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Santiago de Compostela

Santiago de Compostela é uma cidade e município no noroeste de Espanha. É capital da comunidade autónoma da Galiza e faz parte da província da Corunha e da comarca de Santiago. O município tem 220 km² de área e em 2021 tinha 97 858 habitantes.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/07/2026
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Etimologia

A origem do topónimo Compostela é um tema controverso, nomeadamente porque a possibilidade de a relacionar com o sepulcro de Santiago tende a que haja muitos argumentos emotivos ou baseados na tradição. O primeiro nome medieval conhecido do local da cidade é Libredón, que para alguns teria origem celta ("castro do caminho") e para outros deriva do latim liberum donum ("concessão gratuita"). Entre os séculos IX e XI chamou-se Arcis Marmoricis, que apresenta o topónimo Arca, quase sempre indicador de um sepulcro ou uma mamoa. No século XI os registos históricos começam a mencionar Compostella como um subúrbio, ou seja, parte de uma vila, que alguns situam na zona atual da Rua do Franco. A partir do século XI esse nome passa a aplicar-se a toda a vila. Uma das versões mais divulgadas é a de que é uma derivação do latim Campus Stellae ("campo da estrela"), que evoca a estrela que indicou milagrosamente ao bispo Teodomiro a localização do túmulo de Santiago (ver secção História – Origens). No entanto, o Cronicon Iriense (XI e XII) indica como origem do nome compositum tellus (plural: composita tella, "terras bem ajeitadas" ou "terras belas"), que pode ser um eufemismo para cemitério. No capítulo XII da Crónica de Sampiro (século XI) refere-se «Compostella, id est bene composita». No capítulo XII do Códice Calixtino, do século XII, conta-se a história de uma mulher chamada Compostella, presumivelmente ligada à pregação do Apóstolo.

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História

Origens

Na área atualmente ocupada pela catedral existiu um povoado romano que geralmente se identifica com a chamada mansão de Asseconia, situada à beira da estrada romana identificada como Via XIX no Itinerário de Antonino, que ia de Bracara Augusta (atual Braga) até Astúrica Augusta (atual Astorga). Este povoado existiu entre o século I d.C. e o século V, mas ali permaneceu uma necrópole que possivelmente foi usada durante Reino Suevo e até ao século VII. A fundação da cidade está ligada à alegada descoberta dos restos mortais do apóstolo Santiago Zebedeu, ocorrida em 812 ou 813 ou ainda, segundo outras versões ou estimativas, entre 820 e 835 ou entre 818 e 842, que deu uma importância religiosa crescente ao local. A cidade desenvolveu-se graças à popularidade crescente como destino de peregrinação e, a partir do século XVI, também à criação da universidade. Na atualidade a cidade deve também parte da sua importância ao estatuto de capital da Galiza.

Séculos X a XV

O santuário foi também ganhando importância política. Ali foram coroados alguns monarcas dos reinos da Galiza e de Leão, como Sancho Ordonhes (r. 925–929), Ordonho IV (r. 958–960), Sancho I (r. 956–966) ou Bermudo II (r. 982–999). O bispo Sisenando II fortificou a cidade em 968 ou 969.[carece de fontes?] O então ainda pequeno, mas próspero povoado sofreu com as tentativas de invasão e saques dos normandos, os quais chamavam ao Reino da Galiza Jakobsland (país de Santiago). A resistência aos invasores foi organizada a partir de Compostela e o próprio bispo Sisenando morreu em combate. Devido à sua prosperidade e popularidade, a cidade foi destruída por Almançor em 10 de agosto do ano 997, que só respeitou o sepulcro do apóstolo. Após o regresso dos habitantes começou a reconstrução e em meados do século XI o bispo Crescónio dotou a cidade de uma cintura de fossos e uma nova muralha, construída sobre o antigo anel de paliçadas, para proteger os novos bairros que tinham surgido em redor do povoado primitivo. Além disso, reivindicou para a cidade o estatuto de sede apostólica.

Idade Moderna

O cabido compostelano, dirigido pelo deão Diego de Muros III, promoveu obras de grande importância, com um caráter próprio do humanismo então em voga, como o Hospital dos Reis Católicos e o Estudo Velho, embrião da futura universidade, que foi fundada em 1495 por Lope Gómez de Marzoa. Estes feitos e o labor do arcebispo Alonso III de Fonseca dão um novo impulso à atração de Santiago, particularmente na Galiza, apesar do relativo declínio da importância da cidade. Santiago foi sede da Real Audiência do Reino da Galiza desde 1508, mas a pressão eclesiástica fez com que se trasladasse para a Corunha em 1578. As reformas do poder monástico marcaram o renascimento dos conventos de São Martinho Pinário e de São Paio de Antealtares, o que contribuiu para uma intensa atividade de construção.

Idade Contemporânea

Durante o Iluminismo, surgiram iniciativas como a Sociedade Económica de Amigos do País, uma organização de cidadãos letrados que tinha como objetivo difundir as ideias iluministas e que tinha como ideal promover o desenvolvimento, nomeadamente através d estudo da situação económica. No entanto, após a ocupação francesa e da resistência do Batalhão Literário, formado por estudantes contra a ocupação, Santiago torna-se um baluarte conservador carlista. A igreja compostelana anseia restaurar um Reino da Galiza tradicionalista dentro da monarquia espanhola, de acordo com os parâmetros do Antigo Regime. Com a vitória liberal na Primeira Guerra Carlista (1833–1840), os vencedores castigam a cidade favorecendo a Corunha, capital provincial, em detrimento de Santiago.

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Geografia

O concelho divide-se em 29 paróquias civis:

Demografia

Em 2021 Santiago tinha 97 858 residentes registados e a sua área metropolitana tinha aproximadamente 148 000.[carece de fontes?] Em 2012, 53,3% dos habitantes eram naturais da cidade e 86% eram naturais da Galiza. Nesse ano a taxa de natalidade era 8,91‰ e a de mortalidade 8,95‰, ou seja, a taxa de crescimento era negativa. A densidade populacional era 444,8 habitantes por quilómetro quadrado. A população total da comarca em 2012 era 163 519 habitantes; os seis concelhos que dela fazem parte além de Santiago — Ames, Boqueixón, Brión, Teo, Val do Dubra e Vedra — totalizavam 68 848 habitantes. Em 2012 havia no concelho 4 256 estrangeiros (4,5% da população), a maioria provenientes da América (2 334; 54,8% do total de imigrantes), seguidos de europeus (1 325; 31,1%) e africanos (274; 6,4%). Por países destaca-se especialmente a presença de portugueses (405), brasileiros (361), colombianos (256), paraguaios (268) e italianos. Além de destino de imigração, muitos naturais da cidade emigram — entre 2010 e 2012 saíram de Santiago quase 9 000 pessoas, a maioria (4 500) mudaram-se para outro concelho da província da Corunha, seguidos dos que se mudaram para outras províncias galegas (1 120), dos que emigraram para o estrangeiro (1 060) e dos que emigraram para outras comunidades autónomas espanholas (1 120).

Clima

Santiago de Compostela tem um clima de tipo oceânico húmido com temperaturas amenas ao longo de todo o ano, com média anual de aproximadamente 15 °C, 8 °C no inverno e 25 a 27 °C no verão. A precipitação anual oscila entre os 700 e os 800 milímetros, concentrando-se sobretudo no inverno, sendo menor no outono e primavera. Os fatores que mais influenciam o clima local são a relativamente grande distância da costa marítima, a altitude e a presença de serras que "encaixam" a cidade e os seus arredores, o que faz com que a humidade se concentre e que no inverno sejam habituais os dias nublados.

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Meio ambiente

Santiago foi o primeiro concelho galego a aderir à Carta de Aalborg, um acordo a nível europeu que tem como objetivo compatibilizar o desenvolvimento com a preservação do meio ambiente, isto é, um desenvolvimento sustentável, implementando processos da agenda 21 local, um modelo para diagnosticar e formular políticas municipais sustentáveis.

Zonas verdes

A cidade conta com 220 hectares de espaços verdes distribuídos por 57 parques com parques infantis, 43 áreas polidesportivas ao ar livre e 130 zonas de lazer. A área conjunta dos jardins históricos, como o da Alameda, que ocupa 8,5 ha, e outros menores, como o de Brandía ou a Finca Simeón, totaliza cerca de 23 ha. As maiores áreas verdes situam-se junto a urbanizações, como a de Fontiñas. A manutenção das áreas verdes existentes, bem como o desenho e a execução de novas áreas, está a cargo da empresa Cespa, em regime de concessão, que opera sob a supervisão do departamento de parques e jardins do município. Em 2013, existiam os seguintes parques e jardins em Santiago de Compostela:

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Economia e transportes

A economia da cidade é baseada em vários setores muito diversificados. A universidade, os serviços administrativos do governo autónomo da Galiza, que ali tem a sua sede, o turismo cultural e a indústria, especialmente a madeireira (nomeadamente a empresa multinacional Finsa, com sede em Ames), e as telecomunicações e eletrónica, com empresas de ponta neste setor, como a RTVG, Blusens, Televés e Telcor. Os transportes públicos urbanos de Santiago estão concessionados à empresa Tussa. Esta opera 24 linhas de autocarros que servem a cidade e arredores. Há também uma rede de transportes metropolitanos que liga o centro às cidades dormitório e que é subsidiado pela Junta da Galiza. Os congestionamentos de tráfico são frequentes, embora a situação tenha melhorado com a abertura de novas vias nos últimos anos. A empresa ferroviária nacional espanhola Renfe opera em Santiago, ligando a cidade com várias povoações galegas e do resto de Espanha. A 9 de dezembro de 2011 entrou em serviço a alta velocidade entre a Corunha e Ourense, que passa por Santiago. Esta linha encurtou a duração das viagens a partir de Santiago para 28 minutos para a Corunha e para 38 minutos para Ourense. O serviço é feito em comboios regionais de alta velocidade Avant e Alvia. Apesar do seu traçado estar preparada para os comboios mais rápidos AVE, esta linha usa atualmente a bitola ibérica tradicional, incompatível com o AVE, devido à linha ser uma "ilha" na rede de alta velocidade espanhola enquanto não se completar a linha LAV Olmedo-Zamora-Galiza, que ligará por alta velocidade a Galiza ao resto de Espanha e que em 2013 tinha alguns troços em construção e os restantes já adjudicados. Está projetada a construção de uma nova estação intermodal, situada no mesmo local da atual, que fará a interface do AVE com comboios e autocarros suburbanos.

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Património arquitetónico e museus

Ver também Galeria de imagens de Santiago de Compostela (artigo eliminado) e ficheiros em Wikimedia Commons Devido ao seu património histórico, cultural e monumental, a cidade velha de Santiago foi classificada como Património Mundial pela UNESCO em 1985. Há 41 edifícios qualificados como sendo de valor arquitetónico, histórico ou cultural excecional, que por isso foram propostos para serem individualmente declarados como bens de interesse cultural (monumentos nacionais), estatuto já obtido por sete deles. São tutelados pela administração municipal. No total, há 1 411 edifícios inventariados como de interesse no conjunto urbano; 293 deles apresentam caraterísticas tipológicas e de composição com especial relevo arquitetónico e ambiental.

Praça do Obradoiro

Coração de Santiago de Compostela, o seu nome faz alusão ao estaleiro (em galego: obradoiro) de canteiros que funcionava na praça durante a construção da catedral. A ela chegam todos os dias centenas de peregrinos. No centro encontra-se o quilómetro zero de todos os Caminhos de Santiago. Os edifícios que a rodeiam são exemplos de diferentes estilos arquitetónicos. A oriente está a fachada barroca da catedral, flanqueada pelo Museu da Catedral à direita e o Palácio de Gelmires (Pazo de Xelmírez) à esquerda. No lado ocidental, em frente à catedral ergue-se o Palácio de Raxoi (Pazo de de Raxoi), construído pelo arcebispo Bartolomeu de Raxoi (1690–1772) para alojar o governo municipal. O lado norte é ocupado pelo antigo Hospital dos Reis Católicos (Hostal dos Reis Católicos), obra-prima do estilo plateresco que dava guarida aos peregrinos. A sul fica o Colégio de São Jerónimo (Colexio de San Xerome), um antigo colégio para estudantes sem recursos onde atualmente funciona a reitoria da Universidade de Santiago de Compostela.

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Culinária

Entre as curiosidades que envolvem o Caminho de Santiago, destaca-se a Tarte de Santiago, um doce típico preparado à base de amêndoas, açúcar e ovos. No Caminho de Santigo de Compostela é comum encontrá-la à venda, sobretudo entre julho e agosto. Originalmente, chamava-se bizcocho de almendra ("pão de ló de amêndoa"). Está identificada desse modo em relato de 1577, sobre a visita do inspetor D. Pedro de Portocarrero à Universidade de Santiago de Compostela, com o objetivo de investigar denúncias de excessos alimentares dos professores ao concederem graus académicos. Num caderno de Luis Bartolomé de Leybar, de 1838, também aparece com o nome primitivo. No El Confitero y el Pastelero, de Eduardo Merín, de 1893, já aparece como Tarta de Almendro (tarte de amêndoa). Mas os livros de culinária espanhola do século XX consagraram-na como Tarte de Santiago. Em março de 2006 recebeu a classificação de produto de Indicação Geográfica Protegida, com base nas regras da União Europeia, que padronizou a receita, as suas proporções, método de elaboração, etc. A Cruz de Santiago sobre a tarte, decoração instituída em 1924 pela extinta Casa Mora, de Santiago de Compostela, tornou-se obrigatória.

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Fontes consultadas

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