Milho
O milho, também conhecido como milho-maís, maís, ou abati, é um cereal cultivado em grande parte do mundo e extensivamente utilizado como alimento humano ou para ração animal devido às suas qualidades nutricionais. Todas as evidências científicas levam a crer que seja uma planta de origem mexicana, já que a sua domesticação começou de 7 500 a 12 000 anos atrás na área central do México. Tem um alto potencial produtivo e é bastante responsivo à tecnologia. O seu cultivo geralmente é mecanizado, se beneficiando muito de técnicas modernas de plantio e colheita. A produção mundial foi 817 milhões de toneladas em 2009 — mais que arroz ou que trigo. O milho é cultivado em diversas regiões do mundo. O maior produtor mundial são os Estados Unidos.
A palavra milho é oriunda do latim vulgar mĭlĭum, termo oriundo do numeral mil devido à quantidade de grãos em cada espiga. O termo milho é atestado antes mesmo da introdução da espécie Zea mays na Europa, pois denominava o que em língua castelhana hoje em dia se chama mijo e em português acabou por se vir a chamar milhete ou painço. Já o termo maís tem origem na Língua taína da ilha de Hispaniola, termo usado na língua portuguesa já no fim do século XX e atestado por António Galvão na sua famosa obra Tratado dos descobrimentos antigos, e modernos… de 1563. De maís advém o termo maisena. Em Portugal, no século XVIII, era conhecido por milho-zaburro, milho-grande, milho-graúdo, milho-maís, milhão, milho-grosso e milho-de-maçaroca. Já os nomes abati, avati e auati provêm do tupi antigo abati.
O milho pertence ao grupo das angiospermas, ou seja, produz as sementes no fruto. A planta do milho chega a uma altura de 2,5 metros, embora haja variedades bem mais baixas. O caule tem aparência de bambu e as juntas estão geralmente a cinquenta centímetros de distância umas das outras. A fixação da raiz é relativamente fraca. A espiga é cilíndrica, e costuma nascer na metade da altura da planta. Os grãos são do tamanho de ervilhas, e estão dispostos em fileiras regulares presas no sabugo, que formam a espiga. Eles têm dimensões, peso e textura variáveis. Cada espiga contém de duzentos a quatrocentos grãos. Dependendo da espécie, os grãos têm cores variadas, podendo ser amarelos, brancos, vermelhos, pretos, azuis ou marrons. O núcleo da semente tem um pericarpo que é utilizado como revestimento.
Cabelo (Stigma maydis)
No ponto de vista da biologia, o cabelo do milho existe para a planta se reproduzir. Ou seja, eles servem para transportar os grãos de pólen que vão fecundar os óvulos da espiga, dando origem aos grãos de milho, que são os frutos do vegetal. O cabelo do milho (Stigma maydis) é uma importante parte reprodutiva do milho, usada tradicionalmente pelos chineses e nativos americanos para tratar muitas doenças.
Cercosporiose é principal doença da cultura do milho, seus sintomas e o seu método de controle indicado:
O milho puro ou como ingrediente de outros produtos, é uma importante fonte energética para o homem. Ao contrário do trigo e do arroz, que são refinados durante seus processos de industrialização, o milho conserva sua casca, que é rica em fibras. Além das fibras, o grão de milho é constituído de carboidratos, proteínas e vitaminas do complexo B. Possui bom potencial calórico, sendo constituído de grandes quantidades de açúcares e gorduras. O milho contém vários sais minerais como ferro, fósforo, potássio e zinco. No entanto, é rico em ácido fítico, que dificulta a absorção destes mesmos.
O milho é a variante domesticada do teosinto. As duas plantas possuem aparência dissemelhante, o milho com um pedúnculo único, alto e com múltiplas folhas e o teosinto sendo uma planta curta e frondosa. A diferença entre os dois é largamente controlada por apenas dois genes. Segundo Mary Poll, em trabalho publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, os primeiros registros do cultivo do milho datam de há 7 300 anos, tendo sido encontrados em pequenas ilhas próximas ao litoral do México, no Golfo do México. Vestígios arqueológicos de milho encontrados na caverna Guila Naquitz no Vale de Oaxaca datam de há cerca de 6 250 anos e os mais antigos restos em cavernas de Tehuacán são de há cerca de 5 450 anos. Começando por volta de 2500 AEC, o cultivo de milho começou a se espalhar fora da Mesoamérica para outras partes do Novo Mundo. Seu nome de origem indígena caribenha significava "sustento da vida". O milho foi o alimento básico de várias civilizações importantes ao longo dos séculos; os Olmecas, Maias, Astecas e Incas reverenciavam o cereal na arte e religião.[carece de fontes?]
O substantivo «milho» foi dado no Velho Mundo pelos portugueses a um conjunto de plantas pertencentes à mesma família de espécies produtoras de grão que depois de farinado era utilizado no fabrico do pão e da broa. O nome terá resultado do vocábulo latino «mĭlĭum» que é referido em documentos europeus, desde o período romano. Em Portugal, conhecem-se referências ao milho (ou milhão ou milhon) desde os tempos da primeira dinastia. As designações «milho», «milhos» e «painço» aparecem com frequência em documentos oficiais portugueses do século XVI. À medida que os portugueses foram conhecendo novos territórios além-mar, foram-se também inteirando de que, nalgumas delas, o «milho» era um alimento sobremaneira importante. De tal sorte que não raros são os cronistas da época que fazem menção às «lavras de milho» encontradas nessas nas terras pelas quais iam passando. Até ao século XVI, isto é, até ao contacto dos povos europeus com o Novo Mundo, o substantivo «milho» era dado indistintamente a várias espécies do Velho Mundo, pelo que a simples indicação deste nome não permite à historiografia moderna verificar qual a espécie ou espécies a que os autores se referem concretamente.
Este milho se planta por entre a mandioca e por entre as canas novas de açúcar. E colhe-se a novidade aos três meses, uma em agosto e outra em janeiro. Este milho come o gentio assado por fruto, e fazem seus vinhos com ele cozido, com o qual se embebedam, e os portugueses que comunicam com o gentio, e os mestiços não se desprezam dele, e bebem-no mui valentemente. O vinho de milho que Gabriel Soares de Souza se refere acima é, na verdade, cerveja de milho. Pelo fato do milho ser um dos alimentos mais difundidos entre os ameríndios, estes criaram várias lendas para explicar a inclusão deste grão nas suas dietas. Os antigos mexicanos acreditavam que houve quatro épocas anteriores à atual. Cada uma terminara em cataclismas, mas em cada época havia uma evolução dos seres vivos em relação à anterior. Na primeira os seres humanos foram feitos de cinza, mas a água os converteu em peixes. Na segunda os homens, embora fossem gigantes, eram frágeis e se caiam nunca mais se levantavam. Na terceira foram transformados em perus e na quarta em homens macacos.
O milho é basicamente utilizado na alimentação, seja ela indireta (como ração animal) ou através do consumo humano direto.
Uso na alimentação humana direta
Nos Estados Unidos, o uso do milho na alimentação humana direta é relativamente pequeno - embora haja grande produção de cereais matinais, como corn flakes, e xarope de milho, utilizado como adoçante. No México o seu uso é muito importante, sendo a base da alimentação da população (é o ingrediente principal das tortilhas, e outros pratos da culinária mexicana). De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, no Brasil apenas cinco por cento do milho produzido se destina ao consumo direto humano. No Brasil, é a matéria-prima principal de vários pratos da culinária típica brasileira, como canjica, cuscuz, polenta, angu, mingaus, pamonhas, cremes, bolos, pipoca ou simplesmente milho cozido. Na indústria, pode ser usado como componente para a fabricação de rebuçados, biscoitos, pães, chocolates, geleias, sorvetes e maionese.
Usos alternativos
O uso primário do milho nos Estados Unidos e no Canadá é na alimentação para animais. O Brasil tem situação parecida: 65 por cento do milho é utilizado na alimentação animal e onze por cento é consumido pela indústria, para diversos fins. Seu uso industrial não se restringe à indústria alimentícia. É largamente utilizado na produção de elementos espessantes e colantes (para diversos fins) e na produção de óleos. Recentemente, Europa e Estados Unidos têm incentivado seu uso para produção de etanol. O etanol é utilizado como aditivo na gasolina, para aumentar a octanagem. O uso do milho para produção de biocombustíveis tem encarecido seu uso para alimentação.
Pesquisas genéticas
O milho é a espécie vegetal mais utilizada para pesquisas genéticas. Em 1940, Barbara McClintock ganhou o Prêmio Nobel de Medicina pela sua descoberta de transposões, enquanto estudava o milho. A produção de milho é uma das mais difundidas entre as de alimentos transgênicos, em parte por que seu consumo é basicamente para ração animal, onde a resistência do consumidor é menor. Algumas variedades não comerciais e selvagens de milho são cultivadas ou guardadas em bancos de germoplasma para adicionar diversidade genética durante processos de seleção de novas sementes para uso doméstico — inclusive milho transgênico. De acordo com um estudo genético, verificou-se que o cultivo do milho foi introduzido na América do Sul a partir do México, em duas grandes ondas: a primeira, há 5 000 anos, difundida através dos Andes; a segunda, há 2 000 anos, através das terras baixas da América do Sul. As populações do Brasil àquela época, incluindo a Amazônia, tinham uma maior relação com a América Central e norte da América do Sul, do que com a região Andina, salvo a região ao norte do Chile até o Paraguai/Paraná, local em que a mistura genética detectada quanto ao milho revela possíveis contatos culturais.
Existem diversas espécies de milho que variam de formato, cor e textura, que são classificados em cinco tipos: doce, duro, pipoca, dentado e mole.
Variedades especiais
Uma das variedades mais difundidas no Brasil é o milho branco. Tem, como principais finalidades, a produção de canjica, grãos e silagem. A planta tem altura próxima de 2,20 metros, sendo que a espiga nasce a 1,10 metro do solo. A espiga é grande, cilíndrica e apresenta alta compensação. O sabugo é fino, os grãos são brancos, profundos, pesados e de textura média. O colmo tem alta resistência física e boa sanidade. A raiz tem boa fixação. A planta é especialmente resistente às principais doenças foliares do milho, em diferentes altitudes e épocas de plantio. Podem ser colhidas até duas safras de milho branco por ano. Em algumas épocas e regiões do Brasil, a cotação da saca de milho branco pode ser até cinquenta por cento superior à do milho tradicional. O auge da demanda ocorre no período imediatamente anterior à quaresma, pois a canjica é um prato típico destas festividades.
O milho tem alto potencial produtivo e é bastante responsivo à tecnologia. O nível tecnológico da cultura está entre o médio e o alto. O cultivo é idealmente mecanizado e se beneficia bastante da técnica de plantio direto. A utilização de discos de plantio é adequada para a sua peneira. O plantio de milho é feito tanto na chamada "safrinha" quanto na safra principal (ou seja, a safra de verão). Na Região Sudeste do Brasil, o mês de plantio mais indicado geralmente é setembro, mas o plantio pode ser feito até em novembro. Dependendo do mês de plantio, o espaçamento entre as linhas e a quantidade de sementes por metro deve variar. O ciclo do plantio varia entre 115 e 135 dias. A adubação deve ser feita conforme a análise do solo. O controle de pragas e ervas daninhas só deve ser feito se necessário. Nem sempre há necessidade de irrigação intensiva: pelo menos nas regiões tradicionalmente produtoras, a precipitação é suficiente para as necessidades hídricas da planta. Lavouras bem-sucedidas apresentam valor médio de germinação na faixa de 95 por cento. A produtividade média varia entre 250 e 350 sacas por alqueire. Nas regiões de produtividade recorde do Brasil, há produtores que chegam a alcançar 520 sacas por alqueire.
Colheita
Antes da Segunda Guerra Mundial, a maior parte do milho era colhida à mão. Isso frequentemente envolvia grandes números de trabalhadores, e eventos sociais associados. Um ou dois pequenos tratores eram utilizados, mas as colheitadeiras mecânicas não foram utilizadas até o fim da guerra. Na mão ou através da colheitadeira, a espiga inteira é coletada e a separação dos grãos e do sabugo é uma operação separada. Anteriormente, isso era feito em uma máquina especial. Hoje, as colheitadeiras modernas têm unidades de separação de grãos anexas. Elas cortam o milho próximo à base, separam os grãos da espiga com rolos de metal e armazenam somente os grãos.
Mundo
O milho é largamente cultivado em diversas regiões do mundo. Os Estados Unidos respondem por quase cinquenta por cento da produção mundial. Outros grandes produtores são a República Popular da China, a Índia, o Brasil, a França, a Indonésia e a África do Sul. A produção mundial foi de 600 milhões de toneladas em 2003. O milho é semeado aproveitando-se das chuvas da primavera. Seu sistema de raízes é fraco e a planta é dependente de chuvas constantes, ou irrigação. Nos Estados Unidos, uma boa colheita é prevista tradicionalmente se o milho está "na altura do joelho por volta de 4 de julho" (knee-high by the Fourth of July), embora híbridos modernos frequentemente excedam essa taxa de crescimento.
Brasil
Em 2018, o Brasil produziu 82,2 milhões de toneladas de milho, sendo o 3º maior produtor do mundo. Os estados que mais produzem são: Mato Grosso, Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. O milho é o 5º produto mais importante da pauta de exportações brasileira, com 3,3% das exportações nacionais em 2019, valendo U$ 7,3 bilhões. Cultivado em todo o Brasil, o milho é usado tanto diretamente como alimento, quanto para usos alternativos. A maior parte de sua produção é utilizada como ração de bovinos, suínos, aves e peixes. Atualmente, somente cerca de quinze por cento da produção brasileira se destina ao consumo humano e, mesmo assim, de maneira indireta na composição de outros produtos.[carece de fontes?] Isto se deve provavelmente à falta de informação sobre o milho e suas qualidades e ao costume culinário brasileiro de utilizar mais os grãos de arroz e feijão.
Portugal
Em Portugal, a área cultivada é de cerca de 200 mil hectares. Os milhos mais semeados são os híbridos, representando cerca de 71,4 por cento da área global da cultura. O cultivo de milho em Portugal faz-se essencialmente no Minho e nos Açores. Tanto que teve influência na arquitectura e paisagem tradicional, existindo os tradicionais espigueiros em toda a região. O milho é semeado entre março e junho, sendo a sua colheita em setembro.
África do Sul
Na África do Sul o milho, ali chamado mealie, tem um papel preponderante na alimentação. Tal como no resto da África, constitui a base do regime alimentar, sendo consumido por exemplo em pão e bolos, em líquido (phuzamandla) e sozinho ou como acompanhamento de outros alimentos (mealie pap: massa de milho). A África do Sul foi, em 2005, o nono maior produtor de milho do mundo, com 12 milhões de toneladas.


