Luiz Fernando Carvalho
Luiz Fernando Carvalho é um diretor de cinema e televisão, roteirista, produtor e montador brasileiro, conhecido por trabalhos com forte relação com a literatura e que representam uma renovação para a estética do audiovisual brasileiro. O diretor já levou para as telas obras de Ariano Suassuna, Raduan Nassar, Machado de Assis, Eça de Queiroz, Roland Barthes, Clarice Lispector, Milton Hatoum, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, entre outros.
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Luiz Fernando Carvalho estudou arquitetura e letras. Aos 18 anos estreou no cinema em diversas funções: operador de som, assistente de direção, roteirista, montador e diretor de curta-metragem. No início da década de 1980 fez seus primeiros trabalhos para TV, como assistente de direção de minisséries marcantes, como O Tempo e o Vento, da obra de Érico Veríssimo, dirigido por Paulo José, e Grande Sertão: Veredas, da obra de João Guimarães Rosa, onde, ainda como assistente de direção de Walter Avancini, começou a dirigir suas primeiras cenas.
A Espera
Escreveu e dirigiu o curta-metragem A Espera, baseado no livro Fragmentos de um Discurso Amoroso de Roland Barthes. Lançado em 1986, o filme recebeu os seguintes prêmios: Melhor Curta-Metragem, Melhor Atriz (Marieta Severo) e Melhor Fotografia (Walter Carvalho) no 13º Festival de Gramado; Melhor Curta-Metragem (Concha de Oro) no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián (Espanha); e o Prêmio Especial do Júri do Festival de Ste Therèse (Canadá). "Há uma promessa concreta de renovação, de uma palpitação inédita no cinema brasileiro desde Glauber Rocha. (...) No calor do momento, nada resta além de fragmentos arrancados de um magma visual. Mas logo o caos se organiza, o filme se dá em toda a sua riqueza como um poema bárbaro à beira da alucinação, de uma potência extraordinária. (...) Nunca, entretanto, seu retorno aos mitos fundadores encobre ou acelera a predominância de sensações. Se o filme possui uma tal força encantadora, é porque Luiz Fernando Carvalho sabe que tudo começa lá, nesta primeira maneira de nascer no mundo, de se deixar arrebatar por ele, de degustar cada momento inesperado".
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Tieta
No fim da década de 1980, dirigiu a novela Tieta, de Aguinaldo Silva, baseada na obra de Tieta do Agreste, de Jorge Amado. Protagonizada por Betty Faria no papel-título, além de um elenco recheado de estrelas como Joana Fomm, Cássio Gabus Mendes, Arlete Salles, José Mayer, Lídia Brondi, Yoná Magalhães, Reginaldo Faria entre outros. A abertura da novela misturava elementos da natureza com a beleza feminina, representada pela modelo Isadora Ribeiro. Hans Donner e sua equipe fotografaram o litoral de Mangue Seco, no norte da Bahia. As fotos foram projetadas no fundo da cena e Isadora aparecia em primeiro plano, nua e coberta pela sombra. Através de recursos de computação gráfica, vários elementos da natureza, como pedras, árvores e folhas, davam forma ao corpo da modelo.
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Um ano depois da realização de Uma Mulher Vestida de Sol, Luiz Fernando Carvalho deu continuidade, em 1995, à sua relação com o escritor Ariano Suassuna, desta vez transformando em telefilme a peça A Farsa da Boa Preguiça. O diretor continuou sua busca por uma linguagem híbrida para televisão, como forma de crítica ao naturalismo das novelas. Produção de arte e figurino de Yurika Yamasaki e artista plástico Dantas Suassuna. Teve participação de Antônio Nóbrega, Patrícia França, Ary Fontoura e Marieta Severo. Segundo o crítico Rogério Durst, o telefilme foi um grande feito da teledramaturgia. O Rei do Gado, de 1996, trabalho seguinte do diretor com o autor Benedito Ruy Barbosa, tornou-se a 9ª novela de maior audiência da história da televisão brasileira. Foi reprisada três vezes, superando índices de produções exibidas no período, e vendida para mais de 30 países. Marcou a estreia de Marcello Antony, Caco Ciocler, Mariana Lima, Emilio Orciollo Netto e Lavínia Vlasak. A novela se destacou também pela crítica social e sensibilidade ao abordar o movimento dos sem-terra. Neste núcleo, se destacaram os atores Jackson Antunes e Ana Beatriz Nogueira. No elenco, Antonio Fagundes, Patricia Pillar, Leticia Spiller e Raul Cortez. Na primeira fase, a trama contou com as participações especiais de Tarcisio Meira, Eva Wilma e Vera Fischer. A novela recebeu o Certificado de Honra ao Mérito no San Francisco International Film Festival e o Prêmio APCA de Melhor Ator (Raul Cortez), Melhor Ator Coadjuvante (Leonardo Brício), Melhor Atriz Coadjuvante (Walderez de Barros) e Melhor Revelação Masculina (Caco Ciocler). Para Fernando de Barros e Silva, na Folha de S.Paulo, "O Rei do Gado engole o cinema nacional". Segundo o crítico Rogerio Durst, a novela é "um épico dramático com participações especiais de primeira e belíssima fotografia".
Riacho Doce
No começo da década de 1990, Luiz Fernando Carvalho dirigiu a minissérie de 40 capítulos escrita por Aguinaldo Silva a partir da obra de José Lins do Rego. Estrelada por Vera Fischer, Osmar Prado, Sebastião Vasconcelos, Carlos Alberto Riccelli e Fernanda Montenegro, com figurino de Beth Filipecki. A então inóspita ilha de Fernando de Noronha (PE) serviu de cenário para a história que se passa em uma pequena vila de pescadores no Nordeste.
Os Homens Querem Paz
O texto do pioneiro da TV brasileira Péricles Leal ganhou em 1991 uma adaptação dirigida por Luiz Fernando Carvalho, com figurino de Beth Filipecki. O telefilme, protagonizado por Paulo Betti, foi filmado na cidade de Canindé, Ceará, e foi finalista do 34º New York Television Festival (Tv & Film Awards). Marcou a estreia da atriz Leticia Sabatella na televisão. O crítico Rodrigo Fonseca declarou que a primeira lembrança que tem de Letícia Sabatella na TV foi também quando soube da existência do "gênio da direção que é o Luiz Fernando".
Pedra Sobre Pedra
Em 1992, dirigiu a telenovela escrita por Aguinaldo Silva e considerada a 6ª de maior audiência da história da televisão brasileira. Destacaram-se no elenco: Lima Duarte, Renata Sorrah, Armando Bógus, Eva Wilma, Paulo Betti, Andrea Beltrão, Pedro Paulo Rangel e Eduardo Moscovis. Alguns personagens são marcos da teledramaturgia: Sergio Cabeleira (Osmar Prado) e o retratista Jorge Tadeu (Fábio Júnior).
O Auto de Nossa Senhora da Luz
No decorrer de Pedra sobre Pedra, Luiz Fernando Carvalho concebeu uma sequência importante com inspiração no Movimento Armorial de Ariano Suassuna. O enorme sucesso da sequência, confirmado pelo número recorde de pedidos de reprise feitos por telespectadores à emissora, foi determinante para transformar o material em um telefilme, com cenas adicionais escritas por Braulio Tavares e interpretadas pelo músico e ator Antônio Nóbrega. Concorreu ao Prêmio Emmy Internacional de Televisão em 1993.
Renascer
A novela de 1993, escrita por Benedito Ruy Barbosa com direção de Luiz Fernando Carvalho, foi sucesso de crítica e público. Estrelada por Antonio Fagundes, Renascer foi a novela mais assistida da década de 1990 e é a 4ª em audiência da história da televisão, tendo sido apresentada em diversos países. Segundo o livro “Telenovela e representação social”, a direção de Luiz Fernando Carvalho é considerada um dos marcos renovadores da estética do gênero nos anos 1990. O personagem Tião Galinha, interpretado por Osmar Prado, é um marco na carreira do ator. A personagem Buba, interpretada por Maria Luisa Mendonça, causou polêmica nacional, sendo a primeira vez que a discussão de gênero foi abordada numa telenovela. Recebeu o Prêmio APCA de Melhor Novela, Melhor Ator (Antonio Fagundes), melhor Ator Coadjuvante (Osmar Prado), Melhor Atriz Coadjuvante (Regina Dourado), Revelação Masculina (Jackson Antunes). Leonardo Vieira, Jackson Antunes, Cacá Carvalho, Marco Ricca, Isabel Fillardis e Maria Luisa Mendonça foram alguns dos talentos revelados nesta obra. O empresário da televisão José Bonifácio de Oliveira, o Boni, considerou a trama "bem estruturada pelo Benedito, com uma primeira fase primorosa e dirigida com maestria pelo Luiz Fernando Carvalho". Segundo Marilia Martins, raras novelas apresentaram no seu primeiro capítulo um trabalho de direção tão apurado e tão requintado quanto Renascer.
Uma Mulher Vestida de Sol
Em 1994, o telefilme dirigido por Luiz Fernando Carvalho marcou a estreia da obra de Ariano Suassuna na televisão. Baseado em romance homônimo inédito do escritor, o roteiro teve assinatura do próprio Ariano em parceria com o diretor. Direção de fotografia de Dib Lufti, figurino de Luciana Buarque e produção de arte de Lia Renha. Cenografia do artista plástico Fernando Velloso, da companhia de dança Grupo Corpo, música de Antônio Madureira, integrante do Quinteto Armorial. A partir de Uma Mulher Vestida de Sol, o diretor deu início à sua investigação sobre os limites da linguagem televisiva, mesclando elementos do teatro popular nordestino. Teve participação do Grupo Piolim, de Luiz Carlos Vasconcelos. No elenco, Tereza Seiblitz, Lineu Dias, Sebastião Vasconcelos, Ana Lúcia Torre, Raul Cortez e o então estreante Floriano Peixoto. Segundo o pesquisador em Literatura Hélio Guimarães, a obra provocou um impasse na emissora: se Luiz Fernando Carvalho não seria grande demais para a tela da Globo.
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Lavoura Arcaica
O cineasta realizou em 2001 seu primeiro longa-metragem, Lavoura Arcaica, em que assinou a direção, o roteiro e a montagem. A direção de fotografia é de Walter Carvalho, a direção de arte de Yurika Yamazaki e o figurino de Beth Filipecki. No elenco, Selton Mello, Raul Cortez, Simone Spoladore, Leonardo Medeiros, Caio Blat e Juliana Carneiro da Cunha, entre outros. Disposto a manter um diálogo com a prosa poética do livro de Raduan Nassar, o diretor decidiu fazer o filme sem roteiro prévio, apoiado inteiramente em improvisações dos atores sobre o romance. Para isso, realizou um intenso trabalho de preparação de elenco, retirados por quatro meses em uma fazenda. O processo de criação e realização do filme foi abordado no livro "Sobre Lavoura Arcaica", em que o diretor é entrevistado por José Carlos Avellar, Geraldo Sarno, Miguel Pereira, Ivana Bentes, Arnaldo Carrilho e Liliane Heynemann, e lançado em português, inglês e francês pela editora Ateliê Editorial.
Os Maias
Produção de 2001, a minissérie baseada no romance homônimo de Eça de Queiroz e adaptada por Maria Adelaide Amaral também marcou a carreira do diretor. Os Maias retrata a decadente aristocracia portuguesa na segunda metade do século XIX, através da trágica história de uma tradicional família lisboeta. Figurino de Beth Filipecki e direção de fotografia de José Tadeu Ribeiro. Para o escritor Luis Fernando Veríssimo, "a câmera extraordinariamente móvel do Luiz Fernando Carvalho “frequentou”, mais do que retratou, a frívola Lisboa da época e todas as atmosferas do romance. Mas no fundo havia aquela progressão majestosa, desde a primeira cena, para o desenlace, a câmera andante nos levando como um lento tema trágico que repassa uma sinfonia. Nunca uma câmera de TV foi tão cúmplice e envolvente, nunca a TV foi tão romântica".
Hoje é Dia de Maria
Em duas temporadas, Hoje é Dia de Maria (2005) consolidou a pesquisa de linguagem do diretor, que também assinou a criação e o roteiro da minissérie. Foram co-roteiristas Luis Alberto de Abreu e Carlos Alberto Soffredini, a partir de uma seleção de contos retirados da oralidade popular brasileira, recolhidos pelos escritores Câmara Cascudo, Mário de Andrade e Silvio Romero. Direção de Arte de Lia Renha, artista plástico convidado Raimundo Rodriguez, direção de fotografia de José Tadeu Ribeiro e figurino de Luciana Buarque. As 60 marionetes que representavam os animais foram produzidas pelo Grupo Giramundo, de Minas Gerais. A obra marcou o início da parceria entre o diretor e o psicanalista Carlos Byington, como orientador na dramaturgia mitológica do texto.
A Pedra do Reino
A terceira realização do diretor com base na obra de Ariano Suassuna levou para a TV, em 2007, o Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. A minissérie é apontada como mais uma inovação estética do diretor como em Lavoura Arcaica e Hoje é Dia de Maria. Teve roteiro assinado por Luiz Fernando Carvalho em colaboração com Luis Alberto de Abreu e Braulio Tavares, direção de fotografia de Adrian Teijido, cenografia de João Irenio Maia, edição de Marcio Hashimoto e figurino de Luciana Buarque. Colorista Sergio Pasqualino. Da equipe de produção de arte participaram artistas regionais coordenados pelo artista plástico Raimundo Rodriguez. Música de Antônio Madureira (Quinteto Armorial) e Marco Antônio Guimarães (Uakti).
Projeto Quadrante
A partir de A Pedra do Reino (2007), o diretor criou o Projeto Quadrante com o intuito de realizar uma série de programas regionais de dramaturgia destinados ao redescobrimento do imaginário brasileiro através de adaptações de textos literários de autores naturais de cada estado do Brasil. Da mesma forma, atores locais encenam os textos. A riqueza do projeto esteve na descoberta de talentos regionais: autores, atores, compositores, artistas em geral. O projeto prestigiou o potencial humano de cada cultura regional, superando a visão simplista do cartão postal. Além de A Pedra do Reino, compõem o Quadrante as minisséries Capitu (2008), baseada no livro Dom Casmurro, de Machado de Assis, e Dois Irmãos (2017), de Milton Hatoum.
Capitu
"Luiz Fernando Carvalho, em seu mais recente trabalho na TV (Capitu), evitou a transposição e assumiu o que eu chamaria de "posição" diante do desafio de dar imagem, som, luz e processo narrativo a "Dom Casmurro", a mais famosa obra-prima da literatura nacional. Por acaso, sua carreira na televisão começou com um romance de Machado de Assis (Helena) e seguiu em ritmo ascendente com outros textos importantes da nossa produção literária: Lavoura Arcaica e A Pedra do Reino. No caso de Dom Casmurro, essa "posição", ao mesmo tempo em que traz o novo na abordagem de um grande clássico, traz o charme tecnicamente bem elaborado de um "mix" de várias artes autônomas, como a ópera, o teatro e o próprio romance"
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O filme Lavoura Arcaica foi homenageado em 2017 por ocasião de seus 15 anos e por ser considerado como um dos mais importantes filmes do cinema brasileiro de todos os tempos, no Festival Internacional de Cinema do Rio e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, quando foi exibido em cópia 35 mm. Como parte da homenagem no Festival Internacional de Cinema do Rio, o artista plástico Raimundo Rodriguez criou uma instalação artística no Estação Net Botafogo, que ficou em cartaz por um mês, coma memorabilia do filme, críticas e os cadernos de estudos do diretor. Para Ismail Xavier e Ilana Feldman, Lavoura nasceu em 2001 como um corpo estranho face ao cenário do cinema brasileiro de início do século, marcado pelas estéticas do realismo e pelo enfrentamento direto das questões sociais e urbanas brasileiras. "Dois Irmãos, sua mais recente obra, transcriação para o audiovisual, a partir do roteiro de Maria Camargo, do romance homônimo de Milton Hatoum, pode ser desde já compreendida como uma arqueologia da memória, das ruínas, dos vestígios de palavras e imagens, sonhos e promessas, que se acumularam ao longo do século XX no Brasil"
Afinal, O Que Querem as Mulheres?
Luiz Fernando Carvalho criou, dirigiu e escreveu, em 2010, a minissérie inspirada na notória pergunta de Sigmund Freud: "Afinal, o que querem as mulheres?" O roteiro teve a colaboração de João Paulo Cuenca, Cecilia Giannetti e Michel Melamed. Além de protagonista da produção, Melamed foi o criador da trilha de abertura. Direção de Fotografia Adrian Teijido, figurino de Beth Filipecki e direção de arte de Raimundo Rodriguez. A atriz Bruna Linzmeyer foi relevada pelo diretor nesta produção. Osmar Prado dividiu a interpretação do personagem Freud com um boneco animado pela técnica de stop motion, por Cesar Coelho, fundador do festival Anima Mundi. O elenco traz ainda Paolla Oliveira, Eliane Giardini, Maria Fernanda Cândido, Vera Fischer e Letícia Spiller. A vinheta de abertura apresenta a obra do artista plástico alemão Olaf Hajek, que fez, inclusive, ilustrações especiais para a minissérie a convite do diretor. Recebeu o Prêmio ABC (Associação Brasileira de Cinematografia) de Melhor Fotografia. Segundo a colunista Patrícia Kogut, "é uma viagem onírica, um poema visual que mistura realidades, cheio de referências a tempos passados, ao que foi vivido, ao que está na memória".
Suburbia
Em 2012, Luiz Fernando Carvalho inaugurou na teledramaturgia uma produção onde todos os protagonistas são afrodescendentes. A minissérie criada e escrita pelo diretor, em parceria com Paulo Lins, teve as colaborações de Adrian Teijido (Fotografia), Luciana Buarque (Figurino), Marcio Hashimoto (Edição) e Sergio Pasqualino (Colorista). Marcou também o início de um novo ciclo de pesquisas, no qual o diretor se debruçou sobre a estética realista, que influenciou a linguagem como um todo, mas, principalmente, na escalação de não atores para os papéis principais. Entre os quase 40 atores lançados na minissérie, estão artistas dos grupos Nós do Morro e Afroreggae. Érika Januza, até então secretária de uma escola no interior de Minas Gerais, foi a escolhida para viver a protagonista da história. Entre as participações especiais, Fabrício Boliveira, Rosa Marya Colin, Haroldo Costa, Maria Salvadora, Paulo Tiefenthaler e Dani Ornellas. Em 2012, a Rede Globo renovou a série para uma segunda temporada para 2013 devido aos satisfatórios índices de audiência. Mais tarde, porém, o diretor Luiz Fernando Carvalho optou por cancelar a nova temporada. Na opinião do antropólogo Luiz Eduardo Soares, o trabalho foi um "leitura reconstrutiva da sociedade carioca, promovendo um resultado soberbo".
Correio Feminino
Minissérie em oito episódios, criada e dirigida por Luiz Fernando Carvalho a partir de almanaques femininos escritos por Clarice Lispector, sob o pseudônimo de Helen Palmer nas décadas de 1950 e 1960. A linguagem visual e narrativa foi baseada na arte pop e no design dos anos de 1960, desde o figurino até a iluminação e cenário. Toda filmada em uma única caixa de luz, que mudava de cor de acordo com os temas abordados. Adaptada por Maria Camargo, a série foi exibida em 2013 como um quadro do programa Fantástico e teve figurino de Thanara Schönardie e Luciana Buarque, fotografia de Mikeas e edição de Marcio Hashimoto. A atriz Maria Fernanda Cândido interpretou Helen Palmer narrando todos os episódios. No elenco, Luiza Brunet interpreta a mulher madura, e Alessandra Maestrini, a mulher jovem. A adolescente é Cintia Dicker, modelo internacional e lançamento da minissérie como atriz. Para a crítica Patricia Kogut, a série "faz leitura inspirada de Clarice Lispector".
Alexandre e Outros Heróis
Telefilme de 2013, com roteiro de Luis Alberto de Abreu e Luiz Fernando Carvalho a partir de dois contos do escritor alagoano Graciliano Ramos. A preparação e direção de atores de Luiz Fernando Carvalho revelou um novo código de interpretação para Marcelo Serrado e Ney Latorraca, além de uma unidade na qualidade das interpretações. Direção de fotografia de Mickeas, direção de arte de Raimundo Rodriguez e figurino de Luciana Buarque. Trilha incidental de Tim Rescala. Música da abertura do pernambucano Siba. O especial, finalista do Emmy Internacional 2014, teve também no elenco Flávio Bauraqui, Flávio Rocha, Marcélia Cartaxo e Luci Pereira. Para a crítica Patricia Kogut, o telefilme foi uma pequena obra-prima na televisão.
Meu Pedacinho de Chão
"A produção de 2014 pontuou a volta do diretor ao formato de telenovelas após 12 anos se dedicando a minisséries e projetos mais autorais. Meu Pedacinho de Chão teve autoria de Benedito Ruy Barbosa e direção de Luiz Fernando Carvalho, produção de arte de Marco Cortez, artes plásticas de Raimundo Rodriguez e figurino de Thanara Schönardie. A crítica elogiou diversos aspectos, desde a unidade da qualidade das interpretações até edição, direção, figurinos, cenografia e estética, inspirada nos westerns e mangás japoneses. A direção de atores de Luiz Fernando Carvalho revelou novo código de interpretação, observado pela crítica, para nomes como Juliana Paes e Rodrigo Lombardi.
Velho Chico
"Velho Chico reinaugura um desejo de utopia (...) Que novela extraordinária é Velho Chico. Que bela fotografia em tons de sépia e marrom. Uma novela cor de barro e pó, terra e argila. Nenhum ator é loiro — nem os coronéis. Ninguém tem olhos azuis. O Brasil de Benedito Ruy Barbosa e Luiz Fernando Carvalho é agreste. É pobre, remediado, devastado e esperançoso". — Maria Rita Kehl, psicanalista, jornal O Globo Em 2016, Velho Chico marcou o retorno de Luiz Fernando Carvalho ao horário nobre, na direção da novela escrita por Benedito Ruy Barbosa e Bruno Luperi, com colaboração de Luis Alberto de Abreu, para a qual imprimiu mais uma vez uma nova estética na teledramaturgia. Dividida em duas fases, teve direção de fotografia de Alexandre Fructuoso e figurino de Thanara Schönardie. Destaque para a fotografia e as atuações aclamadas dos atores: Antonio Fagundes, Lucy Alves, Domingos Montagner, Lee Taylor, Marcos Palmeira, Chico Diaz, Renato Góes, Rodrigo Lombardi, Dira Paes, Irandhir Santos, Fabiula Nascimento, Julia Dalavia, Cyria Coentro, Barbara Reis, Julio Machado, Umberto Magnani, Camila Pitanga, Christiane Torloni, Marcelo Serrado, Gabriel Leone, Giullia Buscacio, Mariene de Castro, Gésio Amadeu, José Dumont, Marcélia Cartaxo, entre outros.
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A Paixão Segundo G.H.
Em 2018, o cineasta filmou o longa-metragem "A Paixão Segundo G.H.", a partir do romance homônimo de Clarice Lispector. Protagonizado por Maria Fernanda Cândido, o filme é um dos projetos de Luiz Fernando Carvalho envolvendo a obra de Clarice, que teve sua estreia na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo 2023, com ingressos esgotados em apenas 8 minutos. Também fez parte da seleção oficial do Festival do Rio 2023. O cineasta foi convidado, junto a estudiosos da literatura Clariceana, para assinar um dos posfácios da reedição da obra completa da autora, em lançamento pela Editora Rocco. Todo o processo criativo que envolveu a concepção e a adaptação da obra literária para o cinema foi registrado em livro pela roteirista Melina Dalboni. O filme A Paixão segundo G.H. foi selecionado para o Festival de IFFRotterdam.
Independências
A produção de 2022 estreou no dia 7 de setembro de 2022, dia do bicentenário da Independência do Brasil, e faz uma releitura contemporânea de fatos da história brasileira a partir da aurora do século XIX, desde a fuga da família real portuguesa para o país, em 1808, até a morte de D. Pedro I, já em Portugal, em 1834. Exibida em 16 episódios na TV Cultura, a série foi desenvolvida por Luiz Fernando Carvalho e escrita por Luis Alberto de Abreu, com roteiro assinado por Alex Moletta, Paulo Garfunkel e Melina Dalboni e colaboração de Kaká Werá Djecupé, Ynaê Lopes dos Santos, Cidinha da Silva e Tiganá Santana. A ideia do projeto surgiu na emissora a partir de pesquisa inicial realizada pelo jornalista José Antonio Severo. O elenco mescla lançamentos com atores consagrados, como Antonio Fagundes, Daniel de Oliveira, Isabél Zuaa, Gabriel Leone, Ilana Kaplan, André Frateschi, Celso Frateschi, Cassio Scapin, Fafá de Belém, Rafael Cortez, Walderez de Barros e Maria Fernanda Candido, entre outros. Entre os lançamentos, estão Alana Ayoká, Marcela Vivan, Verônia Mucúna Jamila Cazumbá e Ywy’zar Guajajara.
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Foi casado com a artista plástica Sandra Burgos e com as atrizes Tereza Seiblitz e Letícia Persiles.
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O diretor concorreu a mais de 50 prêmios nacionais e internacionais, tanto por sua obra na TV quanto no cinema, tendo sido vencedor no Festival de Gramado (1986), no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián (1986), no Festival de Cinema Mundial de Montreal (2001), no Festival Internacional de Cinema de Guadalajara (2001), no Festival de Biarritz (2001), no Festival do Rio (2001), na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (2001), no Festival de Cinema de Brasília (2001), no Festival de Cinema de Havana (2001), no Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires (2002), na Festival de Cinema de Tiradentes (2002), no Grande Prêmio da Crítica da APCA (2005, 2009 e 2017), no Prêmio Contigo (2006 e 2014), no Prêmio Creative Review (2009) e no Prêmio Bravo (2017).


