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Romantismo

O romantismo é um movimento artístico e intelectual que se originou na Europa no final do século XVIII. Na maior parte da Europa, atingiu o seu auge entre aproximadamente 1800 e 1850. O romantismo caracterizou-se pela ênfase na emoção e individualismo, bem como na glorificação do passado e da natureza, preferindo o medieval ao clássico. Ele foi em parte uma reação à Revolução Industrial e à ideologia predominante da Era do Iluminismo, especialmente a racionalização científica da Natureza. Foi incorporado mais fortemente nas artes visuais, na música e na literatura; também teve um grande impacto na historiografia, na educação, no xadrez, nas ciências sociais e nas ciências naturais. Teve um efeito significativo e complexo na política: o pensamento romântico influenciou o conservadorismo, o liberalismo, o socialismo utópico, o radicalismo e o nacionalismo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/10/2026
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Etimologia e desenvolvimento conceitual

Imagem: elisalimadg · BY-NC · Openverse

O conjunto de palavras com raiz "romana" nas diversas línguas europeias, como "romance" e "romanesco", tem uma história complicada. No século XVIII, as línguas europeias―nomeadamente o alemão, o inglês, o francês e o russo―utilizavam o termo "romance" no sentido de uma obra de ficção narrativa popular, como uma novela. Este uso derivou do termo "línguas românicas", que se refere à linguagem vernácula (ou popular) em contraste com o latim formal. A maioria desses romances assumiu a forma de "romance de cavalaria", contos de aventura, devoção e honra. O conceito de "romântico", nas palavras em inglês romantick e em alemão romantisch, ligadas assim aos romances medievais, surgiu antes do conceito de "romantismo" como uma escola literária definida; progressivamente no século XVIII, histórias de horror e amor passaram a se associar aos romances de cavalaria, formando sobre o termo uma conotação de gênero sentimental, e o campo semântico do adjetivo passou a indicar aquilo que tinha características de narrativa. E no século XVII, "Romantische" também foi uma palavra utilizada para se referir a pinturas de paisagem, evocando suas qualidades emotivas. Foi com a crítica literária de pensadores alemães no final do século XVIII que ganhou corpo o seu significado secundário de "crítico à civilização" ou à sociedade, ao mesmo tempo tornando-o uma categoria histórica-filosófica, em que se situava o "romântico" em contraposição ao "clássico" da Antiguidade. Enfim, passou a ser considerado um tipo distinto de gênero literário e artístico em geral.

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Contexto histórico

Imagem: Marco Gomes · BY-NC-SA · Openverse

O culto à natureza e à imaginação já havia começado com os escoceses no século XIII, quando surgiram as primeiras histórias de cavaleiros e donzelas, em verso. Nessa época, as narrativas eram chamadas de romance, palavra que deriva do advérbio latino romanice,[nota 1] que significa "na língua de Roma". Algumas características típicas do romantismo já podem ser rastreadas nas obras de Isabella di Morra, que se separou da poesia amorosa petrarquista do século XVI, afligida pela solidão a que foi forçada e que a acompanhará até sua morte trágica. A origem do que viria a ser conhecido como "romantismo", no entanto, fora plantada no século XVII, quando o "espírito clássico" começaria a ser contestado na Grã-Bretanha.[nota 2] O romantismo surgiu na Europa em uma época em que o ambiente intelectual era de grande rebeldia. Na política, caíam sistemas de governo despóticos e surgia o liberalismo político (não confundir com o liberalismo econômico do século XX). No campo social imperava o inconformismo. No campo artístico, o repúdio às regras. A Revolução Francesa é o clímax desse século de oposição.

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Características

Imagem: alordelo · BY-NC-ND · Openverse

Segundo Jacques Barzun, existiram três gerações de artistas românticos. A primeira emergiu entre 1790-1800, a segunda na década de 1820, e a terceira mais tarde nesse mesmo século. Há a fusão do belo e do feio, diferentemente do arcadismo, que visa a idealização do personagem principal, tornando-o a imagem da perfeição. Como exemplo, temos o conto de A Bela e a Fera, no qual uma jovem idealizada, se apaixona por uma criatura horrenda. Alguns românticos se interessavam pela origem de seu povo, de sua língua e de seu próprio país. Na Europa, eles acharam no cavaleiro fiel à pátria um ótimo modo de retratar as culturas de seu país. Esses poemas passam-se em eras medievais e retratavam grandes guerras e batalhas. É o medievalismo "adaptado" ao Brasil. Como os brasileiros não tinham um cavaleiro para idealizar, os escritores adotaram o indígena como o ícone para a origem nacional e o colocam como um herói. O indianismo resgatava o ideal do "bom selvagem" (Jean-Jacques Rousseau), segundo o qual a sociedade corrompe o homem e o homem perfeito seria o índigena, que não tinha nenhum contato com a sociedade europeia.

Individualismo

Os românticos libertam-se da necessidade de seguir formas reais de intuito humano, abrindo espaço para a manifestação da individualidade, muitas vezes definida por emoções e sentimentos.

Subjetivismo

O romancista trata dos assuntos de forma pessoal, de acordo com sua opinião sobre o mundo. O subjetivismo pode ser notado através do uso de verbos na primeira pessoa. Trata-se sempre de uma opinião parcelada, dada por um indivíduo que baseia sua perspectiva naquilo que as suas sensações captam. Com plena liberdade de criar, o artista romântico não se acanha em expor suas emoções pessoais, em fazer delas a temática sempre retomada em sua obra.

Idealização

Empolgado pela imaginação, o autor idealiza temas, exagerando em algumas de suas características. Dessa forma, a mulher é vista como uma virgem frágil, o índio é visto como herói nacional e a noção de pátria também é idealizada.

Sentimentalismo exacerbado

Praticamente todos os poemas românticos apresentam sentimentalismo já que essa escola literária é movida através da emoção, sendo as mais comuns a saudade, a tristeza e a desilusão. Os poemas expressam o sentimento do poeta, suas emoções e são como o relato sobre uma vida. O romântico analisa e expressa a realidade por meio dos sentimentos. E acredita que só sentimentalmente se consegue traduzir aquilo que ocorre no interior do indivíduo relatado. Emoção acima de tudo.

Egocentrismo

Como o nome já diz, é a colocação do ego no centro de tudo. Vários artistas românticos colocam, em seus poemas e textos, os seus sentimentos acima de tudo, destacando-os na obra. Pode-se dizer, talvez, que o egocentrismo é um subjetivismo exagerado.

Natureza interagindo com o eu lírico

A natureza, no romantismo, expressa aquilo que o eu-lírico está sentindo no momento narrado. A natureza pode estar presente desde as estações do ano, como formas de passagens, à tempestades, ou dias de muito sol. Diferentemente do Arcadismo, por exemplo, que a natureza é mera paisagem. No romantismo, a natureza interage com o eu-lírico. A natureza funciona quase como a expressão mais pura do estado de espírito do poeta.

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Romantismo nas belas-artes

Imagem: Chá da Alice · BY-NC-SA · Openverse

Segundo Giulio Carlo Argan na sua obra Arte moderna, o romantismo e o neoclassicismo são simplesmente duas faces de uma mesma moeda. Enquanto o neoclássico busca um ideal sublime, objetivando o mundo, o romântico faz o mesmo, embora tenda a subjetivar o mundo exterior. Os dois movimentos estão interligados, portanto, pela idealização da realidade (mesmo que com resultados diversos). As primeiras manifestações românticas na pintura ocorreram quando Francisco Goya passou a pintar depois de começar a perder a audição. Um quadro de temática neoclássica como Saturno Devorando um Filho, por exemplo, apresenta uma série de emoções para o espectador que o fazem se sentir inseguro e angustiado. Goya cria um jogo de luz-e-sombra, linhas de composição diagonais e pinceladas "grosseiras" de forma a acentuar a situação dramática representada. Apesar de Goya ter sido um acadêmico, o romantismo somente chegaria à Academia mais tarde.

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Romantismo na literatura

Imagem: cidadevazia · BY-NC-SA · Openverse

O romantismo surge na literatura quando os escritores trocam o mecenato aristocrático pelo editor, precisando assim cativar um público leitor. Esse público estará entre os pequenos burgueses, que não estavam ligados aos valores literários clássicos e, por isso, apreciariam mais a emoção do que a sutileza das formas do período anterior. A história do romantismo literário é bastante controversa. Em primeiro lugar, as manifestações em poesia e prosa popular na Inglaterra são os primeiros antecedentes, embora sejam consideradas "pré-românticas" em sentido lato. Os autores ingleses mais conhecidos desse pré-romantismo "extra-oficial" são William Blake (cujo misticismo latente em The Marriage of Heaven and Hell - O Casamento do Céu e Inferno, 1793 atravessará o romantismo até o simbolismo) e Edward Young (cujos Night Thoughts - Pensamentos Noturnos, 1742, re-editados por Blake em 1795, influenciarão o ultrarromantismo), ao lado de James Thomson, William Cowper e Robert Burns. O romantismo "oficial" é reconhecido nas figuras de Coleridge e Wordsworth (Lyrical Ballads - Baladas Líricas, 1798), fundadores; Lord Byron (Childe Harold's Pilgrimage, Peregrinação de Childe Harold, 1818), Shelley (Hymn to Intellectual Beauty - Hino à Beleza Intelectual, 1817) e Keats (Endymion, 1817), após o Romantismo de Jena.

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Romantismo na música

Imagem: mariag. · BY-NC-SA · Openverse

As primeiras evidências do romantismo na música aparecem com Beethoven. Suas sinfonias, a partir da terceira, revelam uma música com temática profundamente pessoal e interiorizada, assim como algumas de suas sonatas para piano também, entre as quais é possível citar a Sonata Patética. Outros compositores como Chopin, Tchaikovski, Felix Mendelssohn, Liszt, Grieg e Brahms levaram ainda mais adiante o ideal romântico de Beethoven, deixando o rigor formal do classicismo para escreverem músicas mais de acordo com suas emoções. Na ópera, os compositores mais notáveis foram Verdi e Wagner. O primeiro procurou escrever óperas, em sua maioria, com conteúdo épico ou patriótico — entre as quais as óperas Nabucco, Les vêpres siciliennes, I Lombardi nella Prima Crociata — embora tenha escrito também algumas óperas baseadas em histórias de amor como La Traviata; O segundo enfocava histórias mitológicas germânicas, caso da tetralogia do Anel do Nibelungo e outras óperas como Tristão e Isolda e O Holandês Voador, ou sagas medievais como Tannhäuser, Lohengrin e Parsifal. Mais tarde na Itália o romantismo na ópera se desenvolveu ainda mais com Puccini.

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Arquitetura

Imagem: Regis Andrade · BY · Openverse

A arquitetura romântica surgiu no final do século XVIII como uma reação contra as formas rígidas da arquitetura neoclássica. A arquitetura romântica atingiu o seu auge em meados do século XIX e continuou a aparecer até ao final do século XIX. Foi criada para evocar uma reação emocional, seja o respeito pela tradição ou a nostalgia por um passado bucólico. Inspirada pela arquitetura da Idade Média, especialmente pela arquitetura gótica, foi fortemente influenciada pelo romantismo na literatura, particularmente pelos romances históricos de Victor Hugo e Walter Scott. Por vezes, deslocava-se para o domínio do ecletismo, com características reunidas de diferentes períodos históricos e regiões do mundo. A arquitetura neogótica foi uma variante popular do estilo romântico, particularmente na construção de igrejas, catedrais e edifícios universitários. Exemplos notáveis ​​incluem a conclusão da Catedral de Colónia na Alemanha, por Karl Friedrich Schinkel. A construção da catedral começou em 1248, mas foi interrompida em 1473. Os projectos originais para a fachada foram descobertos em 1840, e decidiu-se recomeçar. Schinkel seguiu o projeto original tanto quanto possível, mas também utilizou tecnologia de construção moderna, incluindo uma estrutura de ferro para o telhado. O edifício foi concluído em 1880.

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Romantismo além das artes

Imagem: Sebástian Freire · BY-SA · Openverse

Ciências

O movimento romântico afetou a maioria dos aspectos da vida intelectual, e o romantismo e a ciência tiveram uma ligação poderosa, especialmente no período 1800-1840. Muitos cientistas foram influenciados por versões da Naturphilosophie de Johann Gottlieb Fichte, Friedrich Wilhelm Joseph von Schelling e Georg Wilhelm Friedrich Hegel e outros, e sem abandonar o empirismo buscaram no seu trabalho descobrir o que tendiam a acreditar ser uma Natureza unificada e orgânica. O cientista inglês Sir Humphry Davy, um proeminente pensador romântico, disse que compreender a natureza exigia "uma atitude de admiração, amor e adoração, [...] uma resposta pessoal". Ele acreditava que o conhecimento só era alcançável por quem realmente apreciava e respeitava a natureza. O autoentendimento foi um aspecto importante do romantismo. Tinha menos a ver com provar que o homem era capaz de compreender a natureza (através do seu intelecto em desenvolvimento) e, portanto, de controlá-la, e mais a ver com o apelo emocional de se conectar com a natureza e entendê-la através de uma coexistência harmoniosa.

Historiografia

A escrita da história foi fortemente, e muitos diriam prejudicialmente, influenciada pelo romantismo. Na Inglaterra, Thomas Carlyle foi um ensaísta altamente influente que se tornou historiador; ele inventou e exemplificou a frase "adoração de heróis", esbanjando elogios em grande parte acríticos a líderes fortes como Oliver Cromwell, Frederico, o Grande e Napoleão. O nacionalismo romântico teve um efeito amplamente negativo na escrita da história no século XIX, pois cada nação tendia a produzir a sua própria versão da história, e a atitude crítica, até mesmo o cinismo, dos historiadores anteriores foi frequentemente substituída por uma tendência para criar histórias românticas. com heróis e vilões claramente distintos.

Teologia

Para isolar a teologia do cientificismo ou do reducionismo na ciência, os teólogos alemães pós-iluministas do século XIX desenvolveram uma concepção modernista ou assim chamada liberal do cristianismo, liderada por Friedrich Schleiermacher e Albrecht Ritschl. Eles adotaram a abordagem romântica de enraizar a religião no mundo interior do espírito humano, de modo que é o sentimento ou a sensibilidade de uma pessoa sobre questões espirituais que compreende a religião.

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Romantismo em Portugal

Imagem: jhss111 · BY · Openverse

Teve como marco inicial a publicação do poema "Camões", de Almeida Garrett, em 1825, e durou cerca de 40 anos terminando por volta de 1865 com a Questão Coimbrã. A primeira geração do romantismo em Portugal vai de 1825 a 1840. Seus principais autores são Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Antônio Feliciano de Castilho. A segunda geração, ultrarromântica, de 1840 a 1860 e tem como principais autores, Camilo Castelo Branco e Soares de Passos. A terceira geração, pré-realista, de 1860 a 1870, aproximadamente, teve como principais autores Júlio Dinis e João de Deus.

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Romantismo na América Latina

Na América Latina, o Romantismo foi favorecido pelo clima político, social e intelectual do período das guerras de independência da América Espanhola e por suas características geográficas e naturais. Os românticos da América Espanhola foram inspirados e condicionados pela vastidão do cenário natural, pelo ímpeto revolucionário, pela exaltação da liberdade contra a tirania, pelos anseios idealistas e pelo ceticismo frente à realidade do período. "Tudo favorecia o romantismo; os conflitos políticos e a anarquia da época formavam heróis byronianos; a paixão tropical encontrava seu alimento no sentimentalismo de Lamartine e no ardor de De Musset, enquanto o indivíduo se desenvolvia lutando contra os tiranos." Enquanto na Europa conjugou-se formalmente como um "movimento", no outro lado do Atlântico, o Romantismo foi um tendência de inspiração europeia que ganhou forma durante o período de emergência das nações que romperam os laços com o Império Espanhol ao longo do século XIX, como o México, do antigo Vice-Reino da Nova Espanha; a Argentina, a Bolívia e o Paraguai do Vice-Reino do Rio do Prata; o Peru, do Vice-Reino do Peru; a Venezuela, a Colômbia e o Equador, da Nova Granada.

Relação entre Independência e Identidade

O Romantismo na América Latina esteve diretamente ligado aos processos de independência política do início do século XIX. Após a ruptura com as metrópoles ibéricas, escritores e intelectuais buscaram construir uma identidade nacional que diferenciasse as novas repúblicas das antigas colônias. Nesse contexto, a literatura romântica tornou-se um "instrumento de imaginação política", pois ajudou a definir símbolos e mitos fundadores capazes de unir populações diversas em torno de uma mesma ideia de nação. Essa relação entre independência e identidade manifestou-se principalmente na valorização da natureza e das figuras locais — como o indígena, o camponês e o gaúcho — que passaram a representar o "espírito do povo". Autores como Esteban Echeverría e Domingo Faustino Sarmiento, na região do Prata, ou José María Heredia em Cuba, utilizaram elementos românticos para criar narrativas que exaltavam a liberdade e a autenticidade americana, reinterpretando o passado colonial a partir de um ponto de vista próprio.

Comparação entre o romantismo europeu e o latino-americano

Ao contrário da Europa, onde o Romantismo se expressava por meio da nostalgia, da melancolia e da subjetividade, na América Latina ele ganhou um caráter mais voltado à identidade nacional e à emancipação cultural. O Romantismo serviu como instrumento simbólico da independência. Ainda que tenha sido importado do continente europeu, transformou-se no continente americano em um meio de ruptura com a dominação cultural europeia, na busca por uma autenticidade própria. Esse movimento de apropriação e ressignificação refletiu o momento histórico vivido pelas jovens nações pós-coloniais, que buscavam não apenas um discurso político autônomo, mas também uma expressão estética que correspondesse à nova realidade.

Alguns dos principais autores do Romantismo

O Romantismo na América Latina produziu um conjunto de obras literárias que refletiram os ideais políticos, sociais e estéticos das novas repúblicas independentes. Entre as mais influentes está El Matadero (c. 1838), de Esteban Echeverría, considerada um marco do romantismo argentino e uma crítica alegórica à tirania de Juan Manuel de Rosas. Outra obra central é Amalia (1851–1855), de José Mármol, que combina elementos românticos com o romance político e social, tratando da luta entre civilização e barbárie na formação da nação argentina. Em outros países, o Romantismo também produziu textos fundamentais. No Chile, La cautiva (1837), de Echeverría, e Los Amores de un Libertador (1847), de José Victorino Lastarria, expressaram o nacionalismo e o ideal de liberdade característicos do período. No México, destacam-se Poesías (1849), de Ignacio Rodríguez Galván e El Amor y el Delirio (1859) de Guillermo Prieto, que exploram a sensibilidade romântica e a exaltação da pátria. Já no Peru e na Colômbia, poetas como José Arnaldo Márquez (Poesías, 1863) e José Eusebio Caro (Obras poéticas, 1857) representaram o Romantismo através da religiosidade, do amor e da melancolia.

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Fontes consultadas

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