Pesquisa · Mapa mental

Stanley Kubrick

Stanley Kubrick foi um cineasta, roteirista, produtor e fotógrafo estadunidense. Uma figura importante da indústria cinematográfica do pós-guerra, ele é amplamente considerado um dos maiores e mais influentes cineastas da história do cinema. Seus filmes foram quase todos adaptações de romances ou contos, abrangendo diversos gêneros e conquistando reconhecimento pela intensa atenção aos detalhes, cinematografia inovadora, design de produção elaborado e humor negro.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
01

Primeiros anos

Kubrick nasceu em 26 de julho de 1928, no Lying-In Hospital em Manhattan, Nova Iorque, em uma família judia. Foi o primeiro dos dois filhos de Jacob Leonard Kubrick, conhecido como Jack ou Jacques, e sua esposa Sadie Gertrude Kubrick, ou Gert. Sua irmã Barbara Mary Kubrick nasceu em maio de 1934. Jack Kubrick, cujos pais e avós paternos eram de origem judaico polonesa e judaico romena, era médico homeopata, graduado pela New York Homeopathic Medical College em 1927, mesmo ano em que se casou com a mãe de Kubrick, filha de imigrantes austríacos judeus. Seu bisavô Hersh Kubrick chegou a Ilha Ellis de navio de Liverpool em 27 de dezembro de 1899, aos 47 anos, deixando para trás a esposa e dois filhos adultos, um dos quais seria o avô de Stanley, Elias, para começar uma nova vida com uma mulher mais jovem. Elias Kubrick os acompanhou em 1902. Quando Stanley nasceu, os Kubricks moravam no Bronx. Seus pais se casaram em uma cerimônia judaica, mas ele não teve uma educação religiosa e mais tarde professou uma visão ateísta do universo. Seu pai era médico e, pelos padrões do West Bronx, a família era bastante rica.

02

Fotógrafo

Enquanto cursava o ensino médio, Kubrick foi escolhido como fotógrafo oficial da escola. Em meados da década de 1940, como não conseguiu ser admitido nas aulas diurnas nas faculdades, frequentou brevemente as aulas noturnas no City College de Nova Iorque. Eventualmente, vendeu uma série de fotografias para a revista Look, impressa em 26 de junho de 1945. O fotógrafo complementava sua renda jogando xadrez "por moedas" no Washington Square Park e em vários clubes de xadrez de Manhattan. Em 1946, tornou-se aprendiz de fotógrafo da Look e, mais tarde, fotógrafo da equipe em tempo integral. G. Warren Schloat, Jr., outro fotógrafo novo da revista na época, lembrou que achava que faltava a ele personalidade para se tornar um diretor em Hollywood, comentando: "Stanley era um sujeito quieto. Ele não falava muito. Ele era magro, magro e meio pobre — como todos nós éramos". Kubrick rapidamente se tornou conhecido por contar histórias em fotografias. A primeira, publicada em 16 de abril de 1946, intitulava-se "Um conto de uma sacada de cinema" e encenava uma briga entre um homem e uma mulher, durante a qual o homem leva um tapa na cara, pego genuinamente de surpresa. Em outra atribuição, foram tiradas 18 fotos de várias pessoas esperando em um consultório odontológico. Foi dito retrospectivamente que este projeto demonstrou um interesse inicial de Kubrick em capturar indivíduos e seus sentimentos em ambientes mundanos. Em 1948, foi enviado a Portugal para documentar um relato de viagem e cobriu o Ringling Bros. e Barnum & Bailey Circus em Sarasota, Flórida.[nota 1]

03

Carreira no cinema

Curtas-metragens (1951–1953)

Kubrick compartilhou o amor pelo cinema com seu amigo de escola Alexander Singer, que depois de se formar no colégio tinha a intenção de dirigir uma versão cinematográfica da Ilíada de Homero. Por meio de Singer, que trabalhava nos escritórios da produtora de cinejornais The March of Time, Kubrick soube que poderia custar US$ 40 mil para fazer um curta-metragem adequado, dinheiro que não podia pagar. Tinha US$ 1 500 em economias e produziu alguns documentários curtos alimentados pelo incentivo do amigo. Ele começou a aprender tudo o que podia sobre cinema por conta própria, ligando para fornecedores de filmes, laboratórios e locadoras de equipamentos.

Primeiros trabalhos (1953–1955)

Depois de arrecadar US$ 1 mil exibindo seus curtas-metragens para amigos e familiares, Kubrick encontrou financiamento para começar a fazer seu primeiro longa-metragem. Originalmente intitulado The Trap, Fear and Desire (1953) foi escrito por seu amigo Howard Sackler. Martin Perveler, o tio do cineasta, dono de uma farmácia em Los Angeles, investiu mais US$ 9 mil com a condição de ser creditado como produtor executivo do filme. Kubrick reuniu vários atores e uma pequena equipe totalizando 14 pessoas (cinco atores, cinco tripulantes e quatro outros para ajudar no transporte do equipamento) e voou para as montanhas de San Gabriel, na Califórnia, para uma filmagem de cinco semanas e baixo orçamento. Mais tarde renomeado como The Shape of Fear antes de finalmente ser chamado de Fear and Desire, é uma alegoria fictícia sobre uma equipe de soldados que sobrevive a um acidente de avião e é pega atrás das linhas inimigas em uma guerra. No decorrer do filme, um dos soldados se apaixona por uma garota atraente na floresta e a amarra a uma árvore. Essa cena se destaca pelos closes do rosto da atriz. Kubrick pretendia que Fear and Desire fosse um filme mudo para garantir baixos custos de produção; os sons, efeitos e música adicionados elevaram os custos de produção para cerca de US$ 53 mil, excedendo o orçamento. Ele foi socorrido pelo produtor Richard de Rochemont com a condição de ajudá-lo na produção de uma série de televisão em cinco partes sobre Abraham Lincoln em locações em Hodgenville, Kentucky.

Sucesso em Hollywood e além (1955–1962)

Enquanto jogava xadrez no Washington Square, Kubrick conheceu o produtor James B. Harris, que o considerava "a pessoa mais inteligente e criativa com quem já tive contato". Os dois formaram a Harris-Kubrick Pictures Corporation em 1955. Harris comprou os direitos do romance Clean Break de Lionel White por US$ 10 mil[nota 5] e Kubrick escreveu o roteiro, mas por sugestão do cineasta, eles contrataram o romancista de filme policial Jim Thompson para escrever um roteiro sobre um assalto meticulosamente planejado a uma pista de corrida que deu errado. O longa se tornou The Killing e foi estrelado por Sterling Hayden, que impressionou o diretor com sua atuação em The Asphalt Jungle.

Colaborações com Peter Sellers (1962–1964)

Kubrick e Harris decidiram filmar o próximo filme, Lolita (1962), na Inglaterra, devido às cláusulas colocadas no contrato pelos produtores da Warner Bros. que lhes davam controle total sobre o filme, e o fato de que o plano Eady permitia que os produtores amortizassem os custos se 80% da equipe fosse britânica. Em vez disso, eles assinaram um acordo de US$ 1 milhão com a Associated Artists Productions de Eliot Hyman, e uma cláusula que lhes dava a liberdade artística que desejavam. Lolita, a primeira tentativa do diretor de uma comédia negra, foi uma adaptação do romance de mesmo nome de Vladimir Nabokov, a história de um professor universitário de meia-idade que se apaixona por uma garota de 12 anos. Estilisticamente, Lolita, estrelado por Peter Sellers, James Mason, Shelley Winters e Sue Lyon, foi um projeto de transição para Kubrick, "marcando a virada do cinema naturalista ... para o surrealismo dos filmes posteriores", de acordo com o crítico de cinema Gene Youngblood. Kubrick ficou impressionado com a versatilidade do ator Peter Sellers e lhe deu uma de suas primeiras oportunidades de improvisar descontroladamente durante as filmagens, enquanto o filmava com três câmeras.[nota 15]

Cinema inovador (1965–1971)

Cinco anos de produção foram necessários para o desenvolvimento de 2001: A Space Odyssey (br: 2001: Uma Odisseia no Espaço), de 1968, para muitos a melhor ficção científica já filmada. Foi escrito ao mesmo tempo em que o livro homônimo de Arthur C. Clarke estava em produção. Clarke, inclusive, deu assistência na criação do roteiro. 2001 teve uma recepção fria da crítica, mas obteve sucesso junto ao público. Até hoje, possui em sua força maior as músicas de Richard Strauss, Also sprach Zarathustra e Johann Strauss II, Danúbio Azul. Os efeitos especiais, inovadores para a época, garantiram ao filme um Oscar da categoria. Novamente indicado a melhor diretor, Kubrick vê o seu prêmio escapar. Logo após, chateado com o cancelamento do longa sobre Napoleão Bonaparte, ele segue para mais uma adaptação. Dessa vez o livro é A Clockwork Orange (Laranja Mecânica), de 1962, de Anthony Burgess, focado na violência humana e, principalmente, na da juventude. Causou grande polêmica na época de seu lançamento e foi acusado de incitar a barbárie. Na história, quatro jovens de classe trabalhadora passam as noites cometendo as maiores atrocidades: brigar, roubar, estuprar… são apenas algumas delas. A vida de um deles, Alex, (Malcolm McDowell) toma um rumo diferente quando o mesmo vai para a cadeia. Disparado o trabalho mais controverso do diretor, que lhe rendeu outra indicação ao prêmio da Academia e outra derrota.[carece de fontes?]

Final de carreira

Do seu último longa-metragem até Eyes Wide Shut (br: De Olhos Bem Fechados), de 1999, passou-se um longo período sem nada assinado por Stanley. Lançado em 1999, o filme protagonizado pelo (até então) casal número um dos Estados Unidos, causou uma grande comoção entre os amantes da sétima arte. Tom Cruise e Nicole Kidman interpretam um casal em crise e foi adaptada de romance escrito por Arthur Schnitzler, chamado Traumnovelle. Dois anos foi o período de filmagem, tempo que o perfeccionismo de Kubrick achou necessário para a conclusão do filme, mas não o necessário para agradar à crítica e público.

04

Morte

Kubrick faleceu enquanto dormia, devido a um ataque cardíaco, em 7 de março de 1999, não testemunhando a fria recepção que seu último trabalho obteve. O último projeto cinematográfico em que esteve envolvido, mas que por questões de saúde não dirigiu, foi AI:Inteligência Artificial, de Steven Spielberg. Encontra-se sepultado em Childwickbury Manor, Hertfordshire na Inglaterra. Kubrick foi eleito o sexto maior diretor de todos os tempos pelos cineastas pesquisados pelo British Film Institute e a revista Sight & Sound em 2002.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando