Palácio Nacional da Ajuda
O Palácio Nacional da Ajuda ou Paço de Nossa Senhora da Ajuda é um monumento nacional português, situado na freguesia da Ajuda, em Lisboa.
Nos primeiros anos da República o palácio é encerrado, mas a preocupação da República com o património ali guardado foi grande e todos os bens dos paços reais foram cuidadosamente inventariados. Numa segunda fase, grande parte dos Paços Reais foi quase totalmente esvaziada e os seus recheios armazenados no Palácio da Ajuda. Como casa-mãe das colecções Reais o Palácio reabre em 1938 como Museu. Em 1954 é inaugurada a Casa Forte onde é exposta a colecção das Jóias e Pratas da Coroa. Como o Palácio continuava inacabado, nos anos 1940 Raul Lino é por duas vezes encarregado de projectar o remate do edifício. Nenhum destes projectos foi realizado. Em 1974, de 23 para 24 de Setembro, um grande incêndio destrói a Galeria de Pintura de D. Luís e parte da ala norte. Segundo relatos da imprensa, neste incêndio teriam sido destruídas grande parte das obras de arte ali existentes, num número aproximado de 500 quadros. Um desses quadros, com autoria atribuída a Rembrandt (auto-retrato), terá sido negociado em Paris, no Palácio Galiera, em fins de Novembro de 1974, e um outro, da autoria de um famoso pintor italiano do século XIX, representando militares a cavalo, terá sido negociado pela Casa Christie's, de Londres, nos princípios de 1975.
Período Joanino
Em 1726, D. João V (1689–1750) adquire três quintas na zona de Belém. A primeira tinha já uma edificação que é hoje o Palácio de Belém, a segunda uma ermida do Oratório que foi depois expandida para o que é hoje o Palácio das Necessidades e a terceira a quinta da Ajuda reservada para a edificação de uma residência real de Verão. Ali é rasgada a Calçada da Ajuda e junto a Belém construído um cais, não chegando no entanto nenhum palácio a ser projectado.
Período Pombalino
A utilização da quinta da Ajuda como Paço Real deu-se no rescaldo do Terramoto de Lisboa a 1 de Novembro de 1755 já no reinado de Dom José I. O terramoto destruiu praticamente toda a cidade de Lisboa, incluindo a residência do Rei, o velho Palácio da Ribeira, cujo complexo abraçava o Terreiro do Paço, junto ao Rio Tejo. O facto não criou apenas danos materiais, mas criou também uma fobia na população lisboeta sobrevivente que receava agora uma réplica ou até um segundo abalo. Embora a família Real e a Corte se encontrassem nesse dia em Belém, zona ocidental da cidade onde os efeitos do terramoto não se fizeram sentir com tanta intensidade, o Rei ficou tão perturbado com o acontecimento que se recusou a viver em edifícios de alvenaria. D. José mandou então erigir no alto da Ajuda, local de pouca actividade sísmica, um palácio de madeira e pano, a que se chamou Real Barraca ou Paço de Madeira.
Período da Regência
À data da morte do Rei D. José a sua filha e sucessora, D. Maria I habitava, desde o seu casamento com D. Pedro III, o Palácio de Queluz. A Real Barraca ficou durante poucos anos secundarizada embora fosse muitas vezes visitada pela Rainha e seus filhos. Desde 10 de Fevereiro de 1792, por demência da Rainha, o príncipe D. João futuro D. João VI passou dirigir os negócios públicos, efectuando despacho dos decretos em seu nome; a 15 de Julho de 1799, e até subir ao trono, assumiu o poder sob o título de Príncipe Regente e passou a governar o reino. Em 1794, e segundo os registos, por descuido de um criado com uma candeia, deflagra-se um enorme incêndio que destrói por completo a Real Barraca e grande parte do seu valioso recheio — tapeçarias, pinturas, ourivesaria, mobiliário — é totalmente consumido pelo fogo.
Período do Liberalismo
Tendo António Francisco Rosa assumido a condução dos trabalhos, em 1818, as obras prosseguiram em ritmo pouco acelerado, assim, quando em 1821, D. João VI regressou do Brasil (na sequência da revolução liberal de 1820), o Palácio ainda não estava concluído. As instalações permitiam apenas a realização de cerimónias protocolares, tais como a investidura da Ordem da Jarreteira a D. João VI, em 1823. Foi por estas condições que o monarca foi viver para o Palácio da Bemposta, onde veio a falecer a 10 de Março de 1826. A partir desta data, as cortes insurgiram-se com as verbas gastas na Ajuda, pelo que as obras se reiniciaram em 1826 por iniciativa de D. Isabel Maria, que procurou tornar o palácio habitável. O projeto foi reduzido a metade, ou seja, a um único bloco.
Reinado de D. Luís
Em 1861 dá-se uma enorme tragédia no seio da Família Real. No final desse ano os Infantes D. Fernando e D. Augusto adoecem com febre tifóide. Acamados no Palácio das Necessidades, acabam por contagiar também o seu irmão o Rei D. Pedro V. A 6 de Novembro, o Rei moribundo ouve o dobrar dos sinos pela morte do seu jovem irmão de 15 anos, o Infante D. Fernando. Enquanto isto, os Infantes D. Luís (futuro D. Luis I) e D. João, ausentes em viagem — pois levavam a sua irmã, a Infanta D. Antónia para junto do marido na Bélgica — haviam recebido notícias da grave enfermidade dos Infantes e do contágio do Rei. D. Luís e D. João tinham já zarpado de França em direcção a Lisboa. Ao aportar em Lisboa, D. Luís foi recebido pelos dignitários que, dobrando o joelho, o trataram por “Majestade”. O Rei D. Pedro V, seu irmão, havia falecido a 11 de Novembro, e D. Luís ficou a saber ao mesmo tempo da morte de D. Fernando. D. Augusto melhora, mas o recém-chegado D. João é contagiado e acaba por sucumbir a 27 de Dezembro.
Últimos anos da Monarquia
Depois da morte de D. Luís em 1889 é D. Carlos, seu filho quem ocupa o trono ao lado da Rainha D. Amélia. Por essa altura D. Carlos e D. Amélia viviam em Belém com os seus filhos, o Príncipe Real D. Luís Filipe e o Infante D. Manuel (futuro Manuel II). O Palácio da Ajuda passa novamente para segundo Plano. Fica a habitá-lo a Rainha Mãe, D. Maria Pia, e o seu filho o Infante D. Afonso. Sendo reservadas dentro do palácio algumas salas do andar nobre para as cerimónias oficiais do novo reinado. Aqui decorreram os banquetes e recepções de estado em honra de Eduardo VII de Inglaterra, Afonso XIII de Espanha, Guilherme II da Alemanha, Émile Loubet, Presidente da República Francesa, entre outros convidados de estado que visitaram Portugal durante o reinado de D. Carlos.


