados com letras diferentes, totalizando dez letras vogais, dependendo se as consoantes que as precedem são palatalizadas ou não. As consoantes aparecem em pares palatalizados ou não palatalizados, tradicionalmente chamadas de suaves ou duros, sendo que as consoantes duras costumam ser velarizadas, especialmente antes de vogais posteriores, como ocorre no irlandês, embora em alguns dialetos a velarização esteja limitada ao /l/ áspero. O russo padrão, baseado no dialeto de Moscou, apresenta uma forte tonicidade, e uma variação tonal moderada. As vogais tônicas costumam ter uma duração maior, enquanto as vogais átonas tendem a ser reduzidas a vogais semiabertas, ou até a um xevá pouco claro.

Consoantes

O russo se destaca por sua distinção a partir da palatalização da maioria de suas consoantes. Enquanto /k/, /ɡ/ e /x/ têm os alófonos palatalizados [kʲ, ɡʲ e xʲ], apenas o /kʲ/ pode ser considerado um fonema, embora seja relativamente marginal, e não costume ser considerado como fruto desta distinção, já que o único par mínimo nativo que implicaria /kʲ/ ser um fonema separado é "это ткёт" (/ˈɛtə tkʲot/) е "этот кот" (/ˈɛtət kot/). Palatalização significa que o centro da língua é levantado durante e depois da articulação da consoante. No caso de /tʲ/ e /dʲ/, a língua é elevada o suficiente para produzir um leve som africado. Os sons /t, d, ts, s, z, n e rʲ/ são dentais, isto é, são produzidos com a ponta da língua apoiada nos dentes, e não na crista alveolar.

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Gramática

O russo preservou a estrutura flexiva-sintética do indo-europeu, embora uma considerável nivelização tenha ocorrido. A gramática russa é relativamente complexa e essencial para a compreensão da língua, tendo profunda influência não somente na linguagem escrita, mas também no discurso. Não há artigos na língua russa. A língua falada foi influenciada pela escrita, porém ainda preservando suas peculiaridades. Os dialetos apresentam diversas características gramaticais que fogem ao padrão, muitas das quais são arcaísmos ou descendentes de formas arcaicas que já deixaram de ser usadas há muito pelo idioma literário.

Gênero

São três os gêneros gramaticais: masculino, feminino e neutro. A formação do passado singular dos verbos russos varia de acordo com o gênero. Os nomes das família russas declinam conforme o gênero masculino ou feminino. Diferente do que acontece em inglês, o gênero neutro não é utilizado simplesmente para aqueles substantivos que não sejam pessoas. Na verdade, os substantivos que se referem a seres inanimados podem ser tanto neutros como masculinos ou femininos. As palavras masculinas terminam geralmente por consoantes; As palavras femininas terminam geralmente pelas vogais /а/ e /я/ ou por consoantes palatalizadas; As palavras neutras terminam geralmente pelas vogais /е/ e /o/;

Plural

A maioria dos plurais dos substantivos masculinos e femininos terminam pelos sons de /и/ ou /ы/. Os plurais dos substantivos neutros terminam em /a/ ou /я/, dependendo da terminação da palavra no singular ser /о/ ou /e/, respectivamente. No campo verbal, a terceira pessoa do plural dos três gêneros é única, como em inglês ou alemão, sendo que a principal terminação para o passado de verbos no plural é /и/.

Declinação dos nomes

Um dos pontos mais característicos da gramática russa são os casos declinatórios, que consistem na mudança da estrutura de substantivos, adjetivos, pronomes ou numerais, dependendo de sua função sintática. A língua russa tem seis casos. A seguir, suas denominações e funções gerais: Há ainda o uso do caso locativo, que embora tenha sido unificado com o caso prepositivo, ainda é utilizado de forma irregular, com a função de indicar um espaço.

Verbos

Os verbos russos, quando no passado, variam de acordo com o gênero do sujeito, exceto para o plural, que tem uma variação única. Existem dois aspectos verbais: perfeito e imperfeito. O aspecto perfeito tem apenas os tempos passado e futuro, sendo que as ações em ambos os tempos se referem a um momento definido com um final específico. O aspecto imperfeito, por outro lado, tem os tempos passado, presente e futuro, sendo que assim como o tempo presente, os tempos passado e futuro se referem a um momento indefinido e não exigem um término da ação em questão. Diferentemente da língua portuguesa, os tempos verbais não se limitam à conjugação, mas são divididos em dois verbos morfologicamente distintos e em muitos casos conjugados de formas diferentes, sendo que, sem exceções, os verbos de aspecto perfeito nunca têm uma conjugação para o tempo presente.

Verbo ser/estar

Em russo, desde o século XIX, não é utilizado um verbo para ser/estar no tempo presente, do mesmo modo como ocorre em húngaro, uma língua, porém, fino-ugriana. As funções desse verbo são entendidas pelo contexto da frase. Há alguns usos raros do verbo есть para definir a ideia de ser/estar, mas o verbo é utilizado sempre no infinitivo e na maioria dos casos é dispensável. Tanto no passado como no futuro, o verbo быть é amplamente usado para se referir ao ser/estar, de forma a evitar que fique subentendido que a frase se refere ao presente.

Linguagem formal

A segunda pessoa do plural é usada, da mesma forma que em algumas outras línguas, como uma forma polida de se dirigir a outrem, em uma situação que permitiria o uso da segunda pessoa do singular, que contudo é considerada informal. O fato deve-se à influência do francês.

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Vocabulário

O número total de palavras no russo é difícil de ser estimado, devido à sua notável capacidade de aglutinar e criar múltiplos compostos, diminutivos, entre outros. O número de palavras ou verbetes listados nos principais dicionários publicados nos últimos dois séculos, bem como o vocabulário total usado por Alexandre Pushkin, célebre autor russo creditado por ter aumentado significativamente o vocabulário do idioma, bem como por ter codificado o russo literário, são: Por motivos históricos, Vladimir Dal ainda insistia, na segunda metade do século XIX, que a grafia correta do adjetivo русский (russo), que na época era aplicado de maneira uniforme a todos os súditos do Império Russo pertencentes à etnia eslava e adeptos da Igreja Ortodoxa, bem como à sua única língua oficial, deveria ser руский, com um /с/ apenas, de acordo com a tradição antiga e com o que ele descrevia como o espírito da língua. Em contrapartida, o filólogo Iakov Grot afirmava que o /с/ era distintamente dobrado na pronúncia.

Provérbios e ditados

O russo possui centenas de provérbios e ditados. A grande maioria deles já havia sido reunida e catalogada no século XVII, e posteriormente estudada nos séculos seguintes, sendo os contos populares uma fonte especialmente fértil destes provérbios.

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História

A história da língua russa pode ser dividida nos seguintes períodos: A se julgar pelos registros históricos, por volta do ano 1000, o grupo étnico predominante em boa parte dos territórios atualmente ocupados pela Rússia europeia, Ucrânia e Bielorrússia, era o ramo oriental dos eslavos, que falava um grupo de dialetos próximos. A unificação política desta região e a fundação da Rússia de Quieve, ocorrida por volta do ano 880, é vista pelos três países como seu ponto de origem, principalmente com o estabelecimento do eslavônico como língua comercial e literária. Logo seguiu-se a adoção do cristianismo, em 988, e a introdução do dialeto eslavo meridional, conhecido como eslavônico eclesiástico, a língua oficial e litúrgica. Empréstimos e derivações do grego bizantino começaram também a introduzir-se no eslavônico e demais dialetos falados neste período, o que por sua vez acabou alterando o próprio eslavônico eclesiástico.

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Influências à língua portuguesa

Alguns dos empréstimos linguísticos mais notáveis advindos da língua russa são: vodka, tsar, bolchevique, blini, samovar, dentre outros.

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Fontes consultadas

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